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“MICHELLE PASSOU ANOS DEFENDENDO UM MODELO DE MULHER SUBMISSA”

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A saída de Michelle Bolsonaro da presidência nacional do PL Mulher, anunciada na última semana em meio ao desgaste com o senador Flávio Bolsonaro e às articulações sobre seu futuro político, repercutiu em análise da jornalista Juliana Celli nas redes sociais. No vídeo, ela afirma que a ex-primeira-dama passou a ser alvo de críticas dentro do próprio grupo político que ajudou a fortalecer e classifica o episódio como violência política de gênero. Michelle é cotada para disputar o Senado pelo Distrito Federal e enfrenta pressões internas durante a pré-campanha presidencial do enteado.

Segundo Celli, Michelle construiu sua atuação pública defendendo um modelo de mulher baseado em valores religiosos e na valorização da submissão feminina. Ao mesmo tempo, lembrou que, na condição de presidente do PL Mulher, percorreu o país incentivando a filiação de mulheres ao partido e estimulando candidaturas femininas.

“Michelle Bolsonaro passou anos defendendo um modelo de mulher submissa, usando discursos religiosos e versículos bíblicos para exaltar que esse seria o papel feminino. Como presidente do PL Mulher, percorreu o Brasil, criou diretórios, incentivou mulheres a se filiarem ao partido e também a disputar eleições”, afirmou.

Na avaliação da jornalista, o cenário mudou quando os interesses políticos de Michelle passaram a divergir dos de parte da própria família Bolsonaro. Segundo ela, a ex-primeira-dama passou a ser alvo de críticas e ataques vindos do mesmo ambiente político que ajudou a fortalecer.

“Existe uma ironia difícil de ignorar. No momento em que seus interesses passaram a entrar em conflito com os de parte da própria família Bolsonaro, Michelle passou a receber ataques do mesmo ambiente político que a ajudou a fortalecer”, declarou.

A análise cita ainda episódios de ataques direcionados à honra e à vida pessoal de Michelle, além de mencionar que pessoas que manifestaram apoio à ex-primeira-dama também passaram a ser alvo de rumores. Para Celli, esse tipo de comportamento caracteriza violência política de gênero. “Isso tem nome. Violência política de gênero”, afirmou.

Ao longo do vídeo, a jornalista também argumenta que a posição alcançada por Michelle na política só foi possível graças a direitos conquistados historicamente pelas mulheres brasileiras. Segundo ela, o fato de a ex-primeira-dama poder votar, ocupar cargos de direção partidária e incentivar candidaturas femininas decorre de avanços construídos ao longo de décadas.

“O paradoxo é esse. Ela alcançou espaços que existem graças às conquistas das mulheres feministas.

Mas dedicou boa parte de sua trajetória política a criticar o feminismo e a defender um modelo em que as mulheres ocupam papel secundário”, disse.

Na parte final da publicação, Celli afirma que o momento vivido por Michelle representa um teste sobre sua autonomia política e levanta questionamentos sobre qual caminho será seguido pela ex-primeira-dama diante das disputas internas no campo conservador.

“Resta saber qual será a sua escolha. Enfrentará esse sistema? Defenderá sua autonomia política e seguirá o seu próprio caminho? Ou aceitará que sua candidatura seja colocada em segundo plano para atender aos interesses dos homens da família?”, questionou.

A jornalista encerra a análise ampliando a reflexão para além do caso de Michelle Bolsonaro. Segundo ela, os direitos hoje exercidos pelas mulheres são resultado de uma construção histórica e devem ser preservados independentemente das divergências ideológicas.

“Não espere descobrir da forma mais dolorosa o valor da igualdade. Direitos existem justamente para que nenhuma mulher seja descartada quando deixa de servir aos interesses de alguém. Apesar disso, nós feministas continuaremos lutando pelos seus e nossos direitos. E até o de Michelle”, concluiu.


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