Um novo olhar começa a se consolidar no Novembro Azul neste ano de 2025. Além da já conhecida e necessária discussão sobre o câncer de próstata, a campanha nacional expande seu foco para um tema urgente e ainda pouco enfrentado: a saúde mental dos homens.
Os números reforçam a gravidade da situação. Em 2021, o Brasil registrou 15.507 mortes por suicídio, sendo 12.072 de homens — o equivalente a 78% dos casos. A taxa de mortalidade masculina por suicídio quase dobrou nos últimos anos, saltando de 6,5 para 11,3 óbitos por 100 mil habitantes, revelando um risco crescente e silencioso.
O movimento de ampliação do Novembro Azul parte do entendimento de que o sofrimento emocional masculino permanece mascarado por normas culturais que associam vulnerabilidade à ideia de fraqueza. Entre as dificuldades mais citadas por especialistas, estão o receio de pedir ajuda, o distanciamento de serviços de saúde mental e o desconhecimento sobre sinais de adoecimento.
A campanha nacional reforça três eixos de alerta: Suicídio e depressão masculina, ainda subestimados; pressões sociais que impedem o pedido de ajuda; transtornos neuropsicológicos subdiagnosticados, como TDAH, alterações executivas e dificuldades de regulação emocional.
Embora pesquisas indiquem uma prevalência de cerca de 4% de depressão entre homens brasileiros, especialistas destacam que esse número pode ser maior, já que muitos não procuram atendimento ou não reconhecem alterações emocionais como um problema de saúde.
Para a neuropsicóloga Tatiana Assunção, romper esse ciclo exige mudança cultural: “Por muito tempo se ensinou aos homens que sentir é fraqueza. Essa lógica afasta muitos deles do cuidado e os expõe a riscos sérios. Buscar ajuda não diminui ninguém — ao contrário, é um passo firme em direção à vida”, afirma.
Além dos transtornos emocionais, condições neuropsicológicas também passam despercebidas, afetando o comportamento, a atenção e o funcionamento cognitivo de muitos homens. A avaliação especializada funciona como uma importante ferramenta para identificar esses quadros e orientar intervenções adequadas.
A ampliação do Novembro Azul chega, portanto, como um convite à reflexão e à ação: saúde masculina não se resume ao corpo físico — também exige cuidado com a mente.
A vereadora Brisa Bracchi (PT) protocolou, nesta terça-feira (25), uma denúncia por “violação gravíssima ao decoro parlamentar e prática inequívoca de infração político-administrativo incompatível com o exercício da função legislativa” contra o vereador Matheus Faustino (UB), na Câmara Municipal de Natal. No documento, entregue ao presidente da Casa, Érico Jácome, ela pede a abertura de uma Comissão Especial para apurar as declarações em que o parlamentar afirma que houve “venda de sentença” envolvendo decisões judiciais que suspenderam a votação de sua cassação.
A iniciativa ocorre após o processo movido contra a própria Brisa ter sido arquivado por determinação judicial. Na semana passada, decisões proferidas por mandados de segurança suspenderam a votação marcada pela Câmara ao reconhecerem que o prazo mínimo de 72 horas para intimações, previsto no Regimento Interno, não havia sido respeitado.
Após essas decisões, segundo Brisa, Matheus Faustino passou a repetir, em diferentes ocasiões, que o Judiciário potiguar teria sido corrompido para beneficiá-la. De acordo com a parlamentar, as declarações atingem não somente o juiz Artur Cortez Bonifácio e os desembargadores Dilermando Mota e Cornélio Alves, que proferiram as decisões, mas também ela.
“O denunciado atribuiu diretamente à colega de Legislatura a prática de corrupção e compra de sentença, conduta típica prevista na legislação penal, sem que exista qualquer processo, investigação, indício ou fato minimamente verificável que sustente tal acusação”, diz em trecho do pedido endereçado ao presidente da Câmara, Ériko Jácome (PP).
A vereadora afirma que o colega utilizou discursos em plenário, entrevistas dentro da Câmara e declarações em rádio e plataformas digitais para sustentar que magistrados teriam “vendido” decisões relacionadas ao caso.
Na denúncia, Brisa sustenta que as declarações configuram calúnia, ao atribuir falsamente crimes previstos na legislação penal sem apresentar qualquer indício ou documento que justifique as acusações. Ela argumenta que as falas extrapolam os limites da crítica política e representam uso indevido do mandato para atacar a honra de autoridades públicas, descredibilizar o Poder Judiciário e disseminar suspeitas infundadas sobre a atuação das instituições.
A vereadora afirma ainda que o comportamento de Faustino viola o decoro parlamentar e afeta a credibilidade da Câmara Municipal, ao induzir a população a crer que decisões judiciais legítimas teriam sido compradas. Para ela, o episódio caracteriza infração político-administrativa nos termos do Regimento Interno, por ferir a moralidade, a probidade e a urbanidade exigidas do agente público.
No pedido, Brisa solicita que a denúncia seja lida em plenário e submetida à votação sobre seu recebimento. Caso aprovada, ela requer a formação de uma Comissão Especial para instrução do processo, com anexação de vídeos, áudios e demais registros das falas de Matheus Faustino. Ao final, pede a cassação do mandato do vereador por entender que houve violação grave e incompatível com o exercício da função legislativa.
“As acusações feitas pelo vereador Matheus Faustino representam uma flagrante quebra de decoro. São declarações graves, de caráter criminoso, direcionadas contra o nosso mandato e não poderiam ficar sem resposta. Não se trata de revanchismo, mas de justiça. O vereador precisa entender que nosso mandato merece respeito e que nenhum parlamentar está acima da lei ou da própria Câmara. Assim como nós, ele também deve responder pelas suas condutas e pelas acusações que faz”, declarou Brisa ao Diário do RN.
AMARN A Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte (Amarn) poderá adotar medidas contra o vereador Matheus Faustino, sobre suas declarações públicas. O presidente da Amarn, juiz Arthur Cortez, afirmou ao Diário do RN, que a entidade discute internamente uma eventual resposta institucional às falas do vereador.
Faustino apresenta nova denúncia contra Brisa O vereador Matheus Faustino, por sua vez, protocolou, também na manhã desta terça-feira (25), um novo pedido de cassação contra a vereadora Brisa Bracchi (PT), ampliando as acusações que antes motivaram o processo agora arquivado pela Justiça. Segundo ele, as decisões recentes do Tribunal de Justiça, que suspenderam a votação marcada pela Câmara, deram “diretrizes claras” sobre o rito a ser observado, o que permitiria à Casa conduzir um novo procedimento “sem margem para interpretações”.
“A Câmara agora tem condições de conduzir todo o trâmite sem risco de anulação. Por isso protocolei um pedido ainda mais robusto, com novos objetos. Brisa não pode ficar impune pelo uso errado de suas emendas”, declarou Faustino.
No novo documento, o vereador afirma que Brisa teria cometido infrações político-administrativas e quebra de decoro parlamentar ao organizar e promover o evento “Rolê Vermelho”, descrito por ele como um ato de mobilização ideológica e político-partidária realizado com o peso institucional do mandato; e ao destinar emendas parlamentares para eventos culturais que posteriormente passaram a cobrar ingressos, o que, segundo ele, configura desvio de finalidade.
A denúncia enquadra os fatos nos artigos 121, 126 e 127 do Regimento Interno e afirma que a cassação seria a “única resposta possível”, por entender que medidas mais brandas não restabeleceriam a confiança pública.
O pedido também reitera o rito que deve ser seguido, respeitando prazos e procedimentos definidos pelo Regimento e pelo Decreto-Lei 201/67, pontos que motivaram a suspensão do processo anterior. Faustino solicita que a denúncia seja lida em plenário, submetida ao recebimento, seguida do sorteio da Comissão Processante e da realização de instrução completa até a votação final, que exige maioria qualificada de dois terços.
O secretário-chefe do Gabinete Civil do Rio Grande do Norte, Raimundo Alves, rebateu nesta terça-feira (25) as informações divulgadas nos bastidores políticos de que o vice-governador Walter Alves (MDB) estaria avaliando não assumir o Governo do Estado em 2026, quando a governadora Fátima Bezerra (PT) deve renunciar para disputar o Senado. Raimundo minimizou qualquer movimentação nesse sentido e reforçou que o governo encara toda a especulação como tentativa de gerar instabilidade artificial. Segundo ele, a especulação parece ser intriga dos “profetas do caos”.
“Isso está mais para quem quer criar um caos onde não existe”, afirmou Raimundo ao Diário do RN. A circulação da notícia provocou agitação entre aliados e opositores. Pela informação, Walter Alves declinaria de assumir o Governo do RN após tomar conhecimento técnico sobre as dificuldades financeiras que o Estado atravessaria, incluindo o risco de atraso na folha salarial.
Para esses grupos, o vice poderia estar diante de um presente de grego.
Raimundo Alves, no entanto, refutou a tese: “Vamos continuar com obras que já estão em andamento e dando resultados, que logicamente incomodam, e vão incomodar ainda mais, os profetas do caos”, afirmou.
Ele lembrou que o Estado acaba de conseguir acesso ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), que viabiliza mais de R$ 800 milhões em investimentos, garantindo fôlego a projetos considerados estruturantes pelo governo.
Para o secretário, é natural que Walter manifeste preocupações, já que assumiria o comando do Executivo estadual, mas isso não significa recuo. “O RN sabe que as dificuldades de hoje nem de longe se comparam às de 2019, quando a governadora assumiu. E isso não impediu que ela organizasse o Estado e fosse reeleita em 2022, no primeiro turno”, disse, se referindo à governadora Fátima Bezerra (PT).
Raimundo também negou que o vice-governador tenha cogitado qualquer decisão sem diálogo com Fátima Bezerra. “Walter é um aliado leal. Se fosse esse o caminho que ele pensa trilhar, ele conversaria com ela antes de tudo”, defendeu.
O vice-governador Walter deve assumir o posto de governador em abril, mas já afirmou que não pretende se candidatar à reeleição. Diante da decisão reiterada pelo filho de Garibaldi Alves, o sistema governista lançou o nome de Cadu Xavier, secretário de Estado da Fazenda, como o nome à disputa de 2026.
Cenários ventilados pela especulação O boato ganhou força porque, caso Walter realmente abrisse mão do cargo, a linha sucessória criaria um vácuo inédito. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), estaria impedido de assumir o governo devido às regras eleitorais, já que é pré-candidato à reeleição em 2026.
Nesse cenário hipotético, caberia ao presidente do Tribunal de Justiça do RN assumir interinamente e convocar eleição indireta entre os deputados estaduais. Apenas parlamentares que não disputarão reeleição poderiam concorrer, o que deixaria, no quadro atual, dois nomes como possíveis opções: José Dias (PL) e Vivaldo Costa (PV).
O vereador de Natal Daniel Rendall (Republicanos) confirmou ao Diário do RN que conversou com o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), seu líder político, sobre a possibilidade de migração para o PL, caso ele seja o nome da direita a disputar o Governo do Rio Grande do Norte nas eleições do próximo ano. Segundo o parlamentar, a mudança seria um caminho “natural”, especialmente diante do cenário em que o senador Rogério Marinho (PL), principal nome do partido no Estado, defina por não concorrer.
“Exatamente. É uma coisa natural de acontecer: Álvaro ir para o PL, que é o partido que tem mais fundo eleitoral, mais condições, mais prefeituras no Rio Grande do Norte. No caso de Rogério realmente não ser o candidato, o Álvaro teria que sair, eu acredito, pelo PL. É a ordem natural das coisas”, afirmou Rendall ao Diário do RN.
O vereador destacou que essa é sua opinião pessoal, mas confirmou que tratou do assunto diretamente com o ex-prefeito. Ele, contudo, disse não saber se houve conversa de Dias com Rogério Marinho sobre o tema.
De acordo com Rendall, a avaliação interna é de que, caso o senador abra mão da disputa, Álvaro Dias se tornaria o nome mais forte do campo político de direita no Estado. Nesse contexto, o PL, partido com maior presença municipal no RN, seria a legenda mais estruturada para sustentar uma candidatura ao Governo.
“O que foi conversado com a gente foi, no caso de Rogério abrir mão da candidatura, Álvaro é o nome mais forte da direita do Estado. E, claro, o Republicanos hoje não tem a quantidade de prefeituras que no Rio Grande do Norte o PL tem, por exemplo para a cabeça de chapa”, complementou.
Apesar disso, Daniel Rendall ponderou que uma eventual candidatura também poderia ocorrer pelo Republicanos, legenda à qual ele pertence: “Também nada impede de ser pelos Republicanos, porque é um partido grande nacionalmente, o partido do presidente da Câmara dos Deputados. Tem força nacionalmente e Álvaro se dá muito bem com o Republicanos”, afirmou.
Mesmo com outras alternativas, Rendall reforçou que a conversa existiu e que a filiação ao PL, dependendo do cenário, seria um passo coerente para uma candidatura majoritária de Álvaro Dias.
Ainda em outubro, Álvaro Dias (Republicanos) estampou nas redes sociais mais uma viagem à Brasília, que teria tido, entre outras pautas, sua filiação ao partido bolsonarista. Na agenda, um encontro com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e com os aliados Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PL).
A conversa com o presidente do Republicanos serviu para acertar a vida partidária, garantias e perspectivas. Já de Marinho, o ex-prefeito de Natal recebeu o convite para filiação a um dos maiores partidos no país, com objetivo de uma arrumação com vistas a 2026.
O assunto já vinha sendo levantado desde junho, quando o pré-candidato a governador admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de trocar o Republicanos pelo PL. “Há uma possibilidade real, sem nenhuma rejeição de minha parte, de integrar possivelmente um partido como o PL, não haveria nenhum problema não”, afirmou Álvaro em entrevista na ocasião.