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março 5, 2026


MULHERES NEGRAS LIDERAM LUTA POR IGUALDADE NO RIO GRANDE DO NORTE

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Na semana em que o país celebra as conquistas femininas, dados mostram que a realidade nem sempre é igual para todos. No Rio Grande do Norte, o racismo contra mulheres segue como uma das faces mais duras da desigualdade social. Estrutural e muitas vezes silencioso, ele se manifesta nos indicadores de violência, renda, saúde e representatividade política.

De acordo com dados das Nações Unidas no Brasil, mulheres negras nordestinas têm quatro vezes mais chances de serem assassinadas do que mulheres brancas. No Rio Grande do Norte, esse índice é ainda mais alarmante, chegando a ser oito vezes maior. Os números revelam uma vulnerabilidade que atravessa gerações e expõe o peso combinado do racismo e do machismo.

Entre janeiro e novembro de 2025, o estado registrou aumento de 10,2% nos casos de feminicídio, com 21 mortes, superando o total contabilizado em 2024. Levantamentos indicam um cenário ainda mais preocupante, com o Rio Grande do Norte figurando entre as maiores taxas de feminicídio do Nordeste, segundo o estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

No mercado de trabalho, a desigualdade também se impõe. No RN, mulheres negras recebem, em média, 33% a menos que mulheres brancas. Elas ocupam com maior frequência postos informais e funções com menor proteção social. A exclusão se estende aos espaços de poder: embora representem parcela significativa do eleitorado, ainda são minoria em cargos de decisão.

A violência institucional é outro ponto crítico. Mulheres negras figuram entre as principais vítimas de violência obstétrica e relatam atendimentos marcados por negligência, longas esperas e menor oferta de anestesia durante o parto. Casos de discriminação em serviços públicos e privados também compõem o cenário de racismo estrutural no estado.

Paradoxalmente, o aumento das denúncias pode ser interpretado como sinal de maior conscientização. Registros de violações racistas no Rio Grande do Norte mais que dobraram entre 2023 e 2024, acompanhando uma alta de 101,5% na região Nordeste. Contudo, especialistas apontam que, embora haja atualmente uma elevação dos casos, há mais informação e incentivo para que vítimas busquem seus direitos.

Diante desse contexto, movimentos de mulheres negras têm intensificado ações de mobilização e formação política. Integrante da organização Kilombo, da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e do Comitê Impulsor de Mulheres Negras Potiguares, Dalvaci Neves afirma que março é um período simbólico de fortalecimento da luta.

“As mulheres negras estão organizadas com o intuito de acabar com o racismo e com o machismo. O ‘março de lutas’ vem dar visibilidade à violência contra a mulher negra”, destaca.

Segundo ela, o racismo estrutural empurra mulheres negras para os piores indicadores sociais.

“Os dados mostram que estamos nas piores rendas, exercemos trabalhos mais precários e somos minoria nos quadros de gestão pública e privada. Assim como na política e no mercado de trabalho, também na questão da violência somos as mais atingidas”, afirma.

A pauta da educação também aparece como prioridade. Dalvaci defende o cumprimento das leis que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, não apenas em datas comemorativas. “A educação precisa enfrentar o racismo no dia a dia e promover igualdade de gênero e raça. Esperamos que o novo Plano Nacional de Educação traga diretrizes concretas nesse sentido”, pontua.

Outro aspecto ressaltado é o enfrentamento ao padrão de embranquecimento imposto historicamente às mulheres negras. “Durante muito tempo fomos pressionadas a mudar nossa aparência para sermos aceitas. Queremos que cada mulher possa assumir sua identidade e ser respeitada por sua competência”, diz.

Encerrando a programação do mês, o movimento promove, no próximo dia 19, às 14h, um curso de letramento racial, com aula inaugural online. O evento contará com a participação de Nayara Leite, representante do Instituto Odara, da Mulher Negra, sediado em Salvador, e coordenadora da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

De acordo com Dalvaci, mais do que um encontro virtual, a atividade simboliza um esforço coletivo para transformar estatísticas em mudança concreta. Em meio aos desafios, mulheres negras potiguares seguem organizadas, reafirmando que igualdade não é concessão, é direito.

Políticas públicas no RN
No campo das políticas públicas, o Rio Grande do Norte sancionou recentemente a Lei nº 11.938, de iniciativa da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), que institui a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo Institucional. Para as ativistas, o avanço é importante, mas precisa sair do papel e alcançar a vida cotidiana.


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EMPREENDEDORISMO FEMININO: FOCO EM PLANEJAMENTO E VISÃO ESTRATÉGICA MARCAM AVANÇO DA PETISQUERIA

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O empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte atravessa um período de crescimento consistente e transformação estrutural. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae/RN), com base em levantamentos do IBGE, apontam que entre 2021 e 2024 o número de novos registros de Microempreendedor Individual feitos por mulheres saltou de 10.298 para 15.793, um aumento de 53%.

Hoje, elas estão à frente de aproximadamente 30% das empresas no estado, o que representa mais de 100 mil negócios sob liderança feminina. Mais de 90% dessas iniciativas são microempresas ou MEIs, um retrato de um perfil empreendedor marcado pela formalização, atuação por conta própria e busca por independência financeira. Só nos primeiros meses de 2025 mais de 4 mil empresas foram formalizadas por mulheres.

A maior presença feminina nos negócios também revela um recorte social importante: cerca de 46% das empreendedoras no RN são chefes de domicílio. Muitas encontram no próprio negócio uma alternativa para conciliar renda, flexibilidade e autonomia. Ainda assim, desafios persistem.

Segundo o Sebrae/RN, 63,7% apontam a dificuldade de acesso a capital como principal barreira ao crescimento, enquanto homens seguem majoritários nas lideranças de empresas de maior porte.

História de Sucesso
É nesse cenário de avanço e desafios que histórias de consolidação ganham destaque, especialmente no setor de alimentação, um dos mais ocupados por mulheres no estado. Em Natal, o Grupo Petisqueria é um desses exemplos de profissionalização, identidade de marca e expansão planejada.

Fundado há mais de cinco anos, o negócio nasceu da união de três mulheres, amigas e também com laços familiares, que identificaram um nicho de mercado voltado à gastronomia para celebrações e eventos. A proposta inicial era oferecer petiscos sofisticados, com apresentação artesanal e serviço que unisse sabor, estética e praticidade.

A operação começou de forma enxuta, estruturada a partir das experiências complementares das sócias Cecilia Madruga, Emanuele Belchior e Sanylle Faraj. O que era uma produção voltada a encontros sociais evoluiu gradualmente para uma empresa estruturada, com atuação consolidada em eventos corporativos e sociais na capital potiguar.

Com equipe composta quase integralmente por mulheres, o grupo aposta na valorização feminina em todas as etapas do processo, da produção à gestão. A combinação entre visão empresarial, controle administrativo e desenvolvimento constante de produto sustenta o crescimento planejado.

CEO responsável pelo comercial e relacionamento institucional do grupo, Cecilia Madruga destaca o protagonismo feminino como elemento central da cultura da empresa. “Acreditamos na força do empreendedorismo feminino e na capacidade de gestão das mulheres. Nossa equipe é majoritariamente feminina, e isso se reflete na atenção aos detalhes, no cuidado com o atendimento e na construção da experiência”, ressalta.

À frente da gestão administrativa, Emanuele Belchior explica que o crescimento foi sustentado por organização e capacitação contínua. “A profissionalização da operação sempre foi uma prioridade. Investimos em capacitação, planejamento financeiro e organização de processos para garantir crescimento estruturado”, diz.

Segundo ela, o empreendedorismo feminino exige preparo permanente. “Trabalhamos com indicadores, metas e planejamento de expansão. O empreendedorismo feminino exige preparo e consistência, e estamos construindo isso diariamente junto com toda a nossa equipe”, completa.

Ao longo da trajetória, o grupo ampliou o portfólio e diversificou serviços. Torres de salame, quiches artesanais, tábuas personalizadas e sobremesas com sabores regionais tornaram-se marca registrada da casa. A identidade visual cuidadosa e o padrão de qualidade ajudaram a fortalecer o reconhecimento da marca no mercado local.

Em 2026, a Petisqueria inicia uma nova etapa estratégica com a inauguração da loja física em formato de empório, instalada no mesmo endereço do espaço para eventos, no bairro Lagoa Nova.

A proposta é concentrar no local toda a experiência construída ao longo dos anos e ampliar as frentes de receita.

Atualmente, o grupo concentra suas atividades em três frentes: buffet para eventos corporativos e sociais, operação da loja física em formato takeaway e produção própria, que inclui almoço executivo e linha de congelados. O planejamento para o ano também prevê a ampliação do espaço destinado às celebrações, fortalecendo a estrutura que já conta com ambiente garden para encontros de menor porte.

Para Cecilia Madruga, o movimento representa um passo natural dentro do planejamento estratégico do grupo. “Atuamos desde o início com a convicção de que a Petisqueria poderia se tornar mais do que um buffet. Sempre enxergamos potencial de marca. A loja física no formato empório representa um passo estratégico dentro do nosso planejamento para 2026. É uma forma de consolidar a identidade do grupo e aproximar ainda mais o cliente da nossa proposta”, afirma.

Na área técnica e de desenvolvimento de produtos, Sanylle Faraj reforça que a expansão acompanha o comportamento do público. “O cardápio da Petisqueria foi construído com base em identidade de anos de experiência profissional e alto padrão de qualidade. Ao longo dos anos, fomos entendendo o comportamento do nosso público e ampliando as possibilidades de consumo”, afirma.
Ela explica que o novo almoço executivo e a linha de congelados surgem como desdobramento dessa escuta. “É o mesmo sabor já reconhecido nos eventos, agora disponível no dia a dia.

Acredito muito na sensibilidade feminina na gastronomia, no cuidado com apresentação, equilíbrio e acabamento. Isso faz parte do nosso diferencial competitivo”, ressalta.

Em meio aos dados que apontam o crescimento do empreendedorismo feminino no Rio Grande do Norte, a trajetória da Petisqueria exemplifica esse movimento. O caso evidencia mulheres à frente de negócios estruturados, com foco em gestão, posicionamento de marca e expansão planejada, transformando uma operação de pequeno porte em empresa consolidada no mercado local.


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DIVANEIDE: “MUITAS VEZES É PRECISO ‘BATER NA MESA’ PARA GARANTIR RESPEITO”

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Socióloga, professora e doutora em Ciências Sociais pela UFRN, a deputada estadual Divaneide Basílio (PT) tem trajetória marcada por origem, identidade e compromisso social: “Sou filha de trabalhadores rurais, nascida em Pedro Avelino e criada na zona Norte de Natal, região onde resido até hoje”. Foi nesse território e no exemplo da família que Divaneide construiu a compreensão de que a política não se limita aos espaços institucionais.

“Cresci vendo meus pais lutarem pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, acreditarem profundamente na educação como ferramenta de transformação”, destaca a deputada ao Diário do RN.

A formação nas pastorais sociais, nos movimentos populares e na universidade consolidou essa visão. O ingresso na política institucional, segundo ela, foi consequência de uma militância que já existia na vida comunitária. As inspirações que moldaram essa caminhada também têm raízes profundas.

“Minhas primeiras inspirações vieram de casa: meus pais, meus avós, especialmente meu avô Chico, que fortaleceu minha identidade racial: de mulher negra de comunidade, e minha avó Generosa, com sua sabedoria popular. Hoje, minha maior inspiração continua sendo o povo que represento, mulheres, mães atípicas, população negra, trabalhadores e trabalhadoras, além dos meus filhos, que renovam diariamente meu compromisso com um futuro mais digno”, ressalta.

Ser mulher na política já impõe obstáculos, mas, para Divaneide, o desafio se intensifica pela dimensão racial: “Ser mulher, e especialmente mulher negra, na política é enfrentar diariamente o machismo e o racismo estruturais. É precisar provar o tempo todo a própria capacidade, lidar com tentativas de silenciamento e com a deslegitimação constante da nossa voz. Muitas vezes é preciso ‘bater na mesa’ para garantir respeito. Ainda assim, seguimos ocupando esses espaços com cuidado, porque nossa presença é transformação”.

Ao falar sobre feminismo, a deputada faz questão de situá-lo a partir da realidade concreta das mulheres que representa. Para ela, não há dissociação entre gênero, raça e classe.

“Para mim, só é válido um feminismo popular, que dialoga com a realidade das mulheres trabalhadoras, negras, dos bairros, mães, que enfrentam múltiplas opressões. Além do conceito, é um instrumento de libertação coletiva”, define a deputada.

Divaneide afirma se reconhecer e se sentir fortalecida nesse campo: “Eu sou uma mulher feminista, e sou acolhida especialmente pelo feminismo que reconhece as interseccionalidades e compreende que raça, classe e território atravessam a experiência das mulheres. É nesse campo que me sinto representada e fortalecida, porque ele dialoga com minha trajetória e com o projeto de sociedade que defendo”, reforça.

Isolda Dantas: “O feminismo é a luz, é a bandeira que nos conduz”

“Muitas vezes há uma invisibilidade da gente como representante” – Foto: Reprodução

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) tem caminho inseparável dos movimentos sociais e da luta feminista. Sua entrada na política não foi motivada por projeto individual, mas resultado de um processo de formação política e consciência crítica construída ao longo da vida. “A minha história sempre foi uma história muito ligada aos movimentos sociais. Eu comecei pelo movimento estudantil, depois me encontrei com o feminismo e depois fui participar do governo Lula e do governo Dilma”, relata.

A experiência institucional veio depois, primeiro como vereadora em Mossoró, por dois anos, e em seguida como deputada estadual, cargo que hoje exerce em seu segundo mandato.

“O que me fez ingressar na política foi exatamente essa construção de uma consciência crítica, de que era possível mudar a vida das pessoas para melhor através da política”, define.

Ao falar sobre suas inspirações, Isolda afirma que não se trata de qualquer referência feminina, mas de mulheres comprometidas com a transformação social. Nesse percurso, ela cita feministas do Brasil e do mundo e faz referência especial à militante Nalu Faria, destacando sua atuação na construção de um feminismo de base, coletivo e enraizado na organização das mulheres rurais.

Também lembra Celina Guimarães, símbolo da luta pelo direito ao voto no Rio Grande do Norte.

“Hoje, a minha inspiração é quando eu vejo mulheres rurais se organizando em grupo querendo transformar a vida. Quando eu vejo as jovens que se desafiam a entrar na política, mesmo com todos os desafios que elas enfrentam de violência política”, destaca a parlamentar.

Para a deputada, os principais desafios de ser mulher na política passam pelo reconhecimento enquanto sujeito político: “Os principais desafios hoje da política é a gente ser respeitada como sujeitos que pensa. Muitas vezes há uma apropriação indevida das nossas ideias, do nosso lugar, e há uma invisibilidade da gente como representante”.

Ela alerta que a desigualdade estrutural tem consequências diretas na vida das mulheres: “O que a gente tem hoje, dessa forma de que a sociedade nos vê como cidadã não pensante, que acha no direito de nos matar, é porque a gente não tem um mundo de igualdade”.

Nesse contexto, Isolda Dantas define o feminismo como elemento central da história política das mulheres. Por isso, critica tentativas de negar esse legado.

“Foi o feminismo quem nos fez votar, foi quem nos fez ter o direito de trabalhar, foi quem nos fez ter o direito de falar, de gritar e de dizer que nós queremos construir um mundo igual. Hoje tem muitas mulheres que querem entrar na política negando o feminismo. Nós não podemos negar o feminismo porque foi ele que nos trouxe até aqui”, ressaltou Isolda.

Para esta reportagem, o Diário do RN buscou as cinco parlamentares que compõem a bancada feminina da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. As deputadas Cristiane Dantas (Solidariedade), Eudiane Macedo (PV) e Terezinha Maia (PL) não encaminharam suas respostas até o fechamento.


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ÁLVARO DIAS DEFENDE UM NOME DE CONSENSO PARA O MANDATO-TAMPÃO

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Em meio à possibilidade de uma eleição indireta no Rio Grande do Norte, o pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (Republicanos) avaliou que o cenário ideal seria a escolha de um nome de consenso para assumir um eventual mandato tampão, embora reconheça que esse entendimento é difícil diante da atual polarização política.

Em entrevista concedida ao Diário do RN, Álvaro defendeu que, caso se confirme a necessidade de uma eleição indireta, o Estado deveria ser conduzido por um perfil técnico, sem compromissos políticos imediatos. Para ele, esse seria o caminho mais adequado para enfrentar o momento delicado das finanças e da gestão estadual.

“O mandato tampão, na minha ótica, deve ser assumido por um técnico, uma pessoa que possa assumir sem maiores compromissos políticos, para começar a tomar as medidas duras, difíceis, que o Estado deve tomar para reencontrar os caminhos do desenvolvimento e do progresso perdidos no atual governo da professora Fátima Bezerra”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de esse nome reunir apoio de todos os grupos políticos, inclusive da esquerda, Álvaro destacou que esse seria o cenário ideal, justamente para viabilizar decisões impopulares, mas necessárias. “Eu acho que era o ideal, um nome de consenso, um nome que pudesse realmente, com apoio de todos, tomar medidas impopulares, medidas duras, para que o Estado possa então começar a se preparar para depois da eleição o novo governador realmente dar continuidade a essas medidas”, disse.

Apesar disso, o pré-candidato ponderou que a chance de entendimento amplo é pequena. Segundo ele, a forte polarização nacional tem reflexos no Rio Grande do Norte e pode impedir o entendimento. “A discussão sobre o nome vai ser tomada entre direita e esquerda. Acho difícil se entenderem. A eleição está muito polarizada a nível nacional e essa polarização está refletindo aqui no estado”, avaliou.

Álvaro também afastou a possibilidade de apoio ao nome eventualmente indicado pela governadora Fátima Bezerra. Na visão dele, a tendência é que a direita apresente um nome próprio, buscando diálogo com o maior número possível de lideranças.

“O nome técnico deverá ser apresentado pelo nosso grupo político. Nós vamos procurar dialogar, conversar com o maior número de lideranças possível, para que essa pessoa que venha assumir interinamente o governo possa ter um apoio consistente, relevante, para iniciar essas medidas impopulares que são necessárias”, afirmou.

Em entrevistas anteriores, o líder do grupo integrado por Álvaro, Rogério Marinho (PL), apontou como as chamadas “medidas impopulares” para o novo governador, a privatização da Caern, a federalização da UERN, fim do aumento real de salário para servidores e um Plano de Demissão Voluntária para os trabalhadores do Estado.

O grupo também inclui Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB) e deve ter oficializada aliança com Ezequiel Ferreira (PSDB), que pode assumir o Republicanos. Ezequiel Ferreira deve ser o elo decisivo para as definições do candidato e dos votos para a eventual eleição indireta, que deve acontecer caso a governadora Fatima Bezerra (PT) decida pela renúncia para concorrer ao Senado Federal.

Até agora, os três grupos presentes na Assembleia Legislativa conversam entre si para avaliar a possibilidade de acordo. Por enquanto, o único grupo que apresenta candidato é a esquerda, diante do projeto político do PT nacional de ampliar a bancada no Senado, incluindo Fátima. A governadora tenta emplacar Cadu Xavier, que já é o pré-candidato do sistema governista nas eleições de outubro.

O centro está até agora dividido entre apoiar a cadeira do Executivo, em caso de dupla vacância, nas mãos do PT, ou apresentar nome próprio. Já a direita, segundo Álvaro Dias, deve seguir projeto próprio.


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ZÉ AUGUSTO REGO ASSUME A FEMURN E DEFENDE UNIÃO EM PROL DOS MUNICÍPIOS

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A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) realizou, na manhã desta quarta-feira (4), a solenidade de posse de seu novo presidente, o prefeito de Portalegre, José Augusto de Freitas Rêgo (UB), conhecido como Zé Augusto. O evento reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de prefeitos, prefeitas, autoridades e lideranças municipalistas de diversas regiões do estado.

Durante a cerimônia, foi assinada a ata que oficializou Zé Augusto no comando da entidade. Ele assume a presidência após a renúncia de Babá Pereira (PL), que deixou o cargo para se dedicar à pré-candidatura a vice-governador do RN nas eleições de outubro, em decisão que, segundo afirmou, preserva a isenção institucional da federação perante os 167 municípios filiados.

“Entendo que não compatibilidade em estar pré-candidato a um cargo majoritário e continuar presidente da federação, então por isso resolvi antecipar minha saída”, afirma Babá Pereira.

Zé Augusto cumprirá o mandato à frente da FEMURN até o final de 2026. Em seu discurso de posse, o novo presidente destacou o compromisso com o fortalecimento do municipalismo potiguar e com uma gestão aberta ao diálogo.

Em entrevista, Zé Augusto também apresentou diretrizes para sua gestão, ressaltando a necessidade de modernização da entidade e de fortalecimento das finanças municipais. “Temos que ver a questão do fortalecimento das receitas, modernizar e inovar a FEMURN, como também criar um fórum de inter-poderes para que a gente possa debater os problemas dos municípios. A presença dos representantes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo nesta solenidade demonstra que o municipalismo é uma causa coletiva. Precisamos caminhar juntos para garantir mais autonomia, recursos e respeito às nossas cidades”, disse.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, presente na solenidade, também destacou o papel estratégico da FEMURN para a economia.

“É uma entidade importante nesse aspecto de articulação e de proposição. Ela se alinha muito à Federação das Indústrias, já que ambas buscam o desenvolvimento e apoiar os municípios, que é onde estão as pessoas e de onde surgem as primeiras demandas”, pontuou.

Já o deputado federal e ex-dirigente da entidade, Benes Leocádio, foi o único deputado a prestigiar o evento. “Tenho certeza que um prefeito que foi eleito, reeleito e já conhecedor do trabalho da FEMURN vai representar muito bem o setor municipalista no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Com trajetória iniciada no Legislativo municipal, onde cumpriu dois mandatos como vereador, Zé Augusto foi eleito prefeito de Portalegre em 2020 e reeleito em 2024. Agora, à frente da FEMURN, assume o desafio de conduzir a entidade mantendo o foco na defesa dos interesses dos municípios potiguares e no fortalecimento do municipalismo no estado.


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