
Os gastos da Prefeitura de Extremoz com limpeza urbana registraram um crescimento acelerado nos últimos dois anos. Dados oficiais do Portal da Transparência da Prefeitura de Extremoz apontam que o serviço custou R$ 9.884.918,67 em 2023 e saltou para R$ 17.428.698,86 em 2025, quase o dobro no período. No ano eleitoral de 2024, o contrato com a MB Construção, a mesma empresa que prestou o serviço à gestão Jussara Sales (PL), durante os anos consultados, foi de R$ 14.567.894,88.
O contraste entre os números e a realidade enfrentada pela população pesa contra a gestão municipal. Em dois anos, o custo da limpeza urbana praticamente dobrou, passando de R$ 9,8 milhões em 2023 para mais de R$ 17,4 milhões em 2025, sem que a melhoria do serviço seja percebida de forma proporcional nas ruas do município.
Mesmo com o avanço no custeio, moradores seguem relatando falhas na coleta de lixo, acúmulo de resíduos em vias públicas e deficiência na manutenção urbana, o que motivou a atuação do Ministério Público. As reclamações deram origem à Notícia de Fato nº 02.23.2614.0000131/2025-32, instaurada em julho de 2025.
O movimento chamou a atenção do Ministério Público, que viu a necessidade de apurar e abriu o Procedimento Preparatório nº 03.23.2614.0000215/2025-75, em 6 de novembro de 2025. A investigação está sob responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Extremoz e tem como objeto “apurar denúncia sobre a coleta de lixo e a manutenção das ruas, em Extremoz/RN”.
Ao longo da tramitação, o Ministério Público expediu ofícios à Prefeitura de Extremoz, principalmente à Secretaria Municipal de Infraestrutura (SMI), solicitando esclarecimentos sobre a execução do serviço e a aplicação dos recursos públicos. Os autos registram reiterações de pedidos e certidões de ausência de resposta, fatores que contribuíram para o avanço das investigações.
Com a instauração do Procedimento Preparatório, o MPRN passa a analisar com mais profundidade contratos, despesas, responsabilidades administrativas e a regularidade da prestação do serviço, podendo adotar medidas administrativas ou judiciais caso sejam identificadas falhas, omissões ou irregularidades.
O órgão deverá decidir, ao final do procedimento, se arquiva o caso ou se adota providências legais, enquanto a população segue cobrando melhorias em um dos serviços públicos mais essenciais da cidade.