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maio 6, 2026


CARLOS EDUARDO, APÓS SER RIFADO: “NÃO TENHO ENTUSIASMO PARA A CAMPANHA”

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A decisão do União Brasil de não bancar a candidatura de Carlos Eduardo ao Senado, que vinha sendo construída nos bastidores há meses, caiu como um balde de água fria no ex-prefeito de Natal. Cotado para ser o segundo nome na chapa majoritária do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, que já conta com a pré-candidatura da senadora Zenaide Maia, Carlos viu o projeto ruir na reta final. Em entrevista ao Diário do RN, o ex-prefeito resume o sentimento em poucas palavras, mas carregadas de frustração. “Foi uma surpresa pra Zé Agripino, foi uma surpresa pra Allyson e uma surpresa maior pra mim, muito desagradável, muito triste”, disse, ao relatar como recebeu a notícia de que não teria recursos partidários para entrar na disputa.

Segundo ele, a negativa não passou por falta de viabilidade eleitoral, mas financeira. “Deixar de ser candidato não por insuficiência eleitoral, mas por falta de recurso do partido. Não tem cota, não tem uma cota, nem duas, nem três, nem quatro cotas para senador”, afirmou, criticando a decisão da direção nacional do União Brasil, que priorizou outras candidaturas, como governador e deputado federal.

A frustração é ampliada pela percepção de que havia espaço político para sua candidatura: “Como é que um partido não vai ocupar uma vaga de senador?”, questionou, ao defender que poderia representar uma lacuna no cenário eleitoral. “Onde o cenário tá fragilizado, porque Zenaide não tem identidade com Natal. E eu seria essa identidade”, completou, em tom de crítica ao desenho atual da disputa.

Além disso, Carlos afirma que chegava ao momento decisivo respaldado por avaliações de bastidores que indicavam competitividade e reforçava a viabilidade da candidatura.

Segundo Carlos Eduardo, a decisão do partido foi comunicada pelo pré-candidato Allyson Bezerra que, de acordo com ele, participou de uma série de diálogos com o diretório nacional até receber a negativa de que a legenda não dispõe de recursos para campanha ao Senado no Rio Grande do Norte. O posicionamento foi formalizado por Carlos por meio de nota.

Apesar de reafirmar apoio político, o ex-prefeito deixa claro que o episódio impactou diretamente seu ânimo. “Eu vou votar em Allyson. Minha família vai votar em Allyson. Mas eu, nesse momento, eu não tenho nenhum entusiasmo, nenhuma disposição”, afirmou, na entrevista ao Diário do RN, sinalizando um afastamento da linha de frente da campanha.

Ao ser provocado sobre eventual participação no processo eleitoral, foi ainda mais direto. “Hoje eu não tenho disposição pra decidir nada. Não tenho disposição pra decidir nada, se vou participar ou não. Eu tô recluso”, disse, ao descrever um momento de recolhimento pessoal e político.

O desabafo também revela o contraste entre expectativa e realidade. “Você vai construindo e começa a sonhar. Achar que as coisas vão dar certo. Eu tava animado. Aí o resultado final foi esse”, relatou, ao admitir o impacto emocional da decisão.

Zenaide já sinalizava indisposição e cautela sobre segunda vaga

Antes mesmo da confirmação de que Carlos Eduardo ficaria fora da disputa, a senadora Zenaide Maia, candidata à reeleição, já adotava um tom cauteloso sobre a formação da chapa. Em entrevista concedida à RN Urgente, da Band Natal, na noite desta segunda-feira (04), a parlamentar indicava que ainda não havia consenso sobre a necessidade de um segundo nome.

“Acho que hoje não sei se valeria a pena ter um segundo candidato. Dependendo se vier a agregar”, afirmou, deixando claro que o tema ainda estava em discussão interna.

Zenaide também ressaltou o caráter coletivo das decisões políticas no grupo. “Eu sou muito democrática nisso. Eu ouço, eu vejo. Os outros partidos também têm presidente”, disse, sinalizando que a definição dependeria de uma construção conjunta.

A declaração acabou reforçando o que já vinha sendo ventilado nos bastidores: a resistência ao nome de Carlos Eduardo dentro do grupo. Comentários internos apontavam que tanto a senadora quanto o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado, não viam com entusiasmo a entrada de Carlos Eduardo na disputa, cenário que se confirmou com a reconfiguração da chapa ao Senado. Os bastidores revelam ainda que teria havido veto do casal que comanda o PSD no RN ao nome de Carlos Eduardo e esse veto teria sido o motivo que evitou que o ex-prefeito recebesse aval do União Brasil para ser candidato ao Senado.


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