
O aumento no número de acidentes com escorpiões no Rio Grande do Norte tem acendido o alerta das autoridades de saúde em 2026. Apenas entre janeiro e o início de março, o estado já registrou 858 ocorrências. Ao longo de todo o ano de 2025, foram contabilizados 5.756 casos.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), por meio do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), reforça as orientações à população sobre prevenção, identificação de sintomas e condutas adequadas em caso de acidentes.
O principal risco associado aos escorpiões está na sua peçonha neurotóxica, capaz de provocar desde dor intensa e sintomas locais até complicações graves e potencialmente fatais, sobretudo em crianças e idosos, que são mais vulneráveis. No Brasil, a espécie de maior preocupação é o escorpião-amarelo, Tityus serrulatus, reconhecido tanto pela potência do veneno quanto pela alta capacidade de adaptação a ambientes urbanos, o que contribui para o aumento dos casos em áreas residenciais.

Com a aproximação de períodos chuvosos, quando há aumento da presença de escorpiões, a Sesap reforça a importância da informação e da adoção de medidas preventivas. O atendimento rápido e a conduta adequada seguem sendo determinantes para reduzir riscos e evitar complicações mais graves.
De acordo com a Sesap, o atendimento inicial deve ser feito em unidades de pronto atendimento, onde os pacientes recebem os primeiros cuidados. Quando há indicação de soro antiescorpiônico, o encaminhamento é feito para uma unidade de referência. Os sintomas mais comuns após a picada incluem dor intensa no local, ardência e dormência. Em casos mais graves, podem surgir manifestações sistêmicas, como dor abdominal, náuseas, vômitos, sudorese e agitação. Crianças com até 10 anos e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis.
A recomendação é que, após qualquer acidente, a vítima procure atendimento médico imediato e também entre em contato com o Ciatox, que oferece orientação especializada por telefone em regime de plantão.
Vítima relata caso
A jornalista Angélica Hipólito vivenciou um episódio que ilustra a imprevisibilidade desse tipo de acidente. A picada ocorreu no ambiente de trabalho, durante uma situação comum do cotidiano.
“Fui vítima de um acidente com animal peçonhento, especificamente uma picada de escorpião, em uma sexta-feira que antecedia o Carnaval. O episódio ocorreu no meu ambiente de trabalho, durante uma reunião. No momento em que houve o alerta sobre a presença do animal, eu já havia sido picada”, relata.
Segundo ela, a dor foi imediata e incapacitante. “A picada foi na região do tornozelo e provocou dor intensa imediata, eu não conseguia apoiar o pé no chão e precisei ir ao pronto-socorro”, diz.
No atendimento, além do controle da dor, houve a adoção de medidas preventivas. “Foram administrados analgésicos e profilaxia antitetânica. Levei o escorpião até a unidade de saúde para identificação da espécie, o que auxiliou na avaliação do risco e na conduta médica”, explica.
Mesmo sem gravidade elevada, os sintomas persistiram por dias e impactaram a rotina. “A evolução do quadro incluiu dor aguda nas primeiras horas, seguida por dormência persistente na região afetada, que durou aproximadamente três ou quatro dias. Apesar disso, o caso foi considerado de baixa gravidade, mas gerou limitação temporária e preocupação, especialmente por coincidir com um período de viagem já programada”, recorda.
Orientações pós-acidente
A infectologista Mônica Bay reforça que a conduta correta logo após o acidente é essencial para evitar complicações. “A primeira medida é lavar o local da picada com água e sabão e procurar atendimento médico. É importante não fazer torniquete, não espremer a ferida e não manipular o local”, orienta.
Ela também chama atenção para sinais que indicam possível agravamento. “Inchaço no local, sangramento, dor intensa, dor de cabeça, tontura e urina escura são sinais de alerta. Nesses casos, o atendimento médico deve ser buscado imediatamente. Na dúvida, a recomendação é sempre procurar um serviço de saúde”, afirma.
A infectologista ressalta ainda que os escorpiões estão entre os principais responsáveis por acidentes no estado, especialmente em áreas urbanas, onde encontram abrigo e alimento com facilidade. “É fundamental adotar medidas preventivas simples, como verificar roupas e calçados antes de usá-los, evitar o acúmulo de lixo e entulhos e manter o controle de insetos, como baratas, que servem de alimento para esses animais”, explica.