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janeiro 21, 2026


IMPORTUNAÇÃO SEXUAL EM REDE NACIONAL REACENDE DEBATE PÚBLICO

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Um episódio recente envolvendo duas pessoas em um programa de TV de grande audiência trouxe ao centro do debate um problema antigo e recorrente na sociedade brasileira, a banalização da importunação sexual. Situações em que o corpo e a vontade da mulher são desrespeitados ainda costumam ser minimizadas, tratadas como “mal-entendidos” ou “excessos”, quando, na verdade, configuram crime. O caso reacende discussões sobre consentimento, cultura machista e os limites que não podem ser ultrapassados, nem nas relações privadas, nem em espaços públicos ou de visibilidade nacional.

Em um programa acompanhado por milhões de brasileiros e cercado por câmeras 24 horas por dia, a suspeita de uma abordagem sem consentimento expôs, mais uma vez, como a importunação sexual é uma realidade presente tanto em ambientes privados quanto públicos, gerando repercussão ampla e imediata. Para especialistas, o caso ajuda a esclarecer o que a lei considera crime e por que atitudes que muitos tentam minimizar são, na verdade, violações graves.

A advogada Amanda Brasil explica que o ponto central é o consentimento, ou a falta dele, e lembra que a prática é crime previsto em lei. “Esse episódio gerou uma repercussão enorme e com razão, porque beijo não é algo que se toma, beijo é algo que se recebe com consentimento.

Quando existe uma tentativa de contato íntimo, aproximação forçada ou insistência física sem autorização, isso pode configurar crime. A Lei nº 13.718, de 2018, incluiu no Código Penal o artigo 215-A, que define como importunação sexual praticar, contra alguém e sem sua anuência, ato libidinoso para satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”, explica.

Segundo ela, o chamado ato libidinoso é qualquer conduta com conotação sexual. “Como tentar beijar, beijar à força, passar a mão, encostar de forma íntima ou invadir o corpo da pessoa de maneira sexual sem a sua permissão. E é importante deixar claro: consentimento não é silêncio, não é ausência de reação. Ele precisa ser claro, livre e inequívoco”, afirma. “Se a pessoa se afasta, vira o rosto, empurra ou demonstra desconforto, isso já é um não”, reforça.

Amanda também chama atenção para o contexto em que o episódio ocorreu. “Tudo isso acontecendo no maior reality do Brasil, num ambiente cercado por câmeras, onde literalmente todo o país está assistindo. E mesmo assim, esse tipo de comportamento ainda acontece. Isso mostra como a violência e a invasão dos corpos femininos são reflexos de uma cultura machista, em que muitos homens ainda se sentem no direito de ultrapassar limites, como se o ‘não’ de toda mulher fosse negociável. Mas não é”, pontua.

A advogada lembra ainda que a importunação sexual não exige relação sexual nem violência extrema para ser caracterizada. “Basta o ato sem consentimento. Basta a tentativa de beijo, como aconteceu no reality show. A pena prevista é de um a cinco anos de reclusão”, observa.

A delegada Victoria Lisboa, da Delegacia de Atendimento à Mulher da Zona Oeste e Leste e Natal, explica que muitas vítimas só percebem depois que passaram por uma violência. “Os sinais aparecem quando você se sente invadida na sua privacidade e percebe que a pessoa agiu com intuito libidinoso e sem a sua anuência”, afirma. Segundo ela, o medo, a vergonha e a sensação de culpa ainda silenciam muitas mulheres, mas denunciar é fundamental para interromper o ciclo.

“Importunação sexual é crime e precisa ser tratada como tal, ressalta.”

Relato fora das telas
A realidade fora das telas mostra que esse tipo de violência é comum. Uma mulher que prefere não se identificar relata que começou a ser importunada em via pública por um desconhecido durante o trajeto diário para levar o filho à escola. “A gente se cruzava quase sempre no mesmo horário, no mesmo caminho. Ele me chamava de linda, princesa e fazia elogios com um tom asqueroso. Eu me sentia constrangida e com medo, porque era algo insistente”, conta.

Em uma das situações, ela percebeu que o homem usava o uniforme de uma empresa e decidiu procurar o setor de recursos humanos para relatar o ocorrido. O relato ilustra como a importunação pode ocorrer de forma repetida e, muitas vezes, à luz do dia, em espaços onde a vítima deveria se sentir segura.

Em resumo, o combate a esse tipo de crime passa por informação, responsabilização dos agressores e apoio às vítimas. “Não é exagero, não é frescura. É violência”, conclui Amanda Brasil.

Canais de denúncia
A delegada Victoria Lisboa reforça que existem canais para buscar ajuda. “As vítimas podem ligar para o 180, que é a Central de Atendimento à Mulher, ou para o 190, em situações de emergência”, orienta. Segundo ela, registrar ocorrência é um passo importante para que o agressor seja identificado e para que outras pessoas não passem pelo mesmo.

Sebrae destaca força da cadeia de laticínios e da produção artesanal no Rio Grande do Norte

Queijos artesanais produzidos no RN têm conquistado reconhecimento em diversos concursos pelo Brasil – Foto: Daísa Alves/ASN

Na data em que se comemora o Dia Mundial do Queijo, 20 de janeiro, o Sebrae no Rio Grande do Norte promoveu, na Agência Sebrae Grande Natal, um dia de atividades voltado à valorização da produção artesanal de queijos no estado. A programação reuniu queijos artesanais potiguares de referência e incluiu demonstração ao vivo da confecção do tradicional queijo manteiga, oficina de harmonização com alimentos regionais, além de exposição e comercialização de produtos, destacando a qualidade e a diversidade da produção local.

A produção potiguar de queijos e laticínios tem conquistado destaque crescente em concursos nacionais. Somente em 2025, produtores do estado somaram 56 medalhas em três importantes competições do setor: Enel, Expo Queijo e Prêmio Queijo Brasil. As premiações contemplaram diferentes categorias, incluindo queijos, manteigas e outros derivados lácteos, reforçando o reconhecimento da produção artesanal potiguar.

Para o produtor Lucenildo Firmino, de Tenente Laurentino, conhecido como Galego da Serra, o aumento das premiações reflete um movimento consistente de valorização do setor. “As conquistas têm se intensificado ao longo dos anos, o que resulta em mais visibilidade para as produções e maior reconhecimento por parte da sociedade”.

Já Marcelo Paiva, proprietário do Laticínio Capril Buxada, destacou o potencial do queijo de cabra, ainda pouco difundido no Nordeste. Segundo ele, a aceitação do produto tem crescido gradualmente, impulsionada pelas premiações e pelo apoio de instituições como o Sebrae.

“O processo de mudança cultural e a introdução de novos produtos são desafiadores, mas o trabalho contínuo tem aberto caminhos. Atualmente, temos mais de 28 produtos, entre queijos, iogurtes e doces, muitos deles comercializados em estabelecimentos de destaque, como em Pipa e São Miguel do Gostoso, além de lojas que integram o movimento Feito Potiguar”, relatou.

CADEIA DE LATICÍNIOS FORTALECIDA
Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com 165 empresas ativas na cadeia de laticínios – de acordo com levantamento feito pelo Sebrae-RN com dados da Receita Federal. A maior concentração está no Seridó Ocidental, com 70 empresas, o equivalente a 42% do total estadual.

Em seguida aparecem a Região Metropolitana de Natal, com 32 empresas (19%), e o Seridó Oriental, com 16 (10%). Regiões como Vale do Açu, Alto Oeste, Oeste, Trairí e Agreste também integram o mapa produtivo, evidenciando a capilaridade da atividade no estado.

De acordo com Luis Felipe, gestor do Programa Leite e Genética do Sebrae-RN, um dos fatores determinantes para o fortalecimento do setor queijeiro tem sido o avanço contínuo na qualidade do leite, que impacta diretamente o sabor e o padrão dos produtos.

“O fortalecimento dessa cadeia produtiva contou com o apoio do Projeto Leite e Genética. Em 2025, a iniciativa consolidou mais um ciclo de atuação, alcançando 60 municípios potiguares, com maior presença na Região Metropolitana de Natal, no Seridó Ocidental e no Alto Oeste. Ao longo do ano, mais de 300 produtores foram atendidos por ações voltadas ao melhoramento genético dos rebanhos e ao aumento da produtividade, tanto na pecuária leiteira quanto na de corte”, destaca.

Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PAM), do IBGE, apontam crescimento consistente da produção de leite no Rio Grande do Norte nos últimos anos, acompanhado por expressiva valorização econômica. Em 2017, o estado produziu 242,7 milhões de litros de leite, movimentando R$ 411 milhões. Já em 2024, a produção alcançou 394,5 milhões de litros, com valor de R$ 981 milhões.

Outro dado relevante é a concentração regional da produção: 10,4% de todo o leite produzido no estado tem origem em Caicó, no Seridó potiguar, região historicamente ligada à atividade leiteira e à produção de queijos artesanais.

Essa qualidade se refletiu no refinamento e na diversidade de sabores dos produtos potiguares. Para Jonatã Canela, chef de cozinha do Restaurante Navarro e embaixador do movimento Feito Potiguar, a principal mensagem é valorizar o que é produzido localmente.

“A ideia é mostrar o queijo além do óbvio e reforçar que existe valor no que é f


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ALLYSON BEZERRA FAZ ACORDÃO COM OLIGARQUIAS E SE UNE A ALVES E MAIA

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“A notícia no Rio Grande do Norte é o fechamento da chapa, Alves, Maia e Rosados. É mais um acordão com o objetivo de eleger seus filhos, seus sobrinhos e de reeleger os seus apadrinhados políticos. Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos. Eu me chamo Allyson Bezerra e não estou no lado das oligarquias. Não estou do lado de quem discute o futuro do nosso estado a portas fechadas. Eu estou do lado de quem acredita em mudança. (…) E você, de que lado está?”

Por mais incrível que possa parecer, o trecho transcrito acima pertence ao então neófito na política, em 2018, o candidato a deputado estadual Allyson Bezerra, servidor da Ufersa, presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade, em um dos seus primeiros vídeos virais.

Foi assim que ele entrou na política: abominando as oligarquias que detinham o poder no RN há décadas.

Cortando para 2026, oito anos depois, o político “independente” mudou totalmente os princípios e agora faz parte do acordão que ele tanto criticava: uniu os tradicionais Alves e Maia em torno do seu nome. Após a nota divulgada nesta segunda-feira (20) por José Agripino Maia (UB), João Maia (PP) e Zenaide Maia (PSD), em boas-vindas a Walter Alves (MDB), em torno do projeto de pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, a fala do prefeito de Mossoró deveria ser: “Eu me chamo Allyson Bezerra e estou no lado das oligarquias!”.

A aliança política que deverá unir as famílias outrora opostas no mesmo palanque de Allyson foi todo feito a portas fechadas, da forma como ele antes desprezava. Fora as notas oficiais divulgadas no começo da semana pela Federação União Progressistas e por Walter Alves, nenhuma das partes fez qualquer declaração oficial ou concedeu entrevista sobre as conversas que ocorrem há meses para definir o futuro do Rio Grande do Norte.

A consolidação desse bloco político representa uma inflexão simbólica na trajetória de Allyson Bezerra. No início da carreira, o prefeito de Mossoró construiu discursos de enfrentamento às oligarquias tradicionais da política potiguar. Agora, realiza um movimento que busca ampliar sua competitividade eleitoral e garantir musculatura política para a disputa estadual.

“Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, citava Allyson, que não rejeita mais a política familiar que ele nominalmente criticou. Mais além, pretende colocar sua própria família na carreira política. Sua esposa, Cínthia Pinheiro (PSD), já foi lançada por ele pré-candidata a deputada estadual, como uma forma de ampliar seus braços de poder também na Assembleia Legislativa.

Segundo a vereadora de Mossoró, Marleide Cunha (PT), para o prefeito, não importam princípios e valores, mas só o desejo de poder. Para isso, ele ressuscitou nomes que já estavam enterrados.

“Primeiro foi eleito deputado combatendo as oligarquias. Aí agora ele se junta com o que tem de maior oligarquia no Estado, que estava enterrada e ele está ressuscitando, que são Agripino Maia e Walter Alves, os Maias e os Alves. Ou seja, Allyson Bezerra vai destruindo todo o discurso com que ele se elegeu, mostrando que para ele não importa princípios, coerências, para ele importa simplesmente o desejo do poder”, afirmou ao Diário do RN.

A parlamentar entende que o comportamento pode ser prejudicial ao povo porque não se importa com o interesse público, mas só preza pelo particular. Marleide relembra que o prefeito age não de forma institucional, mas tratando os opositores como inimigo e prejudicando a população.

“O acordão que ele está fazendo agora vai ter um prejuízo de ter numa gestão pessoas, principalmente ele, que não tem espírito público, que é do tipo que trata qualquer adversário político como inimigo. Aqui em Mossoró hoje, por exemplo, não tem um IERN, porque o prefeito não doou um terreno, enquanto todos os municípios, 11, já tem IERN. É uma briga danada nessa questão do estádio de futebol e o Município só vem se pronunciar para fazer um confronto com o Governo do Estado. Ele só destravou o concurso da educação de Mossoró depois que a governadora convocou 1.607 convocados”, pontuou.
Para a vereadora, o acordão envolvendo Agripino Alves, Walter Maia, Zenaide Maia, João Maia e Allyson Bezerra pode ter os dias contados. “Eu só quero ver agora quem é que vai trair primeiro. Eu acho que é Alisson que vai dar depois uma rasteira em toda essa classe política que está dando a ele um suporte para ser candidato”, concluiu Marleide Cunha.


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ÁLVARO DIAS DEVERÁ SER ANUNCIADO HOJE CANDIDATO DA DIREITA AO GOVERNO PELO PL

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Os anúncios que o senador Rogério Marinho (PL) deve fazer em coletiva nesta quarta-feira (21), logo mais, na sede do partido em Natal, devem confirmar a mudança na estratégia da direita para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. Informações obtidas pelo Diário do RN nos bastidores indicam que o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), deverá ser anunciado como o candidato ao Governo do Estado, encabeçando a chapa de oposição. Para a candidatura o ex-prefeito de Natal deverá trocar o Republicanos pelo PL.

De acordo com fontes do partido, em conversa com o Diário do RN, houve resistência interna ao nome do senador Styvenson Valentim (PSDB) para disputar o Executivo estadual. O assunto foi conversado durante a reunião do partido que aconteceu nesta segunda-feira à noite, na casa do deputado Tomba Farias (PL), em Pirangi. Parlamentares do PL chegaram a questionar a previsibilidade política de Styvenson, sendo o deputado General Girão (PL) um dos que mais verbalizaram desconfiança em relação ao perfil do senador. O entendimento não avançou para a consolidação do nome de Styvenson ao Governo.

“Se não mudarem daqui para amanhã”, resumiu uma fonte ouvida pelo Diário do RN, Álvaro Dias será o escolhido para a disputa majoritária. Nesse desenho, Styvenson Valentim permanece como o nome do grupo para a corrida ao Senado Federal.

A decisão ocorre no momento em que Rogério Marinho decidiu deixar a condição de pré-candidato ao Governo do Estado. O senador foi chamado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha do filho Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o que inviabilizaria uma candidatura própria no RN. O movimento deve ser formalizado no pronunciamento desta quarta-feira.

Nesse caso, Rogério atende a pedido da família cuja confiança é determinante para Marinho, que busca, a partir de agora, trabalhar também na ampliação de nomes do partido e de aliados no Senado Federal, visando a candidatura à presidência da Casa. Rogério é também secretário-geral do PL.

Nos bastidores, o grupo político de Marinho chegou a tentar convencer Styvenson a assumir a cabeça de chapa para enfrentar o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), visto internamente como o principal adversário da direita na disputa estadual. A avaliação predominante era de que Styvenson seria o único nome com densidade eleitoral suficiente para rivalizar com Allyson. A resistência do senador, no entanto, abriu espaço para a consolidação de Álvaro Dias como alternativa.

A configuração que deve ser apresentada na coletiva inclui, além de Álvaro Dias ao Governo e Styvenson Valentim ao Senado, o segundo nome do grupo. Além disso, a permanência do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e de Ezequiel Ferreira no grupo, reforçando a articulação entre PL e aliados no campo oposicionista.

A filiação de Álvaro Dias ao PL resolveria um impasse interno: sem Rogério Marinho como candidato ao Governo, a nominata do partido para deputado estadual ficaria fragilizada, já que, tradicionalmente, parlamentares buscam legendas que tenham candidatura majoritária competitiva. A entrada de Álvaro no PL preservaria a coerência da chapa e daria musculatura ao partido.

Ainda segundo informações de bastidores, Álvaro Dias deve levar consigo o deputado Adjuto Dias, seu filho, fortalecendo a nominata proporcional do PL para a Assembleia Legislativa.

No campo do Senado, além de Styvenson Valentim, surgem novamente como possibilidades os nomes do presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira, e do Coronel Hélio, liderança do bolsonarismo no Estado, ampliando o leque de opções da direita para a disputa.


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EZEQUIEL DEVE DISPUTAR REELEIÇÃO AO LADO DO PL DE ROGÉRIO MARINHO

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O rearranjo das forças políticas no Rio Grande do Norte, provocado pelo rompimento do vice-governador Walter Alves (MDB) com o governo estadual, colocou o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), diante de uma encruzilhada estratégica. Sem se manifestar publicamente, ele passou a buscar novo caminho nas articulações que redesenham a disputa de 2026.

O chefe do Legislativo ainda não se pronunciou publicamente, mas, nos bastidores, seu afastamento do parceiro político sinaliza desconforto com as últimas ações de Waltinho. Os dois tinham um caminho pavimentado: migração de Ezequiel para o MDB, partido que presidiria no RN, levaria consigo os deputados do PSDB e montaria uma superchapa à estadual e uma chapa competitiva à federal. Com Walter na cadeira do Executivo estadual, o projeto seria viabilizado muito mais facilmente. Fazer o novo presidente da Assembleia também estava nos planos.

Nesse novo cenário, informações de bastidores indicam que Ezequiel Ferreira abriu diálogo com o campo oposicionista. O presidente da Assembleia vem mantendo conversas com o senador Rogério Marinho (PL), principal liderança da direita potiguar. Em meio às articulações, Ezequiel teria defendido a candidatura do senador Styvenson Valentim (PSDB) ao Governo do Estado, mesmo com a vantagem expressiva que o parlamentar apresenta nas pesquisas para o Senado.

O argumento, segundo interlocutores, é estratégico: Styvenson seria o único nome da direita com viabilidade eleitoral suficiente para enfrentar Allyson Bezerra em condições reais de disputa. A leitura é de que, diante da fragmentação do campo oposicionista, apenas uma candidatura com forte apelo popular e recall eleitoral poderia equilibrar o jogo em 2026.

Paralelamente, no campo governista, a governadora Fátima Bezerra (PT) passou a priorizar a engenharia política em torno da eleição indireta e do mandato tampão que deve se abrir com a desistência de Walter Alves de ocupar o cargo. A movimentação visa preservar influência institucional e manter o controle da sucessão no curto prazo.

Ainda segundo informações de bastidores, Fátima teria buscado diálogo com Ezequiel Ferreira para que ele, segundo na linha de sucessão, assumisse o Governo do Estado e permanecesse na base aliada. A estratégia, no entanto, não teria prosperado. Pessoas próximas ao presidente da Assembleia afirmam que Ezequiel estaria fechado com o grupo político liderado por Rogério Marinho, sinalizando um afastamento definitivo do núcleo governista.

Sem declarações públicas até o momento, Ezequiel Ferreira mantém a postura cautelosa que o caracteriza, mas seus movimentos indicam que o futuro político do presidente da Assembleia passa, cada vez mais, pela consolidação de uma nova aliança no campo oposicionista.


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