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janeiro 27, 2026


PROFESSOR É DENUNCIADO POR ABUSO: “DESTRUIU A INFÂNCIA DA MINHA FILHA”

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Quando Cristina (nome fictício, para preservar a identidade da vítima) lembra da filha aos sete anos, a imagem que vem é de uma menina expansiva, que gostava de correr, pular, brincar na rua e conversar com todo mundo. “Ela sempre foi muito comunicativa, gostava de ser criança”, recorda. Foi em 2019, quando a menina começou a estudar numa escola pública do bairro das Rocas, em Natal, que o comportamento mudou. “Ela parou de falar, voltou a fazer as necessidades fisiológicas na roupa, ficou compulsiva com comida, agressiva, isolada da família. Eu achava que era algum problema neurológico. Não fazia ideia do que estava acontecendo. ”

A pandemia intensificou os sinais. A menina passou a ter medo do escuro, a dormir no chão, a chorar com frequência e a não querer sair de casa. Cristina mudou de endereço, acreditando que o ambiente poderia estar afetando a filha. Nada mudou. “Eu estava perdida. Ela regredia como criança e eu não entendia o por quê”, relembra.

O relato surpreendente
Em abril de 2022, sentadas na calçada de casa, a então criança de 10 anos disse à mãe que um professor “tocava nela de forma diferente”. Cristina lembra do choque. “Fiquei sem fala. Não sabia o que dizer, nem o que fazer e chamei ela para entrar e conversarmos melhor. ” Já dentro de casa, a filha contou o que vinha acontecendo, relatando que um professor a prendia na sala enquanto os outros alunos saíam, tocava o corpo dela, encostava nela na fila, a colocava no fundo da sala e repetia os abusos. “Dói só de imaginar. É muito forte”, diz a mãe emocionada.

Um dos episódios mais marcantes foi na hora da saída. “Ela disse que ele trancou a sala e começou de novo. Ela gritava pedindo para soltar, dizendo que ouvia a minha voz no portão. Ele abriu a porta para ver se eu tinha chegado. Não tinha ninguém. O portão estava fechado. Daí, ela teve que voltar para a sala. E ele cometeu os abusos outra vez. ” A mãe se culpa até hoje. “O que mais me dói é não estar lá quando ela precisava. Eu sempre trabalhei para dar o melhor, mas eu não estava lá”, se culpa.

Na semana seguinte, Cristina procurou a direção da escola. Ao contar o que a filha havia relatado, ouviu que já havia suspeitas sobre o comportamento do professor. “A coordenadora disse que percebia atitudes estranhas, que ele se trancava na sala, saía atrasado do intervalo, deixava mochilas dos alunos presas. Disseram que havia relatos de outras mães e que nada tinha sido feito. ” O professor havia pedido transferência após um episódio com outro aluno. “Eu disse que isso não podia ficar impune, queria justiça.”

Dito isto, Cristina foi à Secretaria de Educação e, em seguida, à Delegacia da Criança e do Adolescente. Registrou boletim de ocorrência, passou o dia prestando depoimento. “Saí de lá e ninguém me procurou. A escola não me ligou. Foi como se eu tivesse falado ao vento”, lamenta.

A luta por atendimento e justiça
Sem apoio institucional, Cristina buscou um vereador do bairro, que a orientou a procurar o Conselho Tutelar. Vieram medidas protetivas e o acionamento do Ministério Público. O caso passou a correr em segredo de justiça.

Mas o atendimento psicológico para a filha não chegava. “Eu batia em todas as portas. Diziam: vai aqui, vai ali. Eu nunca encontrava ajuda. ” A menina continuou na mesma escola por falta de condições de mudar de bairro. “Era um terror. Ela não queria ir, mas eu temia que ela sofresse ainda mais em outra escola, diante da condição que se encontrava”.

Após muita luta, conseguiu uma vaga em uma clínica voltada a crianças neurodivergentes, longe de casa, com consultas espaçadas e interrupções por falta de transporte. “Não era o tratamento correto para o que ela tinha vivido. ”

Foi no CEDECA Casa Renascer (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente), uma organização da sociedade civil, que a adolescente passou a ter o atendimento adequado além do suporte jurídico à família. “Lá ela foi acolhida. Tem acompanhamento psicológico para o que ela viveu, escuta para a família e apoio jurídico. Mas, diante de tanta demora, já era tarde para muita coisa”, observa. A menina tem 13 anos, atualmente.

Consequências do trauma

Após os abusos, adolescente desenvolveu depressão e pesa 115 quilos – Foto: Reprodução

Cristina descreve a filha como alguém que se fechou no próprio mundo. “Hoje ela pesa 115 quilos, dorme no chão na casa da minha mãe, não quer voltar para casa, tem crises de ansiedade, toma medicação e fala em atentar contra a própria vida. Pergunta por que está aqui, por que isso aconteceu com ela. ” A mãe tenta resgatar a criança que existia antes. “Eu queria que ela voltasse a ser quem era”, diz.

Segundo Cristina, o professor foi exonerado do cargo e deixou de dar aulas na rede pública. “Era minha prioridade, que ele não estivesse mais com crianças. Mas eu não sei como anda o caso. Tudo é em segredo de justiça. Há informação de que uma audiência está marcada para abril de 2026. Mas estou aguardando ser notificada”. Ela afirma que o homem também atua como líder religioso e continua em atividades com crianças fora da escola. “Isso me assusta, porque ele pode fazer com outras crianças”, diz temerosa.

Cristina quer que a história ganhe visibilidade. “Não por vingança, mas para que não fique impune e para que o homem não faça outras vítimas”. Ela resume o que viveu como uma batalha solitária. “Eu perdi o emprego para correr atrás disso. O que eu queria era tratamento para minha filha e justiça e só vou sossegar quando conseguir. Esse homem destruiu sonhos da minha filha. O mínimo que eu espero é que a justiça faça a parte dela”, finaliza.


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ROMBOS DE ALLYSON E ÁLVARO QUEBRAM O DISCURSO CONTRA A GESTÃO DE FÁTIMA

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Os principais nomes da oposição ao governo de Fátima Bezerra (PT) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), têm adotado como centro de suas pré-campanhas o discurso de que o Estado enfrenta uma situação fiscal grave e que a atual governadora deixará uma “herança difícil” para o próximo gestor. No entanto, dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a gestão fiscal dos dois gestores mostram crescimento do endividamento, tanto na Prefeitura de Natal, quanto em Mossoró. Os números contrastam com o discurso utilizado pelos gestores.

Informações disponibilizadas pela gestão Álvaro Dias ao TCE à frente da Prefeitura do Natal indicam um crescimento expressivo do endividamento municipal ao longo de seu mandato, o que tem sido utilizado por aliados do governo estadual como contraponto às críticas dirigidas à administração de Fátima Bezerra.

De acordo com os Relatórios de Gestão Fiscal, em abril de 2018, quando Álvaro assumiu a Prefeitura do Natal, a dívida consolidada reconhecida do município era de R$ 502.556.179,49. Ao final de sua gestão, com a posse do atual prefeito Paulinho Freire (UB), esse valor chegou a R$ 1.214.112.285,63, representando um aumento nominal superior a R$ 700 milhões em cerca de seis anos.

A Dívida Consolidada Líquida (DCL) é um indicador fiscal que mostra quanto um governo deve, depois de descontar o que ele tem em caixa ou a receber no curto prazo. O índice, além de medir o nível real de endividamento, avalia a capacidade de pagamento.

Já o relatório da gestão fiscal da Prefeitura de Mossoró aponta que Allyson Bezerra recebeu o cargo em 2021 com dívida consolidada de R$ 233.266.818,17. Já em dados atuais do relatório, até outubro de 2025, a dívida consolidada está em R$ 610.639.267,27. Allyson Bezerra vai entregar a cadeira do Executivo Municipal ao seu vice, Marcos Medeiros (PSD), com aumento de quase R$ 400 milhões na dívida de Mossoró. O valor exato é de R$ 377.372.449 de ampliação do débito durante quase seis anos da gestão Allyson.

O governo Fátima Bezerra tem argumentado que herdou um Estado com graves desequilíbrios financeiros, atraso de salários e comprometimento elevado da receita com despesas obrigatórias, e que, apesar das dificuldades, promoveu reorganização administrativa, retomada de investimentos e regularização de pagamentos.

Conforme publicado pelo Diário do RN, o aumento de cerca de R$ 2 bilhões em quase oito anos de Governo, se devem ao contexto econômico influenciado pela inflação acumulada no período, de 15%, dívidas com precatórios e o crescimento da folha de pessoal.

Nesse contexto, o discurso de “herança fiscal” utilizado por Álvaro Dias e Allyson Bezerra, que tende a ser o principal tema da campanha eleitoral, perde força quando confrontado com os resultados de sua própria gestão municipal.


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LUÍS CARLOS AFIRMA QUE PT SE ISOLOU DO MDB COM CADU XAVIER AO GOVERNO

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Pré-candidato a deputado estadual pelo MDB, o ex-vereador de Natal Luiz Carlos avalia que o PT não soube fortalecer o vice-governador para a eleição 2026. A crítica à forma como o PT conduziu a relação política com o vice-governador Walter Alves, avaliando que erros sucessivos do partido acabaram por enfraquecer o MDB e levar ao rompimento político com a governadora Fátima Bezerra (PT).

“O PT errou com Walter Alves, na minha opinião, desde do início, quando não soube fortalece-lo para a eleição de 2026. Confirmou isso quando, em 2024, na eleição de prefeito, não aceitou uma indicação do MDB para vice na chapa de Natália Bonavides, e para piorar colocou um outro nome para vice, sem peso o suficiente que justificasse o não ao MDB”, avalia.

A fala ocorre em meio ao cenário já amplamente discutido nos bastidores da política potiguar: a decisão de Walter Alves de não disputar o Governo do Estado em 2026, não assumir o governo do RN em caso de renúncia da governadora, o desgaste da relação com o PT e a reconfiguração de alianças que empurrou o MDB para fora da base governista.

Na avaliação de Luiz Carlos, o PT deveria ter seguido uma lógica comum na política nacional. “Era para ter tornado Walter um supersecretário, como todos fazem com seu futuro candidato. O PT precisa aprender com Lula: para ganhar eleições é necessário aliança. O PT vaiou Alckmin quando Lula o trouxe para ser seu vice. O resultado apertadíssimo contra Bolsonaro mostrou que Lula precisou da aliança”, disse.

Luiz Carlos defendeu que, diante do desgaste do atual governo estadual, o MDB buscou um caminho pragmático.

“O MDB parte para aliança com Allyson. Acho que, no momento, é o melhor caminho. É notório o desgaste deste último mandato de Fátima”, afirmou. Para ele, o lançamento antecipado do nome de Cadu Xavier pelo PT agravou o isolamento político do partido. “Esse lançamento afastou o MDB. Não só o MDB: isolou o PT. Não dá para se ter Fátima no Senado e PT no Governo sem alianças”, criticou Luis Carlos.

Construção da pré-candidatura
Luiz Carlos é um dos nomes a compor a nominata a deputado estaual do MDB, formada com a presença do próprio Walter Alves, que busca ingresso na Assembleia Legislativa. O ex-vereador reconheceu que a disputa exige foco e estratégia. “Toda eleição é difícil, e para deputado estadual, como será a minha, requer muito mais foco. Sou engenheiro, professor, ex-vereador, atuo no esporte, e hoje as redes sociais ajudam muito”, listou, apostando no histórico profissional e político para ampliar suas chances.

Segundo ele, a pré-candidatura ganhou corpo após convite da direção do MDB, liderada por Walter Alves e Garibaldi Filho. “Consultei familiares e amigos mais próximos e resolvi criar um grupo no WhatsApp para sentir a nossa pré-candidatura. Desde a criação, em outubro de 2025, já entraram mais de 800 amigos”, relatou.

Caso eleito, Luiz Carlos afirma que pretende concentrar atuação em áreas específicas. “A fiscalização do Executivo, Educação e Esporte serão as principais pautas”, afirmou. Ele destacou a atuação prévia nessas áreas, citando um canal educacional com mais de mil videoaulas e uma web TV com programação 24 horas, além da presença constante no esporte amador.

Sobre a formação da nominata do MDB, o pré-candidato demonstrou otimismo. “Ainda está se formando, mas o MDB tem muitos prefeitos, vices e mais de 360 vereadores. Sentando e conversando, isso está sendo trabalhado. Eu sou uma prova de que o partido tem condição de fechar uma nominata forte”, avaliou. Para Luiz Carlos, a definição do novo governador por meio de eleição indireta pode fortalecer ainda mais o partido no processo eleitoral de 2026.


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