Início » Arquivos para 11 de agosto de 2026, 13:00h

agosto 11, 2026


SECRETÁRIO AVALIA NATAL NO IDEB: “NÃO FOI APENAS A MÉDIA GERAL QUE MELHOROU”

  • por
Compartilhe esse post

Natal apresentou recuperação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2025, mas o avanço não foi suficiente para mudar a posição da capital potiguar entre as capitais brasileiras. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a cidade alcançou nota 4,8 e permaneceu na última colocação do ranking das capitais.

Apesar da posição negativa, o resultado representa uma melhora em relação a 2023, quando Natal registrou 4,5. A evolução também interrompe a sequência de queda observada após 2019, quando a rede municipal atingiu seu melhor resultado histórico, com nota 4,9.

O secretário municipal de Educação de Natal, Aldo Fernandes, avaliou como positiva a melhora da capital nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2025, mas ressaltou que o desempenho ainda está distante do patamar desejado. Segundo ele, o avanço ocorreu tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental.

“Os resultados de 2025 mostram uma reação da educação municipal de Natal, com crescimento do IDEB tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental. E existe um dado que considero ainda mais importante: não foi apenas a média geral da rede que melhorou.

Aumentou também o número de escolas municipais que avançaram individualmente em sua pontuação e de unidades que alcançaram os resultados esperados”, afirmou.

A trajetória dos anos iniciais mostra que houve avanço ao longo da série. Em 2011, Natal tinha 4,0; passou para 4,3 em 2013, 4,7 em 2015, 4,8 em 2017 e chegou a 4,9 em 2019. Depois, caiu para 4,3 em 2021 e 4,5 em 2023, antes de voltar a subir para 4,8 em 2025.

Nos anos finais, a recuperação também apareceu. A nota passou de 3,3 em 2023 para 3,7 em 2025, crescimento de 0,4 ponto. O resultado, entretanto, ainda está abaixo dos 4,1 alcançados em 2021, maior índice registrado por Natal nessa etapa.

Os números revelam, portanto, um cenário de recuperação, mas ainda distante de uma mudança estrutural no desempenho da educação municipal. Natal conseguiu melhorar suas notas em 2025, especialmente depois do resultado de 2023, mas continua enfrentando dificuldades para alcançar desempenho semelhante ao de outras capitais.

Para o secretário, a melhoria dos resultados também depende da valorização dos profissionais da educação. “Não existe resultado educacional sustentável sem professor valorizado, formado e participando das decisões pedagógicas. Sempre tenho dito que a melhor estratégia é aquela construída com quem está diariamente na sala de aula”, afirmou.

Aldo Fernandes defendeu ainda o estabelecimento de metas específicas para cada unidade.

“Vamos estudar as escolas de Natal que mais cresceram, aprender com as melhores redes brasileiras, estabelecer metas claras por unidade, acompanhar proficiência, frequência e aprendizagem e direcionar mais apoio para quem mais precisa”, declarou.

O desafio para a rede municipal agora é transformar a melhora recente em uma tendência consistente. Nos anos iniciais, será necessário superar o próprio recorde de 4,9 e, principalmente, deixar a última posição entre as capitais. Nos anos finais, a tarefa é ainda maior: recuperar o patamar de 4,1 registrado em 2021 e avançar além dele.

Apesar da melhora no IDEB, o secretário afirmou que o objetivo da gestão vai além da posição ocupada no ranking entre as capitais. “Não queremos simplesmente tirar Natal das últimas posições de um ranking. Queremos construir uma educação pública que efetivamente entregue aprendizagem”, disse. “O resultado de 2025 não é um ponto de chegada. É a demonstração de que Natal começou a mudar sua trajetória e agora precisamos fazer essa curva continuar subindo”, completou.

Sobre os próximos passos, o secretário defendeu que a Prefeitura mantenha o acompanhamento individualizado das unidades de ensino.

“Agora precisamos transformar essa reação em uma tendência permanente. O primeiro passo é analisar escola por escola. Precisamos identificar aquelas que mais avançaram em 2025, promover a troca de experiências e compartilhar as práticas pedagógicas que contribuíram para esses resultados”, explicou.

Ao comentar a posição de Natal em relação a outras capitais, Aldo reconheceu que ainda há desafios. “Natal avançou em 2025, mas ainda está distante do patamar que desejamos e das redes municipais que são referência nacional. Não podemos utilizar o crescimento para esconder nossos desafios. Mas também seria injusto desconsiderar uma mudança de trajetória quando os números começam a demonstrá-la”, afirmou.

O secretário citou ainda os investimentos realizados pela gestão na tentativa de melhorar os indicadores. “Quando assumimos a Secretaria, encontramos enormes desafios e passamos a investir em acompanhamento pedagógico, formação, recomposição da aprendizagem, alfabetização, avaliações, inclusão, infraestrutura, conectividade e ampliação do quadro de profissionais”, disse.

Segundo Aldo Fernandes, a alfabetização continuará entre as prioridades. “Precisamos continuar investindo fortemente na alfabetização. Os indicadores que já acompanhamos mostram que Natal vem avançando. No acompanhamento de leitura do 1º ano, por exemplo, o percentual de estudantes com leitura adequada evoluiu de 21% para 48%. Isso é muito importante porque uma alfabetização sólida repercute em toda a trajetória escolar”, destacou.


Compartilhe esse post

PROJETO OFERECE ACOLHIMENTO E APOIO PSICOLÓGICO PARA VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM NATAL

  • por
Compartilhe esse post

O mês de agosto é dedicado à conscientização sobre a importância do combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, o chamado Agosto Lilás. A campanha, no entanto, é um alerta de que esse acolhimento às vítimas precisa acontecer durante todo o ano. Com esse objetivo, o Instituto Social de Saúde e Educação do Rio Grande do Norte (ISSERN) desenvolve, desde abril deste ano, um projeto que oferece atendimento psicológico, orientação social e jurídica a mulheres em situação de violência, buscando fortalecer a autonomia e contribuir para o rompimento do ciclo de agressões. Os atendimentos acontecem na Rua Jaguarari, 2239, em Lagoa Nova – Natal.

A iniciativa surgiu a partir da percepção de que muitas mulheres enfrentam dificuldades para acessar os serviços da rede de proteção. Medo, vergonha, dependência emocional ou financeira e até a dificuldade de reconhecer que vivem uma situação de violência são algumas das barreiras identificadas pela equipe do instituto.

Segundo a gerente e coordenadora de Projetos do ISSERN, Lindinez Chagas Cabral, a instituição já realizava ações de acolhimento em alguns municípios potiguares e decidiu ampliar esse trabalho por meio de um serviço estruturado para atuar de forma complementar à rede pública.

“A ideia surgiu a partir da percepção de que muitas mulheres vivenciam situações de violência, mas nem sempre conseguem chegar aos serviços da Rede de Proteção. Existem barreiras como medo, vergonha, dependência emocional ou financeira, falta de informação e, muitas vezes, a dificuldade de reconhecer que estão vivendo uma situação de violência”, afirmou.

Ela explica que o projeto foi pensado para ser uma porta de entrada acolhedora, onde as mulheres possam ser ouvidas sem julgamentos e orientadas sobre os caminhos disponíveis.

“Criamos uma porta de entrada acolhedora, onde a mulher possa ser ouvida sem julgamento, receber orientação e, quando necessário, ser direcionada aos serviços adequados. Nossa proposta é fortalecer a Rede e, principalmente, fazer com que nenhuma mulher se sinta sozinha ou sem saber a quem recorrer”, disse.

Acolhimento antes de qualquer encaminhamento
O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, na sede do ISSERN, em Natal. O acesso é gratuito e não exige agendamento prévio.

De acordo com Lindinez Chagas Cabral, o primeiro atendimento prioriza a escuta ativa e o respeito à individualidade de cada mulher.

“Muitas vezes, antes de qualquer encaminhamento, ela precisa simplesmente encontrar alguém que diga: ‘Você não está sozinha. Nós podemos caminhar com você’. O projeto nasce justamente dessa compreensão: acolher primeiro, compreender a realidade daquela mulher e, a partir daí, construir junto com ela os caminhos possíveis”, explicou.

A mulher é inicialmente recebida pela recepcionista Rebecca Rodrigues e, em seguida, atendida pela psicóloga Camilla Maia e pela assistente social Jéssica Marinho. Quando necessário, a equipe também aciona a assessoria jurídica.

Segundo a coordenadora, não existe um protocolo rígido.

“Cada mulher tem uma história e precisa ter sua individualidade respeitada. Nosso papel não é decidir por ela, mas ajudá-la a compreender as possibilidades e acessar seus direitos e a rede de proteção”, afirmou.

O trabalho é desenvolvido por uma equipe multiprofissional formada pela coordenação do projeto, psicóloga, assistente social e assessoria jurídica.

“Cada profissional contribui a partir da sua área de conhecimento, mas existe algo que precisa estar presente em todos os atendimentos: a capacidade de escutar e acolher. A atuação integrada permite olhar para essa mulher não apenas pela situação de violência, mas considerando também suas necessidades sociais, emocionais, familiares e de proteção”, comentou.

Desde o início do projeto, em abril, o ISSERN já realizou atendimentos, mas a coordenadora reconhece que o número ainda é pequeno.

“Não olhamos para esses atendimentos apenas como números. Cada mulher que chega até nós representa uma história e, muitas vezes, a coragem de romper o silêncio e buscar orientação.

Nosso desafio agora é ampliar o alcance do projeto e fazer com que mais mulheres conheçam esse espaço e saibam que podem procurar ajuda”, pontuou.

O projeto atende mulheres a partir de 18 anos e, segundo a coordenadora, não há um perfil predominante entre aquelas que procuram o serviço.

“Não existe um único perfil, porque a violência pode acontecer em diferentes contextos sociais, familiares e econômicos. O que percebemos é que muitas chegam fragilizadas e, algumas vezes, ainda têm dificuldade de reconhecer ou nomear a situação que estão vivendo como violência”, destacou.

Sempre que necessário, a equipe realiza encaminhamentos para órgãos da rede de proteção, de acordo com a demanda apresentada por cada mulher.

Romper o ciclo da violência exige tempo
Além do acolhimento imediato, o projeto desenvolve rodas de conversa, atividades de fortalecimento da autoestima, orientações sobre direitos, saúde da mulher, projeto de vida e desenvolvimento pessoal e profissional. Também busca fortalecer a articulação com os serviços de saúde, assistência social, Justiça e segurança pública para garantir continuidade no atendimento.

Segundo Lindinez Chagas Cabral, fortalecer a autonomia das mulheres é um processo construído de forma gradual.

“Oferecer condições para que a mulher reconheça seus direitos e, junto com a equipe técnica do projeto, consiga construir estratégias seguras para romper o ciclo da violência. E é importante dizer: romper um ciclo de violência nem sempre acontece de uma vez. Às vezes, o primeiro passo é simplesmente conseguir pedir ajuda”, concluiu.

Violência vai além da agressão
A violência contra a mulher vai além da agressão, ela não é apenas física, mas também psicológica, moral, patrimonial e sexual.

“Violência doméstica, não é só a agressão, o tapa, a facada, não é só o tiro. Ela pode ser psicológica, do tipo “você não serve de nada, ninguém vai lhe querer porque eu posso fazer isso…” é a humilhação, é aquela “Síndrome da Cinderela”, em casos em que a mulher só serve para fazer serviços domésticos. As ameaças são um tipo de agressão que a gente considera agressão psicológica, mas ela, na Maria da Penha, geralmente vem separada. A psicológica é aquela que diminui, a moral é aquela que humilha a vítima”, detalhou a advogada Larissa Nobre.

Já no caso da violência patrimonial, a advogada explica que estaria relacionada a situação financeira, quando a vítima é obrigada a entregar dinheiro ao agressor. “Nós temos a violência patrimonial, exemplo: meu dinheiro eu vou lá e dou todo para meu companheiro, ou meu pai, ou meu irmão agressor. Ou, mesmo não entregando, ele vai lá e faz empréstimos em meu nome, seja meu nome, porque eu sou a única que tem o nome limpo, ou sou a única que tem um crédito na praça”, descreveu.

Entre janeiro e a primeira semana de agosto de 2026, foram solicitadas 5.089 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em todo o RN.

A Medida é uma decisão judicial destinada a garantir a segurança da vítima. Após a solicitação realizada pela Polícia Civil, o Poder Judiciário poderá determinar medidas como o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e de qualquer forma de contato com a vítima, inclusive por telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mail, a suspensão do porte de arma de fogo e, quando necessário, a restrição temporária de visitas aos filhos.


Compartilhe esse post

ÁLVARO DIAS AFIRMA QUE ALLYSON É O “CANDIDATO DOS SEGREDOS INACABADOS”

  • por
Compartilhe esse post

A Operação Mederi, da Polícia Federal, voltou ao centro do embate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Durante o debate da Band no domingo (09), Álvaro Dias (PL) questionou Allyson Bezerra (União Brasil) sobre o acesso dos investigadores ao celular apreendido no âmbito da operação e afirmou que o adversário teria se recusado a fornecer a senha do aparelho.

O assunto apareceu mais de uma vez durante o confronto. Ao dirigir uma pergunta a Allyson, Álvaro cobrou explicações sobre o episódio e associou a suposta recusa às investigações conduzidas pela Polícia Federal.

“Você se recusou a dar a senha do celular para a Polícia Federal, que está investigando o maior escândalo”, afirmou Álvaro, ao mencionar a busca e apreensão realizada durante a investigação.

Mais adiante, o candidato do PL voltou ao tema após considerar que Allyson não havia respondido ao questionamento. “Outra coisa, você não respondeu à pergunta que eu fiz: por que não entregou o segredo do celular à Polícia Federal?”, insistiu.

Álvaro utilizou o episódio ainda para ironizar o adversário. Ao fazer referência às críticas de Allyson sobre obras deixadas por sua administração em Natal, o ex-prefeito devolveu: “Você me chama de candidato A ou B, mas eu vou começar a lhe chamar de candidato dos segredos inacabados ou dos segredos inconfessados”, declarou, antes de ter o tempo encerrado pela mediação do debate.

O assunto reapareceu em outro momento do programa, quando Álvaro voltou a cobrar respostas às perguntas feitas ao candidato do União Brasil e novamente mencionou o celular apreendido.

Allyson, por sua vez, rebateu a acusação durante o debate e afirmou que o aparelho está acessível no processo. “Para ficar muito claro para vocês, talvez vocês não estejam cientes dentro do processo, mas o meu celular está aberto”, declarou.

A discussão levou para o debate eleitoral um dos pontos explorados pelos adversários de Allyson desde o avanço das investigações sobre contratos públicos na área da saúde em Mossoró. Até o momento, contudo, os elementos investigados não representam condenação definitiva do candidato.

Operação deflagrada pela PF investiga fraudes na saúde

Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos para fornecimento de medicamentos e insumos à saúde pública em municípios do Rio Grande do Norte. A investigação conta com participação da Controladoria-Geral da União (CGU).

As apurações envolvem empresas fornecedoras, entre elas a Dismed, e contratos mantidos com diferentes municípios, incluindo Mossoró. Entre as suspeitas estão direcionamento de contratos, sobrepreço, superfaturamento, entrega parcial de medicamentos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

A investigação ganhou maior repercussão política após elementos reunidos pela PF mencionarem a chamada “Matemática de Mossoró”. Em conversas analisadas pelos investigadores, empresários fazem referência a uma divisão de valores na qual 15% seriam destinados a “Allyson”, identificação associada pelos investigadores ao então prefeito. Allyson nega irregularidades e envolvimento em desvios.

No âmbito da operação, foram apreendidos três aparelhos celulares relacionados a Allyson, entre eles, segundo informações da investigação, um telefone descartável, conhecido como “burner phone”. No debate da Band, Álvaro concentrou as cobranças no acesso da Polícia Federal ao conteúdo desses aparelhos e questionou o adversário sobre o fornecimento das senhas.
Desde o avanço da Mederi, a investigação tem sido um dos principais pontos explorados pelos adversários de Allyson na campanha ao Governo do Estado.


Compartilhe esse post

CADU DE LULA: “ALLYSON É INVESTIGADO POR DESVIAR R$ 13 MILHÕES EM MOSSORÓ”

  • por
Compartilhe esse post

A acusação feita por Allyson Bezerra (União Brasil) durante o debate da Band, neste domingo (9), levou Cadu de Lula (PT) a reagir e devolver os questionamentos ao adversário. Em entrevista ao Diário do RN, o petista negou irregularidade no episódio envolvendo a remuneração dos auditores fiscais durante a pandemia e afirmou que a medida questionada estava prevista em lei.

“O problema é que Allyson quer me medir pela régua dele. Ele é investigado por desviar R$ 13 milhões na Prefeitura de Mossoró com desvios de medicamentos, em vez de comprar medicamento para o povo de Mossoró, ele é suspeito de ter desviado esse recurso em benefício próprio e quer medir as atitudes dele pela minha régua. Mas a minha régua é bem diferente”, afirmou Cadu.

O candidato sustentou que a remuneração dos auditores fiscais é regulamentada por lei e recorreu à própria trajetória no serviço público para rebater a acusação. “Eu tenho 21 anos de serviço público, passei sete anos como gestor financeiro do Rio Grande do Norte e nem passa perto de mim nenhuma acusação desse tipo”, acrescentou.

Na manhã desta segunda-feira (10), a campanha de Cadu ampliou a reação por meio de nota.

Segundo o texto, o documento apresentado por Allyson no debate se refere a uma representação administrativa de 2021 no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), que rejeitou a adoção de medida cautelar.

A nota sustenta que a resolução questionada não criou aumento salarial por decisão dos então secretários, mas aplicou critérios previstos em legislação anterior. A campanha afirma ainda que não houve condenação, multa ou imputação de débito contra Cadu e que permaneceram pedidos de esclarecimentos técnicos sobre aspectos orçamentários.

“Os conselheiros reconheceram que Cadu cumpriu a lei. O Tribunal deixou claro que a resolução não criou aumento salarial por vontade dos secretários; ela apenas aplicou critérios estabelecidos em lei anterior”, diz trecho da nota.

Lei que prevê reajuste anual dos auditores foi reformulada em 2013

O debate realizado pela Band RN foi o primeiro com os quatro principais candidatos ao Governo do Estado e foi marcado por ofensas e acusações de falhas em gestões anteriores – Foto: Reprodução

A legislação que originou o debate é a Lei Complementar Estadual nº 484, de 16 de janeiro de 2013, que reestruturou a carreira dos Auditores Fiscais do Tesouro Estadual e estabeleceu regras específicas para a remuneração da categoria. A norma instituiu, entre outros pontos, uma Parcela Variável vinculada ao nível ocupado pelo auditor.

A LC nº 484/2013 determina que o valor da Unidade da Parcela Variável (UPV), que compõe essa remuneração, seja reajustado anualmente. O cálculo considera o percentual da arrecadação de ICMS que superar a meta estimada pelo Estado e o cumprimento de metas de fiscalização.

A lei estabelece ainda que o reajuste seja homologado até 31 de março do ano seguinte ao período usado como base e implementado até 31 de julho. Assim, a legislação prevê um mecanismo anual de atualização de parte da remuneração vinculado ao desempenho da arrecadação e da fiscalização tributária.

Ainda no comunicado mencionado acima, a campanha de Cadu voltou-se contra Allyson ao citar a Operação Mederi, da Polícia Federal. Segundo a nota, conversas analisadas na investigação fazem referência à chamada “Matemática de Mossoró”, envolvendo medicamentos pagos e não entregues e uma divisão de valores na qual 15% seriam destinados a Allyson. O candidato do União Brasil nega irregularidades.

Acusação surgiu durante debate
A reação ocorreu após Allyson apresentar no debate um documento atribuído ao TCE e acusar Cadu de ter participado de um aumento salarial durante a pandemia.

“Esse documento mostra que o candidato está sendo investigado por uma conduta durante a pandemia. Ele aumentou, através de uma resolução, o próprio salário, dando para a categoria R$ 13 milhões”, afirmou Allyson.


O candidato citou o processo nº 1708/2021 e sustentou que a medida teria sido tomada sem passar pela Assembleia Legislativa. “Sem passar por lei, sem ter impacto financeiro, tudo está dentro do processo, aumentou em R$ 13 milhões o salário dele durante a pandemia, quando nem o salário poderia ser aumentado”, declarou.

Allyson também exibiu o documento e atribuiu a Cadu a assinatura da resolução. “É a assinatura do senhor. O senhor vai contra a sua assinatura?”, questionou.

Após as acusações, Cadu solicitou direito de resposta ainda durante o debate, alegando que as declarações atingiam sua conduta como servidor público. O pedido foi analisado e negado pela equipe jurídica responsável pelo programa.


Compartilhe esse post

VIOLÊNCIA POLÍTICA CONTRA MULHERES VAI ALÉM DAS CAMPANHAS ELEITORAIS

  • por
Compartilhe esse post

A violência política de gênero continua sendo uma barreira para a participação feminina na política e tende a se intensificar durante o período eleitoral. Embora o problema não se limite às campanhas, a disputa pelo voto amplia episódios de discriminação, ataques pessoais e tentativas de restringir a atuação das mulheres na vida pública.

A avaliação é da advogada eleitoralista, pesquisadora e militante das causas de gênero Clarisse Tavares. Segundo ela, o preconceito ainda acompanha muitas mulheres desde o momento em que decidem ingressar na política.

“O gênero ainda define, em muitas ocasiões, os primeiros questionamentos dirigidos a uma mulher quando ela decide entrar na política, de forma direta ou velada. Essas violências não se restringem ao período eleitoral, mas nele se intensificam”, afirmou.

A advogada explica que a Lei nº 14.192/2021 considera violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão que tenha por finalidade impedir, obstaculizar ou restringir seus direitos políticos. Durante as campanhas, porém, esse tipo de prática costuma ganhar maior visibilidade.

“A violência de gênero ocorre independentemente do calendário eleitoral, mas se acentua durante a disputa pelo voto”, comentou.

Segundo Clarisse, as situações mais comuns incluem críticas à aparência e à vida íntima das candidatas, interrupção de falas em eventos, distribuição desigual de recursos de campanha e ameaças.

Outro ambiente em que esse tipo de violência se manifesta com frequência são as redes sociais.

Para a advogada, é importante diferenciar críticas legítimas aos agentes públicos de ataques motivados pelo fato de a vítima ser mulher.

“Em resumo: crítica legítima é a que se dirige a propostas, atos e desempenho; violência de gênero é a que ataca a mulher pela sua condição de mulher”, explicou.

A legislação brasileira prevê punições para quem pratica esse tipo de violência. Além da definição trazida pela Lei nº 14.192/2021, o artigo 326-B do Código Eleitoral tipifica como crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato com o objetivo de impedir ou dificultar a campanha ou o exercício do cargo, utilizando menosprezo ou discriminação à condição de mulher, à cor, à raça ou à etnia.

Lei trouxe avanços, mas proteção pode ser ampliada
Na avaliação de Clarisse Tavares, a legislação representa um avanço no enfrentamento à violência política de gênero e já produz resultados práticos, mas ainda há espaço para aperfeiçoamentos.

“A lei é eficaz e produz efeitos jurídicos desde a sua vigência, como demostram condenações recentes de figuras públicas. Ainda assim, na condição de advogada militante nas causas de gênero, entendo que é preciso avançar”, argumentou.

Para ela, a proteção legal deveria alcançar também outras mulheres que atuam no ambiente político, mesmo sem disputar eleições ou exercer mandato.

“É necessário incluir, como possíveis vítimas, outras agentes políticas além das candidatas e detentoras de mandato”, defendeu.

A advogada entende que advogadas, assessoras, servidoras e outras profissionais também estão sujeitas a esse tipo de violência.

“Com certeza. É por isso que defendo a inclusão de outras agentes do meio político no rol de vítimas: advogadas, assessoras, servidoras e demais profissionais que circulam nesse ambiente também são atingidas”, disse.

Ela ressalta ainda que a violência política pode partir tanto de adversários quanto de integrantes do próprio grupo político.

“Não há diferença. A violência é a mesma, quer parta de um adversário, quer de um correligionário”, pontuou.

Ambiente digital preocupa para as eleições de 2026
Ao projetar o cenário das eleições de 2026, Clarisse aponta que um dos principais desafios será enfrentar os ataques praticados no ambiente digital.

“Talvez o maior desafio seja combater a violência política de gênero no ambiente digital, onde as mulheres ficam especialmente expostas a ataques, ameaças e xingamentos”, afirmou.

Na avaliação da especialista, também será importante criar mecanismos técnicos e jurídicos para conter a desinformação de gênero impulsionada por inteligência artificial, além de promover o letramento de gênero entre integrantes dos partidos e da Justiça Eleitoral e assegurar a distribuição paritária de recursos e de tempo de campanha para as candidaturas femininas.


Compartilhe esse post