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dezembro 17, 2025


IBGE MOSTRA QUEDA HISTÓRICA NOS CASAMENTOS E RECUO NOS DIVÓRCIOS

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Em 2024, o Rio Grande do Norte registrou 12.835 casamentos civis, número 111 inferior ao observado em 2023 e que confirma a tendência de queda iniciada em 2019. Em uma década, o recuo acumulado chega a 21,30%, segundo as Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume do último ano só não foi menor do que o de 2020, auge da pandemia de Covid-19, quando foram formalizados 10.019 casamentos no estado. Os dados consideram exclusivamente os registros feitos em cartórios de pessoas naturais.

O levantamento revela que a diminuição dos casamentos é mais acentuada entre jovens. Todas as faixas etárias entre 15 e 35 anos apresentaram redução proporcional ao longo da última década.

Em sentido oposto, cresce o peso dos casamentos entre pessoas com 35 anos ou mais, que passaram de 30,37% em 2014 para 46,64% em 2024, indicando uma postergação da formalização da união. Como resultado desse movimento, a taxa de nupcialidade legal no RN foi de 4,6 em 2024, a quinta menor do país. Isso significa que, a cada mil pessoas com 15 anos ou mais, apenas 4,6 se casaram formalmente no período. A média nacional foi de 5,6.

Entre os registros do ano passado, 1,37% corresponderam a casamentos entre pessoas do mesmo sexo, sendo 64 uniões entre mulheres e 111 entre homens. A maioria dos casamentos ocorreu entre pessoas solteiras, 80,02% do total, mas houve aumento proporcional dos recasamentos, quando ao menos um dos cônjuges era divorciado ou viúvo, passando de 7,74% em 2023 para 7,99% em 2024. O levantamento também identificou 84 casamentos entre brasileiros e estrangeiros, além da manutenção de dezembro como o mês mais procurado para oficializar uniões, embora com queda de participação, de 12,75% para 11,83%.

No mesmo período, o número de divórcios também caiu de forma significativa no Rio Grande do Norte. Em 2024, foram registrados 4.616 divórcios de casamentos heterossexuais, redução de 19,23% em relação a 2023, quando houve 5.715 dissoluções. Apesar da queda geral, os divórcios extrajudiciais, realizados diretamente em cartório, tiveram leve alta, passando de 497 para 517 casos. A maioria das separações judiciais ocorreu em casamentos com 26 anos ou mais de duração, seguidos pelos vínculos entre 10 e 14 anos. Uniões com até um ano representaram menos de 5% dos divórcios no estado.

Novo significado para casamento
Para a celebrante de casamentos Rosania Amaral, os números refletem uma mudança profunda no significado do casamento. Segundo ela, a formalização deixou de ser o ponto de partida da vida a dois e passou a representar um momento posterior, quando o relacionamento já está consolidado. “Hoje o casamento é visto como um ponto de chegada. Muitos casais já vivem juntos há anos, alguns já têm filhos, e só depois decidem oficializar”, afirma. Ela observa ainda que a união estável, registrada ou não em cartório, passou a competir diretamente com o casamento civil, reduzindo o público que antes tinha apenas essa opção para formalizar a relação.

Rosania também destaca transformações no perfil das cerimônias e nas motivações dos noivos.

“Vejo cada vez mais casamentos íntimos, com menos pompa e mais significado. Há uma valorização da personalização e uma consciência maior sobre o regime de bens e o planejamento financeiro”, diz. Para ela, o aumento dos casamentos após os 35 anos está ligado à busca por estabilidade econômica e emocional. “As pessoas chegam mais maduras, mais certas do que querem, o que reduz as chances de separação”, avalia, relacionando esse fator à queda nos divórcios.

Mudanças no comportamento à dois
Do ponto de vista comportamental, a psicóloga Keila Oliveira pondera que a redução dos divórcios não deve ser interpretada como um retorno à valorização do modelo conjugal tradicional. “Estamos vendo a consolidação de um novo jeito de viver à dois. A queda recente nos divórcios tem também uma explicação logística: houve uma demanda reprimida durante a pandemia, com cartórios fechados, que explodiu nos anos seguintes. Agora, esse fluxo foi absorvido”, explica. Segundo ela, a estagnação nos casamentos reflete uma tendência de longo prazo, marcada pela priorização da carreira, da autonomia financeira e da felicidade individual.

Keila avalia ainda que o casamento deixou de ser um imperativo social e passou a ser uma escolha tardia. “As pessoas não perderam o interesse em se relacionar, perderam o interesse na formalização precoce. O casamento virou um adicional de bem-estar, não a base da vida”, afirma.

Para a psicóloga, a menor tolerância a relações insatisfatórias e o maior acesso à terapia e à mediação contribuem para uniões mais conscientes, ainda que menos numerosas. “Os dados do IBGE mostram uma transição de valores, em que autonomia e satisfação pessoal pesam mais do que a tradição”, conclui.


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PEQUENOS NEGÓCIOS IMPULSIONAM ECONOMIA DO RIO GRANDE DO NORTE

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O dinamismo dos pequenos negócios marcou a economia do Rio Grande do Norte ao longo de 2025. Entre janeiro e novembro, o estado registrou crescimento contínuo do empreendedorismo, com aumento expressivo na abertura de empresas, saldo positivo em todas as regiões e impacto direto na geração de empregos. Os dados constam no Boletim dos Pequenos Negócios, elaborado pelo Sebrae-RN (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte) a partir de informações oficiais da Receita Federal e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), e confirmam o protagonismo do segmento no desenvolvimento econômico potiguar.

Atualmente, o RN contabiliza 271.634 pequenos negócios ativos, dos quais 209.273 são optantes do Simples Nacional. Esse conjunto formado por microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte responde por 36,6% do Produto Interno Bruto estadual e foi responsável por 96,23% dos empregos formais gerados no estado até outubro, consolidando-se como o principal motor da economia local.

Somente até novembro, foram registradas 51.733 novas empresas, sendo 97% pequenos negócios, o maior índice de participação desde 2020. No mesmo período, 28.633 empresas encerraram atividades, o que garantiu um saldo positivo de 22.351 novos empreendimentos, o melhor resultado dos últimos cinco anos. A Grande Natal concentrou 58,71% das aberturas, com 30.374 registros, mas o avanço se espalhou pelo interior. Regiões como Oeste, Agreste e Seridó apresentaram números expressivos, evidenciando a interiorização do empreendedorismo.

Para o gerente da Agência Sebrae Grande Natal, Thales Medeiros, os números refletem um ambiente cada vez mais favorável a quem decide empreender no estado. “O desempenho dos pequenos negócios em 2025 confirma uma tendência muito positiva no Rio Grande do Norte.

Observamos crescimento expressivo na abertura de novas empresas, saldo positivo em todas as regiões e participação decisiva na geração de empregos. Isso mostra que o potiguar está mais preparado, mais confiante e disposto a transformar ideias em negócios reais”, avalia.

Segundo ele, o volume de novas empresas abertas ao longo do ano reforça o papel estratégico do segmento. “Ter mais de 51 mil empresas abertas apenas entre janeiro e novembro, sendo a grande maioria pequenos negócios, revela que o empreendedorismo continua sendo uma das principais alavancas da economia do estado. Quando vemos que esses empreendimentos representam mais de 36% do PIB [Produto Interno Bruto] e respondem por mais de 96% dos empregos gerados, fica muito claro o protagonismo do setor”, afirma.

O setor de Serviços lidera entre os optantes do Simples Nacional, com 107.618 empresas, seguido pelo Comércio, com 69.902, e pela Indústria, com 18.243. Construção civil e agropecuária também apresentaram crescimento. O perfil das empresas recém-abertas reforça a característica do empreendedorismo local, negócios de pequeno porte, faturamento anual de até R$ 81 mil e até quatro empregados, mas com forte impacto na geração de empregos distribuídos por todo o território potiguar.

Histórias “fora da caixa”
Dentro das estatísticas, ganham destaque histórias de empreendedorismo fora dos modelos tradicionais. A microempreendedora individual Lee Medeiros encontrou no ambiente digital uma oportunidade de unir marketing, turismo e fortalecimento da economia local. Criadora da página @turistepelorn, no Instagram, ela atua divulgando roteiros turísticos, gastronomia e experiências no RN. “Eu escolhi empreender porque o marketing sempre fez parte da minha jornada, mas chegou um momento em que eu queria mais. Queria liberdade de tempo, autonomia e a oportunidade de transformar meu conhecimento em impacto real”, relata.

Segundo Lee, o trabalho também tem foco no fortalecimento de outros negócios, especialmente liderados por mulheres. “Acredito profundamente na força da economia local. Hoje sou embaixadora de uma página voltada ao empreendedorismo feminino e uso minha experiência para ajudar outras mulheres a se posicionarem, divulgarem seus serviços e crescerem com estratégia. Meu compromisso é impulsionar mulheres, fortalecer marcas locais e construir um ecossistema mais colaborativo”, afirma.

Outro exemplo é o de Cris Pink, conhecida nas redes sociais como a “Barbie Potiguar”, que soma quase 35 mil seguidores no Instagram. Influenciadora digital, ela transformou identidade e propósito em negócio. “Empreender não foi uma escolha de um dia para o outro, foi um chamado do coração. Eu queria viver da minha verdade, da minha criatividade e do meu jeito único”, conta.

Para Cris, criar conteúdo é mais do que estética. “É identidade, é propósito, é coragem. Meu negócio nasceu do desejo de transformar, emocionar e conectar pessoas”, resume.

Apoio do Sebrae/RN

Para dar suporte a trajetórias como essas, o Sebrae-RN tem ampliado sua atuação em todo o estado. De acordo com Thales Medeiros, o trabalho começa no acolhimento de quem deseja abrir ou formalizar um negócio e se estende a um conjunto de ações voltadas ao crescimento sustentável. “Atuamos de forma muito próxima aos empreendedores, com capacitações, consultorias, mentorias e ações práticas nas áreas de gestão, inovação, marketing e finanças”, explica.

Em 2025, o Sebrae intensificou o atendimento presencial e online, ampliou programas voltados a setores como comércio, serviços, turismo e construção, e reforçou parcerias com municípios e instituições financeiras. “Nosso objetivo é facilitar o acesso ao crédito, apoiar a digitalização e estimular a competitividade dos negócios locais. Os resultados mostram que esse esforço tem feito diferença para quem empreende no Rio Grande do Norte”, conclui o gerente.


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TOMBA FARIAS: “O ESTADO NÃO FAZ NÃO É PORQUE NÃO QUER, É PORQUE NÃO PODE”

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A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, nesta terça-feira (16), a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 em um ambiente raro de consenso entre oposição e base governista. A matéria foi votada em plenário sem apresentação de destaques, refletindo um processo de construção pautado pelo diálogo e pela conciliação, conduzido pelo relator do projeto, deputado estadual Tomba Farias (PL).

Parlamentar da oposição, Tomba adotou uma postura de entendimento com o Executivo, acatando sugestões do governo e priorizando a viabilidade fiscal do Estado. Ao comentar o relatório aprovado, o deputado destacou a rigidez do orçamento e as limitações enfrentadas pela administração pública estadual. “A folha do Estado hoje é de quase 70% daquilo que você arrecada. Deve dar aproximadamente R$ 17 bilhões só para a folha de pagamento. Então fica muito pouco para os investimentos. O Estado não pode caminhar com apenas 2% ou 3% para investir”, afirmou em entrevista à imprensa durante discussão do projeto.

Tomba fez uma avaliação sobre o cumprimento do teto de gastos e a situação financeira do governo: “A governadora acertou o teto de gasto com o STF e já descumpriu, mas às vezes não cumpre não é porque não quer, é porque não pode. A situação do Estado é muito difícil. O governo precisa botar os pés no chão e trabalhar com a realidade. De fevereiro para março, a folha pode ter um aumento de R$ 200 a R$ 300 milhões, fruto de planos aprovados pelo próprio governo”.

Ele pondera sobre a aprovação unânime destes projetos na Casa Legislativa, como o dos servidores da educação, da saúde, da segurança e o plano dos auditores fiscais.

“Se você perguntar por que a casa aprovou, é uma boa pergunta, mas a gente precisa dizer o seguinte: esse pessoal está 10 anos sem aumento Também não é justo. Se a governadora mandou, é porque tem de onde tirar. Nós citamos isso, nós nos preocupamos com isso, mas infelizmente, quando a gente senta nessa cadeira, a gente é cobrado e a coisa acontece de modo diferente”, admite.

Segundo o relator, não há solução fácil para o cenário fiscal. A situação do Estado exige responsabilidade e decisões difíceis.

“A receita do Estado está em torno de R$ 25 bilhões e a despesa em R$ 27 bilhões. Temos um déficit de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A gente se preocupou muito com o relatório porque não via solução simples. Cortar despesa de onde? Não tem de onde cortar”, pontuou.

O relator explicou que a construção do parecer passou por reuniões com o Executivo, a Comissão de Finanças e Fiscalização e lideranças da oposição. “Escutamos o governo do Estado, escutamos o governador que vai entrar, reunimos com a oposição e mostramos que a hora agora é de dar apoio para ver se o governo consegue fazer alguma coisa. Não acatamos emenda de deputado nenhum. As emendas que acatamos foram do próprio governo, todas documentadas. Eu, como relator, não coloquei emenda nenhuma para mim”, enfatizou.

Ele também apontou o déficit previdenciário como outro gargalo das contas públicas e mencionou discussões sobre alternativas de longo prazo. “Esse é o grande problema do Estado. Já se fala em parcelamento em 35 anos para dar um fôlego ao governo e permitir que o Estado respire”.

Para Tomba, o consenso alcançado é reflexo dessa condução. “Todos os deputados aceitaram. Depois de 13 ou 15 anos, conseguimos um consenso. Não vai ter destaque, hoje é só votar”, afirmou.

O líder do governo na Assembleia, deputado Francisco do PT, ressaltou ao Diário do RN, o espírito público do Parlamento na votação da matéria: “A aprovação pela Assembleia sem nenhum destaque demonstra que prevaleceu o diálogo e o espírito público do nosso parlamento. Ressalto o papel do relator Tomba Farias e a unanimidade alcançada na votação da LOA 2026”, declarou.

Francisco também argumentou sobre o déficit apresentado no orçamento e as medidas em curso para reduzi-lo. “A liberação pelo STF de R$ 850 milhões do PEF reduz em mais da metade essa diferença, aproximando receitas e despesas para o próximo ano. Outras iniciativas estão sendo buscadas junto à Justiça Federal, Ministério Público e outros órgãos, especialmente para enfrentar o déficit previdenciário”, explicou.

A LOA 2026 estima receita de R$ 25,67 bilhões e fixa despesas em R$ 27,21 bilhões, com$ 1,54 bilhão. O orçamento mantém forte rigidez fiscal, com grande concentração de despesas em Previdência, Educação, Saúde e Segurança, e limita a capacidade de investimento do Estado.

Ainda assim, assegura o cumprimento dos pisos constitucionais, fixa a reserva de contingência em R$ 294,6 milhões e consolida emendas parlamentares que somam mais de R$ 147 milhões.

Com a aprovação em plenário, o projeto, um dos principais instrumentos de planejamento financeiro do Estado, segue agora para sanção do Poder Executivo.


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ISOLDA DISPARA: “A GESTÃO ALLYSON É A QUE MAIS TEM DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO”

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As denúncias de superfaturamento na contratação da decoração natalina de Mossoró, feitas pelo vereador Cabo Deyvison, ganharam reforço político com as manifestações da deputada estadual Isolda Dantas (PT) e da vereadora mossoroense Plúvia Oliveira (PT). As duas parlamentares apontam um acúmulo de acusações contra a gestão do prefeito Allyson Bezerra (UB) e defendem apuração rigorosa por parte dos órgãos de controle e da Justiça.

Para Isolda Dantas, as suspeitas envolvendo a decoração de Natal não são um fato isolado, mas se somam a uma sequência de denúncias que marcam a atual administração municipal. “Denúncias têm muitas. Me parece que, nos últimos tempos, tem sido a gestão com maior número de denúncias formalizadas. Então, a gente pode dizer que é talvez a gestão que mais tem denúncia de corrupção de Mossoró nos últimos anos”, disse a deputada.

Isolda relembra outros episódios que, segundo ela, ainda carecem de esclarecimentos. “Essas denúncias do superfaturamento da decoração natal em Mossoró se somam a muitas outras.

Vamos lembrar do contrato da reforma da Praça de Convivência, que tem todas as dúvidas sobre aquele processo. Para completar, essa recente, que é a da propina de 5% em cima de um conjunto de contratos. Os vídeos liberados pela Justiça trazem empresários dizendo que a Prefeitura só pagaria se fossem ‘conversar’, e esse ‘conversar’ seria uma propina de 5%”, afirmou.

Sobre a decoração natalina, Isolda levanta dúvidas quanto à formação dos preços e à execução do contrato. “Há mais de 15 anos a Prefeitura usa aqueles mesmos arabescos nos postes. Muitas das peças usadas hoje são as mesmas de 10 ou 15 anos atrás, mas estão sendo cobradas como novas.

Está sendo pago a uma empresa para colocar a decoração quando, na verdade, quem coloca são os servidores da Prefeitura”, criticou. Para a deputada, o cenário exige resposta institucional: “A gestão de Allyson é permeada por denúncias e a Justiça precisa dar resposta ao povo do Rio Grande do Norte”.

Já a vereadora Plúvia Oliveira, que atua diretamente ao lado do vereador Cabo Deyvison, compondo a mesma bancada de oposição na Câmara de Mossoró, afirma que está analisando tecnicamente a documentação encaminhada pela Prefeitura à Casa Legislativa, mas aponta lacunas importantes. “Ele [Cabo Deyvison] está analisando toda a documentação. Eu fiz uma análise prévia também e fiz um requerimento porque, naquela documentação toda, estão faltando alguns documentos que eu quero analisar”, explicou.

A vereadora diz que, mesmo com o material incompleto, já foi possível identificar possíveis irregularidades. “Até onde a gente analisou, junto com o meu jurídico, tem irregularidades identificáveis, como o uso da COSIP, que é a contribuição de iluminação pública, uma taxa que não pode ser utilizada para ornamentação. Pela documentação recebida, comprova que ela foi usada para ornamentação”, disse, ressaltando que a COSIP deveria ser destinada exclusivamente à iluminação pública.

Segundo Plúvia, foram enviados o contrato, o termo aditivo e análises técnicas de habilitação, mas não a documentação considerada essencial para uma apuração completa. “O que não está atendido é a memória de cálculo, que traz as planilhas com pesquisas de preço, o controle oficial de quantidade, o valor real e a relação de contratos dos últimos cinco anos. A documentação que veio não atende isso”, afirmou. Para ela, os documentos que ainda não foram enviados “qualificam mais ainda a denúncia feita pelo Cabo Deyvison”.

As denúncias apresentadas pelo vereador apontam indícios de superfaturamento em até 170 itens que compõem a decoração natalina do Estação Natal, com percentuais que chegam a quase 800%, como no caso de papais-noéis de pelúcia e tubos utilizados na estrutura dos enfeites. De acordo com Cabo Deyvison, apenas em alguns itens analisados a diferença de preços já ultrapassaria R$ 150 mil.

As pelúcias de 20 centímetros foram compradas pela Prefeitura R$ 194. Segundo pesquisa do vereador, o produto custa no mercado R$ 22. De acordo com ele, foram adquiridas 400 unidades, o que totalizou R$ 77 mil. “Esse produto eu compraria por R$ 8.400. A Prefeitura comprou por R$ 77 mil”, reforçou. O superfaturamento, nesse caso, é de 781,8%.

Já os tubos utilizados na estrutura do Estação Natal, que custa no mercado R$ 89,74, foi comprado por R$ 640 pela gestão Allyson. O superfaturamento dos tubos é de 619,1%, de acordo com a denúncia do vereador.

No campo político, Plúvia também comentou as dificuldades para instaurar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara. “Nós assinamos seis vereadores: Jailson Nogueira, Mazinho, Marleide Cunha, eu, Cabo Deyvison e Wiginis do Gás. Mas hoje, com a mudança no regimento, se não tiver sete assinaturas, nem vai para o plenário. Isso torna o processo menos transparente”, criticou. Segundo ela, a mobilização agora é para conseguir mais uma assinatura e viabilizar a comissão.


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WALTER REAFIRMA APOIO A LULA, MAS DIZ QUE CENÁRIO NO RN SEGUE INDEFINIDO

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Em entrevista ao Diário do RN, o vice-governador e presidente estadual do MDB, Walter Alves, deixou claro que o alinhamento do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está consolidado no plano nacional, especialmente no Nordeste. No entanto, ao tratar do palanque no Rio Grande do Norte para 2026, Walter foi cauteloso e afirmou que ainda não há qualquer definição, ressaltando que o MDB segue em fase de escuta interna e que “tudo pode acontecer”.

“O alinhamento do PT com o presidente Lula, isso aí já está consolidado, do MDB do Nordeste”, afirmou. Segundo ele, a discussão agora se concentra no cenário local. “Com relação ao palanque estadual, a gente vai conversando. Eu estou, na verdade, escutando o MDB”, pontuou.

Walter destacou o peso do partido no Estado e reforçou que nenhuma decisão será tomada de forma isolada. “O MDB tem mais de 40 prefeitos. Nós estamos conversando com o presidente da Assembleia, Ezequiel [Ferreira], para tomarmos uma atitude, uma decisão no momento certo”, disse. Questionado sobre quando seria esse “momento certo”, foi direto: “Não está definido”.

De acordo com o vice-governador, a principal preocupação, neste momento, passa pela formação das nominatas e pelo fortalecimento da legenda. “A preocupação nossa é com as nominatas”, resumiu.

Ele reforçou que o processo passa por diálogo amplo. “A gente vai conversar, está escutando os deputados, vai conversar com a governadora, vai conversar com todo mundo, para definir que rumo o MDB vai tomar na sucessão”, afirmou, confirmando que pretende se reunir com a governadora Fátima Bezerra (PT) e com o presidente da Assembleia Legislativa.

“Vou conversar eu, ela e Ezequiel. Não tem data marcada não. Eu estou conversando com todos os prefeitos, escutando qual o sentimento que o partido quer, para a gente tomar a decisão. Hoje, o MDB está fechado com Lula, mas não há definição sobre a sucessão estadual”, explicou.

Walter Alves também frisou que precisa ouvir as bases do partido antes de qualquer encaminhamento. “Eu tenho que escutar os prefeitos. Eu não posso tomar uma atitude sem consultar os prefeitos, os deputados que já têm alinhamento conosco”, declarou. Ao ser provocado se descartaria algum caminho político, respondeu: “Depende do grupo. Eu sou apenas intérprete do grupo”.

Indagado sobre possíveis alianças, seja com o campo governista, representado por Cadu Xavier e a governadora Fátima Bezerra (PT), seja com a oposição, em torno do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e da senadora Zenaide Maia (PSD), Walter manteve o discurso aberto.

“Depende do grupo”, repetiu.

A posição em relação ao apoio ao presidente Lula ficou evidenciada também em um vídeo publicado no Instagram, durante encontro com o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).

Na gravação, ao agradecer pela duplicação da BR-304, Walter faz questão de associar a obra ao governo federal. “Estamos aqui com o nosso ministro Renan, ministro do nosso MDB, e aqui, ministro, agradecer a tão sonhada obra de tantos e tantos anos, que a duplicação da 304 está aí.

Próximo ano está começando a duplicação, a obra importante do nosso MDB e do nosso presidente Lula. Parabéns, ministro. Obrigado aí. O Rio Grande do Norte agradece”, disse, referindo-se a Lula como “nosso presidente”.

No final de novembro, Walter Alves esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, acompanhado do deputado estadual Dr. Bernardo (PSDB), que deve migrar para o partido. Na ocasião, Walter sinalizou que a expectativa de assumir o Governo do Estado em caso de renúncia da governadora Fátima Bezerra, a partir de abril, pode não se concretizar. A avaliação, segundo informações de bastidores, leva em conta uma análise detalhada da situação financeira do Estado.

Além disso, Walter Alves já declarou publicamente que, neste momento, se posiciona no centro do espectro político. “Se eu pudesse escolher, hoje, Ezequiel, eu ficava sabe aonde? No centro. Nem esquerda, nem direita. A gente é centro”, afirmou recentemente, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, sinalizando um distanciamento do eixo governista liderado pelo PT e abrindo espaço para novas articulações com vistas às eleições de 2026.


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