GOLPES IMOBILIÁRIOS ACENDEM ALERTA PARA COMPRA SEGURA DE IMÓVEIS NO RN

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A compra de um imóvel costuma representar uma das decisões financeiras mais importantes da vida. No entanto, operações recentes realizadas no Rio Grande do Norte acenderam um alerta para um tipo de fraude que tem feito vítimas: criminosos que se passam por proprietários ou representantes autorizados para negociar imóveis utilizando documentos falsificados e identidades de terceiros.

Em alguns casos, compradores chegaram a pagar sinais e assumir supostos financiamentos por imóveis que não estavam sendo vendidos pelos verdadeiros donos. Segundo a advogada especialista em Direito Imobiliário Mychelle Maciel, os golpes costumam explorar a pressa do comprador, ofertas abaixo do valor de mercado e a aparência de autenticidade da documentação apresentada.

“Esses golpes geralmente começam com anúncios falsos ou com a abordagem direta de interessados. O fraudador se apresenta como proprietário ou representante autorizado, utiliza documentos falsificados ou dados reais obtidos indevidamente e tenta acelerar a negociação. O objetivo costuma ser receber sinais, depósitos ou até o pagamento integral antes que a vítima confirme a titularidade do imóvel e os poderes de quem está conduzindo a transação”, explicou.

De acordo com a especialista, a credibilidade do golpe é construída a partir de informações verdadeiras sobre o imóvel, documentos aparentemente regulares e pressão para que a negociação seja concluída rapidamente.

“Os criminosos costumam utilizar documentos falsificados, anúncios bem elaborados, perfis aparentemente confiáveis e informações verdadeiras sobre o imóvel para dar credibilidade ao golpe. Também podem se passar por proprietários, corretores ou procuradores e conduzir a negociação de forma muito convincente”, afirmou.

Antes de assinar qualquer contrato ou realizar pagamentos, Mychelle recomenda solicitar diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis uma certidão atualizada da matrícula.

“O primeiro passo é solicitar a matrícula atualizada do imóvel e verificar, diretamente no Cartório de Registro de Imóveis competente, a sua situação atual: quem é o verdadeiro proprietário e se existem ônus ou pendências registrados. Também é altamente recomendável contratar um advogado especializado em Direito Imobiliário para realizar a due diligence (auditoria preventiva detalhada da documentação de um imóvel e do histórico de seus vendedores antes de fechar qualquer negócio.)”, explicou.

Segundo ela, a matrícula permite identificar o proprietário registrado, o histórico do imóvel e a existência de restrições, como penhoras, hipotecas, usufrutos ou alienação fiduciária.

Quando a venda é intermediada por um procurador, a advogada orienta que a autenticidade da procuração também seja confirmada junto ao cartório responsável.

“É fundamental conferir a identidade do procurador e verificar se a procuração concede poderes específicos para vender aquele imóvel. Sempre que possível, recomendo confirmar a negociação diretamente com o proprietário, por um contato obtido de forma independente”, destacou.

Outro erro recorrente é realizar pagamentos antes da conclusão das verificações documentais.

“Os principais erros são confiar apenas na aparência dos documentos e na conversa do vendedor, deixar-se levar pelo preço atrativo e pela pressão para decidir rapidamente e realizar pagamentos antes de verificar a documentação”, alertou.

A especialista ressalta que visitas ao imóvel e conversas com vizinhos podem ajudar a identificar inconsistências, mas não substituem a análise documental.

“Visitar o imóvel e conversar com vizinhos ou moradores pode ajudar a identificar quem ocupa o bem e conhecer seu histórico. São cuidados complementares importantes, mas não comprovam, por si só, quem é o proprietário ou quem está autorizado a vender”, disse.

Checklist antes da compra é fundamental
Entre os principais cuidados recomendados pela especialista estão solicitar a matrícula atualizada diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis, confirmar a identidade do vendedor e, quando houver procurador, verificar a autenticidade da procuração e os poderes concedidos.

Também é importante analisar certidões fiscais e ações judiciais, conferir débitos como IPTU e condomínio, visitar o imóvel, submeter toda a documentação à análise de um advogado especializado e definir por escrito as condições de pagamento e responsabilidades das partes.

Para Mychelle Maciel, a cautela continua sendo a melhor forma de proteger um investimento que, muitas vezes, representa o patrimônio de uma vida inteira.

“A melhor forma de proteger esse sonho é não permitir que a emoção e a pressa substituam os cuidados necessários. Comprar um imóvel pode representar o investimento de uma vida, por isso é fundamental verificar a documentação, conhecer a situação do bem e dos vendedores e contar com orientação jurídica especializada antes de assumir compromissos ou realizar pagamentos.

Nenhuma oportunidade é tão boa que justifique abrir mão da segurança”, concluiu.


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AEROPORTO DE NATAL SEGUE TENDÊNCIA NACIONAL E BATE RECORDE DE PASSAGEIROS

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O Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante, registrou o maior movimento para um mês de agosto desde o início das operações, em 2014. O terminal recebeu 242,6 mil passageiros entre embarques e desembarques, crescimento de 21% em comparação com agosto de 2025.

Os dados são da Zurich Airport Brasil, administradora do terminal. O resultado também marcou o quarto mês de 2026 com crescimento acima de 20% na movimentação de passageiros.

O avanço ocorreu nos dois segmentos. O tráfego doméstico alcançou 227,9 mil passageiros, alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já o movimento internacional somou 14,6 mil passageiros, crescimento de 76%.

O gerente do Natal Airport, André Lima, destacou que o resultado representa um dos melhores desempenhos do terminal desde a inauguração.

“Tivemos nesse mês de agosto de 2026 um crescimento bastante relevante, de 21% se comparado ao mesmo período de 2025, e recorde, a maior movimentação de um mês de agosto desde a inauguração desse terminal em 2014. O destaque aqui é que o crescimento acontece tanto nos passageiros domésticos, que mostraram 18% de crescimento, quanto sobretudo no internacional, com destaque de 76% de crescimento comparados com 2025”, afirmou.

Segundo André Lima, o desempenho positivo está relacionado ao aumento da oferta de voos, à entrada de novas operações e às ações de incentivo ao setor aéreo.

“Esse crescimento é fundamentalmente a combinação de uma estratégia vencedora que passa pela modernização que ocorreu em relação à nossa legislação de subsídio incidente sobre o querosene da aviação, combinada com a promoção turística aprimorada realizada com todo o trade”, explicou.

Voos extras e novas rotas impulsionam movimento
Durante julho e agosto, período de férias, as companhias aéreas ofertaram 176 voos extras para atender ao aumento da procura pelo destino potiguar.

São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Lisboa estiveram entre os principais mercados emissores de passageiros para o Aeroporto de Natal.

André Lima ressaltou que o Rio Grande do Norte mantém uma posição consolidada no turismo nacional e que a ampliação da malha aérea acompanha essa demanda.

“O Rio Grande do Norte é um destino consolidado e cada vez mais procurado”, afirmou.

Segundo o gerente, a ampliação da operação internacional também contribuiu para o crescimento. No meio do ano, o aeroporto recebeu a rota direta entre Natal e Montevidéu, operada pela GOL Linhas Aéreas, uma conexão inédita para o terminal.

“Como uma boa ilustração dessa força, nesse período de julho e agosto nós tivemos mais de 176 voos extras colocados pelas companhias aéreas para dar conta dessa demanda do nosso mercado”, disse.

Ele também destacou a expectativa para a próxima alta temporada, com novos voos internacionais e domésticos.

“Teremos também para a próxima alta estação adicionada nessa operação internacional as operações de Buenos Aires, da Latam, que se somam às operações da Gol e da JetSmart, que começou no final do ano passado conosco aqui, e teremos também incremento das operações domésticas, como, por exemplo, destinos novos de Curitiba e Goiânia, que passarão a operar com a Azul aqui em nosso terminal no final desse ano e início do ano que vem”, afirmou.

RN mantém uma posição consolidada no turismo nacional e ampliação da malha aérea acompanha demanda – Foto: Reprodução

Primeiro semestre de 2026 registrou crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado

O desempenho do Aeroporto de Natal em 2026 acompanha uma sequência de resultados positivos. No primeiro semestre, o terminal movimentou 1.387.440 passageiros, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi o maior registrado em um primeiro semestre desde a inauguração do aeroporto, em maio de 2014. Segundo dados da Anac, também representou a maior movimentação no período em um terminal aeroportuário do Rio Grande do Norte desde 2002.

Entre janeiro e junho, o aeroporto registrou 9.268 voos, aumento de 16%. As operações domésticas cresceram 13%, enquanto os voos internacionais tiveram alta de 66%.

Desde fevereiro de 2024, quando assumiu a administração do Aeroporto de Natal, a Zurich Airport Brasil informa ter investido cerca de R$ 59 milhões em melhorias na infraestrutura do terminal.

Entre as intervenções estão a modernização do sistema de climatização, implantação de Wi-Fi gratuito de alta velocidade, sala multissensorial, espaço pet, nova sinalização e abertura de salas VIP.

A administradora também destaca a implantação de uma usina solar com 11 mil painéis fotovoltaicos, projeto que deve tornar o aeroporto autossuficiente em energia elétrica.


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ÁLVARO: “O POVO ENTENDEU QUE SOMOS A MELHOR OPÇÃO PARA TIRAR O RN DO ATRASO”

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O candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, avaliou que a passagem de Flávio Bolsonaro por Natal, na segunda-feira (21), fortaleceu a mobilização da campanha e pode influenciar a reta final da disputa no Estado. Segundo ele, a participação popular durante a agenda demonstrou o engajamento dos apoiadores e garantiu um reforço extra tanto para a sua candidatura quanto a do presidenciável.

“A vinda de Flávio ao Rio Grande do Norte mostrou que existe uma força nas ruas que muita gente insiste em ignorar. O que vimos em Natal foi entusiasmo, participação popular e uma militância que está cada vez mais mobilizada. Foi uma demonstração política importante nesta reta final”, afirmou Álvaro.

Na avaliação do candidato, a agenda também evidenciou uma posição política definida diante do eleitorado.

“Eu não escondo meu lado e não tenho medo de dizer em quem voto para presidente. Flávio tem o nosso apoio, e nós queremos construir uma relação forte com o Governo Federal para trazer investimentos e oportunidades para o Rio Grande do Norte. Enquanto alguns tentam enganar o povo e a um ou aos dois lados mais representativos dessa disputa nacional, por oportunismo eleitoral, nós temos posição clara diante do eleitor, que sempre prefere e merece a verdade”, disse.

Para Álvaro, a mobilização registrada durante a visita pode refletir diretamente nas urnas.

“Quem acompanhou o que aconteceu em Natal viu uma militância animada e pronta para ir às urnas. Isso fortalece Flávio e fortalece a nossa campanha. Entramos na reta final com muita disposição e alegria e com a certeza de que o povo entendeu que somos a melhor opção para tirar o RN do atraso e mudar o que está aí”, declarou.

O candidato também agradeceu aos apoiadores que participaram do ato político.

“Agradeço a todos que vestiram o verde e amarelo e foram às ruas no maior evento político que o Rio Grande Norte já viveu”, afirmou.

Ao projetar os últimos dias antes da eleição, Álvaro sinalizou que pretende intensificar a campanha.

“Agora é campanha na rua até o último minuto”, concluiu.

A agenda de Flávio Bolsonaro em Natal reuniu lideranças do PL e aliados políticos em uma motocarreata que saiu do Centro de Convenções e seguiu até a Praça Cívica, onde ocorreu um comício.

Além de Álvaro Dias, participaram da programação o candidato a vice-governador Babá Pereira, o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim, o candidato ao Senado Coronel Hélio, o senador Rogério Marinho, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, além de candidatos a deputado federal e estadual.

Durante o evento, Flávio Bolsonaro defendeu uma parceria política com a chapa do PL no Rio Grande do Norte.

“Eu vou precisar de um governador e um vice-governador que façam parceria junto comigo”, afirmou o presidenciável.


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VÍDEOS MOSTRAM PREFEITO DE MOSSORÓ USANDO A MÁQUINA EM PROL DE ALLYSON

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“A gente está andando aqui para pedir voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson.” A declaração é do prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, realizada no último domingo (20), durante uma reunião com moradores da comunidade rural Puxa-Boi, na Zona Rural do município. A passagem pela comunidade buscava apoio para a campanha do candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União) e para a candidata a deputada estadual Cinthia de Allyson. Na ocasião, o atual gestor ouviu reivindicações da população sobre abastecimento de água e atendimento em saúde.

Um vídeo obtido pelo Diário do RN, mostra o pedido explicito de voto do atual prefeito:
“A gente está andando aqui para pedir voto para o nosso governador. Pedindo voto para Allyson, para a nossa deputada estadual, Cinthia de Allyson. A gente precisa reunir o máximo possível (de votos) para apoiar o candidato, para que a gente consiga pedir e cobrar”, afirmou.

A reunião ocorreu por volta das 16h30, na residência de uma moradora da comunidade identificada como Gideilda. Nas imagens, Marcos Medeiros aparece usando camisa azul royal, boné na mesma cor, bottons e adesivos da campanha de Allyson Bezerra. Integrantes da equipe também utilizavam material de campanha dos candidatos.

O pedido de votos aconteceu após o atual prefeito de Mossoró ouvir a pauta de reivindicações dos moradores relacionadas à ampliação da rede de abastecimento de água e ao acesso aos serviços de saúde.

Durante a conversa, moradores relataram dificuldades para acessar atendimento médico, já que a comunidade não possui Unidade Básica de Saúde (UBS). Como alternativa, o prefeito sugeriu concentrar os atendimentos em um único dia da semana, com transporte disponibilizado pela Prefeitura.

“Quando a pessoa for, ela vai dizer, olha, tem tantas pessoas lá no Boa Fé. (…) O carro vai pegar as pessoas, vai lá. É consulta médica, consulta com o dentista, com o enfermeiro. A gente leva o pessoal lá, faz todo mundo fazer a consulta e depois retorna para o pessoal. A gente já fez isso em Passagem de Pedra, já está resolvendo, a gente vai fazer também no Olga Benário. Porque tem uma UBS próxima, a gente vai ‘botar um carro’; é consulta médica, com o dentista, é enfermagem.

Todo mundo faz a consulta e depois retorna. A gente entende que é melhor do que uma vez por semana uma equipe vir e atender numa casa improvisada. Ah, tem dez pessoas, o carro faz duas viagens”, disse Marcos Medeiros.

A proposta, no entanto, gerou questionamentos entre os próprios moradores.

Gideilda, dona da residência onde aconteceu o encontro, demonstrou preocupação com a limitação do atendimento a apenas um dia da semana.

“Eu sei que o que você está dizendo é bom. Mas a gente também tem que ver isso aí. Eu não entendo nada da saúde não. Tem que entender que o pessoal não só adoece na segunda-feira não.

Porque às vezes adoece na terça, na quarta-feira… Tem que esperar para segunda-feira. Qual é o melhor?”, questionou.

Fonte relata que pedido de votos foi associado às reivindicações

Registros da atividade de campanha estão nas redes sociais do prefeito – Foto: Reprodução

Uma pessoa da comunidade, que participou da reunião e gravou o vídeo, ouvida com exclusividade pelo Diário do RN, sob condição de preservar sua identidade, afirmou que a principal reivindicação da comunidade era relacionada à água e que o prefeito vinculou a solução dos problemas ao apoio eleitoral.

“A população estava reivindicando a água. Estava reivindicando o problema da UBS, que não tem.

E eles prometeram que iam resolver. E ele pediu voto também para Allyson e pra Cinthia”, relatou a fonte.

Questionada sobre a reação dos moradores com relação ao pedido de voto, a fonte afirmou que parte da comunidade demonstrou disposição para apoiar os candidatos.

“Eu vi o pessoal dizendo que iam ajudar. Era a oportunidade que eles tinham”, afirmou.

A mesma fonte informou que a reunião contou com a presença do prefeito, da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, além de outros integrantes da equipe da Prefeitura.

Segundo o relato, o grupo já percorria outras comunidades rurais antes de chegar a Puxa-Boi.

Nas redes sociais de Marcos Medeiros, foram publicados registros das visitas realizadas à Zona Rural naquele fim de semana, incluindo imagens da passagem pela comunidade Puxa-Boi, ilustrando claramente que a pauta nas comunidades rurais não seguiu teor administrativo, mas a busca por apoios, por votos para o ex-prefeito e ex-primeira-dama. As publicações também mostram imóveis adesivados com material da campanha de Allyson Bezerra e Cinthia de Allyson.


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ALLYSON, ÁLVARO E CADU ARRECADAM R$ 10,9 MILHÕES E GASTAM R$ 15,3 MILHÕES EM DESPESAS

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A situação financeira e orçamentária do Rio Grande do Norte virou um dos principais temas da campanha para o Governo do Estado. Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) apresentam diagnósticos e propostas diferentes para as contas públicas, mas os três colocam a questão fiscal entre os pontos centrais da disputa eleitoral. Nos números das próprias campanhas, um dado chama atenção: todos registram, neste momento, despesas contratadas superiores às receitas já recebidas.

Levantamento feito pelo Diário do RN a partir dos dados disponibilizados no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que as três campanhas acumulam R$ 15,316 milhões em despesas, diante de R$ 10,903 milhões em receitas. A diferença é de R$ 4,414 milhões.

O retrato é parcial e não significa, isoladamente, que as campanhas estejam endividadas ou em situação irregular. A prestação de contas eleitoral é atualizada durante a campanha, e despesas contratadas podem ser registradas antes do ingresso ou da contabilização de todos os recursos destinados ao pagamento. Ainda assim, o contraste chama atenção justamente porque o equilíbrio das contas públicas ocupa espaço relevante no debate entre os candidatos.

Allyson tem diferença de R$ 2 milhões
A maior diferença nominal entre receitas e despesas está na campanha de Allyson. O candidato declarou R$ 4.653.588,20 em receitas, enquanto as despesas registradas alcançam R$ 6.673.076,87. A distância entre os dois valores é de R$ 2.019.488,67.

Quase todos os recursos recebidos por Allyson têm origem partidária. A Direção Nacional do União Brasil aparece com R$ 4.055.595, equivalentes a 87,15% das receitas, enquanto a direção estadual transferiu outros R$ 549.993,20.

Do lado das despesas, os maiores contratos são de R$ 1,5 milhão com uma empresa de criatividade e produções, R$ 1 milhão com outra produtora e R$ 600 mil com marketing e propaganda. Há ainda R$ 489 mil em comunicação visual e serviços gráficos.

A questão fiscal também aparece no discurso eleitoral de Allyson. O candidato tem criticado dívidas e obrigações financeiras do Estado e defendido uma reorganização das contas estaduais.

Cadu tem diferença de R$ 1,64 milhão
Cadu apresenta a segunda maior diferença proporcional entre o que entrou e as despesas registradas. A campanha petista recebeu R$ 1.230.673,75, mas já contabiliza R$ 2.873.328,27 em despesas. A diferença chega a R$ 1.642.654,52.

A Direção Nacional do PT responde por R$ 711.552,25, ou 57,82% das receitas. O PSB Nacional aparece com outros R$ 210 mil. A prestação também registra R$ 150 mil de outra fonte e R$ 50.263 provenientes de financiamento coletivo.

Nas despesas, os maiores valores são R$ 500 mil com produção audiovisual, R$ 300 mil com serviços advocatícios, R$ 250 mil com mídia e R$ 217 mil com estruturas, serviços e locações.

Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu apresenta uma abordagem diferente dos adversários sobre as contas do Estado. Em sua campanha, defende medidas para ampliar a capacidade de investimento e já propôs limitar o crescimento da despesa com pessoal a 80% da evolução da Receita Corrente Líquida.

Álvaro registra diferença de R$ 751 mil
Álvaro é quem apresenta a menor distância entre receitas e despesas entre os três. A candidatura recebeu R$ 5.018.460 e registra R$ 5.770.039,87 em despesas contratadas. A diferença é de R$ 751.579,87.

A origem dos recursos é ainda mais concentrada no partido. Dos R$ 5,018 milhões recebidos, R$ 5 milhões vieram da Direção Nacional do PL, o equivalente a 99,63% da arrecadação informada ao TSE.

A maior despesa é de R$ 1,8 milhão com comunicação e marketing político. Outros R$ 1 milhão estão destinados a uma produtora e R$ 500 mil a serviços advocatícios.

O debate sobre equilíbrio fiscal também faz parte da trajetória recente de Álvaro. Relatórios técnicos relativos às contas de sua passagem pela Prefeitura do Natal apontaram, em diferentes exercícios, déficits orçamentários entre as inconsistências analisadas pelo TCE-RN.

Retrato ainda é parcial
O paralelo entre o discurso sobre as contas públicas e as finanças eleitorais tem limites. Uma campanha não funciona sob as mesmas regras de um orçamento estadual, e a diferença entre despesas contratadas e receitas recebidas durante o período eleitoral não equivale automaticamente a déficit orçamentário ou financeiro de um ente público.

O que os dados do TSE permitem mostrar é um retrato objetivo deste momento da campanha.


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RN MANTÉM NÚMERO DE DOAÇÕES DE ÓRGÃOS ESTÁVEL NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS

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Mais de mil pessoas aguardam por um transplante no Rio Grande do Norte, enquanto a taxa de doação de órgãos permanece estável nos últimos três anos. Os dados da Central de Transplantes revelam a importância da conscientização durante a campanha Setembro Verde, que busca ampliar o número de doadores e reduzir o tempo de espera de pacientes que dependem do procedimento para continuar vivendo.

Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Rogéria Medeiros, o Estado realiza atualmente transplantes de córnea, medula óssea, rim e coração. Já os pacientes que necessitam de transplantes de fígado, pâncreas ou procedimentos combinados são encaminhados para outros estados.
Atualmente, a fila de espera reúne 612 pessoas que aguardam transplante de córnea, 372 de rim e 33 de medula óssea. No caso do transplante de coração, conforme as informações da Central de Transplantes, não há pacientes aguardando pelo procedimento no momento.

Rogéria explica que o número de doações tem permanecido praticamente estável.

“O Estado mantém a mesma taxa de doação praticamente estável nos últimos três anos. Em 2026, até 31 de agosto, nós realizamos um transplante de coração, 100 transplantes de medula óssea, 138 transplantes de córnea e 46 transplantes renais. Aqui no nosso estado, cada doador pode doar até seis órgãos”, explicou.

Ela acrescenta que alguns procedimentos ainda não são realizados no Rio Grande do Norte.

“Os pacientes que precisam de transplante hepático, transplante duplo de rins e pâncreas, transplante duplo de fígado e rins e transplante de pâncreas são encaminhados para outros estados”, esclareceu.

Embora muitas pessoas manifestem o desejo de ser doadoras, a decisão final depende da autorização dos familiares.

“Quem autoriza a doação são os familiares de primeiro grau, após a constatação do óbito do familiar”, explicou Rogéria.

Segundo a coordenadora, é comum que familiares apresentem dúvidas no momento da entrevista para autorização da doação.

“Sempre tem, sim, muitas dúvidas da família em relação à doação de órgãos, mas cada família tem sua particularidade e suas dúvidas são tiradas no momento da entrevista”, afirmou.

Transporte rápido amplia chances de sucesso
Depois que a doação é autorizada, o tempo passa a ser um fator decisivo. No Rio Grande do Norte, o Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) atua no transporte de órgãos e, em alguns casos, de pacientes, garantindo rapidez para que o transplante ocorra dentro do tempo adequado.

A atuação do grupamento ocorre por meio de um termo de cooperação com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-RN). A Central de Transplantes aciona diretamente o Coordenador de Operações Aéreas, responsável por organizar a missão.

O CIOPAER dispõe atualmente de dois helicópteros, Potiguar 01 e Potiguar 02. Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizadas 24 missões de transporte de órgãos, todas concluídas com sucesso.

Quando o transplante será realizado em outro estado, o transporte aéreo leva o órgão até o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando as chances de preservação do material para o procedimento.

Para o piloto Eduardo Costa, participar dessas missões vai além da atividade operacional.
“Para mim, o transporte aéreo de órgão é um voo pela própria vida e a missão mais nobre que um piloto pode realizar, pois cada minuto pode representar uma nova chance para alguém. Exige muita coordenação e absoluto comprometimento de cada envolvido. E, acima de tudo, é sentir que somos instrumentos de bondade no transporte de esperança para uma família”, disse.

Setembro Verde acende alerta de conscientização
A campanha Setembro Verde busca ampliar o diálogo sobre a importância da doação de órgãos e incentivar que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de ser doadoras. Como a autorização depende da família, informar essa decisão ainda em vida é considerado um dos principais passos para aumentar o número de transplantes e oferecer uma nova oportunidade a quem aguarda na fila de espera.


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PASSAGEM DE FLÁVIO POR NATAL DÁ NOVO FÔLEGO À CAMPANHA DE ÁLVARO DIAS

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A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), serviu como tentativa de dar novo fôlego à campanha de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado. Em uma reta final marcada pela dificuldade do ex-prefeito de Natal em ampliar seu desempenho nas pesquisas, o presidenciável reuniu o palanque do partido, pediu votos para Álvaro e reforçou também as candidaturas de Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos) ao Senado.

Durante a mobilização em Natal, Flávio chamou Álvaro de “meu governador” e buscou associar sua candidatura presidencial à chapa potiguar. “Álvaro Dias, governador!”, afirmou, antes de se dirigir diretamente ao candidato: “Fale, meu governador”.

O reforço ocorre em um momento importante para Álvaro. Depois de aparecer com 25,37% das intenções de voto na pesquisa DataVero/Diário do RN divulgada em 14 de agosto e oscilar para 25,85% no levantamento seguinte, o candidato recuou para 23,11% na rodada mais recente, divulgada em setembro. Com o resultado, passou a ocupar a terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil), que lidera com 35,18%, e Cadu de Lula (PT), que aparece em segundo, com 28,28%.

A presença de Flávio, portanto, colocou o candidato do PL no centro de uma grande mobilização justamente quando sua campanha busca ganhar tração na reta final. O presidenciável desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e participou de compromissos ao lado de Álvaro. A programação incluiu motocarreata, com saída do Centro de Convenções, e ato político na Praça Cívica.

Além de Álvaro, participaram da agenda o senador Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, Coronel Hélio, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), além de candidatos, prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas.

Flávio reforça chapa ao Senado
No discurso, Flávio também fez um pedido direto de votos para os candidatos ao Senado que integram o palanque de Álvaro. Ao citar Coronel Hélio e Styvenson Valentim, destacou a importância de eleger aliados para o Congresso.

“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, afirmou.

Flávio relacionou a eleição dos senadores à possibilidade de avançar propostas no Congresso e citou, entre suas prioridades, mudanças na legislação penal, endurecimento de penas, redução de impostos e destinação de recursos para saúde e educação.

A referência a Styvenson ocorreu apesar de o senador não ter participado da agenda da tarde, quando Flávio discursou e pediu votos para os dois candidatos ao Senado. Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro ao lado de Coronel Hélio, Styvenson se juntou ao palanque somente à noite, durante o comício realizado na Praça Cívica.

Flávio também buscou animar a militância e tratou a reta final como momento de intensificar a campanha. “Se estiver cansado, se estiver triste, lembra que o presidente Bolsonaro está lá”, declarou, em referência ao pai, Jair Bolsonaro, que está preso desde agosto de 2025.


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CADU AFIRMA QUE ALLYSON “PODE SER PRESO NOS PRÓXIMOS SEIS MESES”

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O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou que o adversário Allyson Bezerra (União Brasil) “pode ser preso nos próximos seis meses”. A declaração foi dada durante o debate promovido pela TV Tropical, na noite desta segunda-feira (21), quando o petista voltou a explorar as investigações da Polícia Federal que envolvem o ex-prefeito de Mossoró. O debate reuniu ainda Robério Paulino (PSOL); Álvaro Dias (PL) não compareceu.

Cadu levantou o assunto durante uma discussão sobre segurança pública. Ao responder ao adversário, levou o embate para as investigações e questionou o eleitor sobre a possibilidade de escolher um candidato que, segundo ele, pode enfrentar consequências com o avanço das apurações.

“O que a gente tem que discutir aqui, estamos na reta final, é se você vai sair de casa, o senhor, a senhora, para votar num candidato que pode ser preso nos próximos seis meses”, disparou.

Na sequência, relacionou a afirmação à continuidade das apurações da Polícia Federal. “A investigação da Polícia Federal teve seu prazo renovado. Se não tivesse nada, ela teria sido arquivada. Pelo contrário, ela foi renovada, porque tem muita coisa para investigar”, declarou.

O petista usou a prorrogação do inquérito para reforçar o ataque ao adversário e sustentar que o caso ainda pode ter novos desdobramentos. Em agosto, a investigação foi prorrogada por mais 90 dias, após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que manteve a Operação Mederi sob sua competência e preservou provas questionadas pela defesa da Dismed. A medida permite novas diligências, mas não antecipa eventual conclusão sobre responsabilidade criminal dos citados.

Cadu também levou para o debate os valores relacionados aos contratos sob investigação. “Temos Allyson, investigado em mais de R$ 400 milhões em supostos desvios, na gestão dele em Mossoró”, afirmou. O próprio petista classificou os desvios como “supostos”; o montante citado está relacionado aos contratos colocados sob suspeita nas apurações e não significa que R$ 400 milhões tenham sido comprovadamente desviados.

O tom subiu ainda mais quando Cadu passou a relacionar ações que pretende adotar para reforçar a segurança do estado. “É dessa forma que se combate a criminalidade, e não desviando recursos públicos da saúde, de medicamentos, para colocar o dinheiro ninguém sabe aonde, mas a Polícia Federal vai descobrir”, atacou.

Na mesma resposta, insistiu que o caso permanece aberto e que as apurações ainda podem produzir novos fatos. “Essa operação continua, ele continua sendo investigado, tem muita prova no processo, os vídeos estão saindo por aí, vocês estão vendo”, declarou.

Em outro momento do debate, Cadu voltou a mirar diretamente o adversário e resumiu o ataque em uma frase: “A tua casa vai cair. A Polícia Federal tá te investigando”, disse. A declaração reforçou o tom adotado pelo petista no confronto, no qual as investigações envolvendo a gestão de Mossoró estiveram entre os principais pontos utilizados contra Allyson.

Operação Mederi
Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvios relacionados à compra de medicamentos por municípios do Rio Grande do Norte. Allyson foi alvo de busca e apreensão e está entre os investigados. Informações dos autos apontam que a PF apura suspeitas de pagamento de propina envolvendo contratos da Dismed Distribuidora de Medicamentos.

O caso também chegou à esfera eleitoral. Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada ao TRE-RN busca apurar se recursos supostamente desviados de contratos da saúde de Mossoró tiveram destinação eleitoral, inclusive para a campanha de Allyson. A eventual ligação entre esses recursos e a campanha ainda precisa ser comprovada durante a instrução.

Allyson nega irregularidades. Quando a operação foi deflagrada, sua defesa afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas de fraude e recebimento de propina. Até o momento, a investigação não resultou em condenação do candidato.


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STYVENSON MANTÉM DISTÂNCIA DA CHAPA E SÓ APARECE NO FIM DA AGENDA EM NATAL

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A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), reuniu os principais nomes de seu palanque no Estado, mas expôs um distanciamento do senador Styvenson Valentim (Podemos). Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro Dias (PL), Styvenson não acompanhou os compromissos realizados durante o dia e só apareceu no fim da programação, durante o comício na Praça Cívica, em Natal.

A chegada apenas no último ato chamou atenção porque Styvenson integra formalmente o mesmo projeto eleitoral. Apoia Flávio para presidente, disputa uma das vagas ao Senado na coligação de Álvaro e tem Coronel Hélio (PL) como companheiro de chapa. Mesmo assim, enquanto os demais nomes do grupo acompanharam o presidenciável desde os primeiros compromissos, Styvenson permaneceu longe do palanque durante boa parte do dia.

Flávio desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e depois participou de almoço com aliados em Natal. Álvaro Dias, Coronel Hélio e Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, estavam entre os presentes. A programação seguiu com mobilização pelas ruas da capital até o comício na Praça Cívica.

Styvenson não constava entre os principais nomes anunciados para acompanhar os compromissos anteriores ao comício.

O contraste aumentou porque foi justamente durante a ausência do senador que Flávio fez uma defesa pública de sua reeleição. No encontro com aliados, o presidenciável pediu votos para Coronel Hélio e Styvenson e apresentou os dois como os nomes que deseja ter no Senado pelo Rio Grande do Norte.

“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, declarou Flávio.

Styvenson só apareceu mais tarde, no comício que encerrou a programação. A chegada no último compromisso amenizou a ausência durante o restante do dia, mas não passou despercebida diante da movimentação dos demais integrantes do grupo. Em plena reta final, quando as campanhas procuram demonstrar unidade e colocar seus principais candidatos lado a lado, o senador ficou distante justamente durante parte da visita do presidenciável que apoia.

A postura também se refletiu nas redes sociais. Até o fechamento desta edição, Styvenson não havia publicado conteúdo destacando a passagem de Flávio pelo Rio Grande do Norte, o apoio recebido do candidato à Presidência ou sua própria participação no comício.

Apesar dos rumores nos bastidores, a presença de Styvenson à noite confirmou que o senador continua integrado ao palanque. O comportamento ao longo do dia, entretanto, alimentou nos bastidores especulações sobre o grau de envolvimento do candidato com a campanha de Flávio e com a própria exposição do bolsonarismo no Estado.

Bolsonarismo foi rejeitado dias antes
O distanciamento durante boa parte da agenda ocorreu poucos dias depois de Styvenson minimizar a identificação de Coronel Hélio com o bolsonarismo. Durante sabatina da Inter TV Cabugi, na semana passada, o senador elogiou o companheiro de chapa, mas pediu que sua vinculação política fosse colocada de lado.

“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Ao mencionar diretamente a posição ideológica do aliado, acrescentou: “Ah, mas ele é bolsonarista. Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.

Coronel Hélio assumiu posição diferente ao falar sobre o assunto em entrevista ao Diário do RN.

“De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, declarou.


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“TUDO O QUE EU VIA ANTES NÃO ERA NADA”: A VIDA APÓS UM TRANSPLANTE

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“É maravilhoso você abrir os olhos e enxergar. É quando você descobre que realmente tudo que você viu até então não era nada.” A frase de Rosilene Moreira Bezerra Fernandes, de 43 anos, resume a transformação vivida após um transplante de córnea. Durante 23 anos, ela acreditou que enxergar o mundo de forma turva era simplesmente a sua realidade. Só depois da cirurgia descobriu que existia outra forma de ver a vida.

A história ganha ainda mais significado durante o Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Celebrado em torno do Dia Nacional da Doação de Órgãos, em 27 de setembro, o movimento busca incentivar as pessoas a manifestarem, ainda em vida, o desejo de serem doadoras às suas famílias. Atualmente, mais de 49,5 mil brasileiros aguardam por um transplante, segundo o Ministério da Saúde.

No Rio Grande do Norte, a maior fila é justamente para transplante de córnea. Dados da Central de Transplantes apontam que 612 pessoas aguardam por uma córnea compatível. Outras 372 esperam por um rim e 33 por medula óssea.

Rosilene conta que os problemas com a visão começaram ainda na infância.

“Aos seis anos de idade, quando eu fazia a alfabetização, as crianças nessa fase escrevem do quadro para o caderno e a minha professora e a minha mãe notaram que faltavam letras no que eu estava escrevendo. Então, procurando o oftalmologista, ele disse que eu precisava usar óculos e que eu não podia tirar em nenhum momento, só para tomar banho e para dormir, e que ficasse acompanhando. Então, ao longo dos anos, eu fui sempre no oftalmologista, renovando, e sempre a lente, o grau ficava mais alto, sempre mais alto, e mesmo assim eu continuava cada vez mais enxergando mais embaçado”, recordou.

A mãe dela, Elionilce Moreira Bezerra, lembra que os primeiros indícios surgiram antes mesmo da escola.

“Ela assistia televisão de muito perto e eu sempre disciplinava, dizendo que não era para assistir perto, que estragava a vista e ela dizia que não conseguia ver as pessoas direito. Mas quando ela começou a estudar, começou a fazer alfabetização, fui procurada pela professora, dizendo que ela dizia que não enxergava certas letras no quadro, e eu fui observar nos cadernos dela, e na verdade faltava sempre algumas letras. Então fui orientada pela professora para que eu procurasse um oftalmologista, e procuramos”, lembrou.

As consultas passaram a fazer parte da rotina da família. Apesar do acompanhamento constante, o diagnóstico definitivo só veio aos 18 anos.

“Fiz vários exames e bateu o diagnóstico que era ceratocone, e que de 10 anos a 15 anos para frente, eu precisaria fazer o transplante”, contou Rosilene.

Durante a alfabetização, professora percebeu dificuldade e oftalmologista recomendou o uso de óculos: “eu não podia tirar em nenhum momento” – Foto: Reprodução

O que é o ceratocone?
O médico oftalmologista e responsável técnico pelo Banco de Olhos do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), Uchoandro Bezerra Costa Uchôa, explica que a doença provoca uma deformação progressiva da córnea.

“Quanto mais avançada for a doença, mais ela atrapalha a visão, dificultando ao paciente enxergar os objetos mesmo com o uso de óculos”, esclareceu.

Com a progressão do ceratocone, Rosilene passou a enfrentar dificuldades que interferiam diretamente em sua rotina.

“No trabalho, as fontes do computador sempre precisavam estar em negrito e em tamanho muito grande para que eu pudesse enxergar, mesmo assim era uma dificuldade, ainda estava muito embaçado. Eu também tinha dificuldade para enxergar o destino do ônibus. Então passava ônibus e eu não via, então eu chegava atrasada no trabalho. Já cheguei a correr risco de atropelamento várias vezes, buzinada de carro, porque eu não enxergava”, contou.

Em uma consulta de rotina, o oftalmologista que acompanhava Rosilene a encaminhou ao Banco de Olhos.

“Ele viu que um olho estava pior do que o outro, então eu precisava com urgência do primeiro transplante. E para isso, ele me inscreveu em duas filas de transplante, tanto no Rio Grande do Norte quanto em João Pessoa, na Paraíba, para ver qual dos dois chamaria primeiro. E quando foi em 2006, eu fui chamada pela primeira vez para realizar o transplante em João Pessoa”, comentou.

A cirurgia foi realizada com sucesso. Vinte e quatro horas depois, veio um dos momentos mais marcantes da sua vida.

“Com 24 horas após o transplante, quando tira o curativo, a sensação, quando você abre o olho e vê as cores muito nítidas, o rosto das pessoas com perfeição é, inclusive, uma confusão mental, porque é muita informação, dá uma dor de cabeça, mas é maravilhoso você abrir os olhos e enxergar, e ver o quanto você está enxergando, é quando você descobre que realmente tudo que você viu não era nada, porque você passa a enxergar com muita clareza”, recordou emocionada.

Para a mãe, aquele momento permanece inesquecível.

“Ela foi transplantada, e a minha felicidade foi enorme. Quando ela ainda com tampão, ela passou o dedo no curativo e disse: ‘mãe, eu estou vendo uma sombra, eu creio que eu vou ver bastante quando eu tirar o tampão’. E no outro dia, quando tiramos, ela esboçou um sorriso de felicidade, dizendo que estava vendo tudo. Isso para mim foi de uma alegria imensa, eu não sei nem transmitir como foi a minha felicidade, minha e do pai”, disse Elionilce.

Seis anos depois, Rosilene recebeu uma nova córnea para o outro olho. A segunda cirurgia foi realizada em Natal.

“Foi melhor ainda, porque aí agora eu já enxergava com clareza com os dois olhos”, disse.

Quando o transplante é necessário?
Apesar de ser uma das principais causas de transplante de córnea, o ceratocone nem sempre evolui para cirurgia.

“Ceratocone é uma doença que tem uma relação muito estreita com o esfregar dos olhos. Quanto mais cedo na vida o ceratocone aparece e quanto mais o paciente esfrega os olhos, mais o ceratocone pode evoluir e o paciente tem mais chance de necessitar de um transplante de córnea.

Importante salientar que a maior parte dos pacientes portadores de ceratocone não vai precisar de um transplante de córnea. Esse tipo de cirurgia só é indicada para os casos muito avançados, onde não existe outra opção terapêutica”, explicou o médico.

Segundo o especialista, o sucesso do procedimento depende de uma série de etapas.

“Eu considero não somente a cirurgia complexa, mas também todo o processo pré-operatório, desde a doação da córnea, a sua avaliação e também o acompanhamento pós-operatório. Todas as etapas do processo de doação/transplante são importantes para o sucesso cirúrgico”, esclareceu.

Para quem aguarda na fila, a ligação informando que existe um doador compatível representa muito mais do que uma oportunidade de cirurgia.

“Receber a ligação é como se você sentisse a esperança vindo. É uma mistura de sentimento, mas a felicidade de saber que existe uma luz no fim do túnel é muito grande. Então na hora a surpresa é muito grande, o choque é grande, você fica com medo, fica com receio, porque é uma coisa muito nova para você, mas a felicidade é muito grande e a gratidão também, pelas famílias que se sensibilizam. E em um momento de dor, ainda pensa, ainda tem empatia pelo próximo e doa os órgãos daquele seu ente tão querido para outra pessoa. Então eu só tenho a agradecer a quem fez isso por mim e, no que eu puder, quando for a minha vez, eu também quero ser doadora, porque é muito gratificante você saber que uma pessoa está enxergando melhor, o coração está batendo melhor, enfim, você pode trazer a vida de volta de uma forma saudável para a pessoa”, conclui Rosilene.


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ALLYSON BEZERRA MUDA NÚMEROS EM DIVULGAÇÃO DE PESQUISA E É CONDENADO

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O candidato Allyson Bezerra divulgou uma pesquisa em sua rede social com números diferentes do oficial e o caso foi parar na Justiça Eleitoral.

A divulgação resultou na condenação de Allyson ao pagamento de multa de R$ 53.205. A decisão é do desembargador eleitoral João Afonso Morais Pordeus, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) no processo apresentado pela coligação Endireita RN.

A possibilidade de fraude, dolo ou má-fé na divulgação de uma pesquisa eleitoral com percentual incorreto pelo candidato ao Governo do RN Allyson Bezerra (União Brasil) permanece sob análise da Justiça Eleitoral. Em decisão no processo nº 0600928-27.2026.6.20.0000, o desembargador eleitoral Fábio Luiz de Oliveira Bezerra ressaltou que a retirada da postagem pelo próprio candidato não encerra a representação nem impede a análise das possíveis sanções.

O episódio coloca o candidato no centro de uma discussão sobre a fidelidade na divulgação de pesquisas em uma campanha na qual Allyson e seu grupo político têm recorrido a questionamentos sobre levantamentos eleitorais e informações divulgadas sobre a disputa.

No caso que resultou na multa, porém, não havia questionamento sobre a regularidade da pesquisa. A própria decisão ressalta que o levantamento Exatus RN-07539/2026 estava regularmente registrado na Justiça Eleitoral. O cenário estimulado apresentava Allyson com 41,90%, Álvaro com 22,20% e Cadu com 17,59%.

A publicação foi feita no Instagram oficial de Allyson no dia 11 de setembro. Ao reproduzir os resultados, manteve os 41,90% do próprio candidato e os 17,59% de Cadu, mas reduziu Álvaro de 22,20% para 20,5%, diferença de 1,70 ponto percentual. A arte ainda fazia referência expressa ao número oficial de registro da pesquisa.

Na defesa, os advogados de Allyson reconheceram a divergência, mas sustentaram que houve “mero erro material”, sem dolo, fraude ou intenção de manipular o resultado. Alegaram ainda que a diferença de 1,70 ponto estava dentro da margem de erro do levantamento, de 2,53 pontos percentuais, e que a mudança não alterava a ordem dos candidatos.

Os argumentos não afastaram a responsabilização. Para Pordeus, margem de erro é um elemento estatístico da pesquisa e não uma autorização para que o divulgador substitua o percentual efetivamente apurado por outro número situado dentro daquele intervalo.

O magistrado acrescenta que 20,5% não corresponde aos 22,20% efetivamente apurados pela Exatus.

O relator também rejeitou o argumento de que a irregularidade poderia ser relativizada porque não houve mudança na colocação dos candidatos. Segundo a decisão, a legislação eleitoral protege “a fidelidade das informações apresentadas ao eleitorado”, e não somente a posição ocupada pelas candidaturas.

A Procuradoria Regional Eleitoral também se manifestou pela condenação e chamou atenção para o fato de a divergência atingir um concorrente. Segundo o parecer registrado na decisão, “a redução do percentual atribuído ao candidato adversário”, em desacordo com o levantamento oficial, caracteriza alteração “apta a induzir o eleitorado a erro”.


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ROGÉRIO MARINHO ABANDONA ÁLVARO DIAS NA RETA FINAL DA CAMPANHA NO RN

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A candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte chega à reta final enfrentando um problema dentro do próprio grupo: o distanciamento do senador Rogério Marinho (PL), principal responsável pela construção de seu projeto eleitoral. Nos bastidores, interlocutores ligados à campanha avaliam que o candidato não recebeu, ao longo da disputa, o envolvimento esperado daquele que o levou ao PL e deveria funcionar como principal articulador de sua base política no interior.

Rogério deixou a disputa pelo Governo para assumir a coordenação nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e abriu espaço para Álvaro ocupar a cabeça da chapa.

Posteriormente, o ex-prefeito de Natal deixou o Republicanos e ingressou no PL, movimento articulado com o senador. Naquele momento, a expectativa era de que Álvaro herdasse também parte da estrutura política construída por Rogério, formada por prefeitos, deputados, vereadores e lideranças espalhadas pelo Estado.

Essa transferência, porém, não teria ocorrido na intensidade esperada. A avaliação que circula entre interlocutores é de que parte das lideranças inicialmente vinculadas ao projeto não entrou efetivamente na campanha de Álvaro. Prefeitos e aliados estariam concentrando esforços principalmente nas disputas proporcionais, enquanto o candidato ao Governo tenta fazer sua campanha ganhar tração no interior.

A presença reduzida de Rogério no RN também alimenta essa percepção. Embora o senador tenha participado de agendas com Álvaro no início de setembro, inclusive com compromissos em Mossoró e reuniões políticas, sua principal atividade eleitoral está concentrada na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A informação que circula nos bastidores políticos é de que a dedicação do senador à campanha nacional estaria ligado ao projeto de se tornar presidente do Senado, caso Flávio seja eleito.

O cenário ocorre justamente quando Álvaro enfrenta dificuldades para ampliar seu desempenho na reta final. Pesquisas recentes do Instituto DataVero apontaram que o candidato perdeu espaço nos últimos meses. Em agosto, o candidato aparecia com 25,37% e, na rodada seguinte, oscilou para 25,85%. Já no levantamento mais recente, divulgado na semana passada, recuou para 23,11% e passou a ocupar a terceira colocação, atrás de Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT).

A estagnação reforça o contraste com o início da disputa, quando a estrutura política reunida em torno de Rogério aparecia como uma das principais vantagens da candidatura de Álvaro. Até agora, porém, essa força não se converteu em mobilização equivalente nas diferentes regiões do Estado

Menos de 50% do teto
Outro elemento que reforça a insatisfação nos bastidores está no financiamento da campanha. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, Álvaro havia recebido R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL. Somadas pequenas doações e recursos próprios, sua arrecadação chegava a R$ 3,018 milhões.

O valor corresponde a cerca de 42% do teto de R$ 7,115 milhões permitido para os gastos da campanha ao Governo do RN. Ou seja, mesmo sendo o candidato do partido ao principal cargo estadual, Álvaro não havia recebido recursos equivalentes sequer à metade do limite que poderia gastar no primeiro turno.

O contraste já vinha sendo observado desde agosto. Antes do repasse para Álvaro, os dados da Justiça Eleitoral mostravam que o PL havia distribuído R$ 17,45 milhões do Fundo Eleitoral para 25 candidaturas proporcionais no Rio Grande do Norte, enquanto o candidato ao Governo ainda não havia recebido recursos do fundo.

Nos bastidores, circula ainda a informação de que o montante inicialmente projetado para a campanha majoritária seria superior ao efetivamente liberado até agora. Não há, entretanto, confirmação pública de qual teria sido o valor acertado entre Álvaro e a direção partidária.


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QUEM CALA CONSENTE? BANCADA DO RN É ACUSADA DE RECEBER PROPINA E SILENCIA

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A declaração do senador Styvenson Valentim (Podemos) de que parlamentares fracionariam emendas para receber percentuais de 10% a 15% não provocou, até agora, reação pública da maior parte da bancada federal do Rio Grande do Norte. Diante da gravidade da afirmação, o Diário do RN procurou os representantes potiguares no Senado e na Câmara dos Deputados, mas apenas Fernando Mineiro (PT) se pronunciou sobre o caso.

A declaração foi dada durante sabatina da Inter TV Cabugi, na quarta-feira (16), quando Styvenson defendia sua forma de destinar emendas parlamentares. Ao comparar sua atuação com a de outros políticos, afirmou: “Eles preferem dividir as emendas todinho, partir as emendas, pedir 10%, 15% e ninguém vê nada”. O senador não apresentou provas nem identificou a quais parlamentares se referia.

Procurado pelo Diário do RN, Mineiro afirmou que Styvenson deveria revelar os nomes caso tenha conhecimento de parlamentares envolvidos em irregularidades na destinação das emendas.

“Ele prestaria um grande serviço à transparência se revelasse os nomes de parlamentares que praticam este tipo de crime. Pode ser uma das fontes de recursos usados para a compra de votos que tanto se comenta”, afirmou o deputado.

A manifestação coloca sobre Styvenson a cobrança para que esclareça quem seriam os políticos mencionados em sua declaração. O senador não restringiu a acusação à existência de irregularidades na aplicação das emendas: relacionou diretamente o fracionamento dos recursos à cobrança de percentuais, sem apontar casos específicos ou apresentar documentos que sustentassem a afirmação.

Silêncio entre os parlamentares
Além de Mineiro, o Diário do RN procurou os demais integrantes da bancada potiguar para que comentassem a declaração. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação dos outros parlamentares consultados.

A representação do Rio Grande do Norte no Congresso é formada por 11 parlamentares. No Senado, além de Styvenson, estão Rogério Marinho (PL) e Zenaide Maia (PSD). Na Câmara, integram a bancada Carla Dickson (PL), General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), Robinson Faria (PP), João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT).

A ausência de respostas ganha relevância porque a acusação foi feita por um integrante da própria bancada federal, justamente ao comparar a maneira como administra suas emendas com a atuação de outros parlamentares.

A declaração também não foi um episódio isolado de comparação com outros políticos. Em suas redes sociais, Styvenson já desafiou representantes do Estado a apresentarem resultados semelhantes aos que atribui às emendas de seu mandato. Na sabatina, porém, avançou para uma acusação mais grave ao associar a divisão dos recursos à cobrança de percentuais.

Sem a apresentação de nomes ou provas, permanece sem esclarecimento a quem Styvenson se referia ao falar em cobrança de 10% a 15%. Mineiro, único integrante da bancada a responder ao Diário do RN, defende justamente que o senador torne pública essa informação.


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TBT: ROBINSON FARIA VIRA DISPUTA NO 2º TURNO E CHEGA AO GOVERNO EM 2014

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Quatro anos depois de o Rio Grande do Norte definir a eleição para governador ainda no primeiro turno, os potiguares voltaram às urnas duas vezes em 2014. A disputa colocou frente a frente, na etapa decisiva, Robinson Faria (PSD) e Henrique Eduardo Alves (PMDB) e terminou com uma virada em relação ao resultado da primeira votação. Henrique saiu na frente em 5 de outubro, mas Robinson ampliou sua votação nas três semanas seguintes e venceu o segundo turno, realizado no dia 26.

A eleição representava uma mudança de cenário depois da vitória de Rosalba Ciarlini (DEM) em 2010. Naquele ano, a então senadora havia conquistado 52,46% dos votos e encerrado a disputa no primeiro turno. Em 2014, nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar a metade dos votos válidos na primeira votação, fazendo o Estado voltar a ter uma eleição em dois turnos para o Governo.

Robinson chegava à disputa depois de uma longa trajetória na política estadual. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986, acumulou seis mandatos consecutivos e presidiu a Assembleia Legislativa durante sete anos. Em 2010, deixou o Legislativo para integrar, como vice, a chapa de Rosalba Ciarlini. Os dois, no entanto, romperam politicamente durante o mandato, e Robinson chegou à eleição seguinte como candidato ao Governo pelo PSD.

Do outro lado estava Henrique Alves, uma das figuras mais experientes da política potiguar.

Deputado federal desde 1971, ele estava no 11º mandato consecutivo e presidia a Câmara dos Deputados quando decidiu disputar pela primeira vez o Governo do Rio Grande do Norte.

As duas candidaturas também reuniram alianças distintas. Robinson tinha como vice o então deputado estadual Fábio Dantas (PCdoB) e liderava a coligação Liderados pelo Povo, formada por PSD, PCdoB, PT, PP, PTC, PEN, PRTB, PPL e PTdoB. Henrique tinha como vice João Maia (PR) e encabeçava a União pela Mudança, uma ampla composição que reunia 18 partidos.

Henrique sai na frente
No primeiro turno, realizado em 5 de outubro, Henrique Eduardo Alves confirmou a primeira colocação, mas não conseguiu alcançar votos suficientes para encerrar a disputa. O candidato do PMDB recebeu 702.196 votos, equivalentes a 47,34% dos válidos. Robinson apareceu em segundo lugar, com 623.614 votos, ou 42,04%. A diferença entre os dois era de 78.582 votos.

Robério Paulino (PSOL) terminou em terceiro lugar e teve uma votação expressiva diante da polarização entre os dois primeiros: foram 129.616 votos, correspondentes a 8,74%. Simone Dutra (PSTU) recebeu 14.549 votos (0,98%) e Araken Farias (PSL), 13.396 (0,90%).

O resultado levou o Rio Grande do Norte novamente a uma segunda votação. Era a segunda vez que uma eleição para governador no Estado chegava ao segundo turno. A primeira havia ocorrido oito anos antes, em 2006, quando Wilma de Faria derrotou Garibaldi Alves Filho. Em 2010, Rosalba havia interrompido a sequência ao vencer diretamente no primeiro turno.

Desta vez, Henrique entrava na etapa decisiva com a vantagem conquistada nas urnas, enquanto Robinson precisava não apenas incorporar parte dos votos dos demais candidatos, mas também superar a diferença aberta pelo adversário.

A virada no segundo turno
As três semanas seguintes mudaram o resultado da eleição. Se no primeiro turno Henrique havia terminado com quase 79 mil votos de vantagem, no segundo Robinson passou à frente e ampliou significativamente sua votação.

Robinson saltou de 623.614 para 877.268 votos, conquistando 253.654 votos a mais entre uma votação e outra. Henrique também cresceu, mas em proporção menor: passou de 702.196 para 734.801, um acréscimo de 32.605 votos.

Com isso, Robinson foi eleito governador com 54,42% dos votos válidos, contra 45,58% de Henrique. A diferença final chegou a 142.467 votos a favor do candidato do PSD. O resultado oficial confirmou a vitória de Robinson na noite de 26 de outubro.

A mudança também apareceu no mapa eleitoral. No segundo turno, Robinson venceu em 101 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, enquanto Henrique ficou à frente em 66.

A vitória levou Robinson ao Governo quatro anos depois de ter sido eleito vice-governador. Fábio Dantas, que havia conquistado seu primeiro mandato de deputado estadual em 2010, tornou-se vice-governador.

Fátima vence Wilma para o Senado
A eleição de 2014 também reservou uma disputa de peso para a única vaga disponível no Senado.

De um lado estava a então deputada federal Fátima Bezerra (PT); do outro, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que tentava chegar ao Senado quatro anos depois de ter sido derrotada na mesma disputa.

Fátima venceu com 808.055 votos, equivalentes a 54,84%. Wilma recebeu 636.896 votos, ou 43,23%. No recorte municipal, Fátima ficou à frente em 115 cidades e Wilma em 52.

A vitória representou uma nova etapa na trajetória de Fátima, que havia sido deputada estadual por dois mandatos e exercia o terceiro mandato consecutivo de deputada federal. Antes disso, também havia disputado a Prefeitura de Natal em 2004 e 2008.

Câmara e Assembleia
Para a Câmara dos Deputados, Walter Alves (PMDB) foi o candidato mais votado, com 191.064 votos. Rafael Motta (PROS) apareceu em seguida, com 176.239, e Fábio Faria (PSD), filho de Robinson, recebeu 166.427. Também foram eleitos Zenaide Maia, Felipe Maia, Rogério Marinho, Antônio Jácome e Beto Rosado.

Na Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PROS) liderou a votação, com 80.249 votos. Entre os 24 eleitos estavam ainda Dison Lisboa, Galeno Torquato, Hermano Morais, Kelps Lima, Gustavo Carvalho, Ezequiel Ferreira, Getúlio Rêgo, Nelter Queiroz, Tomba Farias, Fernando Mineiro, George Soares e José Dias.


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ESTUDANTES DO RN LEVAM PESQUISA SOBRE A CAATINGA PARA FÓRUM DA ONU EM ROMA

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Cinco estudantes do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) foram selecionadas para participar do World Food Forum (WFF), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. O grupo apresentará uma pesquisa voltada à recuperação de solos degradados da Caatinga por meio do uso de biomassa produzida por microalgas.

As alunas integram o projeto Ka’atinga, que nasceu dentro da escola pública e ganhou reconhecimento internacional ao ser escolhido para integrar um dos principais fóruns mundiais sobre alimentação, agricultura e sustentabilidade.

Segundo Ana Júlia Câmara Brum, uma das integrantes da equipe, o convite para participar do evento surpreendeu todas as estudantes.

“Na verdade, nós começamos o projeto no intuito de enviá-lo para uma competição. Nesse processo, conversamos com uma colega nossa, Carolina Damasio (NextGen), que estudou o nosso projeto e nos ajudou a enviá-lo para a FAO. Quando Carol nos contou a notícia de que nós tínhamos sido reconhecidas pela FAO e que fomos convidadas para estar presentes no WFF, todo mundo ficou muito feliz. Ficamos desacreditadas que alunas do ensino médio público foram reconhecidas pela própria ONU. Nós sabíamos que era uma experiência ímpar e nunca tinha passado pelas nossas cabeças esse resultado”, comentou.

Para a estudante, representar o Rio Grande do Norte em um evento internacional vai além da apresentação da pesquisa científica.

“Levar essa pesquisa para o WFF, para mim, representaria ressignificar o que é ser estudante de escola pública. Mais do que isso, o único grupo de estudantes do ensino médio no WFF 2026 ser completamente formado por alunas mulheres norte-rio-grandenses reafirma nosso protagonismo científico e a luta pela justiça social, além de inspirar outras estudantes de rede pública, mulheres, nordestinas e norte-rio-grandenses”, destacou.

O projeto surgiu a partir de um problema ambiental presente no semiárido: a degradação dos solos da Caatinga. A pesquisa estuda o potencial da biomassa produzida por microalgas como biofertilizante para recuperar áreas afetadas pelo processo de desertificação.

Ana Júlia explica que o método utiliza a microalga Scenedesmus, capaz de capturar dióxido de carbono durante seu desenvolvimento.

“De forma simples, nossa pesquisa propõe o uso da biomassa produzida por microalgas como biofertilizante para auxiliar na recuperação de solos da Caatinga afetados pela desertificação. A microalga Scenedesmus é capaz de capturar o dióxido de carbono e ser utilizada para outras finalidades após isso. Quando alimentadas adequadamente e cultivadas em um meio nutritivo, as microalgas produzem uma biomassa rica em nutrientes e matéria orgânica, podendo ser aplicadas ao solo e melhorar a qualidade dele”, esclareceu.

Além do potencial ambiental, a pesquisa reúne conhecimentos de química, biotecnologia e sustentabilidade desenvolvidos por estudantes da rede pública estadual.

Campanha busca recursos para apresentar projeto na Itália

Apesar da seleção para o World Food Forum, o grupo ainda precisa arrecadar recursos para viabilizar a viagem à Itália.

A campanha tem como meta reunir R$ 65 mil, valor destinado ao custeio das passagens aéreas, hospedagem e alimentação durante o evento.

“Nossa campanha para arrecadação de recursos tem como objetivo o financiamento da viagem, custear os valores das passagens, hospedagem e alimentação. Estamos com uma meta de R$ 65 mil para que possamos nos deslocar com segurança, lembrando que não possuímos recursos próprios para a viagem”, explicou Ana Júlia.

Além das doações por PIX, as estudantes buscam apoio de empresas e instituições interessadas em incentivar a pesquisa científica.

“O QR Code do nosso Pix está disponível na nossa conta no Instagram (@teamkaatinga), junto com os dados do projeto. Fora isso, estamos em busca de empresas e parceiros que possam e tenham interesse de colaborar com a temática e incentivar a ciência”, disse.

Participam do projeto as estudantes Ana Júlia Câmara Brum, Maria Clara Galdino e França, Maria Vitória Hora Tavares, Helena Marillac e Ana Terra Duarte.

As doações podem ser feitas por meio da chave PIX josangelah@gmail.com, em nome de Josangela Bezerra da Silva.

Caso a meta para a viagem não seja alcançada, os recursos arrecadados serão destinados ao fomento das atividades de pesquisa do projeto, garantindo a continuidade dos estudos desenvolvidos pelas estudantes do IERN.


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‘CORONEL’ ALLYSON BEZERRA AGORA QUER CENSURAR ATÉ A MANCHETE DO JORNAL

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riam seus interesses eleitorais tem sido recorrente no pleito 2026 e volta ao Judiciário.

Desta vez, a Coligação Esperança e Trabalho, que sustenta a candidatura do ex-prefeito de Mossoró ao Governo do Estado, tenta obter do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) uma decisão que interfere diretamente na apresentação editorial de uma publicação.

Allyson quer obrigar o Diário do RN a acrescentar informações de acordo com seu interesse, além de pedir a retirada da publicação caso a alteração não seja realizada e estabelecer obrigações para futuras divulgações de pesquisas eleitorais.

A ação não coloca em xeque, em nenhum momento, os números da pesquisa DataVero, mas questiona o formato editorial da publicação, desconsiderando que a primeira página de um jornal não reproduz integralmente suas reportagens. Manchetes e chamadas selecionam e hierarquizam fatos, enquanto contexto, metodologia, explicações e demais informações são desenvolvidos nas páginas internas, não cabendo intervenções na diagramação ou na linha editorial quando os dados divulgados são verídicos e a fonte oficial é transparente, conforme, detalhado na reportagem.

Esse modelo é utilizado pelos principais veículos de comunicação do país. Na cobertura da pesquisa Quaest divulgada nesta semana, por exemplo, vários veículos de comunicação de alcance nacional, noticiaram que Flávio Bolsonaro havia ultrapassado Lula na disputa presidencial, sem mencionar que se tratava de um cenário de segundo turno. Isso ocorreu nas manchetes, prerrogativa editorial dos veículos, mas as matérias detalhavam o conteúdo com os cenários pesquisados pelo instituto.

Essa foi a linha adotada, por exemplo, pelo portal Metrópoles que noticiou: “Quaest: Flávio tem 42% e aparece numericamente à frente de Lula, com 40%”. Na sequência, o subtítulo detalha: “Mesmo com empate técnico, o resultado sinaliza oscilação favorável ao senador. Na pesquisa anterior, Flávio e Lula tinham 41%”; a informação de que este seria um recorte de intenções de voto para um eventual segundo turno só foi detalhada no conteúdo da matéria. Trata-se de escolha editorial válida uma vez que o conteúdo é verídico independente da forma como é apresentado.

O destaque editorial de um recorte não significa que uma pesquisa se limite àquele resultado; outros cenários e informações são apresentados no desenvolvimento da cobertura. O detalhamento ocorre no conteúdo das matérias e gráficos apresentados.

É justamente a escolha editorial do veículo que está no centro da nova ofensiva judicial da coligação de Allyson contra o Diário do RN. A representação questiona a edição de 10 de setembro, cuja primeira página trouxe a manchete “Cadu cresce, ultrapassa Álvaro e encosta em Allyson”. Os percentuais destacados eram de 35,18% para Allyson, 28,28% para Cadu Xavier (PT) e 23,11% para Álvaro Dias (PL), correspondentes ao cenário em que os três candidatos eram apresentados aos entrevistados juntamente com seus apoiadores políticos.

A coligação de Allyson sustenta que a capa e sua reprodução no Instagram deveriam informar que aqueles percentuais pertenciam ao cenário com apoios e apresentar outras informações da pesquisa. O ponto central do confronto, entretanto, está no fato de que a própria representação reconhece que essas explicações existiam na reportagem completa e não houve nenhum questionamento a respeito da seriedade da pesquisa ou dúvidas quanto aos seus resultados.

A peça registra que a matéria publicada pelo Diário do RN explicava que a DataVero havia testado “dois cenários estimulados”: um associando os três principais candidatos aos respectivos apoiadores e outro apresentando apenas os nomes dos concorrentes. Reconhece ainda que o texto identificava o cenário com apoios como “Cenário 2” e apresentava a pergunta submetida aos entrevistados.

Também estavam na reportagem, segundo a própria ação, os registros RN-08285/2026 e BR-00919/2026, o universo de 1.500 entrevistas, o período de campo entre 6 e 8 de setembro, a margem de erro de 2,53 pontos percentuais e o nível de confiança de 95%; tudo como determina a lei eleitoral.

Mesmo diante dessas informações no conteúdo completo, a coligação pretende que a Justiça determine como o jornal deve conduzir a publicação. Entre os pedidos está uma ordem, sob pena de multa diária, para que seja acrescentado esclarecimento “com o mesmo destaque”, informando a origem dos percentuais utilizados (que é o próprio Instituto DataVero citado acima da manchete) e apresentando também outro cenário citado na reportagem.

A coligação pede a remoção da publicação, caso a retificação pretendida não seja feita. E a pretensão não termina no conteúdo já divulgado. Estabelece censura prévia e definição editorial antecipada ao solicitar também que os representados sejam obrigados a se abster de novas publicações, “em qualquer suporte”, de resultados de pesquisas sem as informações previstas na legislação e sem indicação do quesito utilizado quando houver mais de um cenário. Vale destacar, tais requisitos foram cumpridos na reportagem uma vez que o veículo não está obrigado a esse detalhamento na manchete de capa.

Caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve irregularidade e se os pedidos formulados são compatíveis com a legislação. O debate provocado pela ação, entretanto, alcança uma questão mais ampla sobre a liberdade de imprensa: até onde uma candidatura pode recorrer ao Judiciário para questionar conteúdos que considera desfavoráveis, mesmo que sejam conteúdos inequivocamente verdadeiros, e até onde pode alcançar a autonomia de uma redação para selecionar, hierarquizar e apresentar uma notícia.

Quando esteve do outro lado, Allyson chamou ação judicial de “censura”

Publicação de 10 de setembro com números do cenário 2 da pesquisa – Foto: Reprodução

O uso da Justiça para tentar limitar uma publicação já foi criticado pelo próprio Allyson Bezerra (União Brasil). Em julho, quando foi alvo da Representação nº 0600279-62.2026.6.20.0000, que pedia a retirada de seu perfil de campanha do Instagram por irregularidade, o candidato reagiu publicamente e classificou a iniciativa como uma tentativa de censura. “Estão querendo me calar”, afirmou. Em outro momento, disse que queriam “me amordaçar” e classificou a medida como “totalmente arbitrária”.

Dois meses depois, Allyson aparece do outro lado desse debate. Na Representação nº 0600844-26.2026.6.20.0000, é a Coligação Esperança e Trabalho, que sustenta sua candidatura ao Governo do RN, que recorre à Justiça contra o Diário do RN e pede intervenção sobre uma publicação jornalística, mesmo reconhecendo que o material é verdadeiro.

O contraste está entre o discurso e a prática política de sua coligação. Quando uma ação judicial pretendia retirar sua comunicação das redes sociais, Allyson tratou a iniciativa como tentativa de silenciamento. Agora, sua própria coligação busca uma decisão judicial para obrigar um jornal a alterar uma publicação e, caso a determinação pretendida não seja cumprida, pede que o conteúdo seja retirado.

Os processos tratam de situações juridicamente distintas, mas colocam Allyson em posições opostas diante do mesmo instrumento: quando a Justiça foi acionada para restringir sua própria comunicação, ele denunciou “censura”; quando sua coligação se sentiu prejudicada por uma publicação jornalística, foi à Justiça para pedir sua modificação ou retirada.


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STYVENSON SUGERE QUE COLEGAS DO RN COBRAM PROPINA DE 15% NAS EMENDAS

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senador Styvenson Valentim (Podemos) sugeriu que outros parlamentares fracionam emendas para receber propinas de 10% a 15% dos recursos destinados. A declaração foi dada durante sabatina da Inter TV Cabugi, na manhã desta quarta-feira (16), quando o candidato à reeleição defendia a forma como direciona suas emendas e criticava a atuação de colegas. O senador não apresentou provas nem identificou os parlamentares aos quais se referia.

Styvenson afirmou que prefere concentrar recursos em ações específicas, em vez de pulverizar os valores entre diferentes destinações. Ao ser questionado sobre porque outros parlamentares do estado não adotariam a mesma estratégia, respondeu: “Ah, porque eles preferem fazer outros usos da emenda. Eles preferem dividir as emendas todinho, partir as emendas, pedir 10%, 15% e ninguém vê nada”, disse.

A afirmação associa diretamente a divisão das emendas à cobrança de propina. Durante a sabatina, porém, Styvenson não citou casos concretos ou documentos que sustentassem a acusação contra os parlamentares do Rio Grande do Norte.

Atualmente, a bancada potiguar no Senado também é composta por Rogério Marinho (PL) e Zenaide Maia (PSD). Na Câmara dos Deputados, integram a representação do estado Carla Dickson (PL), General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL), Robinson Faria (PP), João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil), Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides (PT).

Esta não é a primeira vez que o senador critica colegas da bancada potiguar em relação à destinação de recursos para ações no Estado.

Em vídeo publicado recentemente nas redes sociais, Styvenson desafiou os colegas do Rio Grande do Norte a apresentarem um volume de obras e ações semelhante ao que atribui ao próprio mandato. “Mostra aí quem é o político do Estado do Rio Grande do Norte que tem obras como essa, mostra. Vamos, aparece. Se você me mostrar quem é o político, eu me calo agora”, desafiou.

Styvenson despreza bolsonarismo de Coronel Hélio: “Cara, exclui isso aí”

Hélio contruiu imagem política no RN atrelando seu nome ao do grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução

A aliança de Styvenson Valentim (Podemos) com Coronel Hélio (PL), candidato à segunda vaga ao Senado na mesma coligação, também ganhou espaço durante a sabatina. Ao defender o aliado, Styvenson minimizou o peso de sua identificação com o bolsonarismo e pediu que o eleitor considere sua possível atuação no Senado.

“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Em seguida, acrescentou: “É um cara de um bom coração. Quem conhecer ele, vota certeza”.

Ao mencionar a vinculação política de Hélio, Styvenson foi direto: “Ah, mas ele é bolsonarista.

Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.

Em entrevista ao Diário do RN, Coronel Hélio tratou a identificação de forma diferente e afirmou não considerar o termo uma ofensa política ou ideológica. “De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, afirmou.

Hélio também interpretou a fala de Styvenson pelo aspecto da atuação no Senado e disse que a eleição dos dois poderia ampliar o trabalho. “O Coronel Hélio tem um lado bem definido, sendo da direita, realmente bolsonarista, da direita potiguar, poderá, junto com ele, somar forças. Se tem um senador fazendo muito, dois podem fazer muito mais”, declarou.

Styvenson afirma que em campanha vale tudo, até chamar mulher de ‘catrevagem’

Durante agenda em Currais Novos, em 2024, Styvenson chamou chapa composta por Milena de “catrevagem” – Foto: Reprodução

Styvenson também foi questionado sobre declarações feitas durante a campanha municipal de 2024, quando chamou de “catrevagem” o grupo político do qual fazia parte Milena Galvão, hoje sua segunda suplente na disputa pelo Senado. O senador negou ter tido desentendimento pessoal com Milena e atribuiu a declaração ao ambiente eleitoral.

“Ali foi campanha. Campanha vale”, declarou. Questionado sobre as consequências de declarações feitas por uma pessoa pública, insistiu que o episódio estava superado. “Eu pedi desculpa, pedi desculpa. E não passou, não?”, respondeu.

Styvenson classificou o caso como “águas passadas” e citou a atual aliança com Milena como sinal de que a divergência ficou para trás. “É muita coisa para você estar trazendo agora essa água parada, que faz tempo que já passou. E hoje Milena está lá comigo”, afirmou.


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“VEJO CRESCIMENTO GIGANTE DE CADU E CRESCER AGORA É MUITO IMPORTANTE”

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O candidato a deputado federal Dr. Bernardo (PV) não acredita em uma definição da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte no primeiro turno e aposta no crescimento de Cadu de Lula (PT) como elemento capaz de mexer na configuração da corrida estadual na reta final da campanha.

Em entrevista ao Diário do RN, ele descartou uma vitória de Allyson Bezerra (União Brasil) já no dia 4 de outubro e apontou trajetórias diferentes entre Cadu e Álvaro Dias (PL).

“Eu não vejo como Allyson ganhar a eleição no primeiro turno. Eu digo Allyson porque ele é o que está mais bem posicionado nas pesquisas”, afirmou. Para Dr. Bernardo, o momento da campanha favorece Cadu, que, segundo ele, conseguiu acelerar justamente quando a disputa entra na fase decisiva.

“Vejo um crescimento gigante de Cadu. Ele está numa crescente. E ele está numa crescente num momento muito bom da campanha. Você conseguir crescer agora é muito importante”, avaliou.

Aliado do candidato petista ao Governo, Dr. Bernardo afirmou que tem participado de caravanas e eventos da campanha e atribuiu parte do desempenho de Cadu ao aumento do conhecimento do eleitorado sobre o candidato. Na avaliação dele, a baixa exposição pública era um dos principais obstáculos enfrentados pelo petista no início da disputa.

“Quem conhece o Cadu acaba gostando. Ele é um candidato que tem uma empatia, um carisma muito grande. Ele tem conquistado muitas pessoas por onde passa. Porque o grande problema de Cadu era exatamente esse: as pessoas não conhecê-lo”, disse.

Ao comparar Cadu e Álvaro na reta final, Dr. Bernardo afirmou enxergar movimentos opostos.

Para ele, enquanto Cadu cresce entre os indecisos, Álvaro não consegue avançar. “Cadu está em uma crescente e Álvaro é exatamente o contrário. Não conseguiu crescer ou, no máximo, estabilizou”, afirmou. Diante desse cenário, considera certo um segundo turno entre Allyson e Cadu.

“Quatro é ilusão”
Na disputa proporcional, Dr. Bernardo também fez projeções sobre o desempenho da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. Candidato pelo PV, ele considera praticamente consolidada a possibilidade de o grupo conquistar três das oito cadeiras do Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados, mas rejeita a tese de uma quarta vaga.

“A nossa nominata deve fazer três. Eu estou aí na luta para ser segundo ou terceiro da nominata e sobreviver. Não é fácil, mas estou na luta”, declarou.

Mais adiante, reforçou a avaliação: “Eu considero quase que certeza fazer três. Eu acho que, das nominatas, inclusive, a mais votada vai ser a da nossa Federação. Eu acho que a gente consegue tirar mais votos do que o PL. Embora não tenha chance de fazer quatro. Eu acho que essa questão de quatro é ilusão”.

Apesar de reconhecer uma disputa interna pelas vagas, Dr. Bernardo evita tratar os demais nomes da Federação como adversários. Ao falar especificamente sobre Thabatta Pimenta, também candidata pelo PV, destacou que o sistema proporcional faz com que o desempenho coletivo seja decisivo para a eleição dos integrantes da chapa.

“Eu não trato os meus companheiros de nominata como adversários. Nós somos parceiros. Afinal, eu dependo dela e ela depende de mim. A gente, sem os outros, não consegue fazer os três”, afirmou.

Campanha ganha capilaridade
Dr. Bernardo avalia que sua campanha ganhou dimensão estadual depois de começar mais concentrada no Oeste, região onde construiu sua trajetória política. Segundo ele, a candidatura avançou pelo Seridó, Potengi, Trairi, Região Central, Vale do Açu, Mato Grande e Agreste, além de ampliar a presença em Natal.

“A gente começou a campanha inicialmente pequena, mas felizmente conseguiu crescer. Está com uma capilaridade gigante em todas as regiões do Estado”, afirmou.

Segundo o candidato, esse crescimento está ligado ao trabalho nos municípios e à relação construída com lideranças locais. “É um voto de trabalho, de estar dia a dia nos municípios, uma relação política com as lideranças”, resumiu.


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RN ACELERA CORRIDA PELA IA COM AÇÕES ENTRE GOVERNO, EMPRESAS E UNIVERSIDADE

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O Rio Grande do Norte busca ampliar sua participação no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) por meio de iniciativas que aproximam governo, universidades, empresas e instituições do Sistema S. As ações envolvem capacitação profissional, automação de serviços públicos, pesquisas e desenvolvimento de soluções voltadas a problemas específicos do estado.

Para Alberto Castro, líder do CIIA e criador do método IA45, especialista em inteligência artificial aplicada a negócios, o desafio é fazer com que empresas e instituições deixem de apenas utilizar ferramentas de IA e passem a incorporá-las aos próprios modelos de trabalho.

“As pessoas falam que estão usando, mas a gente tem visto muitas empresas que remontaram a forma de trabalhar, remodelaram o modelo de negócio. Acho que essa é a grande oportunidade desse debate”, afirmou.

Regulação e uso responsável da inteligência artificial
A expansão da tecnologia também coloca em discussão a necessidade de regulamentação. Para Castro, as regras precisam equilibrar inovação e segurança, sem impedir o desenvolvimento da tecnologia.

“A regulação tem que ser com muito equilíbrio, porque não pode nem privar de não ter utilização, mas também deixar totalmente aberta, porque muito aberta acaba gerando muito risco”, disse.

Entre os riscos, ele cita o uso da inteligência artificial para golpes e disseminação de notícias falsas. Na avaliação do especialista, o debate precisa envolver diferentes setores da sociedade.

No Governo do Estado, a discussão também passa pela proteção de dados. Segundo Emília Casanova, secretária da Junta da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC), a pasta trabalha na capacitação de servidores para utilização da IA e na definição de critérios para o uso de informações governamentais.

“A gente precisa pensar em toda a questão de LGPD, que são dados sensíveis, dados do governo que a gente não pode colocar em qualquer inteligência artificial”, explicou.

A secretaria também estuda a automatização de processos, como a concessão de benefícios, que atualmente exige grande volume de conferências manuais.

Outra iniciativa da SEDEC é o DEC, assistente de inteligência artificial desenvolvido para disponibilizar informações econômicas do estado. A ferramenta poderá responder perguntas sobre temas como geração de energia eólica e balança comercial, além de comparar dados de diferentes períodos.

“Ele tem esse subsídio, ele tem essa inteligência para poder analisar os dados e poder dizer para a gente qual foi essa alteração”, explicou Emília.

A secretária afirma que o sistema passa por treinamento contínuo para melhorar a qualidade das respostas. A ferramenta está temporariamente indisponível em razão da suspensão do site da secretaria durante o período eleitoral, mas deverá voltar a funcionar posteriormente.

Universidade desenvolve soluções para problemas locais
Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Metrópole IA, Núcleo de Pesquisa em Inteligência Artificial do Instituto Metrópole Digital (IMD), trabalha para aproximar pesquisa e setor produtivo.

Segundo Daniel Sabino, vice-coordenador do núcleo, desenvolver tecnologia local é estratégico porque permite criar soluções considerando as características e os dados do próprio estado.

“Quase toda a tecnologia que usamos vem pronta de fora e não foi pensada para a nossa realidade. Se a pesquisa é local, os dados também são, e a solução tende a servir melhor”, explicou.

O Metrópole IA concentra projetos em áreas como saúde, indústria, negócios, setor público, cidades inteligentes, cibersegurança e educação.

Entre as aplicações estão sistemas para identificar pontos de alagamento em Natal a partir de câmeras e dados pluviométricos, ferramentas de apoio à saúde pública, análise de dados para fiscalização e investigação e soluções para segurança viária e mobilidade.

O núcleo também desenvolve projetos voltados à produtividade da indústria e do comércio, com agentes de IA aplicados a sistemas empresariais e automação de processos.

O Metrópole IA funciona em prédio próprio inaugurado em julho de 2026. A estrutura possui laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, salas de reunião, espaço de ideação e auditório.

De acordo com Sabino, cerca de 70 pesquisadores foram credenciados no ciclo de 2026. A infraestrutura física recebeu aproximadamente R$ 5,5 milhões em investimentos, além da contratação de dez novos docentes.

O núcleo também possui integração com a estrutura de supercomputação da UFRN, utilizada em pesquisas que demandam alto poder computacional.

A aproximação com empresas é outro eixo da iniciativa. Segundo Sabino, aproximadamente metade dos projetos desenvolvidos atualmente envolve empresas, principalmente de Natal.

Capacitação, negócios e a disputa por novos investimentos
Para Alberto Castro, a formação de profissionais é uma das principais condições para que o estado consiga aproveitar as oportunidades criadas pela IA. Ele destaca uma unidade móvel do Sistema FIERN que leva capacitações gratuitas sobre inteligência artificial aos municípios potiguares.

Segundo o especialista, a iniciativa pretende atender mais de 170 municípios e já passou por mais de 15 cidades.

“A única forma das pessoas melhorarem os seus trabalhos, sua organização, é ter conhecimento.

A capacitação é a primeira parte, a primeira camada que a gente tem que dar atenção”, afirmou.

A iniciativa também é vista pelo Governo do Estado como uma ferramenta para ampliar a competitividade de micro e pequenos empreendedores.

“Esses parceiros são essenciais”, afirmou Emília, ao destacar a atuação conjunta entre Estado, FIERN, SENAI e Sebrae.

O avanço tecnológico também é relacionado pelo governo à possibilidade de atrair novos empreendimentos para o estado, como data centers. Emília afirma que a instalação dessas estruturas poderia ajudar a enfrentar o problema do curtailment, caracterizado pelo corte da geração de energia.

“Além de resolver um problema que existe, a gente também quer trazer desenvolvimento econômico”, afirmou.

Na avaliação da secretária, a atração de empresas poderia gerar empregos, impostos e receitas de licenciamento, aumentando a capacidade do estado de investir em ciência, tecnologia e inovação.

Para Daniel Sabino, o objetivo de longo prazo é fazer com que o RN deixe de ser apenas consumidor de tecnologia e passe a desenvolver soluções próprias.

“O RN não será apenas um estado que consome IA. Será um estado que produz IA, forma quem a desenvolve e atrai empresas por causa disso”, projetou.

A consolidação desse cenário, porém, dependerá da continuidade dos investimentos, da formação de profissionais e da integração entre universidades, governo e setor produtivo.


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MENINA DE 4 ANOS DOA CABELOS PARA CONFECÇÃO DE PERUCA PARA CRIANÇAS

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Com apenas 4 anos, Sophie Souza deu uma demonstração de empatia que emociona pela simplicidade do gesto. Vaidosa e apaixonada pelos longos cabelos, ela decidiu renunciar aos fios para ajudar crianças que enfrentam o tratamento contra o câncer. A iniciativa aconteceu justamente em setembro, mês dedicado à conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil, conhecido como Setembro Dourado.

A decisão partiu da própria menina, depois de conhecer uma campanha de arrecadação de cabelos para a confecção de perucas. Em casa, a escolha surpreendeu os pais.

“A gente não incentivou Sophie. Eu e principalmente o pai não queríamos que ela cortasse o cabelo. Amamos cabelo grande. Ela falou que queria cortar, mas eu esperei uns meses para ver se ela mudava de ideia. Como ela não mudou, deixamos que ela cortasse”, disse a mãe, Daniela Souza.

Acostumada a usar diferentes penteados para ir à escola e passear com a família, Sophie sempre demonstrou carinho pelos cabelos. Por isso, Daniela acreditava que a filha poderia desistir da ideia.

“Eu tinha medo de que ela se arrependesse e ficasse triste. Mas ela ficou muito feliz e amou o corte. Eu pensei só na estética, pois ela amava o cabelo e não queria cortar de jeito nenhum. E muito rápido mudou de ideia”, afirmou.

Para Sophie, entretanto, a decisão tinha um significado maior do que apenas mudar o visual.

“Eu queria doar o meu cabelo para uma menininha que não tem cabelo porque ela tem uma doença”, disse.

Mesmo depois de a mãe explicar que ela não poderia mais usar os coques de que tanto gostava, a pequena manteve a decisão.

“Minha amiga vai ter o meu cabelo e vai poder fazer o penteado. Quando eu tiver 5 anos meu cabelo vai crescer e eu vou fazer outro penteado”, respondeu com tranquilidade.

Medalha celebra pequenos grandes gestos
Depois de perceber que a filha realmente queria fazer a doação, a família procurou um salão especializado em cortes infantis que também incentiva campanhas solidárias.

Segundo a proprietária do espaço, Larissa Borges, cada criança que doa os cabelos recebe uma medalha em reconhecimento ao gesto.

“O salão tem cinco anos e, há quatro anos, eu criei uma medalha bem linda, que tem uma frase: ‘Sua juba tem mais força do que você imagina!’. Lá tudo brinca com essa questão da juba porque o nosso mascote é um leãozinho. É um incentivo para essa doação de cabelo, para as crianças perceberem que estão fazendo algo muito legal. É tanto que merece honra, merece homenagem, merece uma entrega de uma medalha especial. E elas ficam super felizes. Sophie foi uma delas”, explicou.

A campanha acontece durante todo o ano. As famílias podem agendar o corte normalmente, sem necessidade de esperar uma data específica.

“A gente vai juntando esses cabelos ao longo do ano, não existe uma data específica para recebermos. As crianças agendam normalmente um corte, uma transformação. Existe essa informação sobre a medalha, a partir de tantos centímetros, e é uma forma de incentivar o corte”, detalhou.

Somente em 2025, o salão reuniu 40 doações de cabelo destinadas à confecção de perucas.

Os cabelos arrecadados são destinados à Casa Rosa RN, instituição responsável pela confecção de perucas emprestadas gratuitamente a pacientes em tratamento contra o câncer e pessoas com alopecia.

Mais do que estética, uma ferramenta para enfrentar desafios do tratamento

“Eu queria doar o meu cabelo para uma menininha que não tem” – Foto: Reprodução

Segundo a psicóloga da Casa Durval Paiva, que acolhe crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer infantojuvenil, Gilvania Guedes, a perda dos cabelos representa um dos momentos mais delicados para crianças e adolescentes diagnosticados com câncer, porque torna o adoecimento visível e modifica profundamente a forma como eles enxergam a própria imagem.

“A gente parte da compreensão de que, no início do tratamento, existe toda uma reorganização da família, porque tudo se transforma desde o momento da notícia da doença. Tanto para crianças quanto para adolescentes e para a família, todo mundo é impactado pelo adoecimento”, explicou.

A psicóloga ressalta que a queda dos cabelos costuma marcar uma mudança importante na percepção que o paciente tem de si mesmo.

“A doença passa a ficar muito explícita a partir do momento em que a criança perde o cabelo.

Para elas isso é muito forte e muito potente, porque evidencia o que está acontecendo”, afirmou.

Entre os adolescentes, segundo Gilvania, o impacto costuma ser ainda maior devido ao processo de construção da identidade.

“Na adolescência, a identidade ainda está sendo construída. Quando o adoecimento acontece junto com a perda do cabelo e a mudança da aparência, essa fase se torna ainda mais complexa emocionalmente”, destacou.

Por isso, recursos como perucas e lenços fazem parte do cuidado psicológico oferecido aos pacientes.

“A gente utiliza estratégias para minimizar esse sofrimento. Ele não deixa de existir, mas pode ser amenizado. Além do atendimento psicológico, usamos ferramentas como a peruca e o lenço para ajudar crianças e adolescentes a enfrentarem principalmente o início do tratamento”, pontuou.

Como doar
A Casa Rosa mantém uma campanha permanente de doação de cabelos para a confecção de perucas destinadas a mulheres em tratamento oncológico e pessoas com alopécia. A instituição aceita fios naturais, inclusive com química, como tintura e alisamento. Para doar, o cabelo deve estar limpo, completamente seco e preso em um rabo de cavalo antes do corte.

Quem doar mechas com mais de 30 centímetros pode participar do Corte Solidário, que oferece corte gratuito na sede da Casa Rosa ou em salões parceiros, mediante agendamento. Desde 2012, a instituição também realiza o empréstimo e a manutenção gratuitos de perucas de cabelo natural, além de oferecer acolhimento durante o tratamento. As doações podem ser entregues na sede da Casa Rosa, na Avenida Rui Barbosa, 327.


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