
A vereadora de Natal, Thabatta Pimenta, será uma das palestrantes no Brazil Forum UK 2026, que acontece no mês de maio, na Universidade de Oxford, na Inglaterra. O evento reúne lideranças nacionais e internacionais de diferentes áreas, para discutir o papel do Brasil no cenário global, com foco em temas como desenvolvimento, democracia e redução das desigualdades sociais.
O convite à vereadora foi feito pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. Em entrevista ao Diário do RN, a parlamentar ressaltou o significado do convite: “Fiquei muito lisonjeada. É um fórum que reúne lideranças de todo o mundo, e representar o Rio Grande do Norte, o Nordeste e o Brasil nesse espaço será uma honra”, afirmou. Segundo ela, o convite também amplia a visibilidade de pautas que vem defendendo ao longo do mandato.
Thabatta integrará um painel sobre a participação feminina na política, que discutirá a sub-representação das mulheres nos espaços de poder e os desafios estruturais enfrentados por candidaturas femininas no Brasil. “É um debate necessário, e vou assumir essa responsabilidade com seriedade. É preciso entregar o melhor”, disse. Em tom mais leve, acrescentou: “É uma oportunidade importante, inclusive para o currículo da musa”.
Idealizado por pesquisadores e estudantes brasileiros no Reino Unido, o fórum se consolidou como um espaço plural de debate qualificado sobre questões centrais do país. Em 2026, o encontro terá como tema “Brasil: Líder de uma Nova Ordem Global – Diálogos para um Mundo Multipolar”, em um contexto de ano eleitoral, o que amplia a relevância das discussões sobre os rumos institucionais, econômicos e sociais do país.
Desafios em Brasília
Recém-filiada ao Partido Verde (PV), após deixar o PSOL, Thabatta projeta os desafios de uma eventual chegada à Câmara Federal em 2026. Ao tratar do tema, ela própria destaca o ineditismo de sua trajetória. “Serei a primeira travesti nordestina ocupando esse espaço, e isso, por si só, já traz enfrentamentos”, afirmou.
A vereadora avalia que o ambiente no Congresso ainda apresenta resistências a pautas ligadas à diversidade e inclusão. “Imagino enfrentar preconceito, sobretudo em debates mais sensíveis, como os direitos das pessoas com deficiência”, disse.
Como exemplo recente, citou a repercussão envolvendo a deputada federal Erika Hilton após ser eleita para a Secretaria da Mulher na Câmara. “Se já há esse nível de reação, é claro que haverá enfrentamentos”, avaliou.
Apesar disso, a parlamentar adota um discurso de enfrentamento. “Estou pronta para o debate.
Quem vier me atacar vai precisar lidar com a minha vivência e com a realidade que eu represento”, afirmou. Segundo ela, a atuação será pautada na experiência pessoal, especialmente como mãe atípica e defensora de políticas públicas voltadas à inclusão. “Eu chego com uma pauta que não é teórica, é vivida”, pontuou.
Reposicionamento político e chapa majoritária definida
Sobre a mudança de partido, ela classificou como um movimento difícil, mas necessário. “Foi complicado sair, mas no final deu tudo certo. Hoje estou em um espaço onde consigo dialogar melhor com o projeto que acredito”, afirmou.
Alinhada à Federação formada por PT, PV e PCdoB, ela também projeta crescimento da bancada. “Trabalhamos com a perspectiva de eleger três deputados com mais segurança e disputar uma quarta vaga”, disse.
Para o governo do Estado, declarou apoio ao pré-candidato Cadu Xavier. “É o nome alinhado ao presidente Lula, e é com esse projeto que eu sigo”, afirmou.
Na disputa para o Senado, no entanto, a vereadora adota uma posição que foge ao desenho tradicional da chapa. Ela defende abertamente o voto em duas candidaturas femininas. “Minhas senadoras serão mulheres, Zenaide e Samanda. Isso está definido e eu não abro mão”, declarou.
Segundo Thabatta, a escolha é política, mas também simbólica. “A gente precisa fortalecer a presença das mulheres nesses espaços. É uma decisão consciente”, disse. Ela também mencionou relações construídas ao longo da trajetória. “Zenaide sempre teve um olhar para me fortalecer, desde quando eu ainda era vereadora do interior. E vejo em Samanda uma candidatura importante neste momento”, acrescentou.
Mesmo com a possibilidade de a chapa governista indicar outro nome para o Senado, que pode ser o do ex-senador Jean Paul Prates ou do ex-deputado Rafael Motta, ela mantém a posição. “Posso caminhar com a federação, mas sem abrir mão do que acredito. Meu voto é nas duas mulheres”, reforçou. A decisão, segundo ela, já foi comunicada aos aliados.