A Câmara Municipal de Santa Cruz realiza, nesta quinta-feira (27), às 10h, uma audiência pública para discutir a proposta de criação da Diocese de Santa Rita de Santa Cruz, que deverá abranger municípios das regiões Agreste, Potengi e Trairi. A iniciativa prevê o desmembramento do território atualmente pertencente à Arquidiocese de Natal.
O encontro contará com a participação do bispo auxiliar de Natal, Dom José Silvio Brito, que apresentará informações sobre o projeto e esclarecerá dúvidas da população. A audiência é aberta a autoridades, representantes de instituições, lideranças religiosas e à comunidade.
Segundo o pároco da Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia, padre Vicente Fernandes, a criação da Diocese representa benefícios que vão além do aspecto religioso.
“Uma criação de uma diocese tem a importância não somente religiosa, mas social, econômica, cultural e, acima de tudo, pastoral”, afirmou.
Durante a audiência, serão apresentados os principais pontos que fundamentam a proposta de criação da nova Diocese. Entre eles está a redução da área territorial da Arquidiocese de Natal, com o objetivo de aproximar a estrutura administrativa e pastoral das comunidades da região.
Padre Vicente explica que a mudança busca fortalecer o trabalho evangelizador e facilitar a gestão da Igreja.
“Tem um projeto. A primeira proposta é diminuir o território da outra (Arquidiocese de Natal).
Para melhor se ter um trabalho pastoral e evangelizador. Está mais perto do povo; descentralizar o trabalho burocrático administrativo. Também serão apresentados a questão econômica; pastoral e a infraestrutura”, explicou.
Para o sacerdote, a presença da população é importante para que os fiéis compreendam o processo e acompanhem a construção da proposta.
“A população tem que estar por dentro dessa situação, para ter o conhecimento do que está acontecendo dentro da realidade territorial e paroquial. O nosso povo é católico e como católico deve estar dentro dessa realidade para poder opinar e ver a bondade e desenvolvimento do projeto”, destacou.
Festival arrecadará recursos para reforma Além das discussões sobre a futura Diocese, a Paróquia de Santa Rita de Cássia também promoverá um festival de prêmios para arrecadar recursos destinados à reforma de um prédio da instituição.
“Estamos realizando um festival de prêmio (dia 20 de setembro, às 17h, aqui em Santa Cruz). O festival de prêmio é para angariar recursos para a reforma do prédio”, informou o padre Vicente.
A audiência pública será realizada na sede da Câmara Municipal de Santa Cruz, a partir das 10h desta quinta-feira (27).
O Rio Grande do Norte ganhou destaque nacional no Prêmio Pop Ciência 2026, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o reconhecimento de sete crianças e adolescentes na categoria Embaixadores Mirins Pop Ciência. O resultado definitivo foi divulgado nesta terça-feira (25).
A categoria reconhece jovens de 6 a 17 anos que desenvolvem ações para aproximar a ciência de outros estudantes, por meio de experimentos, projetos, apresentações, conteúdos digitais e outras iniciativas de divulgação científica. Criada em 2024, a proposta busca mostrar que crianças e adolescentes também podem produzir conhecimento e atuar como protagonistas da ciência.
Entre os potiguares reconhecidos estão Rebeca Stefani Alves, de 16 anos, e Mariana Pimenta, de 14 anos. As duas estudam na Escola Estadual Imperial Marinheiro, no bairro Nordeste, em Natal, e participam do Programa Meninas no Espaço, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O Prêmio Pop Ciência possui nove categorias: Divulgador Científico; Espaços Científico-Culturais; Feiras e Mostras Científicas; Concursos, Competições e Olimpíadas Científicas; Diversidade na Ciência; Clube de Ciência; Instituições; Governo Pop; e Embaixadores Mirins Pop Ciência.
O resultado preliminar da categoria Embaixadores Mirins havia selecionado 129 jovens em todo o país. Diferentemente das demais categorias, o período de recursos dessa modalidade já foi encerrado.
Ciência produzida dentro da escola Rebeca conta que fez a inscrição para o prêmio de forma independente, com autorização da mãe.
Para ela, o reconhecimento representa uma oportunidade de continuar aprendendo e incentivar outros jovens a se aproximarem da ciência.
“Eu me sinto muito feliz, eu me sinto muito realizada. Eu espero que eu consiga representar bem”, afirma.
A estudante participa do Programa Meninas no Espaço e de projetos relacionados à ciência oceânica. Em 2025, integrou uma equipe que participou da Feira Nacional GLOBE Brasil, com trabalhos sobre mudanças climáticas e a presença de mosquitos na escola, localizada próxima a uma área de mangue.
Para investigar o problema, os estudantes instalaram armadilhas em diferentes pontos da escola e acompanharam diariamente as temperaturas. Após a identificação de larvas, realizaram análises em microscópio para identificar o gênero dos mosquitos.
“É uma sensação boa saber que eu estou promovendo a ciência, estou participando de projetos, estou conquistando várias coisas. Principalmente se eu parar para pensar que há alguns anos eu nem imaginava que eu poderia estar participando disso tudo”, relata.
Rebeca também destaca o papel do reconhecimento como incentivo para outros estudantes.
“Representa uma oportunidade de aprender mais sobre a ciência e de mostrar também para os jovens que eles podem fazer parte desse mundo”, diz.
Da cultura oceânica à pesquisa científica Mariana Pimenta, de 14 anos, está no 9º ano e também descobriu o edital pelas redes sociais. Após conversar com a mãe, preparou o portfólio e realizou a inscrição.
“Me sinto feliz, pois vejo que aos poucos estou conseguindo construir uma jornada acadêmica robusta com possibilidades de grande crescimento profissional”, afirma.
A estudante entrou na pesquisa científica em 2024, por meio do Clube de Cultura Oceânica, com o projeto “Mar da Nossa Escola”. A iniciativa desenvolve ações na escola e mantém conteúdos de divulgação científica nas redes sociais. O projeto foi selecionado para apresentação na 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília.
Mariana também participa do Programa Meninas no Espaço, onde pesquisa a relação entre mudanças climáticas, Antártica, manguezais e proliferação de mosquitos na área próxima à escola.
Ela acumula ainda participações em olimpíadas científicas. Na Olimpíada do Oceano, conquistou sete medalhas em modalidades nacionais, regionais e internacionais. Na Feira Nacional GLOBE Brasil, participou dos projetos “Do Mangue ao Gelo” e “Quando a escola esquenta os mosquitos aparecem”, premiados nas modalidades maquete e pôster.
Para Mariana, a presença de meninas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática é fundamental para ampliar a diversidade científica.
“A inserção de jovens, principalmente meninas, na área STEAM é de grande importância para se alcançar a igualdade de gênero, desenvolver nossas habilidades e potenciais, trazer novas visões e promover possíveis mudanças e soluções”, afirma.
A estudante também produziu uma história em quadrinhos sobre o projeto dos mosquitos, reunindo registros das etapas da pesquisa. O material foi levado e distribuído durante a 79ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Rio de Janeiro.
Professora destaca protagonismo das estudantes A trajetória das jovens é acompanhada pela professora Luciana Fentanes, doutora em Bioquímica e Biologia Molecular. Para ela, o resultado representa uma etapa importante no processo de autonomia das estudantes.
“Foi muito gratificante, principalmente para mim, como professora delas, saber que elas já estão nesse grau de maturidade, ao ponto de se inscreverem sozinhas e conquistarem um prêmio”, afirma.
Segundo Luciana, as estudantes participaram da construção dos projetos ao longo dos últimos meses, mas a inscrição no Prêmio Pop Ciência foi uma oportunidade para que demonstrassem, sozinhas, a confiança no trabalho desenvolvido.
“Nós construímos o Meninas no Espaço juntas, mas agora essa etapa elas fizeram sozinhas, justamente para trabalhar essa parte da confiança no que tinham feito e na competência que têm para fazer”, explica.
A professora também destaca os resultados obtidos pelas estudantes em outras competições. Na Feira Nacional GLOBE, a equipe conquistou primeiro lugar na modalidade maquete e terceiro lugar no pôster.
Para Luciana, o impacto vai além dos prêmios e já aparece nas perspectivas acadêmicas das estudantes. Rebeca, que está na primeira série do ensino médio, pretende cursar Biologia.
Mariana, no 9º ano, planeja tentar uma vaga no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
Professora da UFRN também é reconhecida O RN também aparece no Prêmio Pop Ciência 2026 com a professora Mariana Rodrigues de Almeida, da UFRN. Ela foi selecionada na categoria Diversidade na Ciência, voltada a iniciativas que ampliam a participação de grupos historicamente sub-representados na ciência, incluindo mulheres e meninas.
“Eu fiz a candidatura, que é para categoria Diversidade. Tinha apenas uma vaga e conseguimos.
Ganhar esse prêmio é assim um sonho sendo reconhecido”, afirma.
À frente do Programa Meninas no Espaço, a professora desenvolve ações de educação e popularização científica voltadas principalmente a meninas de escolas públicas, aproximando universidade, pesquisadores, professores e estudantes.
Para Mariana, o reconhecimento representa não apenas uma conquista pessoal, mas o resultado de uma trajetória construída coletivamente com estudantes, professores e instituições.
“Para mim, esse prêmio significa muito mais do que um reconhecimento individual. Ele representa o resultado de uma caminhada construída com muitas meninas, muitos professores, escolas, pesquisadores, instituições e parceiros que acreditaram nesse trabalho”, destaca.
Segundo a professora, um dos principais objetivos do trabalho é ampliar os horizontes das estudantes e apresentar possibilidades que muitas vezes não fazem parte de sua realidade cotidiana.
“O que mais me emociona é dar voz a essas meninas e criar oportunidades para que elas conheçam realidades, experiências e possibilidades diferentes daquelas com as quais estão acostumadas em seu cotidiano. É permitir que conheçam a universidade, a pesquisa, a ciência e novos caminhos que talvez antes pareciam distantes”, afirma.
Mariana também destaca o impacto de acompanhar a evolução das estudantes ao longo dos projetos.
“É acompanhar a transformação de cada uma, perceber a dedicação e a vontade de aprender, pesquisar e mudar a própria história. É vê-las descobrindo que são capazes e começando a sonhar.
A eleição estadual de 1998 escreveu um capítulo inédito na política do Rio Grande do Norte.
Quatro anos depois de chegar ao Governo, Garibaldi Alves Filho (PMDB) voltou às urnas e conquistou um novo mandato ainda no primeiro turno, tornando-se o primeiro governador reeleito da história potiguar. Ao seu lado estava novamente Fernando Freire (PPB), vice desde 1995 e personagem de uma aliança que atravessaria os dois mandatos.
Fernando e Garibaldi construíram uma forte parceria ao longo dos anos – Foto: Reprodução
Realizado em 4 de outubro, o pleito foi o primeiro no Estado sob as novas regras que permitiam a reeleição consecutiva para cargos do Executivo. Garibaldi aproveitou a possibilidade recém-incorporada ao sistema eleitoral brasileiro e submeteu seu primeiro mandato à avaliação dos eleitores.
A disputa recolocou frente a frente dois nomes centrais da política potiguar. Garibaldi enfrentou José Agripino Maia (PFL), ex-governador e senador, retomando nas urnas a tradicional rivalidade entre os grupos Alves e Maia. O candidato governista concorria pela coligação Unidade Popular, formada por PMDB, PPB e outros sete partidos, enquanto Agripino liderava a Vontade do Povo, que reunia PFL, PSB, PSDB, PTB, PL, PV e PSL.
Garibaldi recebeu 560.667 votos, equivalentes a 50,17% dos votos válidos, garantindo a vitória por uma margem estreita sobre o limite necessário para evitar o segundo turno. Agripino ficou em segundo lugar, com 462.177 votos, ou 41,36%.
A eleição contou ainda com Manoel Duarte (PT), que recebeu 75.164 votos (6,73%); Dário Barbosa (PSTU), com 8.124 (0,73%); Roberto Ronconi (PSN), com 6.538 (0,58%); e Marcônio Cruz (PSC), com 4.865 (0,43%).
O resultado renovou por mais quatro anos a chapa formada em 1994. Garibaldi e Fernando Freire tomaram posse novamente em 1º de janeiro de 1999, inaugurando o segundo mandato consecutivo.
Eleição plebiscitária Mais de duas décadas depois, Fernando Freire define aquela disputa como uma eleição essencialmente “plebiscitária”. Em entrevista ao Diário do RN, o então vice-governador recorda que a campanha foi construída principalmente em torno da avaliação do primeiro mandato de Garibaldi.
“Essa campanha, na verdade, foi um plebiscito. Foi plebiscitária porque era uma campanha de reeleição. Ser reeleito no primeiro turno, com mais de 50% dos votos, pode ser considerado um reconhecimento pelo trabalho feito na primeira gestão”, avaliou.
Na lembrança de Freire, a disputa não teve episódios excepcionais ou grandes mudanças de estratégia. O eixo central foi a prestação de contas do governo iniciado em 1995 e a defesa da continuidade administrativa.
“A campanha seguiu um curso normal. Foi uma campanha de prestação de contas da gestão anterior. Não teve nada de extraordinário, nada fora do padrão”, recordou.
A vitória por pouco acima dos 50% necessários para encerrar a eleição no primeiro turno reforçou justamente esse caráter apontado pelo ex-vice. A população não escolhia apenas entre candidaturas diferentes, mas decidia se a gestão iniciada quatro anos antes deveria permanecer no comando do Estado.
O resultado também consolidou a trajetória eleitoral de Garibaldi. Antes de chegar ao Governo, ele havia exercido quatro mandatos de deputado estadual, sido prefeito de Natal e eleito senador. Em 1994, derrotou Lavoisier Maia no primeiro turno e, quatro anos depois, conseguiu renovar o mandato, com uma nova vitória sobre a família Maia, desta vez diante de José Agripino, primo de Lavô, como Lavoisier era mais conhecido.
Uma vice-governadoria ativa A relação entre Garibaldi e Fernando Freire foi além da composição eleitoral. Filho de Jessé Freire, Fernando havia ingressado na política após a morte do irmão, Jessé Freire Filho, em 1988.
Foi eleito deputado federal em 1990 e, quatro anos depois, deixou Brasília para compor a chapa de Garibaldi como candidato a vice-governador.
Em 1998, foi reconduzido ao cargo e afirma que sua participação na administração estadual era mais intensa do que a função formal de vice poderia sugerir. Segundo ele, a relação política com Garibaldi evoluiu para uma proximidade pessoal e uma dinâmica de confiança dentro do Governo.
“A minha participação como vice-governador era ativa. Eu representava um partido que tinha uma bancada importante na Assembleia Legislativa. Havia um entendimento perfeito, que se transformou numa amizade pessoal e persiste até hoje”, afirmou.
Essa confiança, segundo Freire, fazia com que ele assumisse o Executivo com frequência durante as ausências do titular. A experiência acabaria sendo importante para o momento em que, anos depois, assumiria definitivamente o Governo.
“Quando o governador viajava, ele passava o Governo. Eu assumi dezenas de vezes. Então havia uma transição muito pacífica, muito tranquila”, relembrou.
A sucessão definitiva aconteceria em 2002. Garibaldi renunciou ao Governo para disputar uma vaga no Senado, e Fernando Freire assumiu o comando do Estado nos meses finais daquele mandato. “Foi uma transição muito pacífica, muito tranquila. Era uma missão de continuidade mesmo”, relembrou Fernando Freire.
Na eleição daquele mesmo ano, tentou permanecer no cargo e conquistar um mandato próprio à frente do Executivo. Avançou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Wilma de Faria, que venceu com 61,05% dos votos válidos e se tornou a primeira mulher eleita governadora do Rio Grande do Norte.
Senado e proporcionais A eleição de 1998 também definiu uma vaga para o Senado. Fernando Bezerra (PMDB), que já exercia o mandato após ter assumido a cadeira deixada por Garibaldi em 1994, foi eleito com 539.197 votos, correspondentes a 52,34%.
Carlos Alberto de Sousa (PSDB) terminou em segundo lugar, com 353.414 votos (34,31%), seguido por Hugo Manso (PT), com 122.857 (11,93%), e Sônia Godeiro (PSTU), com 14.633 (1,42%).
Na Câmara dos Deputados, oito parlamentares foram eleitos. Henrique Eduardo Alves (PMDB) foi o mais votado, com 163.572 votos, seguido por Iberê Ferreira (PPB), com 103.099. A bancada também contou com Múcio Sá, Lavoisier Maia, Betinho Rosado, Ney Lopes, Ana Catarina Alves e Laíre Rosado.
Na Assembleia Legislativa, Álvaro Dias foi o candidato mais votado, com 45.260 votos. Entre os eleitos também estavam Carlos Eduardo Alves, Márcia Maia, Fátima Bezerra, Robinson Faria, Ricardo Motta, Nelter Queiroz, Getúlio Rêgo e outros nomes que permaneceriam em evidência na política estadual nos anos seguintes.
Os primeiros dez dias oficiais da campanha eleitoral no Rio Grande do Norte intensificaram a movimentação das chapas que disputam o Governo do Estado. Desde 16 de agosto, candidatos têm ampliado agendas de rua, viagens ao interior, reuniões com lideranças e encontros com eleitores. Ao Diário do RN, candidatos a vice-governador avaliaram esse primeiro momento da corrida eleitoral e destacaram as impressões colhidas no contato direto com a população.
Na chapa de Álvaro Dias (PL), Babá Pereira (PL) afirmou que chega a esta fase da disputa com confiança e motivação. O candidato a vice colocou o desejo de mudança no comando do Estado como uma das principais mensagens identificadas durante as agendas realizadas desde o início da campanha.
“Com muita confiança e motivação, o desejo que ouço nas ruas: o RN precisa mudar! E quem melhor defende, sustenta a mudança é a nossa candidatura. E vamos vencer para mudar o nosso Estado, fazê-lo melhor nas áreas onde mais as pessoas precisam”, afirmou.
A avaliação reforça o discurso adotado pela candidatura de Álvaro, que busca se apresentar como alternativa à atual gestão estadual. Nesses primeiros dez dias, a chapa tem apostado no contato com eleitores e lideranças políticas para ampliar sua presença em diferentes regiões do Estado.
“Olho no olho” Na chapa governista, Larissa Rosado (PT), candidata a vice de Cadu de Lula (PT), destacou a intensidade do início da disputa e a receptividade encontrada durante as agendas. Com trajetória política construída principalmente em Mossoró e na região Oeste, ela afirmou que tem percorrido diferentes regiões e retomado o contato direto com os eleitores.
“Esses primeiros dias de campanha têm sido muito intensos e, ao mesmo tempo, muito gratificantes. Tenho encontrado pessoas em todas as regiões, reencontrado amigos, ouvido muito e sentido uma receptividade muito bonita à nossa caminhada”, avaliou.
Larissa também destacou o papel que pretende desempenhar ao lado de Cadu e apontou a experiência acumulada ao longo da vida pública como uma das contribuições à chapa. “Estou vivendo essa missão de vice com muita responsabilidade, somando à trajetória de Cadu e levando também a experiência que construí ao longo da minha vida pública”, afirmou.
O contato direto com o eleitor, segundo ela, deve permanecer como uma das prioridades ao longo da disputa. “Campanha é rua, é olho no olho, é escuta. E esses primeiros dias só aumentaram a minha disposição de trabalhar pelo Rio Grande do Norte ao lado do time de Lula”, acrescentou.
As avaliações também refletem os diferentes discursos levados pelas chapas às ruas. Enquanto Babá reforça a mudança defendida pela candidatura de Álvaro, Larissa destaca a experiência, a continuidade do grupo governista e a vinculação da chapa de Cadu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O deputado estadual Hermano Morais (MDB), candidato a vice-governador na chapa de Allyson Bezerra (União Brasil), também foi procurado pelo Diário do RN para avaliar os primeiros dias da campanha, mas não retornou o contato até o fechamento desta edição.
A participação feminina nas eleições do Rio Grande do Norte cresceu de forma discreta entre 2022 e 2026. Levantamento com dados da Justiça Eleitoral mostra que as mulheres passaram de 36,1% para 37,7% dos nomes contabilizados nas disputas estaduais. Apesar do avanço de 1,6 ponto percentual, elas continuam minoria no conjunto das candidaturas e perderam espaço na corrida pelo Governo do Estado.
Em 2022, o RN contabilizou 557 candidaturas aos cargos de governador, vice-governador, senador, suplentes, deputado federal e deputado estadual. Desse total, 201 eram mulheres e 356 homens. Em 2026, são 324 nomes, sendo 122 mulheres e 202 homens, o que representa uma redução geral de 41,8% no número de candidaturas em relação à eleição anterior.
A queda nas candidaturas atingiu os dois gêneros, mas foi maior entre os homens. O total de mulheres caiu 39,3%, de 201 para 122, enquanto o de homens recuou 43,3%, de 356 para 202. É essa diferença que explica o pequeno crescimento proporcional da participação feminina, mesmo diante da queda no número absoluto de candidatas.
Avanço no Senado A mudança mais expressiva aparece na disputa pelo Senado. Em 2022, apenas uma mulher estava entre os dez candidatos ao cargo, o equivalente a 10%. Quatro anos depois, são cinco entre 14 candidaturas, elevando a participação feminina para 35,7%.
O avanço também ocorre entre as candidaturas a vice-governador. O número de mulheres dobrou, passando de duas, em 2022, para quatro em 2026. Com isso, a representação feminina saltou de 22,2% para 44,4%, aproximando-se do equilíbrio com os cinco homens que disputam o cargo neste ano.
Na corrida pelo Governo, porém, o movimento foi inverso. Em 2022, três dos nove candidatos eram mulheres, participação de 33,3%. Em 2026, apenas uma mulher aparece entre os nove nomes contabilizados, reduzindo a presença feminina para 11,1%.
Nas suplências ao Senado, houve aumento no número absoluto de mulheres. As candidatas a primeira suplente passaram de quatro para cinco, enquanto, na segunda suplência, o número subiu de cinco para seis. Proporcionalmente, entretanto, a participação permaneceu próxima à registrada quatro anos atrás.
Legislativo concentra candidatas As disputas proporcionais continuam reunindo a maior parte das mulheres na corrida eleitoral.
Em 2022, 114 concorreram a deputada estadual e 72 a deputada federal. Neste ano, são 54 candidatas à Assembleia Legislativa e 47 à Câmara dos Deputados.
A redução acompanha a queda geral no número de concorrentes. Para deputado estadual, o total de candidaturas passou de 320 para 153. Mesmo assim, a participação feminina praticamente não mudou: era de 35,6% em 2022 e está em 35,3% em 2026.
Para a Câmara Federal, o cenário é diferente. As mulheres representavam 38,5% das 187 candidaturas registradas em 2022. Agora, são 47 entre 111 nomes, alcançando 42,3% e registrando avanço de 3,8 pontos percentuais.
O comparativo mostra que o crescimento da participação feminina não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto as mulheres ganharam espaço nas disputas para Senado, vice-governadoria e Câmara dos Deputados, perderam representação na corrida pelo Governo. Na Assembleia Legislativa, a proporção permaneceu praticamente estável.
No conjunto das candidaturas, o avanço de 36,1% para 37,7% mantém as mulheres acima do patamar registrado há quatro anos, mas ainda distantes de uma participação equilibrada com os homens na disputa eleitoral potiguar.
Os dados referentes à 2026 foram extraídos nesta terça-feira (25) e ainda podem sofrer alterações conforme o andamento dos registros de candidatura, julgamentos, renúncias ou substituições.
O que te impede de realizar os seus sonhos? Para Iracema Morais, 91 anos, nada é capaz de frustrar o desejo de alcançar os seus planos. No próximo dia 28 de agosto, ela participa da formatura de conclusão do ensino médio.
Iracema conta que sempre quis estudar. Filha única, o pai sentia medo de mandá-la para a escola.
“Eu tinha vontade de estudar. Muita vontade mesmo. Pelejei muito. Com 10 anos, eu entrei na escola, lá em Areia Branca, mas eu era filha única e meu pai tinha medo que acontecesse alguma coisa. Não me deixava ir para a casa de ninguém, nem para escola. Só consegui estudar até a quarta série”, conta.
Quando perguntava ao pai sobre a volta às aulas, a resposta sempre era a mesma: “você já sabe ler e escrever, já sabe demais”.
“Quando eu via fotografia de formatura, coisas de escola, eu tinha muita vontade (de estudar)”, comenta.
O tempo passou, veio o casamento e, dessa união, nasceram 16 filhos. “Aí cadê conseguir estudar com 16 meninos, não é?”, brincou.
A jornada com as crianças em casa não permitia que Iracema tivesse tempo para realizar o próprio sonho, mas não a impedia de lutar para vê-lo realizado nos filhos. Pelo contrário: virou incentivo. “Eu incentivava, mandava estudar, queria que estudassem. E, graças a Deus, todos estudaram”, diz, com um sorriso nos lábios.
Mãe de 16 filhos, avó de 37 netos, bisavó de 27 bisnetos e tataravó de um tataraneto, ela conta que já não acreditava mais que conseguiria voltar um dia para a sala de aula.
“Eu dizia: agora não tem mais jeito não. Com oitenta e tantos anos não têm mais jeito de eu estudar não”, diz.
Após 76 anos desde a última vez que pisou em uma escola, foi em São Paulo do Potengi, a cerca de 64 quilômetros de Natal, na Escola Municipal Cívico-Militar Deputado Djalma Marinho, que ela encontrou a oportunidade de tirar os planos do papel.
Animada, foi para a escola preparada, com material na bolsa e fardada.
“Era assim que eu queria: fardada, com a bolsinha do lado. Eu fui tão feliz que parecia que ia para o céu. Aquela farda, para mim… eu estava no céu!”, conta, sempre com muito sorriso e bom humor.
Terminar o ensino fundamental para ela era pouco. Iracema quis ir adiante.
“Terminei o primário, recebi meu diploma, aí me perguntaram: e agora? Eu disse: vou continuar.
E esse ano, pela graça de Deus, eu estou recebendo o diploma do ensino médio. Tinha aluno lá (na escola), com sessenta e tantos anos já caducando”, descreve Iracema.
Bem-humorada, com uma memória invejável e, como ela mesma costuma dizer, “alegre, bonita, cheirosa e rica”, a jovem de 91 anos, sim, porque ninguém ousa chamá-la de idosa, conta que sempre enfrentou as dificuldades que surgiram ao longo da vida de forma leve e que o segredo é “pensar mais na gente do que nos outros”.
Sobre a volta aos estudos, ela conta que precisou se dedicar ainda mais justamente à matéria em que mais sentia dificuldade: matemática.
“A matéria que eu mais gosto é matemática, a que mais tive dificuldade. Fora ela, português”, afirma.
Nada é capaz de afastar alguém do seu sonho quando se tem força de vontade. A força de Iracema não tem limites. Os joelhos prejudicados, já sem cartilagem, “osso no osso”, não a impediram de estar todas as noites na escola.
“Nunca é tarde para a gente realizar o sonho da vida”, enfatiza.
Para ela, o estudo representa uma das belezas da vida e a idade não é sinônimo de limite.
“Eu digo que ainda vou fazer gastronomia para aprender a cozinhar coisas bem gostosas!”, afirma.
E por que gastronomia? A resposta é simples e direta: “Eu gosto de comer!”
“Crie juízo e coragem”
Sobre quem acha que está “tarde” para voltar aos estudos, o recado é direto: “Crie juízo e coragem. O negócio é ter fé em Deus e ter força de vontade.”
“Imagine se eu fosse me preocupar com esse monte de filho que eu tenho? Mas eu tinha duas sacolas: uma completa e uma furada. Na completa, eu jogo as coisas boas, na furada eu jogo o que me preocupa. Sempre tive uma vida leve. Três coisas que eu não tenho na minha vida é: pobreza, feiura e tristeza. Eu não sei o que é isso. E vou morrer feliz, se Deus quiser”, destaca.
O aniversário de 91 anos de Iracema foi muito bem comemorado ao lado dos professores e colegas – Foto: Reprodução
“É a morte correndo atrás de mim e eu correndo dela”
“Era assim que eu queria: fardada, com a bolsinha do lado” – Foto: Reprodução
Certa vez, após apresentar pequenos lapsos de memória, os filhos decidiram levá-la ao psiquiatra para avaliar se Iracema poderia estar com Alzheimer.
“Disseram que iam me levar ao médico e eu fui. Cheguei lá, o médico me perguntou: a senhora sabe o seu nome? Eu disse: Iracema Morais da Silva. Depois ele perguntou: sabe a sua idade? Eu falei: nasci no dia 11 de março de 1935. Ele perguntou outras coisas e eu fui respondendo. Aí disse: agora, para encerrar, a senhora tem cartão? Eu disse: tenho. Ele falou: me diga o número dos seus cartões. Eu respondi: o número dos cartões eu não falo para ninguém, que eu não sou doida! Ele disse: a senhora pode ir, que a senhora não tem mal de Alzheimer coisa nenhuma!”, relembra.
Aventureira, como ela mesma se define, para ela não existe essa história de ficar em casa descansando.
“Quando vejo alguém se arrumando para sair, eu pergunto logo: vai para onde? Eu vou também.
Vou viajar para Petrolina (PE) agora”, conta.
Para Iracema, o importante é viver a vida e não se conformar em vê-la passar.
“É a morte correndo atrás de mim e eu correndo dela”, afirma.
Sobre os planos para o futuro, ela nem pensa em parar de viajar e conhecer
Por trás das paredes frágeis de compensado e cobertas por lonas na ocupação Luiz Beltrame, no conjunto Parque dos Coqueiros, Zona Norte de Natal, a sobrevivência é testada não apenas pela escassez de recursos, mas também pelo rigor das condições climáticas e pelas tragédias da vida. Para mulheres como Tereza e Jarlene, cada tempestade que atinge a capital potiguar representa uma ameaça direta à integridade de suas famílias e de seus lares improvisados sobre a terra batida.
Tereza: “Se eu dormir aqui cai”
Tereza luta para tentar reconstruir o barraco. “Se eu dormir aqui cai” – Foto: Reprodução
Nas chuvas de julho e do início de agosto, a estrutura do barraco de Tereza Cristina da Costa, de 29 anos, não resistiu à força do vento e da água. O lar de lona e compensado ficou parcialmente destruído, forçando-a a buscar abrigo provisório.
“Ficou tudo alagado”, relatou Tereza.
Mãe de seis filhos, ela precisou se deslocar temporariamente para a residência de um parente no Vale Dourado, também na Zona Norte de Natal, enquanto tenta reforçar as frágeis estacas de madeira de sua estrutura. A decisão foi tomada sob o medo iminente do desabamento total.
“Se eu dormir aqui cai”, desabafou, apontando para o que sobrou de seus únicos bens danificados: duas cadeiras e uma mesa de plástico.
A vulnerabilidade habitacional de Tereza soma-se a graves problemas de saúde que marcaram seus últimos anos. Após o diagnóstico de uma grave insuficiência renal, ela precisou passar por um procedimento cirúrgico complexo para a retirada de um de seus rins. Diante da adversidade, ela se apega à espiritualidade para seguir em frente.
“Eu precisei retirar um rim, mas Deus me deu minha cura e estou vivendo minha vida”, disse.
Hoje, além de lutar pelo pão de cada dia como catadora, Tereza enfrenta a batalha de reconstruir o barraco para que possa retornar ao lar com os seus filhos.
Questionada sobre o que mais necessita no momento, com uma certa timidez e simplicidade ao falar, ela responde: lençol, colchão, toalha. Ficou tudo perdido.
Jarlene: “Tem dia que tem, tem dia que não tem” A dor física e material de Tereza encontra paralelo na dor emocional de sua vizinha, Jarlene Simone da Costa, de 41 anos e mãe de oito filhos, que enfrentou em maio de 2023 a perda de um de seus meninos devido a complicações de uma pneumonia. Jarlene reconta, com a dureza de quem carrega a cicatriz do luto, o desespero de ver o filho adoecer sem a devida assistência.
“Ele ficou internado, mas mandaram ele de volta para casa, quando chegou aqui ele piorou, então levamos ele para o Maria Alice Fernandes. Lá no Maria Alice ele foi bem atendido, fez muitos exames, mas não resistiu”, conta com um olhar vazio.
Após a perda precoce, Jarlene vivenciou duas novas gestações e vê no rosto das filhas caçulas o retrato vivo daquele que partiu: “Elas são a cara dele (do filho falecido), o clone mesmo”.
Na entrada do barraco, uma cerca de arame farpado e um portão improvisado fazem a “segurança” do local. Até chegar a porta de entrada, estão restos de telha, lona, baldes de tinta vazios, brinquedos quebrados, dois colchões velhos e uma geladeira deitada sobre o chão de terra com água acumulada.
Ao passar a porta, logo nos deparamos com um velho fogão com panelas que guardam o pouco que sobrou do almoço: feijão e um pouco de arroz.
Na bancada ao lado do fogão, estavam um pacote de leite em pó, dois quilos de arroz, um caixa de aveia para o mingau das crianças pequenas, um quilo de açúcar, três pacotes de flocão de milho, uma garrafa de temprero, um molho de tomate e uma vasilha com sal. Logo à frente, uma cama de casal quase encostada ao local onde os alimentos são preparados.
Fogão e os poucos alimentos que suprirão a alimentação da família pelos próximos dias se misturam aos lençóis da cama encostada à madeira e lona – Foto: Reprodução
Em um móvel de madeira compensada, Jarlene guarda os poucos lençóis, toalhas e roupas para ela e para os filhos.
Por trás de mais compensado e um lençol amarrado à estrutura de madeira fincada na terra para sustentar o telhado, um vaso sanitário sem instalação de tubulação, um balde para o recolhimento dos dejetos e uma mangueira. Embora hoje comemore ter alimentos básicos como arroz, macarrão e cuscuz para oferecer aos filhos, a ausência de proteínas e a escassez de leite ainda lhe causam profundo sofrimento.
“Tem cuscuz, tem arroz, macarrão. Hoje tem, graças a Deus. Mas a mistura (proteína) não tem”, explica Jarlene.
O momento de maior aflição ocorre quando o leite de suas filhas mais novas acaba. É nesses momentos de dor e aperto que a rede de apoio formada pelas mulheres de Luiz Beltrame se manifesta como o verdadeiro esteio da comunidade.
“Me aperta muito quando acaba o leite das meninas. Tem dia que eu vou para um lado, vou para o outro até conseguir. A gente recebe também o leite do posto, mas quando não tem, eu vou atrás.
Quando falta comida para eles eu choro. Mas elas (Josiana, Tereza e Simone) me ajudam muito”, revela, evidenciando o vínculo de afeto e socorro mútuo que une as moradoras da ocupação.
Abandonadas por seus parceiros e responsáveis sozinhas por famílias numerosas, Tereza e Jarlene encontram na união da comunidade e nos cultos realizados às segundas e sextas-feiras dentro da própria ocupação a força necessária para enfrentar o a dura realidade do cotidiano. “A fé é tudo o que a gente tem”, considera Jarlene.
Sobre o futuro dos seus filhos, ela não tem dúvidas: “Eu estou criando para não ser como o pai deles”.
Inscritas em programas de habitação popular desde 2016, elas resistem sob lonas e compensados à espera de uma vida com estrutura física e social digna.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) negou, por maioria, os pedidos do deputado federal Sargento Gonçalves para retirada de conteúdos e concessão de direito de resposta contra a 98 FM e a jornalista Anna Ruth Dantas. O julgamento do processo nº 0600520-36.2026.6.20.0000 terminou com placar apertado, de quatro votos a três, após divergência entre os integrantes da Corte.
Com o resultado, o colegiado também revogou a decisão anterior que havia sido favorável ao parlamentar e determinado a retirada das publicações questionadas. Assim, os conteúdos podem permanecer no ar e Gonçalves não terá o direito de resposta solicitado.
A ação tem origem em uma entrevista concedida por Gonçalves ao jornalista Diógenes Dantas, no programa “Contraponto”, da Rádio 96 FM, em 6 de agosto. Na ocasião, o parlamentar falou sobre propostas financeiras que, segundo ele, são apresentadas por eleitores e lideranças durante o período eleitoral. Trechos da entrevista foram posteriormente divulgados em conteúdos que associaram a fala a uma admissão da prática de compra de votos.
“Eu acredito que a campanha, para mim, até pelo estilo de campanha, de mandato que eu tenho, é de fato uma consequência do trabalho desenvolvido na base da compra de votos”, afirmou durante a entrevista. Questionado pelo apresentador se havia dito “compra de votos”, Gonçalves respondeu: “Exato”.
A fala foi repercutida pela 98 FM e pela jornalista Anna Ruth Dantas como uma admissão de compra de votos. Gonçalves contestou a interpretação e sustentou que sua manifestação havia sido retirada de contexto, argumentando que pretendia dizer justamente que não trabalha com esse tipo de prática.
Após o episódio, o deputado também divulgou um vídeo negando ter comprado votos ou lideranças políticas. “Nunca comprei, nem vou comprar. Nem voto, nem liderança”, afirmou.
Gonçalves acusou ainda adversários de utilizarem o trecho para promover uma campanha de desinformação contra ele.
O processo chegou ao plenário do TRE-RN sob relatoria do juiz Lourinaldo Silvestre de Lima Filho. No julgamento, o magistrado votou por acolher a pretensão do parlamentar, mantendo o entendimento favorável à retirada dos conteúdos e ao direito de resposta. O voto foi acompanhado por Hallison Rego Bezerra e Sulamita Bezerra Pacheco.
A corrente divergente, porém, reuniu quatro votos e formou maioria. Daniel Cabral Mariz Maia, Ricardo Procópio Bandeira de Melo, Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro e Maria de Lourdes Medeiros de Azevedo divergiram do relator. Com o placar de quatro votos a três, prevaleceu o entendimento pela rejeição dos pedidos de retirada das publicações e o direito de resposta apresentados por Gonçalves.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, apresenta em seu plano de governo propostas de ampliação e fortalecimento de políticas públicas para profissionais da saúde e para a proteção animal. Os compromissos, entretanto, contrastam com episódios ocorridos durante sua administração à frente da Prefeitura de Mossoró, quando questões envolvendo essas duas áreas chegaram à Justiça.
Na área da saúde, o item 50 do plano de governo, intitulado “Saúde Mental, Envelhecimento e Cuidado Humanizado”, promete, entre outras medidas, “melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde”. A proposta coloca a valorização dos trabalhadores como parte das ações que o candidato pretende desenvolver caso chegue ao Governo do Estado.
Em Mossoró, porém, uma controvérsia envolvendo fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais alcançou o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A disputa teve origem no Edital nº 01/2023 da Prefeitura de Mossoró. O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região (CREFITO-1) ingressou com mandado de segurança para pedir a retificação do edital e sua adequação à Lei Federal nº 8.856/1994, que estabelece regras sobre a jornada de trabalho dessas categorias.
O Conselho obteve uma decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Em 20 de junho de 2024, a 3ª Turma do TRF-5 reformou a sentença, reconheceu a legitimidade do CREFITO-1 e determinou o retorno do processo à origem para que o mandado de segurança tivesse regular prosseguimento.
A decisão, porém, não definiu definitivamente qual jornada deveria ser aplicada aos profissionais.
O STJ analisou a legitimidade do CREFITO para questionar o edital e determinou, na prática, a manutenção do entendimento de que o mandado de segurança poderia prosseguir na origem.
CAUSA ANIMAL Na causa animal, o plano de Allyson também apresenta uma série de compromissos. No item 037, denominado “Causa Animal”, o candidato promete apoiar municípios e consórcios em políticas de proteção e bem-estar animal. Entre as medidas estão ampliação de castrações, vacinação antirrábica, microchipagem, feiras de adoção responsável e combate aos maus-tratos.
O plano prevê ainda integração entre vigilância em saúde, educação ambiental, entidades de proteção e serviços veterinários públicos ou conveniados, com prioridade para animais abandonados, famílias vulneráveis e regiões com maior risco de zoonoses.
Durante a administração de Allyson em Mossoró, entretanto, uma associação de proteção animal precisou recorrer ao Judiciário para cobrar a execução de quatro emendas impositivas de 2022, identificadas pelos números 01, 15, 52 e 77. As emendas haviam sido aprovadas e incluídas na Lei Orçamentária Anual do município.
A Associação Mossoroense de Proteção Animal e Responsabilidade Ambiental pediu à Justiça que determinasse ao Município a adoção das medidas necessárias para a execução dos recursos.
Em 18 de janeiro de 2024, a 2ª Vara da Fazenda Pública de Mossoró negou o mandado de segurança. A sentença, contudo, não declarou que as emendas eram ilegais ou que não deveriam ser executadas. A magistrada destacou que a execução das emendas impositivas é obrigatória, mas está condicionada ao cumprimento de requisitos técnicos e jurídicos.
Segundo a decisão, a associação não conseguiu demonstrar, por meio de prova pré-constituída, a existência de direito líquido e certo à execução imediata dos recursos. A Justiça considerou que seria necessário verificar a existência de eventuais impedimentos técnicos e legais, o que demandaria produção de provas incompatível com o mandado de segurança.
A ação transitou em julgado em 12 de março de 2024 e foi definitivamente arquivada em 24 de maio daquele ano.
O tema voltou a aparecer no orçamento de Mossoró em 2026. A mesma associação consta como beneficiária de duas emendas municipais, identificadas como A71 e A72, de autoria do vereador Jailson Regis Nogueira. Cada uma prevê R$ 10 mil, totalizando R$ 20 mil.
Nos registros consultados, entretanto, a realização financeira aparece zerada para as duas emendas: R$ 0 em cada uma. Assim, embora existam R$ 20 mil previstos, não havia, nos dados analisados, valor realizado registrado.
Os episódios não significam que Allyson tenha sido pessoalmente condenado pelo STJ ou que a Justiça tenha declarado definitivamente irregular a atuação da Prefeitura nos dois casos. Na disputa envolvendo os profissionais de saúde, o STJ decidiu sobre a legitimidade do CREFITO-1 para questionar judicialmente o edital, sem decidir naquele recurso o mérito definitivo da jornada. No caso das emendas destinadas à causa animal, a Justiça não determinou que os valores deveriam ser pagos imediatamente, mas reconheceu que a execução de emendas impositivas é obrigatória quando observados os requisitos legais e técnicos.
O contraste, portanto, está no campo político e administrativo. No plano apresentado aos eleitores potiguares, Allyson promete melhores condições de trabalho para profissionais da saúde e uma política estadual mais ampla de proteção e bem-estar animal. Durante sua gestão em Mossoró, entretanto, uma discussão sobre jornada de duas categorias da saúde chegou ao STJ após recurso do Município, enquanto uma entidade de proteção animal precisou buscar o Judiciário em razão da execução de emendas.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) manteve os nomes “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula” nas urnas ao julgar, nesta terça-feira (25), os registros das duas candidaturas petistas. Cadu Xavier disputa o Governo do Estado, enquanto Samanda Alves concorre a uma das duas vagas potiguares no Senado.
Os julgamentos afastaram os questionamentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que havia se manifestado contra o uso do nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos dois candidatos. O órgão defendia a retirada da referência a Lula e o uso de “Cadu Xavier” e “Samanda Alves” nas urnas, sob o argumento de que nenhum dos dois possui “Lula” no sobrenome nem vínculo familiar com o presidente.
O registro de Cadu foi analisado no processo nº 0600298-68.2026.6.20.0000. O relator, juiz Hallison Rego Bezerra, votou pelo deferimento da candidatura e pela manutenção de “Cadu de Lula” como nome de urna. O entendimento foi acompanhado por Sulamita Bezerra Pacheco, Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro, Lourinaldo Silvestre de Lima Filho, Ricardo Procópio Bandeira de Melo e Daniel Cabral Mariz Maia. A decisão foi unânime, sem votos divergentes.
Já o registro de Samanda foi julgado no processo nº 0600373-10.2026.6.20.0000, também com decisão favorável à candidata e à manutenção de “Samanda de Lula” nas urnas.
As decisões preservam uma estratégia adotada pelos dois petistas antes mesmo do início oficial da campanha: associar diretamente suas candidaturas ao presidente. Cadu Xavier e Samanda Alves passaram a utilizar “de Lula” politicamente e registraram as denominações na Justiça Eleitoral para aparecer dessa forma nas urnas.
A vinculação ganhou ainda mais força durante a campanha. Lula já declarou apoio público aos dois candidatos e gravou materiais eleitorais específicos pedindo votos para Cadu e Samanda. Na semana passada, durante seu primeiro compromisso de campanha no Nordeste, em Natal, o presidente voltou a dividir o palanque com os candidatos e reforçou o apoio às duas candidaturas.
Parecer contrário Antes dos julgamentos, o MPE havia defendido que Cadu e Samanda não deveriam utilizar a referência a Lula nos nomes de urna. Os pareceres foram assinados pelo procurador regional eleitoral Fernando Rocha de Andrade.
No caso de Cadu, o Ministério Público argumentou que o nome civil do candidato é Carlos Eduardo Xavier e que não existe vínculo familiar com o presidente. A Procuradoria também considerou o histórico de exposição pública do petista, que vinha sendo identificado como Cadu Xavier pelo menos desde 2019, quando assumiu a Secretaria Estadual da Fazenda.
Para o MPE, a utilização de “Cadu de Lula” poderia provocar dúvida sobre a identidade, induzir o eleitor a erro e favorecer uma possível migração de votos. A manifestação teve como fundamento as regras da Justiça Eleitoral que permitem o uso de apelidos e nomes pelos quais os candidatos sejam conhecidos, desde que não provoquem dúvida sobre sua identidade.
O entendimento foi semelhante em relação a Samanda. A Procuradoria questionou a adoção de “Samanda de Lula” pela ausência de vínculo familiar com o presidente e apontou o mesmo risco de associação capaz de confundir o eleitorado.
Os pareceres, entretanto, não representavam impedimento automático ao uso das denominações, já que a decisão cabia ao TRE-RN durante a análise dos registros. Com os julgamentos desta terça-feira, a Corte afastou os questionamentos do MPE e manteve “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula” como os nomes dos candidatos petistas nas urnas.
O cenário eleitoral do Rio Grande do Norte ganha uma nova atualização nesta sexta-feira (28), com a divulgação de mais uma rodada da pesquisa DataVero/Diário do RN. O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 50 municípios potiguares e será o primeiro, do instituto, realizado após o ato político que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Natal.
Realizada entre os dias 23 e 25 de agosto, a pesquisa vai mostrar como o eleitorado potiguar se posiciona neste momento da campanha e permitirá acompanhar possíveis movimentações em relação à rodada anterior do DataVero/Diário do RN.
Primeiro levantamento após Lula A passagem de Lula por Natal é um dos marcos políticos que antecedem a nova rodada. O presidente participou de ato ao lado de aliados no Estado, entre eles candidatos que disputam as eleições deste ano, reforçando sua presença na campanha potiguar.
Por ter sido realizada após a agenda presidencial, a pesquisa será o primeiro levantamento DataVero/Diário do RN a registrar as preferências do eleitorado depois do evento. Embora não permita atribuir eventuais oscilações diretamente à presença de Lula, a comparação com a rodada anterior poderá indicar mudanças no cenário eleitoral após a passagem do presidente pelo Estado.
O levantamento também dá sequência ao acompanhamento realizado pelo DataVero/Diário do RN ao longo da corrida eleitoral, agora em uma fase de maior movimentação das candidaturas e intensificação das agendas de campanha.
Novo momento da campanha A pesquisa chega em uma etapa mais avançada do processo eleitoral. Após as convenções partidárias, as candidaturas foram registradas na Justiça Eleitoral e a campanha começou oficialmente, com os concorrentes autorizados a pedir votos e ampliando atos de rua, agendas nos municípios e estratégias de comunicação.
Os principais candidatos ao Governo também já participaram do primeiro debate televisionado da eleição, realizado pela Band. A partir daí, a disputa ganhou novos eventos de campanha e maior participação de lideranças nacionais no Rio Grande do Norte.
Nesse contexto, a rodada permitirá comparar o atual cenário com os números anteriores e identificar possíveis oscilações nas preferências do eleitorado já durante a campanha oficial. O levantamento representa um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas.
Dados da pesquisa A pesquisa DataVero/Diário do RN ouviu 1.500 eleitores distribuídos por 50 municípios do Rio Grande do Norte entre os dias 23 e 25 de agosto de 2026. O levantamento tem margem de erro de 2,53%, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números RN-06156/2026 e BR-03434/2026.
A ocupação Luiz Beltrame, localizada no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal, guarda histórias de sobrevivência marcadas pela extrema vulnerabilidade social. Quatro anos após a primeira visita do Diário do RN, em 2022, quando Simone, Josiana, Jarlene e Tereza enfrentavam diariamente a incerteza de ter o que comer, a realidade local passou por transformações silenciosas. Embora a fome extrema tenha recuado no cotidiano das 70 famílias da comunidade graças à atuação assistencial das igrejas Assembleia de Deus e Batista e aos recursos do programa Bolsa Família, garantir as três refeições diárias, principalmente ao final de cada mês, ainda é um equilíbrio delicado sobre o chão de terra batida.
No interior dos barracos erguidos com tapumes de madeira, compensado e coberturas improvisadas de lona, a batalha agora se concentra em conquistar autonomia financeira e segurança alimentar.
Josiana: “A gente só passa bem quando tem” Josiana Cláudia do Nascimento Silva, de 32 anos, que vive com o filho adotivo Enzo, de 4 anos, vê no horizonte a chance de mudar de vida. Ela acaba de concluir um curso gratuito de Corte e Costura oferecido pelo SENAI e já tem como garantia uma vaga na indústria têxtil do Rio Grande do Norte.
“Lá (no curso) elas entregavam a peça e a gente montava tudo. Agora vai mudar, vai melhorar bastante”, projeta Josiana, com o certificado em mãos.
Apesar da expectativa de emprego, as dificuldades materiais persistem no armário de Josiana, onde panelas vazias dividem espaço com pequenas porções de alimentos básicos. O preço elevado das proteínas continua sendo o maior obstáculo para a nutrição de sua família.
“A mistura (proteína) é difícil, mas o grosso (feijão, arroz, flocão de milho, sal, óleo de cozinha) graças a Deus hoje tem”, afirma ela.
A renda restrita do auxílio governamental exige um esforço mútuo e constante de solidariedade e empréstimos comunitários para que as famílias não fiquem desamparadas no fim do mês.
Josiana descreve esse malabarismo diário: “A gente sobrevive assim, porque o dinheiro sai hoje e no final do mês já estamos aí sem nada. A gente só passa bem quando tem. Cada uma tem sempre uma dívida. Acaba aqui a gente pede: ei, me empresta R$ 100, quando receber, te passo. E assim a gente vai sempre buscando ajuda. Deus foi fazendo o sobrenatural. Para pior a gente não pode ir, tem que ir para o melhor”.
Simone: “Eu continuo na reciclagem e sempre ali na balança, no limite” A alguns passos do barraco de Josiana, Simone dos Santos, de 53 anos, compartilha do mesmo sentimento de luta contínua, mas celebra as pequenas conquistas com um sorriso largo. O acesso ao Programa do Leite trouxe um alívio tangível para o sustento de suas quatro filhas, uma sobrinha e um neto.
“Eu engordei mais”, diverte-se Simone ao falar sobre as mudanças recentes. “E a sorte da gente também é porque agora tem esse programa do leite, que a gente recebe. A gente não recebia antes. Com o leite, aí come um cuscuzinho regado, é bom demais”, comenta com um sorriso que sai dos lábios e transborda no olhar.
Cuidando do sustento da casa por meio da coleta de materiais recicláveis, Simone reconhece que a estabilidade ainda é parcial e depende de doações de cestas básicas. No entanto, a dignidade na mesa é defendida dia após dia.
“Já foi mais difícil. Eu continuo na reciclagem e sempre ali na balança, no limite. Graças a Deus tem também pessoas de bom coração que ajuda com uma cesta básica, às vezes, principalmente as igrejas evangélicas”, relata.
Com otimismo, ela completa: “Às vezes não tem para o café da manhã, mas a gente tem no almoço. No jantar eu vou comer cuscuz com leite!”, referindo-se ao “cuscuz do jantar que às vezes sobra e a gente come no café da manhã”.
No armário improvisado, Simone aponta para os alimentos armazenados que irão garantir as refeições da família ao longo dos próximos dias: dois quilos de feijão preto, mais dois de feijão carioca, um saco com aproximadamente um quilo de feijão da terra, três quilos de arroz, quatro de açúcar e oito pacotes de flocão de milho.
Enquanto isso na geladeira, restavam apenas uma panela com água, dois sacos de leite e um pouco de sardinha congelada.
Horta comunitária Há dois anos, a alimentação de Luiz Beltrame ganhou o reforço de uma horta comunitária gerenciada pelos próprios moradores, que produz hortaliças, tubérculos, frutas e ervas medicinais. Simone, uma das responsáveis pelo plantio, orgulha-se da qualidade do que colhem na terra da ocupação: “Tudo natural, sem agrotóxico! ”.
Apesar do avanço na segurança alimentar, a barreira da escolaridade e a idade limitam o acesso dessas mulheres ao mercado de trabalho formal, perpetuando a dependência do trabalho autônomo na reciclagem.
“Não é que a gente não queira trabalhar. A realidade é o trabalho para a mãe de família que não tem estudo é muito difícil e também pela idade. Eu, por exemplo, já estou com 53 anos, e não estou trabalhando não é porque não quero, mas porque muito trabalho pede estudo e eu não chego nem na porta”, reflete Simone.
A baixa escolaridade, porém, não é um fardo que pretendem levar para seus filhos. Todas as crianças estão matriculadas e frequentam regularmente a rede pública de ensino.
Abandonadas pelos companheiros, essas mulheres sustentam suas casas sozinhas e projetam no futuro o sonho coletivo de uma moradia que lhes garanta segurança física e social. Cadastradas em programas habitacionais do município de Natal desde 2016, elas aguardam a conclusão dessa promessa.
“O sonho de toda mãe de família é ter uma moradia digna. Daqui a quatro anos, a gente imagina isso e evoluir cada vez mais”, resume Simone. Josiana completa com o mesmo anseio por estabilidade: “Que chegue coisas boas para nós, a gente ainda precisa no dia a dia, porque não é todo dia que a gente tem. É pela nossa família que a gente sobrevive”.
“Sem a fé a gente não chega a lugar nenhum. É Deus primeiramente”, conclui Simone, sintetizando o sentimento de resiliência.
jornalismo do Rio Grande do Norte perdeu um grande talento no domingo (23): jornalista Francisco Rodrigues de Carvalho Neto, conhecido como Rodrigues Neto. Diretor da TV Câmara Natal, ele morreu em Natal no dia em que completava 59 anos, deixando uma trajetória marcada pela televisão, pela gestão cultural e por relações de amizade que atravessaram décadas de profissão.
A morte foi confirmada pelo presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome, que publicou uma nota de pesar nas redes sociais.
“Grande jornalista, diretor da TV Câmara, que nos deixa uma história marcada pelo talento e pelo jeito extrovertido, divertido e leve de ser”, escreveu.
Rodrigues Neto comandava a TV Câmara Natal havia anos e, em 2023, foi citado pela própria Casa Legislativa durante a solenidade em comemoração aos 20 anos da emissora. Ao longo da carreira, também atuou na TV Ponta Negra e presidiu a Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte).
Sindjorn destaca legado para a comunicação potiguar Em nota de pesar, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) ressaltou a importância da trajetória de Rodrigues Neto para a comunicação do Estado.
“Profissional de reconhecida trajetória na comunicação potiguar, Rodrigues Neto construiu parte importante de sua carreira na TV Ponta Negra e também deixou sua contribuição à cultura e à gestão pública, tendo presidido a Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Atualmente, estava à frente da TV Câmara de Natal”, destacou o sindicato.
A entidade também ressaltou a personalidade do jornalista.
“Mais do que sua trajetória profissional, Rodrigues deixa a lembrança de quem conviveu com sua irreverência, espontaneidade e, sobretudo, com a forma generosa com que cultivava amizades”, afirmou.
“Ele era meu ‘para-choque’” Bosco Afonso, ex-diretor de jornalismo da TV Ponta Negra, onde os dois trabalharam juntos por muitos anos, emocionado, relembrou o início da trajetória de Neto na televisão e destacou a parceria construída ao longo da carreira.
Bosco recordou que ambos aprenderam e cresceram profissionalmente na emissora, ressaltando a rapidez com que Rodrigues Neto assimilou a rotina do telejornalismo. “Neto foi um desses, que chegou também sem conhecer o que era televisão, o que era jornalismo na televisão. E ele teve uma audácia, foi audacioso. Aprendeu rapidinho e a convivência com ele foi de uma forma muito irmanada. A minha relação com ele foi até uma relação de pai para filho”, lembrou.
Ao explicar por que costumava dizer que Rodrigues Neto era o seu “para-choque”, Bosco não conteve a emoção. “Isso me emociona muito. Quando eu falo que ele foi meu para-choque, é porque, na maioria das vezes, todos os problemas, os problemas que não são públicos diariamente em uma redação de televisão, de um jornal, passavam primeiro por ele. E ele, por algum tempo, foi meu para-choque. Era quem segurava muitas coisas para que não chegassem até a minha pessoa”, disse.
“Ele era amigo de verdade”
Fernanda: “Amigo de verdade, amigo dos amigos. Em defesa dos amigos” – Foto: Reprodução
A jornalista Fernanda Souza falou ao Diário sobre a convivência diária durante os anos em que trabalhou na Câmara Municipal de Natal.
“Falar de Neto é lembrar daquele jeito que só ele tinha que misturava toda a elegância, era um homem muito cheiroso… era aquele abraço afetuoso sempre. Ríamos muito”, contou. Fernanda destacou a lealdade do amigo.
“Ele é uma pessoa muito leal, ele é amigo de verdade, amigo dos amigos. Em defesa dos amigos, ele ia até o fim”, afirmou.
“Ríamos muito, somos conhecidos pelas nossas risadas e gargalhadas, mas mesmo com esse jeito dele, divertido, sempre alto-astral, um profissional de mão cheia, que marcou em sua época muito ligada às artes, foi presidente da Funcarte, e exerceu o seu trabalho com muita dignidade”, destacou ainda.
“Foi paixão mesmo. E foi recíproco” Nas redes sociais, o jornalista Daniel Cabral, recordou o início da própria carreira ao lado de Rodrigues Neto.
“Conheci Nero em 1998. Eu estagiário e ele editor do programa de Toinho Silveira. Ele me ensinou muito. Teve papel fundamental na minha carreira”, lembrou.
Daniel contou que Rodrigues Neto foi quem insistiu para que ele tivesse oportunidade diante das câmeras.
“Dizia o grande Inaldo Farias que Neto havia se apaixonado por mim, pois nunca tinha visto uma vontade tão grande de que eu, ainda estagiário, fosse para o vídeo como repórter. E foi paixão mesmo. E foi recíproco”, recordou.
Ao falar sobre o jeito exigente do editor, destacou o cuidado que ele tinha com cada detalhe da reportagem.
“Neto era bom humor em pessoa, e assim ele também ensinava e exigia. Com ele, eu aprendi que o telespectador deveria assistir ao que havia de melhor, do texto à plástica: o cabelo, o blazer, a cor da camisa, o tom da voz, a luz. Tudo era composição da reportagem”, escreveu.
Ao encerrar a homenagem, resumiu a importância do amigo em sua vida.
“Meu amigo, obrigado por tudo que você foi para mim. Você sempre estará presente na minha vida”, escreveu.
“Foi meu primeiro chefe”
Lidia: “Com ele não tinha meio termo, era passional, empolgado” – Foto: Rerodução
A jornalista Lídia Pace registrou o período em que trabalhou sob a direção de Rodrigues Neto.
“Neto foi meu primeiro chefe quando comecei no jornalismo profissional. Uma figura! Com ele não tinha meio termo, era passional, empolgado, divertido, engraçado… mestre em dar ‘bailes’ que também nos ajudaram a moldar quem somos hoje”, comentou.
Ela também agradeceu pelos ensinamentos.
“Obrigada por tudo, Netinho, sua alegria em viver fará falta aqui, mas vai alegrar o céu, com toda certeza. Fique em paz”, escreveu.
“Foi ele quem abriu as portas para mim” A jornalista Angélica Hipólito também prestou homenagem ao ex-chefe, a quem atribuiu o início da carreira na televisão.
“Falar de Neto é falar de um profissional disposto a ensinar. Ele me abraçou no início da minha carreira. Foi exigente, carinhoso e bondoso ao mesmo tempo. Perfumado, deixava o cheiro onde tocava, caneta, mesa, cadeira… e com certeza deixa o rastro do legado como deixou seu cheiro por onde passou!”, disse.
Ela lembrou do cotidiano na redação ao homenagear Neto nas redes sociais.
“Eu nunca vou esquecer a cena dele chegando à redação. Dava bom dia, passava por cada pessoa, deixando o cheiro de perfume na gente. Beijava a cabeça de cada um, colocava apelido, brincava… E depois vinha a cobrança. Era assim o nosso Neto. Do jeito dele. Único”, recordou.
“Você vai fazer muita falta”
Kleber: “Foi ele quem me deu a primeira oportunidade no jornalismo” – Foto: Reprodução
O jornalista Kleber Teixeira também lembrou que Rodrigues Neto foi responsável por sua primeira oportunidade na televisão.
“Foi ele quem me deu a primeira oportunidade no jornalismo na TV Ponta Negra e quem me acolheu novamente na TV Câmara Natal, quando precisei logo após a pandemia”, afirmou.
Ao se despedir, resumiu o sentimento compartilhado por muitos colegas de profissão.
“Que Deus te receba, meu amigo. Você vai fazer muita falta”, escreveu.
Ao longo das homenagens, um sentimento se repetiu entre colegas, amigos e ex-companheiros de redação: a lembrança de um profissional exigente, apaixonado pelo jornalismo, generoso na formação de novos talentos e reconhecido pela lealdade às pessoas com quem conviveu.
Na primeira edição do Diário do RN, que chegou às ruas em 23 de agosto de 2022, a educação potiguar ocupava espaço nas páginas do jornal por um dado que chamava a atenção: mesmo arrecadando mais que a Paraíba, a gestão da professora Fátima Bezerra havia investido menos no setor durante o primeiro semestre daquele ano. Quatro anos depois, o mesmo comparativo apresenta um cenário diferente.
Naquele primeiro semestre de 2022, a Paraíba havia aplicado R$ 916,3 milhões em educação, enquanto o RN destinara cerca de R$ 754 milhões, diferença superior a R$ 160 milhões. O investimento potiguar era aproximadamente 17% menor, apesar de a arrecadação estadual superar a paraibana em cerca de 16%.
Em 2026, a relação se inverte na aplicação proporcional dos recursos. No primeiro semestre, o RN destinou 27,76% da receita líquida resultante de impostos à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), contra 26,05% da Paraíba. Os dois estados permaneceram acima do mínimo constitucional de 25%, mas, desta vez, o percentual potiguar ficou 1,71 ponto percentual à frente.
Os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), colocam ainda o Rio Grande do Norte como o estado com maior percentual de aplicação em educação do Nordeste e o terceiro do país no primeiro semestre de 2026, atrás apenas do Paraná, com 30,12%, e de Santa Catarina, com 29,09%.
Em entrevista ao Diário do RN, a governadora Fátima Bezerra (PT) avaliou o cenário quatro anos depois e destacou as mudanças registradas na educação estadual. “Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte está vivendo uma transformação profunda na educação pública, e os resultados mostram que estamos no caminho certo”, afirmou. “Estamos investindo em infraestrutura, tecnologia, aprendizagem e, principalmente, na ampliação das oportunidades para os nossos estudantes”, acrescentou.
Em valores, o mínimo exigido do RN no primeiro semestre era de R$ 2,371 bilhões e a aplicação chegou a R$ 2,634 bilhões, cerca de R$ 262,3 milhões acima da obrigação constitucional. Na Paraíba, foram aplicados R$ 2,803 bilhões diante de um mínimo de R$ 2,690 bilhões, aproximadamente R$ 112,6 milhões acima do piso. Os números de 2026 referem-se apenas aos primeiros seis meses e ainda podem sofrer alterações até o fechamento do exercício.
Rede ampliada As mudanças também aparecem na estrutura e na oferta de ensino. Cerca de 230 escolas foram reformadas, ampliadas ou estão em obras, com investimentos em climatização, conectividade, laboratórios e inovação.
Um dos principais avanços está no ensino em tempo integral, que passou de 70 para 248 escolas. “É uma mudança que significa mais tempo na escola, mais aprendizagem, mais atividades, mais oportunidades e mais proteção para os nossos jovens”, destacou Fátima.
A Educação Profissional também ganhou espaço. Segundo os dados apresentados pelo Governo, a modalidade cresceu 254%, chegando a 25 mil matrículas em 144 escolas. A expansão inclui os Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERNs), com dez das 12 unidades previstas já entregues.
“Estamos preparando nossa juventude não apenas para concluir a educação básica, mas para ter formação, qualificação e melhores condições de ingressar no mundo do trabalho”, afirmou a governadora.
Resultado histórico Os avanços também aparecem nos indicadores de aprendizagem. Segundo os dados apresentados pela governadora, o Rio Grande do Norte chegou a 4,0 no Ideb de 2025, ante 3,2 em 2023, crescimento de 25% e o melhor resultado da série histórica da educação estadual em 20 anos. Fátima também destaca avanços na alfabetização, na fluência leitora e na recomposição das aprendizagens.
“Quando olhamos para esses números, estamos falando de muito mais do que estatísticas.
Estamos falando de escolas melhores, professores valorizados, estudantes com mais oportunidades e uma educação pública que voltou a avançar”, afirmou.
Quatro anos depois da primeira edição do Diário do RN, os dados mostram o RN à frente da Paraíba e com a maior aplicação proporcional em educação do Nordeste no primeiro semestre de 2026. Para Fátima, são resultados de “investimento, planejamento, compromisso e uma política de Estado que coloca a educação como prioridade”.
Quando o Diário do RN ganhou as ruas, em 23 de agosto de 2022, o Rio Grande do Norte estava em plena campanha eleitoral. Naquele mesmo período, o Instituto DataVero, criado em 2021, vivia sua primeira eleição geral e começava a ampliar sua presença no mercado de pesquisas. Foi nesse cenário que as trajetórias das duas empresas se encontraram, dando início a uma parceria que atravessou as eleições de 2022 e 2024 e chega a um novo ciclo em 2026.
Fundado pelos jornalistas Túlio Lemos e Bosco Afonso, o DataVero nasceu com a proposta de realizar pesquisas com suporte técnico, científico e tecnológico. Entre as ferramentas adotadas está a geolocalização das entrevistas, que permite registrar horário e coordenadas da coleta, além de armazenar as informações produzidas em campo.
Para Túlio Lemos, fundador do instituto, 2022 marcou a consolidação do DataVero no mercado.
Naquele ano, as pesquisas para as eleições gerais foram realizadas tanto em nível estadual quanto em municípios potiguares, ampliando a atuação da empresa. “Foi quando a gente começou a se destacar no mercado. Mesmo com pouco tempo de vida, o DataVero logo se credenciou como um instituto sério”, relembra.
A parceria com o Diário, iniciada naquele mesmo período, ampliou a projeção do trabalho. “Com o Diário do RN, justamente na campanha de 22, foi que a gente deu uma visibilidade maior ao trabalho. Era uma eleição geral, com Governo, Senado e Presidência, então foi muito importante para nós”, afirma. Segundo Túlio, o resultado foi positivo para os dois lados. “Deu muita visibilidade ao Diário e deu muita visibilidade ao Instituto DataVero.”
2024 amplia atuação Dois anos depois, as eleições municipais marcaram uma nova etapa. O DataVero realizou mais de 100 pesquisas em diferentes municípios, entre levantamentos destinados à divulgação e trabalhos de consumo interno de candidatos, mantidos sob sigilo.
Em Natal, o instituto acompanhou as mudanças no cenário ao longo da campanha. No primeiro turno, as pesquisas registraram a tendência de crescimento de Natália Bonavides e a perda de força de Carlos Eduardo. Já no segundo turno, o último levantamento apontou Paulinho Freire com 56,56% dos votos válidos e Natália com 43,44%. Nas urnas, o resultado foi de 55,34% contra 44,66%, cravando o resultado dentro da margem de erro da pesquisa.
“Fechamos 2024 com chave de ouro, no segundo turno, na eleição de Natal. Foi um resultado muito próximo daquilo que a gente tinha apontado”, destaca Túlio. Para ele, o desempenho consolidou o trabalho desenvolvido desde a criação do instituto. “Foi o coroamento de um trabalho sério, de um trabalho com muita dedicação”, afirma.
Novo ciclo em 2026 Em 2026, Diário do RN e DataVero voltam a acompanhar juntos uma eleição estadual. O instituto já realizou pesquisas públicas e de consumo interno, com resultado restrito ao contratante; e passou a programar novas rodadas em períodos próximos a acontecimentos que podem interferir na percepção do eleitor, como convenções, debates e agendas políticas.
“A pesquisa nada mais é do que uma fotografia da realidade”, resume Túlio. Para ele, cada levantamento registra o cenário daquele momento. “A pesquisa fotografa aquele instante. Depois, pode acontecer um debate, uma convenção, uma declaração ou qualquer outro fato que mude a percepção do eleitor”, explica.
Por isso, segundo Túlio, o acompanhamento precisa ser contínuo ao longo da disputa. “Um fato que acontece hoje pode mudar a realidade amanhã. Então, você tem que fazer uma nova pesquisa para captar esse novo sentimento do eleitor”, complementa.
Quatro anos depois, a parceria chega às eleições de 2026 consolidada na cobertura política do Diário. Para Túlio, os levantamentos e a proximidade dos números com as urnas fortaleceram a confiança no trabalho. “A credibilidade é o nosso maior patrimônio. É isso que dá confiabilidade à pesquisa e faz com que as pessoas acreditem no trabalho que está sendo apresentado”, conclui.
Interdições, entulho, dificuldades de circulação e reclamações de comerciantes, motoristas, pedestres e usuários do transporte público. Quatro anos atrás, esse foi o cenário encontrado pela reportagem do Diário do RN na Avenida Jerônimo Câmara, na Zona Oeste de Natal. A reportagem foi publicada na edição número 3, de 25 de agosto de 2022, quando a obra ainda provocava impactos significativos na rotina de quem precisava passar diariamente pelo local.
Seis meses depois, em fevereiro de 2023, encontramos um cenário anda pior. Onde antes existiam redes de isolamento, nada mais isolava o local, aumentando os riscos para veículos e pedestres. Em meio ao caos descrito na reportagem de 16 de fevereiro de 2023, um corredor de areia, poeira, lixo e muito entulho.
Já eram 10 anos desde o início da obra, em 2013, como parte da preparação de Natal como cidade sede da Copa do Mundo de 2014.
UM NOVO CENÁRIO Depois de anos de espera, no último dia 02 de julho, a Prefeitura de Natal iniciou as obras de recuperação da Avenida Jerônimo Câmara. A ordem de serviço foi assinada pelo prefeito Paulinho Freire, com investimento de R$ 4,3 milhões em recursos próprios. A intervenção prevê o recapeamento asfáltico de toda a extensão da via, além da implantação de nova sinalização horizontal e vertical.
A reportagem do Diário do RN voltou a visitar a avenida na última sexta-feira, 21 de agosto e encontrou um novo cenário, bem diferente do registrado anos atrás. O serviço de reestruturação da via avançou a olhos vistos e a primeira etapa da intervenção, no trecho entre as avenidas Jaguarari e dos Potiguares, foi concluída.
Hoje, com o avanço da obra, a percepção é de melhora na circulação e as mudanças já são percebidas por quem utiliza a via diariamente. Para o estudante Thiago Oliveira, de 22 anos, um dos principais problemas enfrentados durante a interdição estava relacionado ao transporte público.
“Quando estava interditado, você precisava pedir para ele parar e correr atravessando a rua. Aí, virava mais congestionamento. Então, você teria que pegar outra parada do outro lado da rua, para aí sim ele fazer outro desvio e parar”, relatou.
A estudante Manoela da Silva, de 23 anos, que utiliza ônibus diariamente na região, também lembra das dificuldades enfrentadas durante o período de intervenção.
“Ficou muito ruim porque a gente tinha que atravessar para pegar o ônibus, aí ficou aquele tanto de material e piorou muito. Agora está bom, graças a Deus”, afirmou.
Segundo ela, a situação anterior também envolvia conflitos entre veículos e pedestres, especialmente nas proximidades da Ceasa.
Para o comerciante da Ceasa Josenildo Alves Soares, de 38 anos, a recuperação já trouxe melhorias para a mobilidade.
“Na questão de locomoção ficou bem melhor”, afirmou.
Ele explica que, durante a interdição, veículos maiores enfrentavam dificuldades para sair da região e havia problemas relacionados à circulação e aos acidentes. Com a recuperação da via, parte dessas dificuldades foi reduzida.
“Os carros maiores para sair daqui dava problema, tinha também muitos acidentes, e a questão de dar uma parada ali do outro lado, o pessoal era assaltado, porque não tinha essa fluidez”, relatou.
Comerciante da Ceasa, Josenildo afirma que a recuperação já trouxe melhorias para a mobilidade – Foto: Reprodução
Prefeitura prevê conclusão em outubro De acordo com a Seinfra, a obra de reestruturação da Avenida Jerônimo Câmara já ultrapassou 60% de conclusão. O primeiro trecho foi recapeado e passa pelos últimos serviços de acabamento, enquanto a segunda etapa segue em execução.
A previsão da secretaria é concluir toda a intervenção em outubro.
Para a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, a retomada representa um avanço para a mobilidade da capital.
“Essa é uma obra importante para a mobilidade de Natal e que representa um avanço para a população que utiliza diariamente a Avenida Jerônimo Câmara. A gestão do prefeito Paulinho Freire assumiu o compromisso de retomar os serviços e está trabalhando para concluir a intervenção, garantindo mais segurança, conforto e melhores condições de circulação para motoristas e pedestres”, afirmou.
O prefeito Paulinho Freire também destaca a importância da intervenção e afirma que a retomada da obra foi um compromisso assumido durante a campanha.
“A Avenida Jerônimo Câmara é um dos principais corredores viários da Zona Oeste. A retomada dessa obra foi um compromisso que assumi quando ainda era candidato e está sendo cumprido em nossa gestão”, afirmou.
Segundo o prefeito, a recuperação deve melhorar as condições para o transporte público e para os veículos particulares que utilizam a avenida diariamente.
“Já concluímos o primeiro trecho e a segunda etapa segue avançando. Estamos acompanhando o andamento da obra para entregar uma avenida totalmente recuperada, mais segura e confortável para toda a população”, declarou.
Macrodrenagem também avança Além da reestruturação viária, a Seinfra informou que as obras do túnel de macrodrenagem seguem em andamento, sem paralisações, desde janeiro de 2024.
A intervenção envolve a implantação de tubulações que, em alguns pontos, chegam a 30 metros de profundidade. Atualmente, as equipes trabalham nos últimos sete metros de tubulação na Rua Presidente Castelo Branco, etapa que permitirá o funcionamento da primeira fase do túnel.
A previsão é concluir essa fase até o final do ano. Já a segunda etapa, orçada em aproximadamente R$ 90 milhões, possui recursos garantidos e está em fase de procedimentos técnicos.
Obra faz parte do PAC da Copa A intervenção na Avenida Jerônimo Câmara está relacionada a um projeto de infraestrutura iniciado no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa 2014.
O projeto tem como objetivo interligar o sistema de drenagem das águas pluviais entre as zonas Sul e Oeste de Natal, contribuindo para eliminar problemas históricos de alagamentos em bairros como Lagoa Nova, Nova Descoberta, Dix-Sept Rosado, Candelária, Bom Pastor, Cidade da Esperança e Nazaré.
Além da estrutura de drenagem, a recuperação da avenida representa uma intervenção importante na mobilidade urbana da capital. A Jerônimo Câmara integra o sistema viário de acesso a áreas como o entorno da Arena das Dunas e do Viaduto do Quarto Centenário.
Em seu primeiro compromisso de campanha no Nordeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou nesta quinta-feira (20), em Natal, o apoio à candidatura de Cadu de Lula (PT) ao Governo do Rio Grande do Norte. Durante comício na Arena das Dunas, Lula chamou o petista de “meu Cadu, futuro governador desse Estado”, exaltou a gestão de Fátima Bezerra (PT) e pediu votos para os candidatos da chapa governista.
A declaração deu o tom da participação do presidente no ato, que reuniu a militância petista e aliados em torno das candidaturas estaduais. Ao longo do discurso, Lula voltou a defender Cadu como seu nome para a sucessão de Fátima e reforçou o pedido de voto para Samanda de Lula (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado.
Logo na abertura, o presidente fez questão de apresentar os candidatos. “Minha querida companheira Fátima, governadora desse Estado, meu Cadu, futuro governador desse Estado, companheira Samanda, futura senadora, e Rafael, senador da República”, declarou.
O apoio a Cadu ganhou tom ainda mais direto no encerramento. Ao pedir votos para a própria candidatura, Lula convocou a militância a eleger também seus aliados no Rio Grande do Norte.
“Quem votar em mim, eu peço a vocês, como companheiros e companheiras, vote no companheiro Cadu para governador, na Samanda, no Rafael para senador”, afirmou. O presidente também pediu apoio aos candidatos do grupo à Câmara dos Deputados.
Destaque para Fátima Além de Cadu, Fátima ocupou espaço de destaque no discurso. Lula fez uma defesa enfática dos dois mandatos da governadora e comparou sua gestão com a dos antecessores no Rio Grande do Norte.
“Você conhece quem governou esse Estado. Eu conheço quem governou”, iniciou. Na sequência, elevou o tom ao exaltar a petista: “Pode pegar todos que governaram esse Estado, colocar numa panela, assar, não dá um caldo que essa mulher soube dar”, declarou.
A defesa da gestão de Fátima veio acompanhada do apoio à continuidade do grupo no Executivo estadual. Ao apresentar Cadu como “futuro governador”, Lula reforçou a escolha do petista para suceder a governadora a partir de 2027.
Parceria com o RN Lula também destacou investimentos federais e defendeu ampliar as oportunidades para o Nordeste. Entre as ações, citou a chegada de um supercomputador ao Rio Grande do Norte como exemplo dos investimentos em tecnologia direcionados à região.
“Eu trouxe o supercomputador aqui para dizer para vocês: nenhum Estado do Nordeste vai ficar devendo nada a nenhum outro Estado desse país”, afirmou.
O presidente também defendeu tratamento igualitário entre as regiões. “Eu não quero tirar nada de São Paulo. Não quero tirar nada do Rio de Janeiro. Não quero tirar nada de Minas Gerais. A única coisa que eu quero é que o Nordeste seja tratado” em condições de igualdade, declarou.
Ao falar das transformações econômicas e sociais da região, Lula afirmou que o Nordeste passou a atrair profissionais qualificados. “Hoje, não é o nordestino que quer estudar em São Paulo, é o doutor de São Paulo que quer ir trabalhar no Nordeste”, disse.
No encerramento, Lula voltou ao tom eleitoral e convocou a militância a trabalhar pelas candidaturas do grupo no Estado, com Cadu para o Governo, Samanda de Lula e Rafael Motta para o Senado, além dos candidatos aliados à Câmara dos Deputados.
Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cadu de Lula (PT) defendeu a continuidade do projeto político petista no Rio Grande do Norte durante comício realizado nesta quinta-feira (20), na Arena das Dunas, em Natal. O candidato ao Governo destacou obras realizadas em parceria com o Governo Federal e reforçou a vinculação de sua candidatura ao presidente.
“O Rio Grande do Norte, o nosso Estado, o Brasil, não vai retroceder. Não vai retroceder. Nós vamos seguir adiante para trazer mais emprego, mais renda, mais qualidade de vida para o nosso povo”, afirmou.
Ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT), a quem chamou de “eterna líder”, Cadu concentrou o discurso nas ações realizadas pelo Governo do Estado e na parceria retomada com o Governo Federal após a volta de Lula à Presidência, em 2023. “Foi aí, presidente, depois de um Governo Federal sabotando o nosso Governo, que nós começamos a fazer as entregas”, afirmou.
Entre as ações, citou o programa de recuperação das rodovias estaduais e relacionou os investimentos aos recursos obtidos por meio de operação de crédito. “Só fizemos isso, presidente, porque o senhor voltou para a Presidência da República”, declarou.
“Foi por recursos oriundos de uma operação de crédito que o presidente Lula autorizou que nós estamos recuperando 60% das rodovias do nosso Estado. E Cadu governador vai recuperar 100%, junto com o presidente Lula”, acrescentou.
Cadu também mencionou a Barragem de Oiticica, o túnel Major Sales e as obras relacionadas à chegada das águas do Rio São Francisco. Ao falar da duplicação da BR-304, voltou a atribuir a Lula o avanço da obra e destacou a importância do projeto para o Estado.
“Agora, presidente, o senhor está realizando um sonho de 60 anos, que é a duplicação da BR-304. Uma obra que salva vidas e que traz desenvolvimento”, afirmou.
Na parte eleitoral do discurso, Cadu relacionou as entregas citadas à defesa da continuidade da parceria a partir de 2027. “Nós estamos prontos para mais. Prontos para mais”, afirmou, antes de reforçar que pretende manter a atuação conjunta com Lula caso seja eleito governador.
O petista também relembrou os questionamentos sobre sua candidatura. “Eles começaram de novo, presidente: ‘Cadu não vai ser candidato. Ele está guardando a vaga de alguém’. E eu segui adiante”, declarou.
Ao lado da candidata a vice-governadora Larissa Rosado, reforçou a vinculação da chapa ao presidente: “A gente está aqui, agora, ao seu lado, junto com Larissa, para dizer para o povo do nosso Estado que o governador de Lula e a vice-governadora de Lula são Cadu e Larissa”.
Fátima defende “Cadu de Lula” Fátima também fez um balanço dos dois mandatos e destacou a parceria com o Governo Federal.
“Em nome do povo do Rio Grande do Norte, gratidão ao senhor pela parceria, pelo respeito, pelo carinho, pelo apoio que sempre tivemos”, afirmou.
Entre os resultados, citou os mais de 151 mil jovens potiguares atendidos pelo Pé-de-Meia, o avanço das matrículas no ensino integral e profissional e a expansão dos Institutos Federais.
A governadora também destacou as obras de segurança hídrica. “Isso, presidente, é algo que eu vou guardar por toda a minha vida, junto com o senhor, a gente ter conseguido concluir a transposição, trazendo dignidade, cidadania e segurança hídrica para o nosso povo”, declarou.
Também mencionou o Hospital Metropolitano e a duplicação da BR-304.
No campo político, Fátima reforçou o apoio a Cadu e rebateu os questionamentos sobre o uso de “de Lula”. “Não adianta questionar isso. Sabe por quê? Porque Cadu de Lula está no coração do povo”, afirmou, acrescentando que “Cadu defende o que Lula defende”. Ao final, convocou a militância para a campanha e defendeu a eleição da chapa governista.
Carga tributária elevada, infraestrutura deficiente, dificuldades de acesso ao crédito, informalidade e baixo investimento no turismo estão entre os principais entraves apontados pela classe empresarial do Rio Grande do Norte. Diante da mudança de governo a partir de 2027, representantes de diferentes segmentos esperam da próxima gestão maior diálogo com o setor produtivo, redução de obstáculos aos investimentos e medidas para ampliar a competitividade da economia potiguar.
Para o presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus Feitosa, a tributação aparece como uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo comércio popular. Ele também cita os efeitos das condições das rodovias sobre os custos das empresas.
“A principal dificuldade que nós enfrentamos é a carga tributária”, afirmou. Segundo Feitosa, problemas de infraestrutura encarecem toda a cadeia. “O frete fica mais caro porque a empresa ou o caminhoneiro tem que gastar mais com manutenção”, exemplificou.
Ao projetar a próxima gestão, o empresário defende incentivos que alcancem negócios de diferentes portes e uma relação mais próxima entre Estado e municípios. “Não só as grandes empresas, mas as pequenas e médias também precisam desse incentivo”, disse. Para ele, o próximo governador deverá buscar uma atuação conjunta independentemente das diferenças partidárias.
No Oeste, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró (Sindvarejo), Michelson Frota, também coloca a tributação entre as principais preocupações. Ele cita a antecipação do ICMS e alerta que empresas nem sempre possuem fluxo de caixa suficiente para absorver o pagamento.
Frota acrescenta o endividamento das famílias, a inflação e o custo do crédito à lista de dificuldades enfrentadas pelo varejo. “O crédito até existe, mas é um crédito caro”, afirmou. Para o próximo governo, espera medidas capazes de estimular a atividade econômica. “A gente espera que destrave realmente o Estado do Rio Grande do Norte. Temos muitas riquezas aqui, então essa economia precisa girar”, defendeu.
Turismo pede mais investimentos No setor turístico, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no RN (ABIH-RN), Edmar Gadelha, aponta dois grandes gargalos: a baixa conectividade aérea e o volume de investimentos destinados à atividade. Apesar de reconhecer a existência de diálogo com a atual gestão, cobra maior efetividade das ações.
“Existe, sim, um diálogo aberto. Há uma união do poder público com a iniciativa privada hoje em todos os segmentos do trade turístico. Para tanto, precisamos de mais efetividade”, afirmou.
Entre as expectativas para o próximo governo estão políticas para ampliar a malha aérea e atrair voos internacionais, mais recursos para promoção do destino e parcerias público-privadas para equipamentos turísticos. Gadelha cita ainda o Centro de Convenções de Natal e a retomada de áreas não desenvolvidas na Via Costeira.
Já o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no RN (Abrasel-RN), Thiago Machado, aponta a dificuldade de repassar o aumento dos custos aos consumidores. Segundo ele, mais da metade dos associados não consegue reajustar os preços nem mesmo no limite da inflação sem perder competitividade.
“Quem aumenta preço perde competitividade”, resumiu. Machado também chama atenção para o crescimento da informalidade e defende que a próxima gestão reduza a carga tributária sobre a alimentação fora do lar, segmento que considera parte fundamental da cadeia turística.
Expectativa para 2027 As demandas do empresariado também foram apresentadas aos candidatos ao Governo durante o RN em Foco 2027–2030, promovido pela Fecomércio RN, entre os dias 17 e 19 deste mês. O presidente da entidade, Marcelo Queiroz, destacou que o levantamento entregue aos concorrentes foi elaborado a partir de dados técnicos e da escuta de mais de 1.600 empresários de todas as regiões do Estado.
“Isso vai contribuir para os candidatos e para as ações do futuro governador”, afirmou. Queiroz também reforçou que a Fecomércio pretende manter o diálogo com a próxima gestão. “Estamos à disposição para contribuir com quem for eleito, pensando no desenvolvimento do Rio Grande do Norte e na geração de emprego e renda”, concluiu.
prefeito de Natal, Paulinho Freire, empossou nesta semana Thiago Mesquita como diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban). Em entrevista ao Diário do RN, o novo gestor destacou os desafios da nova missão, a experiência acumulada durante o período em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e as metas para fortalecer a atuação da agência.
Mesquita afirmou que recebeu o convite com gratidão e destacou a confiança depositada pelo prefeito para conduzir a autarquia durante os próximos anos.
“Eu estou realmente muito grato ao prefeito pela confiança. Já tinha me reconduzido à Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, lá em janeiro de 2025, e agora me deu a oportunidade de trabalhar esses cinco anos com estabilidade, num mandato tão importante como é a agência, essa agência tão relevante para o município, e receber com muita gratidão a confiança do prefeito”, declarou.
Segundo o novo presidente, a Arsban possui um papel que vai além da fiscalização dos serviços de água e esgoto. A agência também atua em áreas como resíduos sólidos, drenagem e questões sociais relacionadas ao saneamento.
“A Arsban tem um papel fundamental na regulação dos serviços de saneamento básico do município de Natal. Muita gente pensa somente em água e esgoto, mas também envolve resíduos sólidos e drenagem, mas também impactos sociais muito importantes”, explicou.
Entre esses impactos, Mesquita citou a revisão tarifária dos serviços de água e esgoto, a taxa de limpeza pública e a tarifa social, que prevê desconto para famílias de baixa renda.
Experiência na Semurb será levada para nova função
Thiago quer levar para a Arsban perfil de gestão com foco em resultados – Foto: Reprodução
Ao falar sobre a experiência acumulada durante os oito anos em que esteve na Semurb, Thiago Mesquita afirmou que pretende levar para a Arsban um perfil de gestão com participação institucional e foco em resultados.
“Esse é o meu perfil. É um perfil de fazer, não é ficar atrás de balcão, de birô, mas de ir para frente, de participar de audiência, de representar a instituição em todos os seus aspectos, de palestrar, de não somente ser um ordenador de despesas, mas também de ser ali o anteparo da instituição”, afirmou.
O presidente da Arsban destacou ainda ações desenvolvidas durante sua passagem pela secretaria, como a condução de mudanças relacionadas ao Plano Diretor, Código de Obras, legislação ambiental e instrumentos urbanísticos.
“Essa reforma desse pacote urbanístico é que proporcionou e eu adquiri com o tempo experiência nas relações institucionais, com órgãos de controle, tudo isso eu vou levar para minha experiência”, comentou.
Mesquita também ressaltou a experiência em gestão pública e privada como parte da formação que pretende aplicar na nova função.
“Essa experiência de gestão pública, que eu já tenho da gestão privada, já fui também diretor de uma multinacional, então isso tudo eu trago para essa experiência profissional, tanto na área pública quanto na privada, para fazer com que a agência tenha uma notoriedade e que ela possa exercer o seu papel no saneamento”, disse.
Sobre a relação entre as duas instituições, Mesquita explicou que, apesar de possuírem naturezas jurídicas diferentes, as áreas de atuação possuem pontos de conexão, principalmente nos temas ambientais e de infraestrutura urbana.
“São naturezas jurídicas diferentes, distintas, mas que atuam num campo muito similar. Quando tratamos a questão ambiental, a questão do quadro de poluição em Natal, também tem relação com a destinação irregular de resíduos sólidos, com a ligação clandestina de esgoto no sistema de drenagem, com todos os aspectos relacionados com que a drenagem proporciona de impacto socioambiental e econômico do município”, afirmou.
Segundo ele, setores da Semurb deverão manter diálogo constante com a Arsban para contribuir com as ações relacionadas ao saneamento.
Thiago Mesquita afirmou que a Arsban seguirá as diretrizes estabelecidas pelo marco legal do saneamento, que prevê metas para serem alcançadas até 2033.
“O marco do saneamento estabelece os objetivos e metas que os municípios e estados têm que atender na área de saneamento. E a Arsban vai trabalhar seguindo rigorosamente isso, cobrando das instituições o cumprimento dessas metas e, quando não, dialogando, se colocando à disposição, e quando não houver o cumprimento, vamos atuar como agência reguladora”, declarou.
Entre os objetivos citados pelo gestor está a universalização dos serviços de água e esgoto, além do avanço em áreas como drenagem e transparência na prestação dos serviços.
“Atualmente, os resíduos sólidos já estamos em 100%, já foi feito isso. A drenagem temos muito a avançar ainda, mas tem tido já importantes avanços. Vamos contribuir nesse sentido”, afirmou.
O presidente da Arsban também destacou que pretende fortalecer o diálogo com órgãos de controle e instituições de ensino para aprimorar a atuação da agência.
“O diálogo sempre muito próximo, trabalhar de forma institucional com o Ministério Público e o Tribunal de Contas para que a gente possa somar esforço nesse sentido para melhorar a qualidade da prestação de serviço, vai ser nesse sentido”, concluiu.