
“A notícia no Rio Grande do Norte é o fechamento da chapa, Alves, Maia e Rosados. É mais um acordão com o objetivo de eleger seus filhos, seus sobrinhos e de reeleger os seus apadrinhados políticos. Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos. Eu me chamo Allyson Bezerra e não estou no lado das oligarquias. Não estou do lado de quem discute o futuro do nosso estado a portas fechadas. Eu estou do lado de quem acredita em mudança. (…) E você, de que lado está?”
Por mais incrível que possa parecer, o trecho transcrito acima pertence ao então neófito na política, em 2018, o candidato a deputado estadual Allyson Bezerra, servidor da Ufersa, presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade, em um dos seus primeiros vídeos virais.
Foi assim que ele entrou na política: abominando as oligarquias que detinham o poder no RN há décadas.
Cortando para 2026, oito anos depois, o político “independente” mudou totalmente os princípios e agora faz parte do acordão que ele tanto criticava: uniu os tradicionais Alves e Maia em torno do seu nome. Após a nota divulgada nesta segunda-feira (20) por José Agripino Maia (UB), João Maia (PP) e Zenaide Maia (PSD), em boas-vindas a Walter Alves (MDB), em torno do projeto de pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, a fala do prefeito de Mossoró deveria ser: “Eu me chamo Allyson Bezerra e estou no lado das oligarquias!”.
A aliança política que deverá unir as famílias outrora opostas no mesmo palanque de Allyson foi todo feito a portas fechadas, da forma como ele antes desprezava. Fora as notas oficiais divulgadas no começo da semana pela Federação União Progressistas e por Walter Alves, nenhuma das partes fez qualquer declaração oficial ou concedeu entrevista sobre as conversas que ocorrem há meses para definir o futuro do Rio Grande do Norte.
A consolidação desse bloco político representa uma inflexão simbólica na trajetória de Allyson Bezerra. No início da carreira, o prefeito de Mossoró construiu discursos de enfrentamento às oligarquias tradicionais da política potiguar. Agora, realiza um movimento que busca ampliar sua competitividade eleitoral e garantir musculatura política para a disputa estadual.
“Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, citava Allyson, que não rejeita mais a política familiar que ele nominalmente criticou. Mais além, pretende colocar sua própria família na carreira política. Sua esposa, Cínthia Pinheiro (PSD), já foi lançada por ele pré-candidata a deputada estadual, como uma forma de ampliar seus braços de poder também na Assembleia Legislativa.
Segundo a vereadora de Mossoró, Marleide Cunha (PT), para o prefeito, não importam princípios e valores, mas só o desejo de poder. Para isso, ele ressuscitou nomes que já estavam enterrados.
“Primeiro foi eleito deputado combatendo as oligarquias. Aí agora ele se junta com o que tem de maior oligarquia no Estado, que estava enterrada e ele está ressuscitando, que são Agripino Maia e Walter Alves, os Maias e os Alves. Ou seja, Allyson Bezerra vai destruindo todo o discurso com que ele se elegeu, mostrando que para ele não importa princípios, coerências, para ele importa simplesmente o desejo do poder”, afirmou ao Diário do RN.
A parlamentar entende que o comportamento pode ser prejudicial ao povo porque não se importa com o interesse público, mas só preza pelo particular. Marleide relembra que o prefeito age não de forma institucional, mas tratando os opositores como inimigo e prejudicando a população.
“O acordão que ele está fazendo agora vai ter um prejuízo de ter numa gestão pessoas, principalmente ele, que não tem espírito público, que é do tipo que trata qualquer adversário político como inimigo. Aqui em Mossoró hoje, por exemplo, não tem um IERN, porque o prefeito não doou um terreno, enquanto todos os municípios, 11, já tem IERN. É uma briga danada nessa questão do estádio de futebol e o Município só vem se pronunciar para fazer um confronto com o Governo do Estado. Ele só destravou o concurso da educação de Mossoró depois que a governadora convocou 1.607 convocados”, pontuou.
Para a vereadora, o acordão envolvendo Agripino Alves, Walter Maia, Zenaide Maia, João Maia e Allyson Bezerra pode ter os dias contados. “Eu só quero ver agora quem é que vai trair primeiro. Eu acho que é Alisson que vai dar depois uma rasteira em toda essa classe política que está dando a ele um suporte para ser candidato”, concluiu Marleide Cunha.