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fevereiro 4, 2026


QUASE 10% DA POPULAÇÃO DO RN TEM ALGUM TIPO DE DEFICIÊNCIA VISUAL

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Segundo a International Agency for the Prevention of Blindness (IAPB), mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com algum grau de deficiência visual que poderia ter sido evitada ou tratada.

No Brasil, os números também preocupam. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados entre 2022 e 2023, cerca de 500 mil pessoas são cegas e outras 6 milhões têm baixa visão. Estimativas mais recentes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que o número de pessoas cegas pode ultrapassar 1,5 milhão.

No Rio Grande do Norte, o cenário segue a mesma tendência – mais de 285,3 mil pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual, o que representa 8,8% da população do estado. Os dados recentes, do IBGE, acendem um alerta sobre a importância do cuidado com os olhos e da ampliação do acesso aos serviços oftalmológicos.

A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) define quatro níveis de função visual: visão normal, deficiência visual moderada, deficiência visual grave e cegueira. Essa avaliação considera a acuidade visual, que é a capacidade de enxergar objetos a uma certa distância e o campo de visão, que representa a amplitude do que conseguimos enxergar.

O jornalista e radialista Ronaldo Tavares foi diagnosticado com problemas de visão devido a complicações do sarampo e, há mais de 40 anos, dedica sua vida às causas sociais voltadas às pessoas com deficiência visual, através de programas jornalísticos focados na inclusão e à frente da presidência da Sociedade dos Cegos do Rio Grande do Norte (Socern).

“Fiquei com deficiência aos três anos e, ao longo da vida, fui perdendo totalmente a visão. Hoje, não enxergo absolutamente nada. Eu não sou uma pessoa com deficiência visual, eu sou realmente cego, não tenho nenhuma porcentagem de acuidade visual. Mesmo assim, não me fechei diante da minha condição. Concluí o curso de jornalismo através do sistema Braille [meio de leitura e escrita para cegos, através do tato], e a deficiência é apenas uma barreira, mas que não é intransponível, desde que a gente tenha disposição, gana, força e garra para vencer as adversidades que a vida nos impõe”, relata.

A visão é responsável por cerca de 80% das informações que recebemos do ambiente, segundo o Ministério da Saúde. Por isso, preservar a saúde ocular vai além da boa visão: é garantir qualidade de vida, autonomia e segurança. A recomendação é adotar hábitos simples de prevenção, como consultas regulares com o oftalmologista, uso de óculos com proteção UV, controle de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, e atenção aos primeiros sinais de desconforto visual.

O oftalmologista Anderson Martins, ressalta que a prevenção ainda é a forma mais eficaz de proteger a visão. “Manter a saúde ocular em dia é essencial para preservar uma boa qualidade de vida. Pequenos cuidados no dia a dia fazem toda a diferença. É importante proteger os olhos da exposição solar, utilizando sempre óculos com lentes com proteção UV, mesmo em dias nublados”, destaca.

Segundo o especialista, muitas doenças oculares podem evoluir de forma silenciosa. “Glaucoma e catarata são exemplos de problemas que podem causar danos irreversíveis quando não detectados a tempo. O diagnóstico precoce é o que garante o melhor resultado no tratamento”, explica Anderson Martins.

O uso de lentes de contato também requer atenção especial. “É indispensável seguir corretamente as orientações de higiene e tempo de uso. Dormir com as lentes, lavar com água comum ou reutilizar o mesmo líquido são hábitos que podem causar infecções graves e comprometer a visão”, alerta o médico.

SINAIS E ALERTAS
Entre os principais sinais de alerta estão visão embaçada, ardência, dor nos olhos, sensibilidade à luz, coceira, vermelhidão e inchaço nas pálpebras. O Ministério da Saúde orienta procurar atendimento oftalmológico diante de qualquer um desses sintomas, especialmente quando persistem por mais de 24 horas. O acompanhamento regular é essencial inclusive para quem não apresenta queixas aparentes, uma vez que diversas doenças oculares são assintomáticas em seus estágios iniciais.

O oftalmologista reforça que manter a atenção à saúde dos olhos é um gesto de cuidado que deve ser um hábito constante. “Cuidar da visão é cuidar da forma como enxergamos o mundo, com segurança, conforto e clareza. A conscientização precisa ser constante, porque enxergar bem é viver melhor”, conclui.


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CASOS DE MAUS-TRATOS A ANIMAIS SOBEM9% NO RN E MOBILIZAM AUTORIDADES

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A violência contra animais deixou de ser um problema invisível e passou a ocupar espaço central no debate público. No Rio Grande do Norte e em todo o país, casos de crueldade vêm sendo investigados, julgados e punidos com mais rigor, impulsionados por leis mais severas, atuação das forças de segurança e maior consciência da população. O tema ganhou ainda mais destaque após episódios recentes que provocaram indignação nacional e mobilizaram protestos em defesa da vida animal.

A Constituição Federal veda práticas que submetam os animais à crueldade, mas é na legislação infraconstitucional que estão os detalhes sobre o crime de maus-tratos. A advogada Juliana Rocha, presidente da Comissão de Direito Animal da OAB/RN, explica que o conceito vai muito além da agressão física. “A gente tem que buscar na Lei de Crimes Ambientais e também em resoluções, como a do Conselho Federal de Medicina Veterinária, para compreender que maus-tratos não são só pancadas. Abandono, manter o animal acorrentado sem proteção do sol e da chuva, não oferecer água e alimentação, tudo isso é crueldade”, afirma.

Segundo ela, o desconhecimento ainda é grande e está ligado a uma herança cultural. “Por muito tempo o animal foi tratado como coisa. Hoje a ciência reconhece que eles têm emoções e consciência. Então precisamos de uma desconstrução cultural para que as pessoas entendam que o sofrimento psicológico também é maus-tratos”, ressalta Juliana.

A advogada lembra que, desde 2020, a Lei 14.064 endureceu as penas para crimes contra cães e gatos. “Quem maltrata cães e gatos pode pegar de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e perda da guarda do animal”, explica. “Essa perda da guarda é uma das penas mais sérias, porque protege o animal de voltar para quem já o maltratou”, completa.

No Brasil, a pena para o crime de maus-tratos pode variar de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e perda da guarda do animal – Foto: Reprodução

No RN, a Justiça começou o ano com uma decisão que chamou a atenção pelo rigor da pena. Um morador de Encanto, no Alto Oeste, foi condenado por manter 13 cães e seis gatos amarrados, magros, doentes e com feridas pelo corpo. A 3ª Vara da Comarca de Pau dos Ferros fixou a pena em dois anos, sete meses e 15 dias de reclusão, em regime semiaberto. Na sentença, o juiz destacou que o réu violou o dever legal de guarda e proteção dos animais, enquadrando-se no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais.

Outro caso que marcou o debate foi o do cão comunitário Orelha, torturado na Praia Brava, em Florianópolis (SC), e que morreu em decorrência dos ferimentos. A brutalidade do crime gerou manifestações em várias cidades do país, durante o último fim de semana. Em Natal, ativistas se reuniram próximo à Árvore de Mirassol pedindo justiça e o fim da violência contra animais.

Para Juliana Rocha, a evolução das leis acompanha um clamor social. “Hoje há mais animais nos lares brasileiros do que crianças. Isso faz com que a sociedade pressione por mais proteção”, observa. “O poder legislativo tem apresentado inúmeros projetos em todas as esferas, tentando atender a esse anseio”, acrescenta. Ela ressalta, no entanto, que ainda há desigualdade nas penas.

“Para outras espécies, como aves e animais de grande porte, a punição ainda é muito branda, o que gera sensação de impunidade”, avalia.

Atuação da PC/RN
Na linha de frente do combate aos maus-tratos, a Polícia Civil do RN atua por meio da DEMAATUR, a Delegacia Especializada de Defesa ao Meio Ambiente e Assistência ao Turista.

Dados da corporação mostram que os registros passaram de 494 casos em 2024 para 540 em 2025. As denúncias gerais de maus-tratos contra animais subiram de 244 para 343. Já os registros específicos contra cães e gatos caíram de 150 para 119, assim como os casos que resultaram na morte do animal, de 99 para 75. Em contrapartida, aumentaram as ocorrências ligadas a experiências dolorosas ou cruéis em animais vivos para fins didáticos ou científicos, que passaram de um para três casos.

A delegada titular da DEMAATUR, Danielle Filgueira, afirma que o número de crimes não necessariamente aumentou, mas sim a disposição das pessoas em denunciar. “O que observamos é que as pessoas têm mais consciência sobre o que caracteriza maus-tratos e estão mais dispostas a denunciar”, explica. “As redes sociais também ajudam a dar visibilidade aos casos mais graves”, acrescenta.

Segundo a delegada, os casos mais comuns são abandono e manutenção dos animais em condições precárias. “Ambiente sujo, animal preso em cordas curtas e sem acesso a água e alimentação são situações que se repetem muito”, afirma. “A agressão física direta é mais rara, mas quando ocorre, costuma ser grave”, pontua.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181. “O ideal é que a pessoa tenha fotos ou vídeos como indícios mínimos”, recomenda. “A forma mais eficaz é ir à delegacia e registrar um boletim de ocorrência, podendo inclusive ser testemunha do crime, orienta. “Mas de denunciar, é preciso responsabilidade. Denúncia falsa também é crime e prejudica a apuração dos casos verdadeiros”, adverte a delegada.


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TENSÃO: DEPUTADO REAGE A PUBLICAÇÃO DA LOA SEM EMENDAS IMPOSITIVAS

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A relação entre o Governo do Rio Grande do Norte e a Assembleia Legislativa (ALRN) gerou tensão entre oposição e governo na abertura dos trabalhos legislativos de 2026, nesta terça-feira (03). O estopim foi a publicação da Lei Orçamentária Anual (LOA) no Diário Oficial, ignorando o caráter impositivo das emendas parlamentares. O episódio, classificado pelo Centro Administrativo como um “erro técnico”, surge num momento desfavorável para a governadora Fátima Bezerra (PT), que precisa de estabilidade para negociar pautas estruturantes e a própria sucessão via eleição indireta.

No plenário, o tom de indignação foi protagonizado pelo deputado José Dias (PL). Para o parlamentar, a ausência das emendas no projeto fere a Constituição Federal e Estadual.

“O orçamento foi publicado com as emendas impositivas como emendas não impositivas. Isso é a falência mental desse povo, porque isso é uma imbecilidade total. É uma determinação constitucional. Se houvesse tempo, daria para pedir intervenção federal, impeachment da governadora e prisão, por um atentado grave ao exercício do poder”, disparou José Dias.

O deputado ainda ironizou a justificativa de erro apresentada pelo líder do governo: “Passou pela minha cabeça que tinha sido coisa comum no governo, que é o erro crasso, o erro imbecil de não examinar coisas fundamentais. O erro desse governo é o padrão”.

A falha técnica reverbera diretamente nas articulações políticas de 2026. Com o último ano da gestão Fátima e o debate sobre a eleição indireta, caso a governadora se afaste para disputar o Senado, o Executivo se arrisca em confrontar a oposição e até membros da base aliada.

O deputado Tomba Farias (PSDB), que foi o relator da LOA, confirmou que a Casa já se mobilizou para cobrar a retificação imediata. Em entrevista à imprensa, ele destacou o risco de uma ruptura definitiva.

“As emendas dos deputados são todas impositivas. Já mandei chamar o pessoal do orçamento e eles disseram que foi um erro, mas tem que fazer a republicação. Isso é um crime. A governadora não vai querer começar brigando com todos os deputados de oposição e situação”, alertou Tomba, sinalizando que a Casa está pronta para “colocar alguém que pondere as coisas” em futuros diálogos sucessórios.

Apontado como um dos nomes do governo para a sucessão estadual, o Secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), ao Diário do RN, Xavier garantiu a correção.

“Houve um erro no arquivo enviado pela ALRN. Vai ser corrigido no DOE de amanhã”, resumiu o secretário.


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FÁTIMA QUER CADU XAVIER GOVERNADOR; JÁ OPOSIÇÃO PREFERE SERQUIZ OU ZECA

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A possibilidade de a governadora Fátima Bezerra (PT) renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, em 2026, coloca a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em alerta na reabertura dos trabalhos legislativos. Na sessão solene de abertura do ano legislativo, nesta terça-feira (03), os deputados estaduais colocaram a possível eleição indireta para governador de um mandato-tampão até dezembro como um dos principais temas deste ano na Casa. A discussão ainda é incerta, mas as articulações já acontecem nos bastidores.

O pano de fundo da discussão é claro. Caso Fátima deixe o cargo, o primeiro da linha sucessória é o vice-governador Walter Alves (MDB). Se ele assumir, a crise política se encerra. No entanto, Walter já sinalizou publicamente que não pretende exercer o mandato, inclusive rompendo com o governo do PT. A partir daí, só haveria eleição indireta se também se configurasse a vacância do vice, caracterizando o que a Constituição define como “dupla vacância”.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), buscou esfriar o debate, lembrando que, juridicamente, nada está definido. “A eleição indireta só existe se houver vacância. Não houve vacância. Nem ninguém tem a certeza que haverá”, afirmou.

Segundo ele, caso ocorra, o processo já tem a primeira regra definida: será uma eleição aberta.

Ezequiel explicou que, diante dessa possibilidade, a Assembleia já começou a se preparar do ponto de vista legal. “Durante o mês de janeiro, eu já me debrucei sobre esse assunto com a nossa procuradoria. Isso será feito um projeto de lei que será encaminhado para o governo. O governo sanciona esse projeto e aí tem as diretrizes desta eleição, se isso vier a acontecer”, detalhou, sobre a regulamentação do processo eleitoral indireto.

De acordo com o presidente da Casa, a eleição indireta seria realizada no plenário da Assembleia Legislativa, com voto aberto dos 24 deputados estaduais.

“Poderia ser candidato qualquer cidadão filiado a um partido, com mais de 35 anos de idade e conduta ilibada. Seria uma chapa de governador e vice, já que estaríamos diante de uma vacância dupla”, explicou.

Sobre a possibilidade de ele próprio assumir o governo para conduzir o processo, Ezequiel foi não descartou, mas evitou o assunto: “Ou assumo eu para fazer a eleição, ou assume o presidente do Tribunal de Justiça. Mas tudo isso ainda são conjecturas”.

Enquanto o campo governista trabalha para garantir a continuidade do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo estadual, a oposição articula um discurso completamente distinto. Para líderes da direita, o momento exigiria um nome “técnico”, sem ambições eleitorais, capaz de tomar decisões duras para ajustar as contas do Estado.

O deputado Tomba Farias (PL) defendeu abertamente essa tese. “A unanimidade dentro do partido é que seja uma pessoa de consenso, que seja um técnico, uma pessoa de credibilidade para tomar as mudanças. A política não funciona para tomar medidas amargas, porque quem é político pensa na eleição”, afirmou.

Segundo ele, nomes como o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, e o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, surgem como referências nesse debate.

“Um pessoal que tenha responsabilidade com as medidas que sejam necessárias”, disse.

Tomba também ressaltou que todo o cenário depende, essencialmente, da decisão da governadora e do vice. “Se a governadora ficar, acaba o problema da eleição. Se ela sair e Walter assumir, também está extinto esse processo. Só haverá eleição indireta se Walter não assumir. A verdade é que tudo vai girar em torno disso”, avaliou, sem descartar qualquer possibilidade.

Do lado do PT, o discurso é de unidade e antecipação. O partido insiste no nome colocado tanto para o eventual mandato-tampão quanto para a disputa de 2026: o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo para o pleito regular de outubro.

“Nós temos um nome apresentado, que é o do nosso companheiro Cadu Xavier, tanto para o mandato-tampão, evidentemente se houver eleição, como também para uma candidatura a governador em 2026. A base de tudo isso é o diálogo”, afirmou o deputado Francisco do PT, destacando que o governo tem conversado com deputados da base e também não descarta diálogo com a oposição.

O próprio Cadu Xavier, que esteve na solenidade representando a governadora Fátima Bezerra (PT), reforçou a tese da continuidade política e partidária.

“A posição do governo é muito clara. A gente não abre mão de um nome que seja do nosso partido, do Partido dos Trabalhadores. A governadora foi eleita para quatro anos, junto com o vice. Ela vai sair para disputar a eleição, o vice não vai assumir, ele já colocou isso publicamente. Então seria natural que o nome do Partido dos Trabalhadores encerrasse o mandato que o povo concedeu nas eleições”, concluiu.


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ASSEMBLEIA RETOMA TRABALHOS SOB CLIMA ELEITORAL E DEBATE SOBRE SUCESSÃO

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Os deputados estaduais do Rio Grande do Norte abriram, nesta terça-feira (3), os trabalhos legislativos de 2026, último ano da 63ª Legislatura, em uma sessão marcada por expectativas políticas e pela tentativa de reafirmar o papel do parlamento em um ano atípico. A retomada das atividades ocorre em meio ao calendário eleitoral, à possibilidade de uma eleição indireta para o Governo do Estado e ao agravamento da estiagem que já afeta diversas regiões potiguares.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), destacou que 2026 será um ano “corrente” e de forte demanda para o Legislativo. “Nós temos um ano que, fora essa possibilidade de eleição indireta, tem Copa do Mundo e eleição. Então teremos um primeiro semestre bastante corrido, com projeto de lei e requerimentos”, afirmou destacando, ainda o momento de alta produtividade no legislativo.

Sem a tradicional mensagem anual da governadora Fátima Bezerra (PT), momento que foi adiado para o dia 10, o presidente também anunciou que pretende definir ainda na próxima semana a composição das comissões permanentes, para acelerar a tramitação de matérias.

Além da pauta política, Ezequiel ressaltou investimentos na estrutura física da Assembleia como parte do legado da atual gestão durante seu discurso solene. “Estrutura física também é qualidade de vida e de trabalho. Em março, vamos inaugurar o novo anexo onde funcionava o Banco do Nordeste. Vamos entregar prédios próprios, melhorar a TV Assembleia, a Rádio Assembleia, a parte administrativa e a saúde da Casa”, afirmou.

Representando a governadora Fátima Bezerra (PT), o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier reforçou o discurso de continuidade institucional e diálogo entre os poderes.

“Nós construímos juntos, com o Poder Legislativo, várias matérias que se transformaram em realidade, como o Proedi. O governo vai trilhar esse caminho em 2026 mantendo o mesmo diálogo. Estamos em ano eleitoral, mas o que a população quer saber é que a máquina continua funcionando e os serviços continuam sendo prestados”, disse.

Na oposição, o deputado Tomba Farias (PL) indicou que o início do ano legislativo será marcado por embates, especialmente em torno da derrubada de vetos do Executivo. “Tem a questão da derrubada do veto do ICMS dos municípios e do IPVA, que foi aprovado aqui por ampla maioria.

Eu acho que a governadora não vai querer problema com a Assembleia. É um direito justo dos prefeitos, um direito municipalista”, alertou Tomba.

O líder governista Francisco do PT apontou dois temas centrais que devem mobilizar o Parlamento neste começo de ano: a possível eleição indireta e a crise hídrica.

“Tem dois temas que estão chamando atenção: a possibilidade de um mandato tampão e a estiagem que afeta o nosso Estado. Ela já está afetando muito a vida do homem e da mulher do campo e também de quem mora nas cidades”. O deputado enfatizou que o governo estadual articula reuniões com a sociedade civil e busca apoio do governo federal.

Francisco reconheceu o ambiente de tensão típico de ano eleitoral, mas fez um apelo à responsabilidade. “É normal que os ânimos se acirrem, mas não podemos contaminar as decisões do plenário com disputas eleitorais. Cada lei votada aqui é um compromisso com o povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Já o deputado Coronel Azevedo (PL) criticou a possibilidade de renúncia da governadora e a postura do vice-governador. “É uma coisa inusitada: o vice-governador não quer assumir o mandato para o qual foi eleito, desonrando a vontade popular. Isso é uma traição contra o eleitor. O RN está no fundo do poço em vários indicadores de serviços públicos”, disse.

O deputado Hermano Morais (PV), que compõe a base de Fátima Bezerra, mas já é pré-candidato a vice-governador em possível chapa com Allyson Bezerra (UB), defendeu estabilidade e continuidade administrativa no RN.

“Esperamos que sejam vencidas as dificuldades fiscais e financeiras para que o Rio Grande do Norte viva num clima de tranquilidade, com condições de atrair investimentos. Essa sempre foi uma preocupação nossa e esperamos que não haja interrupção, por qualquer motivo, do processo de desenvolvimento do Estado. [O ano eleitoral] Vai exigir um esforço maior para conciliar o trabalho na Casa com as bases eleitorais, mas é possível manter as obrigações e o compromisso com o Estado”, ressaltou Hermano.

Na mesma linha, Ubaldo Fernandes (PSDB) classificou 2026 como um ano “atípico”. “Teremos Copa do Mundo e calendário eleitoral, mas a Assembleia não pode deixar de cumprir sua responsabilidade de trazer os debates de interesse do povo potiguar”, disse.

Já a deputada Divaneide Basílio (PT) destacou o desafio de equilibrar atividade legislativa e presença nos municípios. “Vai exigir compromisso para manter os trabalhos e, ao mesmo tempo, visitar as cidades. Para mim, isso é interligado, porque sempre ouvimos as comunidades”, afirmou.


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