Início » CAMPANHA POTIGUAR REAGE À FEBRE DAS BETS E ALERTA PARA RISCOS DO VÍCIO

CAMPANHA POTIGUAR REAGE À FEBRE DAS BETS E ALERTA PARA RISCOS DO VÍCIO

  • por
Compartilhe esse post

O crescimento acelerado das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas, artistas e representantes da sociedade civil. Em resposta aos impactos provocados pelo vício em apostas, como endividamento, conflitos familiares e transtornos mentais, o jornalista, colunista social e produtor de eventos Chrystian de Saboya lançou no Rio Grande do Norte a campanha “Dê um block no Tigrinho”, iniciativa que reúne mais de 30 artistas potiguares em um movimento de conscientização sobre os riscos associados às chamadas bets.

Chrystian de Saboya é o idealizador da campanha no Rio Grande do Norte – Foto: Reprodução

Segundo Chrystian de Saboya, o projeto nasceu da necessidade de dar visibilidade a uma realidade que tem atingido milhares de brasileiros.

“A dor do outro, o sofrimento daqueles que perderam tudo, os jovens viciados, as famílias destruídas em função dos jogos de azar: tudo isso tocou profunda e verdadeiramente o meu coração e por isso eu resolvi fazer essa campanha”, afirma.

A iniciativa potiguar integra uma mobilização nacional criada pelo coletivo 342 Artes e articulada pela produtora Paula Lavigne. A campanha reúne nomes consagrados da cultura brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan e Anitta, que defendem maior conscientização sobre os efeitos das apostas online e da publicidade do setor.

No Rio Grande do Norte, a mobilização ganhou características próprias. De acordo com Saboya, artistas da capital e do interior aderiram rapidamente ao projeto.

“São mais de 30 artistas do Rio Grande do Norte. Da capital e do interior do Estado também. Eu liguei para todos eles e a adesão foi imediata. Foi exatamente um mês entre os primeiros telefonemas dados e os últimos vídeos recebidos. Em seguida meu escritório fez a edição”, relata.

Para o idealizador, a campanha vai além da conscientização e busca chamar a atenção das autoridades para um problema que considera crescente.

“A campanha é, também, um grito de basta. Prevenir sim, mas também abrir o olhar das autoridades em função de um problema que está adoecendo e matando o Brasil. É um alerta, mas também uma declaração de amor e de respeito ao ser humano que está sofrendo muito com essa dor”, enfatiza.

A cantora potiguar Lene Macêdo, explica que campanhas como essa, ajudam a alertar o governo para a criação de políticas mais duras nas redes sociais para evitar a divulgação de jogos de azar.

“Bem, como artista e figura pública aqui no RN, prefiro estar ao lado de quem tenta frear esse tipo de jogo e não divulgar, já que acho que se trata de um problema social grave. A promessa de dinheiro fácil atrai pessoas com dificuldades financeiras, que acabam com endividamento na tentativa de aumentar a renda familiar. Gera vício e morte, em casos severos. As campanhas ajudam a alertar o governo para a criação de políticas mais duras nas redes sociais quanto a disseminação desse tipo de mídia que estimula e divulga jogos de azar”, afirma Lene.

“Prefiro estar ao lado de quem tenta frear esse jogo”, Lene Macêdo – Foto: Reprodução

Para a artista Lídia Quaresma, a campanha é uma “corrente de conhecimento” que pode contribuir para eliminar o vício.

“Acho importante conscientização sobre qualquer situação que gere vício. E essa, em especial, está atingindo de forma devastadora a ponto de tirar as necessidades básicas dos atingidos. Falar e fazer pensar faz com que o maior número de pessoas escute e crie uma corrente de conhecimento. E nesse caso saber é o princípio de todo o processo de caminho à eliminação dessa roda do vício”, esclarece a artista potiguar.

A campanha é uma “corrente de conhecimento”, Lídia Quaresma – Foto: Reprodução

De acordo com psicólogo Renato Rosa, a dependência nos jogos de azar gera graves transtornos para a saúde do apostador. “Pode ter prejuízo no seu sono, ela pode ter prejuízo na socialização, a perda financeira tem um impacto muito profundo porque normalmente, essa perda financeira ela vai impactar outras pessoas, inclusive a própria família”, diz.

O advogado Wendrill Cassol explica que um outro aspecto vinculado aos jogos de azar, são as propagandas enganosas. Nesse caso, Wendril esclarece que o próprio Código de Defesa do Consumidor, no artigo 37, que proíbe a publicidade capaz de induzir ao erro e também pela Lei das Bets, a Lei 14.790 de 2023, fiscalizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, SPA.

“Na prática, é enganosa a propaganda que insinua que apostar é caminho de renda, que mostra só os ganhadores e esconde a chance real de perda, ou que oferece aquele bônus de cadastro famoso, hoje proibido para as casas autorizadas, porque a lei veda promoções ou bônus que incentivem o jogo excessivo. Quando um influenciador ou plataforma promete multiplicar dinheiro fácil, não é só marketing agressivo, é ilícito de consumo, e a responsabilidade pode alcançar até quem divulgou”, esclarece.

Os impactos para o apostador, como destacado pelos especialistas, vão além do financeiro. Encontrar apoio da família ou de uma comunidade é o primeiro passo para a recuperação. Em Natal, é possível encontrar esse apoio através do Grupo de Jogadores Anônimos (JA). As reuniões presenciais acontecem no bairro de Candelária, próximo à OAB, localizado na Rua Domingos Amado, 3393-D, Candelária.


Compartilhe esse post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *