
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e tem apenas um dia de descanso, começou a tramitar na Câmara dos Deputados em meio a uma forte disputa política e econômica. O tema ganhou tração no Congresso e nas redes sociais e deve se tornar uma das principais bandeiras do debate eleitoral de 2026.
Para o deputado federal Fernando Mineiro (PT), a reação contrária à proposta é parte de uma campanha política liderada por setores conservadores.
“A campanha pelo fim da jornada 6×1 está cada vez mais forte nas ruas e nas redes. Por outro lado, há uma ofensiva contra o projeto liderada por um segmento do setor empresarial ultraconservador, resistente aos avanços sociais, com o apoio da mídia e de parte da classe política conservadora”, afirmou o parlamentar ao Diário do RN.
Mineiro direcionou críticas especialmente ao campo político ligado ao bolsonarismo e citou o senador potiguar Rogério Marinho (PL) como um dos opositores da proposta.
“Os representantes da extrema direita no Congresso Nacional, como sempre, trabalham contra o povo. Líder do bolsonarismo no Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho é um dos adeptos da política do medo”, disse.
O deputado também relembrou debates históricos sobre direitos trabalhistas para defender a proposta. Segundo ele, os argumentos usados contra a mudança repetem discursos antigos.
“Quando o bolsonarismo fala, lembro das campanhas difamatórias contra o reajuste do salário mínimo e a criação do 13º salário, durante o governo João Goulart. Os argumentos eram parecidos: as empresas vão quebrar e a inflação vai subir. É a mesma política do medo usada agora pela extrema direita, 70 anos depois”, declarou.
Mineiro concorda que a discussão sobre a jornada de trabalho também terá impacto direto na disputa política nacional: “A máquina de desinformação bolsonarista segue fabricando mentiras.
Por isso, a eleição para a Câmara e o Senado é tão importante quanto eleger Lula pela quarta vez.
Precisamos de um Congresso que trabalhe em defesa do povo, e não contra o Brasil”, completou.
A proposta ganhou força no Congresso após ser abraçada por setores da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por movimentos sociais que defendem mais tempo de descanso e qualidade de vida para os trabalhadores.
A pauta começou a ganhar visibilidade com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado pelo vereador carioca Rick Azevedo (PSOL), e ganhou forma legislativa com uma PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro de 2025. O texto propõe jornada semanal de até 36 horas, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
Mesmo entre defensores da mudança, porém, há consenso de que o Congresso pode adotar uma redução mais gradual da carga horária. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, por exemplo, já defendeu publicamente uma transição para jornadas de até 40 horas semanais.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a proposta pode ser votada em plenário ainda em maio.
“esse governo safado quer quebrar o país”, dispara general girão
O debate também provocou reação entre parlamentares da oposição. Para o deputado federal General Girão (PL), a proposta pode provocar efeitos negativos na economia e no mercado de trabalho. Ele é um dos que devem atuar contra o projeto.
“O tema é complexo. Mexe com os empregos. Dependendo de como for feito, poderá gerar um desemprego em massa”, afirmou o parlamentar ao Diário do RN.
Girão argumenta que mudanças bruscas na jornada de trabalho podem elevar custos para empresas e afetar diretamente o preço de produtos e serviços. Na avaliação do deputado, a proposta tem motivação política e seria utilizada como estratégia eleitoral pelo governo federal.
“Quanto aos órgãos privados, isso vai causar danos no preço final de tudo: serviços, alimentos e tudo mais. Essa regra não pode ser aplicada sem prever os danos ao emprego. Esse governo safado quer quebrar o país. Aplicará a teoria do quanto pior, melhor”, criticou.
A resistência à proposta também é compartilhada por lideranças partidárias e representantes do setor empresarial. Presidentes de partidos como PL e União Brasil já indicaram, na esfera nacional, que devem atuar para atrasar a tramitação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, avaliando que a pauta possui forte apelo popular e poderia ganhar força caso seja votada em ano eleitoral.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisa ser aprovado em dois turnos na Câmara e no Senado, com o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares, para entrar em vigor.
O Diário do RN buscou todos os nomes da bancada potiguar no Congresso Nacional. O deputado federal Sargento Gonçalves (PL) afirmou, através da assessoria de imprensa, que só vai se pronunciar com o andamento do projeto na Casa. Os demais não retornaram até o fechamento da edição.