JEAN PAUL SOBRE ALLYSON E ÁLVARO DIAS: “ACABAM SENDO A MESMA COISA”

O ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates afirmou, nesta quinta-feira (09), que segue pré-candidato ao Senado Federal, pelo PDT. Em entrevista ao programa 12 em Ponto, da 98 FM, Jean Paul comentou pontos centrais do cenário político no Rio Grande do Norte, passando pelo campo aliado ao presidente Lula, a disputa interna no partido e o desenho das chapas no estado.
Ao analisar o cenário eleitoral para o governo do Rio Grande do Norte, Jean Paul avaliou que há equilíbrio entre as forças políticas, com três campos em disputa.
“Vejo três campos: um ligado ao PT [Cadu Xavier], um de centro [Allyson Bezerra] e um bolsonarista [Álvaro Dias]. Também há forte presença de famílias tradicionais. É impossível fazer política sem dialogar com esses grupos. O problema é a concentração de poder quando todos se juntam em uma mesma chapa”, disse.
Ao comparar os principais nomes colocados na disputa, ele afirmou que as diferenças entre os grupos do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, são reduzidas, fazendo uma alusão ao coronelismo no caso de Álvaro e às oligarquias no caso de Allyson.
“Eu acho que a diferença das outras duas chapas é quase nenhuma. Porque oligarquia e coronelismo, no fundo, acabam sendo a mesma coisa. Você só escolhe o século em que quer estar, se é o século XVII ou o século XVIII”, afirmou.
Diante desse cenário, Jean Paul evitou cravar projeções, mas indicou que o equilíbrio entre as forças políticas pode levar a uma definição apenas no segundo turno.
“Acho que há equilíbrio. Todos têm condições de disputar essa vaga. A polarização pode levar Cadu ao segundo turno, mas não dá para cravar quem será o adversário. Allyson, por exemplo, pode compensar a ausência de alinhamento nacional com força no centro e no campo conservador. Pode ser uma disputa muito apertada”, afirmou, reforçando que o cenário segue indefinido e competitivo. “A disputa está aberta. Todos têm condições de chegar ao segundo turno”.
DISPUTA NO PDT
Sobre a disputa interna no PDT com a chegada do ex-deputado Rafael Motta, Jean Paul negou qualquer recuo e defendeu o processo adotado pela legenda como democrático e coerente com sua própria trajetória recente.
“Não sei quem planta esse tipo de coisa o tempo todo. Nós colocamos um processo democrático, transparente dentro do PDT. Eu fui para o PDT justamente por discordar do processo de escolha no PT. Cheguei, me filiei em 12/12 [de 2025], simbolicamente, e fui lançado como pré-candidato.
Quando entramos na reta final das filiações, Rafael, que conheço há muitos anos, manifestou interesse em se filiar ao PDT e pleitear a candidatura ao Senado. Eu não posso reclamar disso. Afinal, fui para um partido justamente por isso. Então não houve recuo. Houve abertura democrática”, declarou.
Ele explicou que a definição do nome que representará o partido na disputa ao Senado será feita por meio de pesquisa, como forma de garantir objetividade.
“É normal um partido com dois ou três ativos políticos importantes discutir e buscar critérios objetivos, como uma pesquisa, para decidir quem vai concorrer. Não vejo nada de estranho nisso.
O partido definiu esse caminho, com participação da direção nacional. Isso é um processo interno do PDT”, disse.
Jean Paul também detalhou o entendimento prévio de composição entre os dois pré-candidatos, caso um deles não seja escolhido.
“Essa é uma decisão que ainda está em aberto. O que está previamente acertado é que um será o suplente do outro. Esse é o acordo. Só não haverá isso se um decidir disputar outro cargo. Existe um acordo entre nós”, afirmou.
Ele voltou a rebater a ideia de que teria entrado na disputa com intenção de ser suplente, embora reconheça que essa possibilidade faz parte da dinâmica partidária.
“Não estou preocupado com isso. Ninguém começa uma corrida dizendo que quer ser suplente. Isso é composição. Claro que estou aberto, porque política é missão. Mas meu plano é ser candidato ao Senado”, reforçou.
Ainda sobre o arranjo interno, o ex-senador mencionou a possibilidade de um mandato compartilhado entre titular e suplente, com regras previamente estabelecidas.
“Vamos fazer um acordo sobre compartilhamento de mandato. Não é mandato coletivo. É um titular e um suplente que acordam previamente exercer o mandato conjuntamente, com divisão de pautas, atuação e emendas. Isso é plenamente democrático e será transparente”, explicou.
REPRESENTANTES DO “LULAVERSO”
Ao abordar o posicionamento da senadora Zenaide Maia dentro do campo progressista, Jean Paul avaliou que há uma convergência em torno do projeto nacional, mas ressaltou que eventuais divergências podem gerar impasses políticos.
“Meu entendimento é que estaremos todos no ‘Lulaverso’. Seja eu ou Rafael com Samanda, todos estarão nesse campo. Quanto à Zenaide, ela pode votar em quem quiser como cidadã. Mas, se houver conflito com a candidatura nacional, ela pode ficar numa situação delicada, como já aconteceu com outros candidatos. Vai ter que resolver isso, ou assume o voto pessoal ou segue a orientação da coligação”, afirmou.