UFERSA PROMOVE TORNEIO DE CAPTURA DE PEIXE-LEÃO EM TRÊS CIDADES DO RN

A Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) vai promover, ao longo dos próximos meses, um torneio de captura do peixe-leão nos municípios de Areia Branca, Porto do Mangue e Rio do Fogo. A iniciativa busca envolver pescadores no controle da espécie invasora, considerada uma das principais ameaças à biodiversidade marinha da costa brasileira. Cada etapa da competição contará com premiação total de R$ 3,5 mil para as embarcações que capturarem o maior número de exemplares.
Antes de participar da disputa, os pescadores passarão obrigatoriamente por uma capacitação sobre o manejo seguro do peixe-leão. Além de orientações sobre os impactos da espécie e os procedimentos em caso de acidentes, os participantes receberão um kit de captura composto por arpão e coletor de PVC.
Segundo a professora Emanuelle Fontenele Rabelo, coordenadora do projeto “Guardiões do Mar: Ciência Cidadã, Educação Ambiental e Manejo Participativo para o Controle do Peixe-Leão (Pterois volitans) na Costa do Rio Grande do Norte”, a participação dos pescadores é essencial para o sucesso da iniciativa.
“O objetivo é que os pescadores sejam protagonistas desse processo. Só eles conseguem retirar o peixe-leão do ambiente marinho e, ao mesmo tempo, atuar como cientistas cidadãos”, explica.
A pesquisadora ressalta que o avanço da espécie no litoral brasileiro acende um alerta para a necessidade de ações rápidas junto às comunidades pesqueiras. De acordo com ela, o peixe-leão, originário do Oceano Indo-Pacífico, já se estabeleceu em diferentes áreas do Nordeste e tende a ampliar sua presença na costa potiguar.
“A chegada de um peixe marinho invasor na costa brasileira tem sido motivo de preocupação. O peixe-leão, nativo do Oceano Indo-Pacífico, chegou recentemente na costa do nordeste brasileiro e já está estabelecido em várias áreas do litoral do Nordeste. O peixe-leão é um predador agressivo e pode causar sérios impactos no ambiente e na pesca, além do risco de acidentes causados pelos espinhos venenosos que possui. Acredita-se que a população do peixe-leão na costa potiguar deva aumentar rapidamente, gerando um alerta sobre a necessidade urgente de intervenções nas comunidades de pescadores”, detalha.
Além do controle da espécie invasora, o projeto também pretende ampliar o conhecimento científico sobre o peixe-leão no Rio Grande do Norte por meio da participação direta dos pescadores na coleta de informações.
“O objetivo do projeto é a formação de cientistas cidadãos ativos no processo de manejo participativo e colaborativo dessa espécie através de um torneio de caça, orientando os pescadores de colônias da costa do RN sobre esse animal invasor. Os pescadores serão capacitados para a correta captura, manuseio e procedimentos em caso de acidentes. Além disso, serão orientados sobre a importância da coleta de informações sobre o animal, contribuindo com o conhecimento científico sobre a espécie na costa”, orienta.
A programação começa em Areia Branca, onde os pescadores de Ponta do Mel e São Cristóvão participarão da capacitação no dia 25 de julho, na Colônia Z-33.
Em seguida, o treinamento será realizado em Porto do Mangue, no dia 26 de julho, na Colônia Z-17.
A terceira etapa ocorrerá em Rio do Fogo, no dia 10 de agosto, na Colônia Z-3.
Após a conclusão das capacitações, terá início o período de captura, que deverá se estender por vários meses.
Todo o material recolhido durante o torneio será encaminhado para o laboratório da Ufersa, onde servirá de base para pesquisas de graduação, mestrado e doutorado.
Premiação
Cada etapa do torneio terá premiação total de R$ 3,5 mil, distribuída da seguinte forma: o primeiro lugar deverá receber R$ R$ 2 mil; a premiação de R$ 1 mil ficará com o segundo colocado; enquanto o terceiro lugar deverá receber R$ 500.
A embarcação que capturar o maior número de peixes-leão durante a competição será a vencedora de cada etapa. A expectativa da Ufersa é que a iniciativa fortaleça o manejo participativo da espécie invasora, contribua para reduzir seus impactos ambientais e amplie a produção de conhecimento científico sobre a presença do peixe-leão no litoral potiguar.











































