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OS CAMINHOS DE ALLYSON, CADU DE LULA E ÁLVARO NA DISPUTA PELO GOVERNO DO RN

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A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte chega aos últimos dias antes do primeiro turno com três candidaturas que nasceram de circunstâncias políticas bastante diferentes. Allyson Bezerra (União Brasil) construiu seu projeto a partir da força eleitoral acumulada em Mossoró; Álvaro Dias (PL) entrou na corrida após a desistência de Rogério Marinho; e Cadu Xavier (PT) tornou-se a alternativa governista em meio à ruptura com o vice-governador Walter Alves (MDB).

As trajetórias também foram diferentes durante a campanha. Allyson precisou administrar o impacto da Operação Mederi, Álvaro enfrentou o distanciamento de Rogério, enquanto Cadu buscou superar o baixo conhecimento inicial e terminou a campanha em um patamar superior ao registrado no começo da corrida eleitoral.

Allyson: de Mossoró para a disputa estadual
A candidatura de Allyson começou a ser construída muito antes de 2026. Em 2020, ainda deputado estadual, ele derrotou Rosalba Ciarlini na disputa pela Prefeitura de Mossoró. Quatro anos depois, foi reeleito com 113.121 votos, equivalentes a 78,02% dos votos válidos, consolidando uma base eleitoral que o projetou para a disputa estadual.

A avaliação de sua administração também alcançou índices superiores a 80% em levantamentos realizados no município. Com esse capital político, Allyson passou de uma liderança do Oeste a pré-candidato competitivo ao Governo.

Ao longo de 2026, manteve-se entre os primeiros colocados nas pesquisas, mas enfrentou seu momento mais delicado com as repercussões da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal sobre suspeitas envolvendo contratos de fornecimento de medicamentos. O candidato negou as irregularidades.

Na reta final, passou a concentrar ataques dos adversários, mas continuou aparecendo numericamente à frente nos levantamentos recentes. Sua campanha buscou preservar a identidade estadual e municipal construída a partir de Mossoró, sem se vincular de forma central à polarização presidencial.

Álvaro: uma candidatura que nasceu da desistência de Rogério
Álvaro Dias percorreu caminho diferente. O projeto do PL para o Governo inicialmente tinha Rogério Marinho como candidato. Em janeiro, porém, o senador desistiu da disputa para assumir a coordenação nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A saída abriu espaço para Álvaro. Então no Republicanos, o ex-prefeito de Natal deixou a legenda e ingressou no PL para assumir o projeto eleitoral do grupo.

O apoio de Rogério foi determinante na origem da candidatura, mas a relação ganhou outro contorno durante a campanha. Com o senador dedicado à eleição presidencial, Álvaro enfrentou um período de menor participação de seu principal articulador estadual justamente quando precisava ampliar sua presença no interior.

Na reta final, a candidatura buscou reforço diretamente no palanque nacional. Flávio Bolsonaro gravou mensagens de apoio e esteve em Natal, onde participou de mobilizações ao lado de Álvaro e pediu votos para o candidato do PL. A estratégia passou a explorar de maneira mais direta a identificação com o eleitorado bolsonarista.

Cadu: de desconhecido à segunda colocação
Cadu Xavier chegou à disputa em meio a uma reorganização do grupo governista. O desenho inicial previa que Fátima Bezerra deixasse o Governo para disputar o Senado e que Walter Alves assumisse o Executivo. O vice-governador, porém, decidiu não assumir o cargo e rompeu politicamente com o grupo petista. Fátima permaneceu no Governo, e Cadu, então secretário estadual da Fazenda, tornou-se o nome do PT para a sucessão.

O principal desafio era o baixo conhecimento eleitoral. Em levantamento DataVero/Diário do RN de outubro de 2025, Cadu aparecia com 4,11%. Durante a campanha, o PT passou a apresentá-lo como “Cadu de Lula”, associando diretamente sua candidatura ao presidente da República e à governadora.

A campanha também conviveu com uma participação menos destacada de Natália Bonavides em Natal, justamente onde a deputada havia chegado ao segundo turno da eleição municipal de 2024. Em contrapartida, Cadu contou com participação direta de Fátima e com o apoio público de Lula, que sempre apareceu como líder na corrida presidencial em todas as pesquisas.

Essa associação acompanhou seu crescimento nas pesquisas. Na rodada DataVero/Diário do RN de 10 de setembro, Cadu alcançou 28,28% no cenário com apoios, contra 4,11% no levantamento de outubro de 2025. Na mesma rodada, Allyson registrou 35,18% e Álvaro, 23,11%.

Assim, os três chegam aos últimos dias por caminhos distintos: Allyson tentando preservar a posição construída desde Mossoró diante do desgaste provocado pelas investigações; Álvaro apostando na vinculação com Flávio Bolsonaro para reforçar a mobilização; e Cadu buscando transformar o crescimento registrado ao longo da campanha em votos importantes na reta final.


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