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janeiro 15, 2026


“EU NÃO DISCUTIRIA O QUE É MELHOR, O QUE É PIOR. EU CUMPRIRIA O MEU DEVER”

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Ex-deputado federal e nome histórico do MDB, Henrique Eduardo Alves fez duras críticas à decisão de Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte como primeiro na linha de sucessão, classificando a postura como “constrangedora”. Sem se referir ao primo Walter diretamente pelo nome, mas como “ele”, Henrique diz que “não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder”.

Em entrevista ao Diário do RN, o ex-presidente da Câmara, afirmou que não lhe faltaria coragem para assumir a gestão, mesmo diante de dificuldades financeiras, e defendeu que governar em momentos difíceis faz parte do dever de quem ocupa um cargo público. “O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar. Eu não teria esse comportamento”, disse.

Henrique avaliou que a decisão tem gerado forte repercussão negativa, enfraquece a imagem do MDB no Estado e no cenário nacional, frustra a militância e rompe com a tradição histórica do partido, marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura militar.

“Garibaldi não merece passar por isso. Ele sempre foi o líder de todos nós. Tenho certeza de que ele não teria essa atitude se fosse o caso”, lamentou.

O ex-deputado contou, ainda, que diante da situação, Ezequiel Ferreira não irá mais para a MDB. Leia a entrevista na íntegra:

Diário do RN – Deputado Henrique Alves, como é que vê essa situação do MDB nesse momento, não assumindo o governo e toda essa dificuldade até de formar uma nominata competitiva para a eleição?
Henrique Alves – Olha, primeiramente, o respeito que eu tenho pela decisão de cada um. Cada um assuma a sua responsabilidade. Eu só espero que tenha profunda consciência do que está fazendo hoje e pelo exemplo que deixará para amanhã.

Diário do RN – E aí, dito isto, eu faço a pergunta: se Henrique estivesse no lugar de Walter, assumiria o governo?
Henrique Alves – Olha, eu acho que quem é MDB de anteontem, de ontem, de hoje, não pode nunca ter esquecido ou esquecer um discurso que motivou o Rio Grande do Norte: ‘Aos que me dizem que a luta é difícil, mais uma razão para dar o primeiro passo’.
E, na hora que este passo corretamente for dado, ele tem que ser feito embasado em outra frase histórica: ‘Lutar sem ódio e sem medo, porque o ódio escraviza, seja lá em que direção for, e o medo acovarda’.

Diário do RN – O MDB que lutou contra a ditadura agora tem medo de assumir o governo?
Henrique Alves – O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar.

Eu tinha 21 anos de idade. Eu estudava Direito na Universidade do Rio de Janeiro e fui convocado para ser candidato a deputado federal, com tão pouco conhecimento do Rio Grande do Norte, e topei numa hora também mais difícil desse país. E cheguei onde pude chegar porque essas três lições eu aprendi da minha vida.

Então, agora, o MDB, quando aceitou ser vice, eu aqui quero lembrar: Renan Calheiros me ligou porque o único estado do Nordeste que não estava ainda apoiando Lula era o Rio Grande do Norte.

E eu disse a ele, com muita tranquilidade: “Renan, nisto eu não posso ajudar, porque o MDB que eu sou tem uma candidata correta, competente, ética, exemplar, que é a senadora Simone Tebet, pelo mesmo MDB nacional. Como é que eu vou chegar no Rio Grande do Norte? Eu não vou recebê-la? Eu não vou me esconder dela. Não posso fazer isso, Renan”. Ele disse: “Ah, tá bom, então vou ver outro caminho”. Quando eu sou surpreendido com Lula aqui no Rio Grande do Norte, onde foi tratado e negociado politicamente um lugar de vice que, de fato, acho que ela (Fátima) nem queria ele, em troca do apoio a Lula.

Então, na hora que assume uma posição dessa, na hora que você pede esse desafio, você está pronto para o que der e vier. E agora chegou a hora do vier: é assumir a governadoria do Rio Grande do Norte. E, conhecendo como conhece os seus problemas, melhor ainda, porque já deve estar preparado para enfrentá-los, com a colaboração de todos, ter a capacidade de dialogar, de discutir.

Eu acho que o MDB deveria, sim, assumir o governo do Estado e fazer, sim, do MDB um MDB vigoroso, forte, corajoso, exemplar.

O MDB hoje vai lutar desesperadamente para eleger um deputado estadual. Que MDB é esse? O MDB teve deputado estadual, teve federais, teve senador, teve ministro, teve presidente do Senado, teve presidente da Câmara, teve governador. E aí, de repente, não pode assumir uma vice porque quer eleger um deputado estadual nas 24 cadeiras? Mas, como eu disse no começo, é o direito. E, mais que o direito, é a responsabilidade de cada um. Eu não teria esse comportamento.

“O político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas”

Henrique Alves relembra tradição do MDB marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura – Foto: Reprodução

Diário do RN – Esse comportamento tem sido classificado por alguns como covardia. O senhor concorda?
Henrique Alves – Não, eu não vou fazer essa análise desse comentário, até por uma questão de respeito ao próprio vice-governador Walter e, ainda, a Garibaldi Filho, que sempre foi o melhor de todos nós, sempre foi o meu líder, e que eu imagino que deve estar sofrendo nesse momento, porque ele sabe que o político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas, que ele tem condição de enfrentar, de perder ou de ganhar. Ele não está falando só para dentro dele, ele está falando para a multidão de eleitores que está olhando para ele.

É constrangedor, porque eu acho que, ao contrário, poderia fazer um grande governo nesses oito meses, já preparado, com conhecimento de vice-governador. Eu sei que há desafios. O MDB atravessa momentos difíceis, mas não é a dificuldade, não é o medo, que devem fazer a história do político, muito menos do MDB que eu vivi e que eu aprendi com Ulysses Guimarães, com meu pai, é o MDB da luta. Você caiu? Está difícil? Se levanta, caminha, se erga. Então, quem viveu isso, eu acho que esta hora tinha, sim, que aceitar o desafio, porque está sendo muito ruim para a imagem do nosso MDB, esse tipo de atitude, não topar uma luta maior.

Diário do RN – A repercussão tem sido negativa?
Henrique Alves – Tem, profundamente negativa. Porque é o único estado do Brasil em que você elegeu um vice, mas que já tinha como se fosse uma data para sair, e não a necessidade de quando sair, que era o final do mandato.

É natural que a governadora Fátima tenha o direito de cumprir o período dela e disputar o Senado. É natural essa aspiração dela. E é natural também de quem quis ser vice-governador por três anos que, nesta hora, diga: “Estou aqui, pronto para a luta, vamos em frente”.

Então, isso acho que não está tendo uma boa repercussão para a história do MDB do Brasil e para a história do MDB do Rio Grande do Norte. É uma situação inédita. Inédita aqui e no Brasil. Você pode ver os estados todos, não tem um caso desse.

Diário do RN – Se o senhor fosse vice-governador, assumiria mesmo com dificuldades financeiras?
Henrique Alves – Era meu dever assumir. Eu não discutiria o que é melhor, o que é pior, o que é agradável ou desagradável. Eu cumpriria o meu dever de MDB, de ter preenchido o cargo de vice-governador por três anos. E, na hora em que o Estado mais necessita, de repente fugir, sair, se esconder? Eu não faria isso. Cada um tem as suas razões. Só que a razão de quem é homem público, de quem é político, muitas vezes as razões pessoais têm que ficar abaixo daquelas que são compromisso com o seu Estado, com a sua gente e até com o seu partido.

Eu imagino Garibaldi como está agora constrangido. E a informação que se tem aí é que vai ter dificuldade de formar nominata.

Diário do RN – Por que ia formar nominata com o partido presidido pelo governador agora vai tomar uma nominata com o partido presidido por um ex sem mandato?
Henrique Alves – Ezequiel, que era alma gêmea, iria ao MDB, levaria cinco deputados estaduais, poderia até assumir a presidência do MDB e agora Ezequiel está fora desse jogo, não vai mais para o MDB, outros deputados que iam também não estão indo mais.

Diário do RN – É certeza Ezequiel não ir mais?
Henrique Alves – É, certeza. Não vai não. Ezequiel não vem mais para a MDB. MDB, quem te viu e quem te vê. Outra coisa, Garibaldi não merece passar por isso, Garibaldi sempre foi de todos nós o líder. Eu tenho certeza que ele não teria uma atitude dessa se fosse o caso, porque ele não é só um vice que se improvisou, ele é um líder que se impôs.

Diário do RN – Ezequiel vai para onde?
Henrique Alves – Não sei.

Diário do RN – Então os dois romperam?
Henrique Alves – Não, não romperam porque são amigos, mas não estão mais como estavam antes no mesmo projeto.

Diário do RN – A parceria política, então, acabou?
Henrique Alves – Momentaneamente. Vamos ver o que vai acontecer porque essa política do Rio Grande do Norte está surpreendendo a todos. É como se cada um olhasse para o seu umbigo, mas não é o seu umbigo, é o seu coração, é a sua alma, é o seu corpo é o seu caminhar, é o seu olhar.

Diário do RN – O senhor falou agora há pouco da questão dos desejos pessoais que se sobrepõem e que, na verdade, é para ser o contrário: a questão coletiva do Estado se sobrepõe aos desejos pessoais, aos interesses pessoais. Nesse caso, está o inverso?
Henrique Alves – É, porque a expectativa das pessoas que são MDB no Rio Grande do Norte, nesses municípios todos, tantos anos, devem estar aguardando com expectativa: “Oba, o MDB vai assumir o governo, vamos ter por oito meses o governador do MDB”. E está tendo o que? A frustração, não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder. Quer dizer, isso não é um bom exemplo para um simples eleitor do MDB.

Diário do RN – Além desse medo, o que eu soube agora é que o vice-governador está conversando com o Allyson Bezerra e está praticamente definido o apoio a ele. E além disso, ainda teria que carregar a pecha de traidor?
Henrique Alves – Vamos aguardar os acontecimentos. Eu só estou na arquibancada. Eu sou torcedor da arquibancada. Com a mesma bandeirinha verde, sentado lá, torcendo por aquilo que eu quero, gosto e para que jogue melhor. E jogando assim não está joga


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ÁLVARO DIAS PODE SER O CANDIDATO DA DIREITA EM POSSÍVEL ELEIÇÃO INDIRETA

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Com a reviravolta na política potiguar dada como certa nos bastidores, a sucessão no Governo do Rio Grande do Norte por meio de uma eleição indireta começa a sair do terreno das especulações e ganha ações concretas nos bastidores. A renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), para disputar o Senado, e a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o cargo estão colocadas, abrindo caminho para a escolha de um governador tampão pela Assembleia Legislativa entre os meses de abril e maio. Nesse cenário, o nome do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), passa a ser tratado como uma possibilidade real dentro do campo da direita.

Ex-prefeito da capital por seis anos e pré-candidato ao Governo do Estado na eleição direta de outubro, Álvaro Dias tem seu nome citado em articulações que já ocorrem nos gabinetes de deputados estaduais, especialmente entre parlamentares ligados ao grupo do senador Rogério Marinho (PL), grupo ao qual Álvaro Dias integra e que possui pelo menos seis deputados estaduais. A mobilização envolve a construção de uma maioria entre os deputados, que serão os responsáveis pela escolha do governador no pleito indireto.

Em conversa com o Diário do RN, Álvaro Dias afirmou que se considera preparado para assumir o Governo do Estado, destacando os números de aprovação ao final de sua gestão em Natal.

“Olha, a nossa gestão em Natal fala por isso. Está uma demonstração inequívoca de que quem realizou uma boa gestão em Natal deverá fazer também uma boa gestão pelo Rio Grande do Norte. A gente encerrou a nossa gestão em Natal com 65% de aprovação. Isso é realmente um atestado indiscutível de competência e de que uma boa gestão à frente da capital depois de dois mandatos foi realizada. Então, eu acho que sobre isso aí, não tem nenhuma dúvida de que a gente se considera preparado para disputar o governo do Estado”, disse.

Apesar de se declarar preparado para o cargo, Álvaro adota cautela em relação à eleição indireta.

Em férias familiares no exterior, ele ressaltou que qualquer definição será tomada de forma coletiva, após diálogo com as principais lideranças do grupo político ao qual está vinculado.

“Para tomar essa decisão eu preciso conversar com Rogério, Styvenson e Paulinho”, declarou, citando o senador Rogério Marinho (PL), o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil).

Questionado se estaria disponível para disputar especificamente o mandato tampão, Álvaro classificou o debate como antecipado. “Isso aí é falar sobre hipótese. Porque ninguém sabe ainda se a governadora Fátima sai, se fica, se o vice assume ou não assume. Então é algo assim que está sendo falado com muita antecipação e eu terei uma opinião formada sobre isso aí, mas apenas depois que eu falar com o Rogério, com o Styvenson e com o Paulinho para tomar uma posição em grupo, já que eu faço parte de um grupo. Eu preciso tomar uma decisão em conjunto com eles”, afirmou.

Segundo informações apuradas pela reportagem, a definição depende, neste momento, do levantamento de votos entre os deputados estaduais, que são os eleitores da eleição indireta. O foco das articulações é verificar se há número suficiente de parlamentares dispostos a apoiar o nome que venha a ser apresentado pelo grupo político. Até agora, nenhum dos três candidatos ao Governo, Rogério Marinho (PL), Allyson Bezerra (UB) e Cadu Xavier (PT), sabe, ao certo, o número de deputados de quem terão apoio, já que alguns tomam posições administrativas e políticas diversas.


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