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MERCADO DO PEIXE ESPERA ALTA NAS VENDAS DURANTE A SEMANA SANTA

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A tradição de consumir peixe durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-feira Santa, movimenta mercados e feiras em todo o país. O costume cristão simboliza a abstinência de carne vermelha em memória da morte de Jesus Cristo e representa um período de penitência e reflexão para os fiéis. Historicamente associado a um alimento simples e modesto, o pescado acabou se consolidando como protagonista das refeições desse período, marcando também o aumento da procura nas semanas que antecedem a data.

Em Natal, um dos principais pontos de venda é o Mercado do Peixe, localizado no bairro das Rocas. O espaço reúne dezenas de boxes que oferecem diferentes espécies de pescados e frutos do mar, como cavala, bicuda, arabaiana, atum, beijupirá, cioba e cação, além de lula, polvo e camarão. A comercialização segue critérios definidos, incluindo a exigência de nota fiscal e controle de origem dos produtos. A expectativa dos comerciantes é de intensificação no fluxo de consumidores nos dias que antecedem a Sexta-feira Santa, período tradicionalmente marcado pelo aumento nas vendas.

Comerciante no local desde a inauguração do mercado, há 17 anos, Vantuir Ribeira afirma que o movimento começou a crescer nos últimos dias. Ele conta que a procura estava mais tímida no início do mês, mas voltou a ganhar força à medida que a Semana Santa se aproxima.

“A procura pelo peixe agora começou a melhorar a partir desta segunda. Antes disso, do início de março até o dia 25 ainda estava fraco, mas agora deu uma melhorada. As pessoas começaram a procurar mais pelos peixes aqui no mercado. As expectativas estão melhorando e a gente acredita que pode superar as vendas do ano passado”, afirma.

Segundo o comerciante, algumas espécies se destacam na preferência dos consumidores, principalmente as mais tradicionais nas receitas da Semana Santa. “As pessoas voltaram a procurar pela cioba, que sempre foi o peixe mais comercializado. A gente trabalha também com dentão, bicuda, arabaiana, dourado, cavala, meca e atum, mas entre todos os peixes vendidos aqui no mercado, o mais procurado sempre foi a cioba, que é bem tradicional nos pratos da Semana Santa”, diz.

Benefícios à saúde humana
Além da tradição religiosa e cultural, o peixe também se destaca pelos benefícios à saúde.

Considerado um alimento de alto valor nutricional, o pescado é fonte de proteínas de qualidade, gorduras saudáveis e diversos micronutrientes importantes para o organismo.

A nutricionista Eva Andrade explica que o alimento possui proteínas de alto valor biológico, contendo todos os aminoácidos essenciais para a manutenção e reparação dos tecidos do corpo.

Segundo ela, o peixe também apresenta digestão mais fácil em comparação com carnes vermelhas.

Outro destaque está nas gorduras benéficas, especialmente os ácidos graxos ômega-3, presentes em espécies como sardinha, atum e cavala. Esses nutrientes ajudam na saúde cardiovascular, auxiliando na redução do colesterol ruim e dos triglicérides, além de contribuírem para a memória, a concentração e o desenvolvimento neurológico. O pescado também é fonte de vitaminas do complexo B, vitamina D e minerais como iodo, fósforo, selênio e zinco.

Dicas para um bom pescado
Na hora da compra, alguns sinais ajudam o consumidor a identificar se o peixe está fresco. Eva Andrade explica que a avaliação deve considerar características sensoriais como aparência, textura e cheiro.

“A avaliação da frescura do pescado deve ser feita de forma integrada. O peixe fresco apresenta aparência úmida, brilho natural e textura firme. Ao toque, a carne deve ser elástica, retornando rapidamente à posição original quando pressionada”, orienta.

Segundo a nutricionista, os olhos também são um importante indicativo de qualidade. “Os olhos devem estar brilhantes, salientes e com córnea transparente. Olhos opacos ou afundados indicam deterioração. As brânquias precisam apresentar coloração vermelho-vivo e sem presença de muco excessivo, enquanto as escamas devem estar bem aderidas e com brilho metálico. O odor deve ser suave, lembrando água do mar, porque cheiro forte e desagradável é sinal de deterioração”, explica.

No caso de peixes congelados, a atenção deve estar voltada para a embalagem e o aspecto do produto. “É fundamental verificar se a embalagem está íntegra, sem perfurações ou sinais de descongelamento prévio, como cristais de gelo excessivos ou líquido acumulado. Também é importante observar a data de validade e a presença do selo de inspeção. O produto não deve apresentar queimaduras por frio, que aparecem como manchas esbranquiçadas ou ressecadas”, afirma.

Sobre a diferença entre peixe fresco e congelado, Eva Andrade explica que o valor nutricional costuma ser semelhante quando o congelamento é realizado de forma adequada.

“De forma geral, não há diferenças nutricionais significativas entre o peixe fresco e o congelado quando o congelamento é feito corretamente. O peixe congelado preserva proteínas, ácidos graxos ômega-3 e micronutrientes. A principal diferença costuma estar mais relacionada à textura e, eventualmente, ao sabor”, afirma.

A nutricionista ressalta ainda que comprar pescado em feiras livres pode ser seguro, desde que o consumidor observe as condições de higiene do local. “O peixe deve estar mantido sob refrigeração adequada, preferencialmente sobre gelo limpo e em quantidade suficiente. Também é importante avaliar a higiene do manipulador, o uso de utensílios adequados e a limpeza do ambiente”, completa.

Após a compra, alguns cuidados também são importantes para garantir a qualidade do alimento até o momento do consumo. “O pescado deve ser mantido sob refrigeração contínua. O ideal é transportá-lo em bolsa térmica e armazená-lo imediatamente sob refrigeração, até 4 °C, ou congelamento, a -18 °C. No caso do peixe fresco, o consumo deve ocorrer o mais breve possível, evitando a quebra da cadeia de frio”, orienta.


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