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“FOI LITERALMENTE UM RESGATE”, DIZ JACSON DAMASCENO SOBRE DEPRESSÃO

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Em meio ao “Janeiro Branco”, mês dedicado à promoção da saúde mental, o jornalista Jacson Damasceno, com mais de 25 anos de atuação no jornalismo potiguar, quebrou o silêncio no último fim de semana para relatar o quadro de depressão que enfrentou e o processo de recuperação que já dura cerca de um ano e meio. Em entrevista ao Diário do RN, Jacson contou como reconheceu a doença, atravessou um período de perdas sucessivas e, agora, comemora novas conquistas na vida pessoal e profissional.

O relato começa muito antes do diagnóstico de depressão, recebido em 2024. Jacson lembra que, há cerca de 15 anos, enfrentou sua primeira grande crise emocional, marcada pela ansiedade extrema e pela síndrome do pânico. “Foi logo depois que perdi meu irmão caçula em um acidente de carro”, recorda. Na época, vieram o medo constante, o pavor de sair de casa e a sensação recorrente de que algo grave estava prestes a acontecer. “Meu coração acelerava, eu suava, as pernas tremiam e achava que estava enfartando”, relata. Ele lembra que o tratamento com psiquiatra e psicólogo trouxe melhora, embora a ansiedade tenha permanecido, de forma pontual, ao longo dos anos.

A depressão, porém, foi diferente. Segundo Jacson, os sinais começaram a se intensificar há cerca de um ano e meio, após uma sequência de acontecimentos difíceis. A perda da mãe durante a pandemia, a saída do emprego, o endividamento e a separação conjugal foram se acumulando.

“Uma série de grandes problemas foram acontecendo e isso foi minando a minha capacidade de resolvê-los”, afirma. Aos poucos, a tristeza tomou espaço. “Eu não tinha vontade de sair de casa, não conseguia sair da cama para ir trabalhar”, conta.

Com experiência profissional na área, inclusive como assessor de imprensa da Associação Norte-rio-grandense de Psiquiatria, Jacson reconheceu os sintomas. “Eu falava muito sobre depressão e ansiedade e percebi que não estava bem”, diz. Ainda assim, tentou esconder o quadro da família.

No trabalho, onde atuava na assessoria de imprensa do Governo do Rio Grande do Norte, o abatimento já era perceptível. “Eu faltava, andava cabisbaixo, com certeza perceberam que havia algo errado”, relata.

A virada aconteceu quando a ex-esposa, que também é sua prima, o encontrou em estado debilitado. Chocada, ela decidiu avisar a família na Bahia, onde Jacson tem raízes. “Foi literalmente um resgate”, resume. Em poucos dias, parentes viajaram até Natal e o levaram para Catu, cidade a cerca de 100 quilômetros de Salvador. “Quando cheguei, tinha uma casa pronta para mim, decorada com cartazes e balões, e toda a família ao redor”, lembra.

O acolhimento foi decisivo. Morando perto da avó, de tias e tios, Jacson teve apoio integral. “Eles bancaram meu tratamento, minha alimentação, psiquiatra, medicamentos e psicólogo”, conta.

Amigos também desempenharam papel importante, tanto os de Natal quanto os da Bahia. Três, em especial, o ajudaram por meio da fé, cada um à sua maneira, católica, espírita e adventista. “Foram essenciais nesse processo”, afirma.

Mas, mesmo com a melhora progressiva, iniciada por volta de março do ano passado, o ócio passou a incomodá-lo. “Trabalhei 25 anos consecutivos no jornalismo. Não ser produtivo, não ter rotina, estava me adoecendo”, confessa. A retomada começou de forma inesperada, incentivada por uma amiga e pela psicóloga, que sugeriram que ele falasse sobre o assunto nas redes sociais.

Após resistência inicial, Jacson decidiu gravar um vídeo simples, em uma manhã comum. “Falei de coração, de primeira”, diz.

Publicado na última semana, o depoimento viralizou e trouxe uma avalanche de mensagens de apoio. “Eu me senti amado, acolhido, querido”, relata. Os comentários, segundo ele, ajudaram a acalmar a ansiedade. Jacson passou a responder mensagens privadas como forma de retribuição.

“Não sou especialista, mas como alguém que passou pelo problema, tento aconselhar”, afirma.

Hoje, ele vê no relato público uma forma de ajudar quem enfrenta situação semelhante.

Por fim, Jacson deixa uma mensagem a quem vive situação semelhante. “Primeiro, procure ajuda. Fale com alguém de confiança e, se puder, busque um psiquiatra e um psicólogo”, orienta.

Ele ressalta que a paciência é fundamental durante o processo. “Um dos desesperos da depressão é acordar todos os dias se sentindo mal, mas isso passa”, afirma. A fé também foi decisiva. “Tive uma experiência com Deus. Ele está reescrevendo a minha história”, diz. Jacson destaca que essa nova fase já se reflete na vida profissional. “Esta semana estou comemorando minha contratação pela Band Bahia, como um símbolo de retomada e superação”, conclui.

Em 25 anos de carreira, jornalista atuou em importantes veículos do RN – Foto: Reprodução

Janeiro Branco
Criado em 2014, o Janeiro Branco surgiu a partir da iniciativa do psicólogo Leonardo Abrahão e de um grupo de profissionais de Uberlândia, em Minas Gerais, com o objetivo de estimular a reflexão e o diálogo sobre a saúde mental e emocional no início do ano, período simbólico de recomeços. A campanha cresceu ao longo da última década e ganhou reconhecimento nacional em 2023, quando passou a ser oficialmente instituída pela Lei Federal nº 14.556, que estabelece o mês de janeiro como dedicado à conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental no Brasil.

Dentro desse contexto, relatos como o do jornalista Jacson Damasceno contribuem na desmistificação da doença e trazem esclarecimento sobre a importância do apoio profissional especializado, além do papel fundamental de familiares e amigos na detecção do quadro e no suporte necessário durante o tratamento.


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