Início » Arquivos para 1 de abril de 2026, 13:00h

abril 1, 2026


MERCADO DO PEIXE ESPERA ALTA NAS VENDAS DURANTE A SEMANA SANTA

  • por
Compartilhe esse post

A tradição de consumir peixe durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-feira Santa, movimenta mercados e feiras em todo o país. O costume cristão simboliza a abstinência de carne vermelha em memória da morte de Jesus Cristo e representa um período de penitência e reflexão para os fiéis. Historicamente associado a um alimento simples e modesto, o pescado acabou se consolidando como protagonista das refeições desse período, marcando também o aumento da procura nas semanas que antecedem a data.

Em Natal, um dos principais pontos de venda é o Mercado do Peixe, localizado no bairro das Rocas. O espaço reúne dezenas de boxes que oferecem diferentes espécies de pescados e frutos do mar, como cavala, bicuda, arabaiana, atum, beijupirá, cioba e cação, além de lula, polvo e camarão. A comercialização segue critérios definidos, incluindo a exigência de nota fiscal e controle de origem dos produtos. A expectativa dos comerciantes é de intensificação no fluxo de consumidores nos dias que antecedem a Sexta-feira Santa, período tradicionalmente marcado pelo aumento nas vendas.

Comerciante no local desde a inauguração do mercado, há 17 anos, Vantuir Ribeira afirma que o movimento começou a crescer nos últimos dias. Ele conta que a procura estava mais tímida no início do mês, mas voltou a ganhar força à medida que a Semana Santa se aproxima.

“A procura pelo peixe agora começou a melhorar a partir desta segunda. Antes disso, do início de março até o dia 25 ainda estava fraco, mas agora deu uma melhorada. As pessoas começaram a procurar mais pelos peixes aqui no mercado. As expectativas estão melhorando e a gente acredita que pode superar as vendas do ano passado”, afirma.

Segundo o comerciante, algumas espécies se destacam na preferência dos consumidores, principalmente as mais tradicionais nas receitas da Semana Santa. “As pessoas voltaram a procurar pela cioba, que sempre foi o peixe mais comercializado. A gente trabalha também com dentão, bicuda, arabaiana, dourado, cavala, meca e atum, mas entre todos os peixes vendidos aqui no mercado, o mais procurado sempre foi a cioba, que é bem tradicional nos pratos da Semana Santa”, diz.

Benefícios à saúde humana
Além da tradição religiosa e cultural, o peixe também se destaca pelos benefícios à saúde.

Considerado um alimento de alto valor nutricional, o pescado é fonte de proteínas de qualidade, gorduras saudáveis e diversos micronutrientes importantes para o organismo.

A nutricionista Eva Andrade explica que o alimento possui proteínas de alto valor biológico, contendo todos os aminoácidos essenciais para a manutenção e reparação dos tecidos do corpo.

Segundo ela, o peixe também apresenta digestão mais fácil em comparação com carnes vermelhas.

Outro destaque está nas gorduras benéficas, especialmente os ácidos graxos ômega-3, presentes em espécies como sardinha, atum e cavala. Esses nutrientes ajudam na saúde cardiovascular, auxiliando na redução do colesterol ruim e dos triglicérides, além de contribuírem para a memória, a concentração e o desenvolvimento neurológico. O pescado também é fonte de vitaminas do complexo B, vitamina D e minerais como iodo, fósforo, selênio e zinco.

Dicas para um bom pescado
Na hora da compra, alguns sinais ajudam o consumidor a identificar se o peixe está fresco. Eva Andrade explica que a avaliação deve considerar características sensoriais como aparência, textura e cheiro.

“A avaliação da frescura do pescado deve ser feita de forma integrada. O peixe fresco apresenta aparência úmida, brilho natural e textura firme. Ao toque, a carne deve ser elástica, retornando rapidamente à posição original quando pressionada”, orienta.

Segundo a nutricionista, os olhos também são um importante indicativo de qualidade. “Os olhos devem estar brilhantes, salientes e com córnea transparente. Olhos opacos ou afundados indicam deterioração. As brânquias precisam apresentar coloração vermelho-vivo e sem presença de muco excessivo, enquanto as escamas devem estar bem aderidas e com brilho metálico. O odor deve ser suave, lembrando água do mar, porque cheiro forte e desagradável é sinal de deterioração”, explica.

No caso de peixes congelados, a atenção deve estar voltada para a embalagem e o aspecto do produto. “É fundamental verificar se a embalagem está íntegra, sem perfurações ou sinais de descongelamento prévio, como cristais de gelo excessivos ou líquido acumulado. Também é importante observar a data de validade e a presença do selo de inspeção. O produto não deve apresentar queimaduras por frio, que aparecem como manchas esbranquiçadas ou ressecadas”, afirma.

Sobre a diferença entre peixe fresco e congelado, Eva Andrade explica que o valor nutricional costuma ser semelhante quando o congelamento é realizado de forma adequada.

“De forma geral, não há diferenças nutricionais significativas entre o peixe fresco e o congelado quando o congelamento é feito corretamente. O peixe congelado preserva proteínas, ácidos graxos ômega-3 e micronutrientes. A principal diferença costuma estar mais relacionada à textura e, eventualmente, ao sabor”, afirma.

A nutricionista ressalta ainda que comprar pescado em feiras livres pode ser seguro, desde que o consumidor observe as condições de higiene do local. “O peixe deve estar mantido sob refrigeração adequada, preferencialmente sobre gelo limpo e em quantidade suficiente. Também é importante avaliar a higiene do manipulador, o uso de utensílios adequados e a limpeza do ambiente”, completa.

Após a compra, alguns cuidados também são importantes para garantir a qualidade do alimento até o momento do consumo. “O pescado deve ser mantido sob refrigeração contínua. O ideal é transportá-lo em bolsa térmica e armazená-lo imediatamente sob refrigeração, até 4 °C, ou congelamento, a -18 °C. No caso do peixe fresco, o consumo deve ocorrer o mais breve possível, evitando a quebra da cadeia de frio”, orienta.


Compartilhe esse post

VENDAS DA PÁSCOA APONTAM POTENCIAL DE AQUECIMENTO NO COMÉRCIO NATALENSE

  • por
Compartilhe esse post

Presentear com ovos de chocolate na Páscoa é um costume que atravessa gerações e culturas. A tradição remonta a povos antigos, como persas e egípcios, que já trocavam ovos como símbolo de renovação e fertilidade. Com o passar do tempo, o Cristianismo incorporou o gesto como representação da ressurreição de Cristo, em que a casca simboliza o túmulo e o interior, a vida nova. No século XIX, confeiteiros franceses transformaram o costume ao substituir os ovos decorados pelos primeiros ovos de chocolate, prática que se popularizou e se tornou um fenômeno comercial global.

Hoje, além de simbolizar união e partilha entre familiares e amigos, a data também movimenta o comércio. Em Natal, a expectativa é de forte circulação de consumidores nos próximos dias.

Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que os ovos de chocolate industrializados lideram a preferência dos consumidores, com 56% das intenções de compra, seguidos pelos bombons, com 50%, e pelas barras de chocolate, com 39%. Produtos artesanais também ganham espaço, com 40% de intenção de compra para ovos e 32% para bombons e barras.

A pesquisa indica ainda que 95% dos consumidores devem realizar as compras em lojas físicas, principalmente em supermercados, citados por 62% dos entrevistados, e em lojas especializadas, mencionadas por 44%. O gasto médio estimado é de R$ 253 por consumidor, com a compra de cerca de cinco itens.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), José Lucena, o cenário é positivo para o comércio local. Ele afirma que a capital potiguar acompanha a tendência nacional de crescimento do consumo nesta época do ano.

Comércio local otimista

Varejo local vive expectativa de aumento nas vendas: “Se não comprar o ovo, ele leva um chocolate que não comprometa o orçamento” – Foto: Reprodução

“A CDL projeta um cenário positivo em Natal, alinhado ao movimento nacional de crescimento do consumo. No Brasil, a expectativa é de 106,8 milhões de consumidores indo às compras e, proporcionalmente, a capital potiguar pode ter algo entre 450 mil e 500 mil pessoas consumindo no período, o que reforça o potencial de aquecimento do varejo local”, afirma.

Segundo ele, o interesse pela data já pode ser percebido também no ambiente digital.

“Levantamentos baseados no Google Trends indicam que, desde a semana passada, há uma curva crescente nas buscas por ‘ovos de Páscoa’, mostrando aumento claro no interesse do consumidor à medida que a data se aproxima”, observa.

Lucena acrescenta que o perfil dessas pesquisas revela um consumidor mais atento e planejado.

“O consumidor não está pesquisando apenas o produto genérico, mas também marcas específicas, tipos de produtos, como tradicionais, gourmet ou artesanais, além de opções de preço e promoções”, ressalta, acrescentando que a movimentação tende a se intensificar nos dias que antecedem a Páscoa.

No varejo local, a expectativa também é de aumento nas vendas, ainda que de forma moderada. O gerente comercial de uma rede de docerias da capital, Cleber Espírito, afirma que a estratégia tem sido apostar na criatividade para atrair o consumidor.

“Esperamos um leve crescimento em relação ao ano passado. Temos percebido que o consumidor quer continuar presenteando, mas se não comprar o ovo, ele leva um chocolate que não comprometa o orçamento”, afirma.

De acordo com ele, as mudanças no mercado após a pandemia também influenciaram o comportamento de compra. “A sazonalidade da Páscoa foi a que mais mudou nos últimos anos.

As indústrias reduziram muito o volume produzido de ovos de Páscoa e, por isso, buscamos soluções mais criativas”, explica.

Uma das alternativas encontradas foi a oferta de kits personalizados. “Aqui na Docelândia, criamos kits em que o cliente pode escolher os chocolates de acordo com o gosto de quem vai receber o presente. Tem gente que prefere chocolate branco, outros com maior teor de cacau ou com menos açúcar. A personalização permite montar um presente bonito e dentro do orçamento”, destaca.

Além das grandes redes, a produção artesanal também ganha espaço no período. A confeiteira Jacyane Macedo observa que, nos últimos anos, a procura por chocolates na Páscoa permanece alta, mas com mudanças no perfil do consumidor.

“Tenho percebido que, nos últimos três anos, a procura por chocolates para a Páscoa continua pujante. O que mudou foi a preferência por porções cada vez menores”, afirma.

Segundo ela, o diferencial do produto artesanal está na variedade e na possibilidade de atender diferentes perfis de consumidores. “Quando o doce é produzido com matéria-prima de qualidade, é possível oferecer uma grande variedade de sabores e formatos, tornando viável a compra de acordo com o orçamento”, explica.

Jacyane também aponta o crescimento de um público que busca opções mais equilibradas. “A geração fitness está exatamente na faixa etária que mais consome chocolates. Pensando nisso, este ano estou oferecendo opções sem açúcar em monoporções”, acrescenta. Para ela, a essência da data permanece a mesma. “Em síntese, a tradição continua, o que mudou foram as escolhas”, conclui.

Procon Natal orienta consumidor a pesquisar antes de comprar

Com a procura por chocolates em alta no período que antecede a Páscoa, o Procon Natal orienta os consumidores a pesquisarem preços e ficarem atentos a detalhes dos produtos antes de efetuar a compra. Levantamento realizado pelo órgão identificou variações significativas nos valores praticados no comércio da capital em comparação ao ano passado.

Segundo a diretora do Procon Natal, Dina Perez, o levantamento apontou variações expressivas entre estabelecimentos da capital.

“O Procon Natal realizou uma pesquisa de ovos de Páscoa e chocolates em virtude da Semana Santa que se aproxima e constatou um aumento de mais de 30% nos preços em comparação ao ano passado, índice também muito superior à inflação registrada no período, que foi de 4,78%”, afirma.

Ela ressalta que a principal recomendação é pesquisar antes de efetuar a compra. “Entre os estabelecimentos analisados nas quatro zonas de Natal, encontramos o mesmo produto com diferença de até R$ 20 no preço”, destaca.

Outra orientação é observar a gramatura e comparar o valor em relação ao peso do produto.

“Muitas vezes, um ovo maior não compensa tanto quanto comprar um de tamanho menor”, explica.

O órgão também sugere considerar a compra com microempreendedores, o que contribui para fortalecer a economia local. Além disso, pesquisar em lojas virtuais pode ajudar a encontrar preços mais competitivos.

Caso o consumidor identifique irregularidades, pode registrar denúncia ou buscar orientação junto ao Procon Natal pelos canais oficiais de atendimento do órgão, na sede localizada na R. Ulisses Caldas, 81, Cidade Alta, Natal, ou por meio da Ouvidoria Geral, pelo telefone (84) 3232-9173.


Compartilhe esse post

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA VIRA PALCO DE EMBATE APÓS FALA DE STYVENSON

  • por
Compartilhe esse post

A repercussão das declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB) em Parelhas ganhou parte do debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (31) e escancarou um confronto político que vai além da caserna. O deputado Francisco do PT, não apenas criticou o conteúdo da declaração, mas também o que chamou de seletividade na reação política.

“Se essa fala do senador Styvenson tivesse sido feita por alguém do PT ou da esquerda, o mundo estaria desabando hoje nas nossas cabeças. Mas, dita por um senador da extrema direita, bolsonarista e oriundo dos quadros da Polícia Militar, ainda tem gente que quer passar pano”, afirmou em plenário.

Para o petista, o episódio revela uma estratégia deliberada de comunicação e lamenta a intenção do senador com tamanho desrespeito.

“É lamentável que, para conquistar votos e likes nas redes sociais, alguém se proponha a fazer uma fala tão agressiva e tão desrespeitosa contra a sua própria instituição de origem”, disse, reforçando o argumento de que o senador ultrapassou limites ao generalizar críticas a capitães e coronéis da PM.

Francisco ainda reagiu diretamente à posição do deputado bolsonarista Coronel Azevedo (PL), que, apesar de ser coronel da reserva da Polícia Militar, adotou uma linha de defesa do senador. A resposta foi feita ao final da fala do deputado coronel.

“Vivi para ver um coronel desrespeitado aplaudir quem o desrespeitou”, ironizou.

Na outra ponta, Coronel Azevedo buscou amortecer o impacto da declaração do senador Styvenson. Classificou a declaração como “fora de contexto” e reconheceu que pode ter sido “infeliz”, mas fez questão de sustentar a atuação de Styvenson no Senado. “Ele tem feito um excelente trabalho em todo o Rio Grande do Norte, com ações na saúde, na segurança pública, na recuperação de unidades policiais”, afirmou Azevedo.

Como costume, o parlamentar também acusou setores ligados ao PT de amplificarem o episódio por conveniência política. Ele relativizou o que chamou de “erro” de Styvenson.

“Houve uma certa euforia de lideranças vinculadas ao PT para explorar essa frase. Quem nunca errou que atire a primeira pedra”, disse.

Ao tentar explicar a fala do senador, Azevedo recorreu ao argumento de estilo pessoal. Segundo ele, Styvenson costuma se expressar de forma descontraída e comparativa, o que pode ter gerado distorções.

“Não é a essência, não é o âmago do que ele quis transmitir”, pontuou o deputado do PL.

O deputado ainda fez uma analogia para justificar o papel dos oficiais superiores, comparando coronéis a gestores em diferentes áreas, do diretor de escola ao presidente de instituições, numa tentativa de contextualizar a hierarquia e afastar a interpretação de inatividade atribuída pelo senador.

“O coronel está ligado à gestão do quartel, da diretoria, do hospital, da polícia. Como tem o diretor de escola pública, que é o coronel, tem o diretor da empresa aqui, tem o Presidente da Assembleia, que seria o coronel Ezequiel. E assim por diante, cada setor tem o seu gestor. Tanto o capitão Styvenson como os demais prestaram concurso à polícia militar que é natural percorrer os postos e as graduações”, concluiu, sem explicar se ele acredita que o posto mais alto não faz nada, como afirmou Styvenson.

Comandante-geral da PM fala em “indignação” com ataque a coronéis

As declarações do senador Styvenson Valentim ganharam manifestação oficial do comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Em nota pública, o comandante-geral da corporação, Alarico José Pessoa Azevedo Junior, expressou “profundo lamento e discordância” e elevou o tom ao classificar as falas do parlamentar como motivo de “estranheza e indignação”.

Sem citar diretamente o contexto político, o comandante fez questão de destacar o peso simbólico da origem de Styvenson dentro da própria corporação. “Causa estranheza que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria instituição”, afirmou.

O alvo da reação foi a declaração do senador de que “coronéis não fazem nada” e a insinuação de que a carreira na PM garantiria “dinheiro fácil”. Para Alarico, a fala ignora não apenas o risco inerente à profissão, mas também a complexidade técnica que envolve a segurança pública. “Há uma realidade de dedicação extrema que não pode ser reduzida a esse tipo de afirmação”, destacou.

Na nota, o comandante faz uma defesa enfática da estrutura da Polícia Militar, ressaltando o papel estratégico do oficialato superior. Segundo ele, coronéis não ocupam funções de inércia, mas exercem atribuições decisivas nas áreas logística, jurídica e operacional, responsáveis por garantir o funcionamento de toda a engrenagem da segurança pública.

Alarico também utilizou o documento para reforçar a relevância institucional da PM potiguar, que, segundo ele, há 192 anos atua como “pilar fundamental do Estado”. O texto destaca que a redução nos índices de criminalidade no Rio Grande do Norte está diretamente ligada ao planejamento estratégico dos oficiais e à atuação operacional da tropa.

Além do policiamento ostensivo, o comandante lembrou que a corporação atua em áreas que vão além das ruas, como a gestão de hospitais e centros clínicos, atendendo não apenas militares, mas também a população em geral. Também citou a participação de policiais potiguares em missões da Força Nacional e operações de paz da ONU, apontando reconhecimento técnico e profissional da instituição.

A nota encerra com um recado direto: a Polícia Militar “permanece inabalável” e exige respeito à sua história e aos seus integrantes. A manifestação do comando amplia a pressão sobre Styvenson Valentim, que, após a repercussão negativa entre oficiais e no meio político, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.


Compartilhe esse post

“QUEM USOU A FARDA PARA SE PROMOVER NÃO PODE DESRESPEITAR A CORPORAÇÃO”

  • por
Compartilhe esse post

A vereadora de Natal e presidente estadual do PT, Samanda Alves, entrou no debate sobre as declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB). Em entrevista ao Diário do RN, ela prestou solidariedade à Polícia Militar, questionou a coerência do parlamentar, a quem acusa de ter discurso diferente da prática, e criticou o que considera uma estratégia de ataque para gerar engajamento político.

Samanda também rebateu a defesa feita por aliados do senador, classificou como “lamentável” o conteúdo das falas e negou que o PT tenha postura contrária às forças de segurança, apontando ações do governo estadual na área. Veja a entrevista a seguir.

DRN – Qual a opinião sobre as declarações do senador Styvenson Valentim?
Samanda Alves – A gente publicou aquele vídeo quando eu tomei conhecimento, no domingo, da fala dele em Parelhas. Eu fiz um outro vídeo prestando solidariedade à corporação, até em nome do coronel Araújo, coronel Alarico, toda a corporação que não merece ser medida pela régua de quem usou a farda para se promover na política.

A gente vive hoje no Rio Grande do Norte um outro cenário em relação à segurança pública. Estão aí os índices mostrando que o Rio Grande do Norte hoje é o estado mais seguro do Nordeste. Tem problemas? Ainda tem, mas tem avançado. E a gente sabe que isso é fruto das políticas públicas do governo da professora Fátima Bezerra, mas também da dedicação de quem veste a farda da PM, seja qual for a patente, de soldado até coronel, cada um desempenhando uma função importante na corporação. E não merecem ser desrespeitados, inclusive por alguém que já usou a farda.

DRN – O que você acha dessa postura que foi apontada aí pela Associação dos Oficiais para Styvenson?
Samanda – A associação tem legitimidade para falar, porque conhece o senador. Muitos conviveram com ele no dia a dia, no trabalho, durante os 15 anos em que ele pertenceu à corporação. É diferente, de repente, daquele que as pessoas conhecem hoje, um senador que veste um papel, muitas vezes uma fantasia, para bancar algo diferente do que ele realmente foi ou é, e isso está sendo atestado agora por ex-colegas de farda.

A gente lamenta, porque a política não é um espaço para a gente vomitar ódio, desrespeitar qualquer pessoa que seja, quanto mais uma corporação como a Polícia Militar. A política é um espaço para dialogar, saber respeitar as diferenças, encontrar consensos, construir consensos com o objetivo final de melhorar a vida do povo.

Esse comportamento dele, de se achar, de ter dificuldade em conviver não só com a diferença, mas coletivamente, aparece quando ele aponta que só ele é o político honesto, que só ele faz as coisas, desprezando todos os outros atores que constroem a política, não só de agora, mas historicamente no Estado.

Então, não é conduta de um homem público. A gente lamenta e está aqui para combater atitudes como essa na política do nosso Estado, que não somam.

“Ah, mas o senador traz emendas”. Emendas todos os senadores trazem. E muitas vezes a gente tem ouvido, e dialogado muito, sobre o papel do Senado Federal, que não pode se resumir a um espaço de distribuição de emendas.

A gente tem ouvido reclamações de gestores de que o senador chega com recurso sem conversar, sem combinar, sem ouvir a população, sem ouvir os gestores sobre qual é a prioridade daquele município. Não é assim que a gente enxerga e constrói a política no nosso estado.

DRN – Muitas pessoas dizem que foi um erro que ele cometeu. O próprio Coronel Azevedo disse que quem nunca errou que atire a primeira pedra, que o PT está fazendo festa com esse erro, tirando a fala de contexto, mas que ele faz um bom trabalho. Na sua opinião, Samanda, um bom trabalho justifica esse tipo de atitude?
Samanda – Nada justifica essa fala do senador no domingo, nem outras falas dele. É um senador que tem, inclusive, um discurso diferente da prática. Essa semana ele fez uma fala contra a misoginia no Senado Federal, mas a prática dele é outra.

É um senador que já quis justificar agressões contra uma mulher perguntando o que ela tinha feito para merecer aqueles tapas, inclusive perguntando se ela estava rezando.

Então, é um senador que tem uma postura misógina, que cresceu na política atacando pessoas, inclusive mulheres, como a professora Fátima Bezerra, com um discurso muitas vezes de ódio.

Não tem justificativa. E me estranha um deputado que também é coronel fazer uma fala em defesa do senador Styvenson, querendo justificar o desrespeito dele com a corporação da qual também fez parte.

DRN – A direita costuma dizer que o PT tem ódio da polícia e quer acabar com a polícia. O que você diz disso agora?
Samanda – Isso é mais uma mentira, uma fake news. Vamos lá: quem foi o governo que mais trabalhou pelas forças de segurança neste estado? Incluindo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica? Foi o governo da professora Fátima Bezerra, que é do PT.

Como é que o PT tem ódio da polícia, se o governo do PT no Rio Grande do Norte é o que mais tem fortalecido as forças de segurança? Isso é narrativa falsa, criada por quem não tem o que dizer ao povo do Rio Grande do Norte e precisa criar cortina de fumaça.

Estou aqui, inclusive, neste momento, em João Câmara. A governadora está entregando uma unidade do Corpo de Bombeiros para atender toda a região do Mato Grande. Ontem, entregou outra em Santa Cruz, para a região do Trairi.

Quando ela assumiu o governo, só existiam cinco unidades do Corpo de Bombeiros no estado. Hoje estamos inaugurando a 13ª.

E a gente sabe a importância do Corpo de Bombeiros, não só para apagar incêndio ou salvar alguém de afogamento, mas também para o desenvolvimento das cidades, fiscalização de construções, entre outras funções.

Hoje você não vê mais policial empurrando viatura por falta de combustível ou porque quebrou.

Toda a frota da segurança pública foi renovada no governo da professora Fátima Bezerra.

Foram 20 mil promoções. Nenhum governo teve tanto respeito com a polícia quanto o dela. Antes, você entrava como soldado e tinha dificuldade de ascender. Hoje isso mudou.

Quando ela assumiu, o RN era tratado como o estado mais violento do Brasil. Hoje é o mais seguro do Nordeste. Isso tem relação direta com o turismo e com a economia.

Então, o PT reconhece o papel da segurança pública. Investir nas forças de segurança é investimento estratégico para o desenvolvimento do nosso estado.


Compartilhe esse post

ROGÉRIO SILENCIA APÓS FLÁVIO TRATAR BRASIL COMO “SOLUÇÃO” PARA OS EUA

  • por
Compartilhe esse post

A declaração do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em um evento nos Estados Unidos, tratando o Brasil como “solução” para atender interesses estratégicos norte-americanos, provocou reações negativas no meio político, mas encontrou silêncio por parte de um dos seus principais aliados no país: o senador Rogério Marinho.

Responsável por coordenar a pré-campanha presidencial do filho de Bolsonaro, Rogério foi procurado pela reportagem para comentar o conteúdo da fala, mas não respondeu até o fechamento desta edição. Nos bastidores, a ausência de posicionamento é interpretada como uma tentativa de evitar desgaste diante da repercussão negativa.

O silêncio de Rogério Marinho chama atenção. Aliado direto e responsável pela articulação política da pré-campanha, o senador potiguar evita comentar uma fala que repercute negativamente inclusive entre setores que tradicionalmente defendem agendas nacionalistas.

Durante participação na Conservative Political Action Conference (CPAC), no último sábado (28), Flávio afirmou que o Brasil poderia ser peça-chave para os Estados Unidos reduzirem a dependência da China na importação de minerais críticos, especialmente as chamadas terras raras, insumos estratégicos para tecnologia e defesa.

“Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana torna-se impossível”, declarou o senador, ao defender que o Brasil poderia suprir essa demanda. A fala foi interpretada por críticos como alinhamento automático a interesses estrangeiros e até como uma postura considerada “entreguista” em relação a recursos estratégicos nacionais.

Além disso, Flávio Bolsonaro fez críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de ser “abertamente antiamericano” e de atuar contra interesses dos Estados Unidos em temas de política externa. Também afirmou que o governo brasileiro teria feito lobby para evitar a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, declaração que não foi acompanhada de provas no evento.

O discurso, voltado a uma plateia conservadora internacional, reforça o reposicionamento de Flávio como nome da direita para a disputa presidencial, mas também amplia o risco de desgaste interno ao tratar temas sensíveis como soberania nacional e exploração de recursos naturais.


Compartilhe esse post