
O lançamento da 31ª edição da Feira Internacional de Artesanato, a FIART, aconteceu na manhã desta quinta-feira (15), no espaço Neuma Leão, no bairro de Morro Branco, zona Sul de Natal.
Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio Grande do Norte, a feira volta a ocupar o Centro de Convenções de Natal, entre os dias 23 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, reafirmando seu papel como um dos principais eventos de cultura, economia criativa e turismo do Estado.
Consolidada ao longo de três décadas, a FIART vai além da venda de produtos. É um espaço de encontro entre saberes, cores e histórias feitas à mão, reunindo artesãos do Rio Grande do Norte, de diversas regiões do Brasil e também do exterior. Neste ano, o público encontrará uma grande diversidade de peças em fios, tecidos, cerâmica, madeira e fibras naturais, além de itens utilitários, moda autoral e objetos de decoração que traduzem a identidade cultural de diferentes territórios.
A programação inclui ainda o Festival FIART Cultural, com shows musicais, apresentações de dança, literatura e manifestações folclóricas, além de uma praça de alimentação dedicada à culinária regional. Outro destaque é o Salão dos Mestres, espaço onde artesãos produzem suas peças ao vivo, permitindo ao visitante acompanhar o processo criativo e compreender o valor do trabalho manual. A feira se consolida, assim, como vitrine da economia criativa e importante instrumento de fortalecimento do turismo e da geração de emprego e renda.
Durante o lançamento, o idealizador e coordenador da FIART, Neiwaldo Guedes, destacou o crescimento do evento e o desafio de mantê-lo em expansão. “A feira tem 30 anos. No ano passado, tivemos um investimento de aproximadamente 2 milhões de reais. Este ano, foi necessário buscar mais 2 milhões. A responsabilidade aumentou, mas novos parceiros chegaram, parceiros importantes para o artesanato e para a economia do Nordeste”, afirmou.
Entre os apoiadores, Neiwaldo ressaltou a presença do Banco do Nordeste e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). “O banco vai estar na feira mostrando que não está distante do artesão, que existe crédito com condições diferenciadas.
Muitas vezes as pessoas passam na frente do banco e não entram. Lá, o artesão vai entender como funciona. E a Apex vem para mostrar que exportar não é só para grandes empresas. O artesão pode exportar, a cultura pode ser exportada”, explicou.
A programação cultural também foi destacada pelo coordenador, que anunciou homenagens e novidades. “A FIART é o momento de mostrar o que nós temos de melhor na nossa cultura. Vamos fazer uma homenagem a Titina Medeiros, e quantas homenagens fizermos ainda serão poucas.
Além do palco principal, teremos os cortejos que lembram muito os carnavais, criando um clima de festa dentro da feira”, disse, convidando o público a visitar todos os espaços do evento.
O superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, Jeová Lins, por sua vez, apresentou dados que demonstram o impacto do crédito na vida dos artesãos. “Este ano, realizamos quase 200 mil operações de crédito no Estado, a maioria de pequenos valores, em torno de 3 a 4 mil reais. Esse crédito chega principalmente às mulheres, que representam cerca de 67% desse público, artesãs, trabalhadoras, empreendedoras e mães de família. Para nós, é uma imensa satisfação, porque o banco não faz apenas crédito, faz cultura”, destacou.
Já o diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti, ressaltou o papel da FIART no desenvolvimento do artesanato. “É um evento que faz com que o nosso artesanato evolua e fortalece a integração do Nordeste. Estaremos presentes em todas as atividades, desde a loja conceito até a programação cultural. Hoje, o Sebrae está praticamente inserido em toda a feira, contribuindo em diversas áreas”, afirmou.
Representando o Governo do Estado, a secretária Iris Oliveira, da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social, reafirmou o compromisso da gestão estadual com o setor. “Para o governo da professora Fátima Bezerra, é uma alegria muito grande apoiar a FIART e reafirmar o compromisso com o artesanato. Hoje, o Rio Grande do Norte conta com quase 13 mil artesãos cadastrados no Programa do Artesanato Potiguar. Isso significa dar visibilidade, dignidade e respeito”, afirmou. Ela também destacou a realização de ações formativas durante a feira, como seminários e espaços de troca de experiências, voltados tanto para artesãos participantes quanto para aqueles que desejam se qualificar.

Números do Natal em Natal confirmam importância do apoio ao artesão
Ainda durante a solenidade de lançamento da 31ª Fiart, o diretor do Departamento de Desenvolvimento e Apoio ao Artesanato da Semtas, Rodrigo Loureiro, representando o prefeito Paulinho Freire, destacou o fortalecimento do artesanato natalense como política pública e vetor de desenvolvimento. “Viemos de um Natal em Natal, com polos estruturados que geram renda real. Os polos de Mirassol e Ponta Negra faturaram juntos mais de meio milhão de reais apenas no período do Natal, com artesanato genuinamente feito à mão”, afirmou. Ele explicou que o polo de Mirassol funciona como a loja Natal Original, espaço dedicado exclusivamente à valorização da produção local.
Segundo Loureiro, o investimento em infraestrutura tem garantido mais dignidade aos artesãos. “Em Mirassol, construímos um belíssimo pavilhão, que dá melhores condições para quem expõe e permite que o espaço funcione como um centro de eventos. E a proposta é que ele esteja aberto o ano inteiro, com loja colaborativa e programação contínua”, disse. Atualmente, mais de 50 artesãos participam diretamente das atividades no local.
Além desses espaços, a Prefeitura avança na criação do polo de comercialização do artesanato na Redinha, integrado ao processo de requalificação da área. “A Redinha passa a ser mais um ponto estratégico, conectando artesanato, cultura e turismo. É uma forma de descentralizar, ampliar a visibilidade e criar novas oportunidades de renda para os artesãos de Natal”, pontuou.
Loureiro também destacou o alcance turístico da FIART. “Pesquisas mostram que quase 50% do público da feira no ano passado era formado por turistas. Isso demonstra a importância de termos um espaço estruturado para mostrar o artesanato de Natal para o mundo”, afirmou. “Para a Prefeitura de Natal, é um orgulho participar da FIART e mostrar que o artesanato de Natal e do Rio Grande do Norte tem qualidade que não deixa a desejar a nenhum estado do país”, concluiu.