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setembro 2, 2026


SETEMBRO AMARELO: PSIQUIATRA ALERTA QUE SUICÍDIO É EMERGÊNCIA MÉDICA

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mês de setembro marca mais uma edição da campanha Setembro Amarelo, movimento nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida. Em 2026, o tema escolhido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) é “Escutar é estar presente”, destacando a importância da escuta acolhedora, empática e sem julgamentos para pessoas que enfrentam sofrimento emocional.

A campanha integra o lema global “Mudar a Narrativa”, adotado para o período de 2024 a 2026, incentivando conversas abertas e seguras sobre saúde mental. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro.

Para o médico psiquiatra Hugo Saily, iniciativas como o Setembro Amarelo são fundamentais para combater o preconceito em torno das doenças mentais e estimular as pessoas a procurarem ajuda.

“A campanha do Setembro Amarelo é fundamental para que a gente perca o medo e vá aprendendo a lidar com essas situações tão difíceis, que é uma emergência médica, quando a gente pensa no risco de suicídio, numa depressão tão grave que leve alguém a perder esse tipo de pensamento de morte”, declarou.

Um dado recente revelou uma estatística preocupante: Quase 12% da população natalense apresenta algum quadro depressivo. O maior índice entre as capitais do Nordeste, segundo o psiquiatra.

“Hoje, Natal é a capital do Nordeste com maior índice de pessoas com depressão. Antes a gente era o segundo lugar, perdia para Recife, mas infelizmente hoje estamos na liderança em prevalência da população com depressão. Chega a quase 12% da nossa população, o que representa mais de 200 mil pessoas com depressão em Natal. É muita gente mesmo”, esclareceu.

Segundo o especialista, a sociedade precisa compreender que depressão e risco de suicídio são doenças que exigem tratamento, assim como qualquer outra enfermidade.

“Quando a gente faz uma campanha como essa, a gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças. E como a hipertensão é doença, a gente vai no cardiologista, a pneumologia trata as doenças do pulmão, a depressão e o risco de suicídio são doenças da mente, então a gente precisa de uma equipe multidisciplinar para tratar de forma farmacológica, psicoterápica e tantas outras medidas para tratar esse tipo de doença e hoje cada vez mais a gente tem sucesso nesse tratamento”, explicou.

Hugo Saily afirma que ainda existe uma barreira cultural que impede muitas pessoas de procurar atendimento especializado, mas ressalta que esse cenário precisa mudar.

“Então é uma campanha como a de setembro amarelo ela é fundamental para derrubar esses tabus e aí a gente perder essa última barreira que eu vejo na medicina como um todo das pessoas ainda não procurarem uma assistência médica adequada quando a gente de fato está tratando de doenças tão comuns. Eu lembro que antigamente você, por exemplo, não podia operar o coração.

Os primeiros cirurgiões cardíacos foram excomungados pela igreja porque o coração era considerado o local da alma. Hoje ninguém questiona mais se deve fazer uma cirurgia cardíaca quando há indicação porque, se não fizer, a pessoa pode morrer. Para depressão e suicídio é da mesma forma. Se a gente não trata quem tem necessidade, mais e mais pessoas vão continuar morrendo”, afirmou.

“A gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças” – Foto: Reprodução

Escutar sem julgar pode salvar vidas
O tema escolhido para a campanha deste ano reforça justamente a importância da escuta como primeiro passo para acolher quem enfrenta sofrimento emocional.

Segundo Hugo Saily, familiares e amigos não precisam ter todas as respostas, mas podem oferecer apoio por meio da presença e da escuta.

“E aí o que é que você pode fazer se você passa por uma situação como essa de uma depressão grave, um pensamento suicida ou algum parente, alguma pessoa querida sua? É você emprestar seu ouvido de uma maneira muito isenta, sem julgamento. Você pode não concordar, você pode achar que é frescura. No final das contas, se você só pode oferecer sua ajuda e se não quiser ajudar, não souber como, fique calado. De fato, só empreste seu ouvido porque quando a pessoa que está no sofrimento intenso se sente validada, acolhida naquela dor dela, você já está fazendo um bem enorme”, orientou.

O médico reforça que, além da escuta, é indispensável buscar atendimento profissional o mais rapidamente possível.

“E o segundo passo é procure ajuda. Lembre: depressão e suicídio são emergências médicas quando são graves. Você não deixa alguém que está com início de infarto ficar em casa, você leva para a urgência. Alguém com risco de suicídio, da mesma forma, tem que ter um acompanhamento médico e psicológico o mais breve possível. O foco é mostrar: eu posso não entender ou não concordar com o que você está passando, mas existe esperança. Vamos buscar o tratamento para você melhorar”, disse.

Hugo Saily também destacou os avanços da psiquiatria no tratamento dos casos mais graves de depressão.

“E hoje a gente foca muito nos tratamentos mais atuais, por exemplo, o tratamento com escetamina. Ela é uma medicação que se faz em hospital, em uma sessão de duas horas, e a pessoa entra muito mal, deprimida, pensando em morrer, e sai da sessão feliz, tranquila. A gente chegou nesse nível de avanço científico”, explicou.

O psiquiatra comparou a evolução da psiquiatria ao avanço obtido em outras áreas da medicina.

“Assim como crianças que descobriam diabetes tipo 1 há um século morriam porque não existia insulina, hoje elas vivem plenamente graças ao tratamento. Pessoas com depressão grave e risco de suicídio também podem e devem ter uma vida plena e feliz, mas precisam de ajuda profissional. Esse medo de procurar um psiquiatra por achar que é coisa de doido é coisa do passado. Todo mundo, ao longo da vida, está sujeito a ter um episódio depressivo. Sabendo que um dia pode ser a gente, a gente vai ajudar quem está ao nosso lado”, afirmou.

Pessoas que enfrentam sofrimento emocional ou pensamentos suicidas podem procurar atendimento nas unidades de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em serviços de urgência e emergência ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso por telefone, chat, e-mail e atendimento presencial em diversas cidades do país. O atendimento pelo telefone 188 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.


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RELATOS DE BULLYING REVELAM SOFRIMENTO DE ADOLESCENTES EM COLÉGIO DE MOSSORÓ

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O caso de uma adolescente de 16 anos que morreu em Mossoró após uma situação de sofrimento relacionada ao ambiente escolar trouxe novamente ao debate a importância do combate ao bullying e da atenção à saúde mental dos jovens.

A adolescente, que possuía vitiligo, uma doença de pele crônica e não contagiosa, teria relatado à família dificuldades enfrentadas dentro do Colégio Diocesano Santa Luzia, além de tristeza, crises de ansiedade e sentimento de isolamento. Em mensagens enviadas à mãe, a jovem pediu para não frequentar mais o ambiente escolar e afirmou que não se sentia bem no local.

“Mãe, deixa eu faltar, por favor, eu não me sinto bem na escola, eu fico chorando o tempo todo. Eu fico com vergonha, eu não consigo parar de chorar, fica todo mundo me olhando”, escreveu a adolescente em uma das mensagens.

Em outro momento, ela relatou dificuldades emocionais e disse: “Eu só queria sair daqui logo”.

As provocações foram tantas que chegou ao ponto em que a menina não suportou mais e acabou tirando a própria vida.

Após a repercussão do caso, familiares e ex-alunos passaram a compartilhar relatos nas redes sociais sobre outras situações de bullying envolvendo estudantes do Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró.

Um familiar da adolescente afirmou que pretende buscar esclarecimentos na Justiça e pediu que outras pessoas compartilhassem relatos que pudessem ajudar a compreender o que teria acontecido. “Sou o primo de ***, vítima de bullying na escola Diocesano, Mossoró-RN. Vamos levar isso à justiça, e eu preciso da ajuda de todos vocês nisso. Me mandem relatos, caso ela tenha citado os nomes das pessoas, desabafos dela, tudo ajuda, por favor”, relatou um familiar na rede social X.

Psicóloga alerta para sinais de sofrimento entre adolescentes
Para a psicóloga Débora Sampaio, situações envolvendo suicídio entre adolescentes exigem cuidado, acolhimento e uma análise ampla, sem julgamentos precipitados.

“Uma morte por suicídio deixa muita dor, muitas perguntas sem respostas, sentimento de culpa e impotência entre todos aqueles que amavam esse adolescente”, afirmou.

Segundo a profissional, o suicídio é um fenômeno complexo e não pode ser explicado por uma única causa ou por um único acontecimento.

“A gente precisa entender que o suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial, que não existe uma única causa, uma única conversa ou uma única pessoa que possa explicar uma morte como essa”, destacou.

A psicóloga ressaltou ainda que familiares, escolas e a sociedade precisam estar atentos aos sinais apresentados pelos adolescentes.

“Quando um adolescente diz que não está bem, que está se sentindo sozinho, que não está conseguindo dormir, que está ansioso, que não consegue frequentar determinado ambiente ou que já não suporta alguma situação, a gente precisa tentar compreender o que aquela fala está comunicando”, explicou.

Débora destacou que o sofrimento emocional nem sempre aparece de forma clara e pode ser percebido por mudanças de comportamento.

“Às vezes isso vai aparecendo assim, nas faltas na escola, em uma mudança de comportamento, no isolamento, na irritabilidade, na queda do rendimento ou no afastamento das pessoas e até das atividades que ele gostava”, afirmou.

Para a psicóloga, é necessário abandonar a ideia de que o sofrimento dos jovens é apenas uma fase ou exagero.

“A gente ainda comete o erro de chamar esse sofrimento do adolescente de exagero, drama, preguiça, falta de vontade ou coisa da aborrecência”, disse.

Ela reforçou que validar a dor de um adolescente não significa concordar com tudo, mas reconhecer o sofrimento e oferecer apoio.

“Validar é a gente poder dizer: eu não compreendo tudo que você está sentindo, mas eu reconheço que isso está sendo muito difícil para você. Eu acredito no seu sofrimento e eu estou do seu lado para lhe ajudar”, explicou.

“Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola”

Além do caso envolvendo a adolescente, outros estudantes e familiares relataram nas redes sociais possíveis episódios de intolerância e violência entre alunos da instituição.

Entre os relatos divulgados, há a denúncia de que um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) teria sido vítima de agressões praticadas por colegas, com registro em vídeo. O caso também passou a circular nas redes sociais e gerou manifestações de pessoas que afirmam ter estudado na instituição.

Ex-alunos também relataram experiências relacionadas ao bullying.

“Meus três anos no Diocesano foram implorando para coordenação se importar com bullying e ultimamente tem acontecido tanta coisa naquela escola que parece que eu estava prevendo que ia piorar muito”, escreveu uma ex-aluna.

Outra ex-estudante afirmou: “Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola. Os casos vêm se repetindo todos os anos e nada é feito e nenhuma medida é tomada”.

Uma mãe de alunos também relatou preocupação com a situação.

“Meus filhos estudam nessa escola, posso confirmar que acontecem casos de bullying com frequência e a escola se omite sim”, afirmou.

Em maio, um vídeo compartilhado nas redes sociais ganhou ampla repercussão. Nas imagens, alunos da instituição aparecem humilhando e proferindo ofensas de cunho racista contra um menino que vendia paçoca em um sinal no bairro Nova Betânia. Nas imagens, é possível ver o momento em que os jovens fingem comprar os produtos e derrubam parte deles no chão.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA), identificou e ouviu os adolescentes envolvidos. O ato foi classificado como análogo ao crime de injúria racial.

O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário (Vara da Infância e da Juventude) e ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para as providências legais cabíveis. O adolescente que dirigia o veículo também foi responsabilizado por dirigir sem CNH.

Escola foi procurada pelo Diário do RN e silenciou
A psicóloga Débora Sampaio reforça que a prevenção passa pela construção de uma rede de apoio capaz de acolher os adolescentes.

“Famílias e escolas não precisam ter todas as respostas, mas precisam formar uma rede capaz de escutar, acolher, compartilhar preocupações e buscar ajuda profissional quando é necessário”, afirmou.

Segundo ela, o caminho passa pela atenção aos sinais e pela disponibilidade para ouvir.

“Talvez a gente não possa antecipar todos os desfechos, mas a gente pode estar mais atentos aos sinais, mais disponíveis para escutar e mais preparados para intervir”, concluiu.

A reportagem do Diário do RN procurou o Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, para solicitar um posicionamento sobre os relatos e as denúncias divulgadas.

O contato foi realizado pelo telefone disponibilizado pela instituição. Inicialmente, a equipe foi direcionada para o atendimento via WhatsApp. Após a tentativa de contato com os setores indicados pela assistente virtual da escola, não houve retorno da instituição até o fechamento desta matéria.


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IVAN BARON MANTÉM CANDIDATURA À ALRN: “O GRUPO DECIDIU NÃO DESISTIR”

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Depois de cogitar desistir da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ivan Baron (PT) decidiu manter a candidatura, mas com uma campanha redimensionada diante das limitações financeiras. Em entrevista ao Diário do RN, o ativista afirmou que recebeu, até agora, R$ 24.275 em recursos partidários e, após se reunir com sua equipe, optou por recalcular a estratégia, com maior presença digital e uma estrutura mais enxuta.

“Nós nos reunimos, o grupo, e a gente decidiu não desistir. Até porque, apesar das inúmeras dificuldades, dos desafios que foram impostos, inclusive questão de falta de orçamento, de apoio, a gente vai recalcular a maneira como seguir a campanha, seguir uma campanha mais digital, mais pé no chão”, afirmou.

O valor recebido foi um dos principais fatores para a reavaliação. Para Ivan, os R$ 24.275 são insuficientes para sustentar uma campanha com presença em todo o Estado, especialmente diante das necessidades de estrutura e acessibilidade.

“Para uma campanha estadual é muito pouco. E para rodar os 167 municípios, com as limitações que a gente tem, é impossível”, avaliou.

Ivan, que tem paralisia cerebral e construiu sua atuação pública em defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência, ressalta que o questionamento não se limita ao dinheiro, mas passa pelas condições oferecidas para que diferentes candidaturas possam competir.

“Quando eu falo em relação a esse assunto, não é apenas sobre dinheiro, mas é sobre o valor que é uma candidatura de um jovem com paralisia cerebral, que fala sobre acessibilidade, sobre inclusão”, explicou.

Para ele, uma estrutura maior permitiria ampliar o alcance dessas pautas. “A nossa maior crítica é nesse ponto, porque eu acredito que a gente, com as mesmas condições que os demais, com certeza, muita gente se sentiria representada”, acrescentou.

Diálogo partidário
Em meio ao recálculo da campanha, Ivan mantém conversas com integrantes do PT em nível nacional. Segundo ele, pessoas ligadas ao partido o procuraram e se solidarizaram com a situação, enquanto são discutidas alternativas para fortalecer a candidatura.

“A nível nacional, eu já estou em diálogo, inclusive, com pessoas do PT, que me procuraram, que se solidarizaram e a gente está encontrando as melhores soluções para isso”, contou. Ivan confirmou ainda que existe a possibilidade de revisão dos recursos destinados à campanha.

No Rio Grande do Norte, o diálogo com o diretório estadual também começa a ser estabelecido em busca de um entendimento. A expectativa é de que as conversas avancem nos próximos dias.

“Vamos ter ainda respostas em breve, mas até agora é só a nível nacional”, afirmou.

Enquanto isso, Ivan pretende concentrar esforços nas redes sociais, onde já acumulava presença antes da candidatura. A estratégia digital ganha importância diante da necessidade de reduzir custos e adequar a campanha às condições disponíveis.

“A gente está aí para disputar em nível de equidade. A gente só quer ser respeitado enquanto tal”, destacou.

Convite de Lula e Janja
A candidatura de Ivan à Assembleia nasceu da aproximação com o PT em nível nacional. O ativista se filiou ao partido e entrou na disputa após incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva.

A relação ganhou projeção em janeiro de 2023, quando Ivan foi uma das pessoas escolhidas para subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula durante a cerimônia de posse, em Brasília. O momento projetou nacionalmente o ativista potiguar.

Mais recentemente, a aproximação voltou a ganhar destaque durante o Carnaval do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. Ivan participou do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Marquês de Sapucaí, e encontrou o presidente e Janja após a apresentação.

Na ocasião, segundo relato do próprio Ivan, Lula brincou que ele já era o “candidato de Janja” e afirmou que assinaria sua ficha de filiação ao PT.

Porém, antes desses episódios, Ivan já atuava na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, utilizando principalmente as redes sociais para ampliar o debate sobre acessibilidade, representatividade e combate ao capacitismo.


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PEDIDO DE CASSAÇÃO DA CANDIDATURA DE STYVENSON CHEGA À JUSTIÇA ELEITORAL

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A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) protocolou nesta terça-feira (1º), no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), uma representação por conduta vedada contra o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos). A ação questiona uma publicação feita pelo parlamentar nas redes sociais envolvendo as carretas do programa “Saúde+Perto”, da Prefeitura do Natal, e pede a retirada do conteúdo, aplicação de multa e cassação do registro da candidatura.

A representação, também assinada pelos advogados Altair Soares da Rocha Filho e Nicole Coimbra Souza Mesquita, do escritório Castro, Smith, Duarte e Rocha , tem como alvo uma postagem feita por Styvenson no Instagram no último sábado (29). No vídeo, o senador aparece ao lado de uma das unidades móveis destinadas à realização de exames de diagnóstico por imagem, associa a estrutura a uma emenda parlamentar de sua autoria e, na legenda, faz o pedido explícito de votos.

“Essa é do Ministério da Saúde, contratada pelo Governo Federal. E essa daqui é a contratada para a Prefeitura de Natal com emenda nossa”, afirma Styvenson. Mais adiante, acrescenta: “Essa aqui foi contratada pelo nosso mandato, e essa é do Governo Federal”. Na legenda, escreve: “Gostou? Eu adoro cuidar de todos vocês. VOTA 200 esse voto dá gosto e te orgulha 200 vota”.

A associação entre o serviço público e o pedido de voto é o principal fundamento da representação. Os advogados de Samanda sustentam que Styvenson teria utilizado um bem da administração pública em benefício da própria candidatura e feito uso promocional de um serviço de saúde custeado pelo Poder Público.

“O Representado atrelou a própria imagem – e o próprio número de urna – a serviço gratuito de saúde custeado pelo Poder Público, apresentou-se ao eleitorado como o responsável pessoal pela benesse e arrematou a mensagem com pedido expresso de sufrágio”, argumentam os advogados.

Serviço público
As carretas fazem parte do “Saúde+Perto – Exames para todos”, anunciado pela Prefeitura do Natal no final de agosto. Segundo as informações apresentadas na ação, as unidades foram viabilizadas por emenda parlamentar indicada por Styvenson, em parceria com o Município, com investimento superior a R$ 12 milhões.

A representação aponta possível violação aos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições. O primeiro proíbe o uso de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública em benefício de candidato, partido ou coligação. Já o segundo veda o uso promocional, em favor de candidatura, de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público.

A ação não questiona a indicação da emenda parlamentar, mas a utilização eleitoral que, segundo a acusação, teria sido feita posteriormente. “A prerrogativa de indicar a destinação de recursos orçamentários esgota-se no plano institucional; o que a lei veda é a conversão do serviço público dela resultante em vitrine eleitoral personalizada”, afirma a representação.

Em outro trecho, os advogados distinguem a divulgação da atuação parlamentar do uso do resultado da emenda durante a campanha. “Divulgar ato parlamentar seria informar que o Senador indicou emenda de determinado valor para determinada finalidade”. Segundo a representação, porém, “o que se fez foi captar imagens da estrutura pública de saúde, dizer que ela é ‘nossa’, exaltar os exames gratuitos que serão prestados à população e pedir votos”.

Pedido de cassação
Ao sustentar a gravidade do episódio, a representação destaca que a postagem foi feita durante a campanha, contém pedido explícito de voto e envolve um serviço de saúde com investimento superior a R$ 12 milhões. O documento também cita o alcance do perfil de Styvenson, que reúne mais de 264 mil seguidores.

Em caráter de urgência, Samanda pede a retirada imediata da publicação e que Styvenson se abstenha de veicular novos conteúdos vinculando as unidades do “Saúde+Perto” ou os exames oferecidos à candidatura ou ao número 200.

No mérito, Samanda e a coligação pedem o reconhecimento das duas condutas vedadas apontadas, a cassação do registro da candidatura de Styvenson ao Senado e a aplicação de multa no patamar máximo previsto para cada infração. Segundo a representação, a penalidade varia de R$ 5.320,50 a R$ 106.410,00 por conduta.

Como a ação aponta duas supostas infrações, previstas nos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições, o valor das multas pode chegar a R$ 212.820,00 caso a Justiça Eleitoral reconheça ambas as condutas e aplique, de forma cumulativa, o valor máximo pedido pela representação.

Os pedidos feitos pelos advogados de Samanda de Lula serão analisados pela Justiça Eleitoral.


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FUNDOS PARTIDÁRIOS REFORÇAM CAIXA DAS CAMPANHAS AO GOVERNO E SENADO

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As campanhas majoritárias no Rio Grande do Norte receberam novos reforços financeiros nos últimos dias. Desde a semana passada, candidatos ao Governo e ao Senado vêm registrando repasses das direções partidárias para custear a disputa eleitoral. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, os valores recebidos pelos principais nomes variam, até o momento, de R$ 921,5 mil a R$ 3,8 milhões. Os candidatos do PL foram os últimos a receber os recursos.

Na corrida pelo Governo, Álvaro Dias (PL) recebeu o maior repasse partidário até agora: R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL. O montante representa 42,2% do limite de R$ 7.115.522,46 estabelecido pela Justiça Eleitoral para os gastos de campanha no primeiro turno.

Allyson Bezerra (União Brasil) aparece na sequência, com R$ 1,25 milhão recebido do partido. Desse total, R$ 1 milhão foi repassado pela Direção Nacional do União Brasil e outros R$ 250 mil pela direção estadual.

Cadu de Lula (PT), por sua vez, registra R$ 921.552,25 provenientes das direções partidárias. A maior parcela, de R$ 711.552,25, veio da Direção Nacional do PT. Outros R$ 210 mil foram repassados pela Direção Nacional do PSB, partido da qual a vice da chapa, Larissa Rosado, faz parte.

Apesar da diferença entre os valores recebidos, os três candidatos estão submetidos ao mesmo teto de gastos. Segundo a Justiça Eleitoral, cada campanha ao Governo do RN poderá gastar até R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Em caso de segundo turno, o limite é de R$ 3.557.761,23.

Disputa pelo Senado
Entre os candidatos ao Senado, Styvenson Valentim (Podemos) registra o maior volume de recursos partidários. A Direção Nacional do Podemos repassou R$ 3.811.887,03 à candidatura, valor que corresponde exatamente ao limite legal de gastos informado pela Justiça Eleitoral para a disputa ao Senado no Rio Grande do Norte.

Rafael Motta (PDT) e Zenaide Maia (PSD), candidata à reeleição, receberam R$ 3 milhões cada das respectivas direções nacionais. O montante corresponde, para cada um, a cerca de 78,7% do teto permitido para a campanha.

Samanda de Lula (PT) recebeu R$ 1.905.943,52 da Direção Nacional do PT, equivalente a praticamente metade do limite de gastos. Já Coronel Hélio (PL) recebeu R$ 1,5 milhão da Direção Nacional da legenda.

Assim como na disputa pelo Governo, o PL foi o último entre os partidos dos principais candidatos ao Senado a efetuar o repasse. Com a entrada dos recursos para Álvaro Dias e Coronel Hélio, as duas candidaturas majoritárias da legenda passaram a somar R$ 4,5 milhões em recursos provenientes da direção nacional.

Valores podem aumentar
Os números disponíveis na Justiça Eleitoral, consultados até o fechamento desta edição, representam o cenário registrado até o momento e ainda podem ser atualizados ao longo da campanha. As direções partidárias podem realizar novos repasses, e os candidatos também podem receber doações de pessoas físicas e recursos de outras fontes permitidas pela legislação eleitoral.

A arrecadação, portanto, ainda pode aumentar para a maioria das candidaturas. A exceção é Styvenson Valentim (Podemos), que já recebeu R$ 3.811.887,03, valor equivalente ao teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado. Nos demais casos, independentemente do volume arrecadado, as despesas devem permanecer dentro dos limites definidos pela Justiça Eleitoral para cada cargo.


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