Início » Arquivos para 11 de agosto de 2026, 07:00h

agosto 11, 2026


CADU DE LULA: “ALLYSON É INVESTIGADO POR DESVIAR R$ 13 MILHÕES EM MOSSORÓ”

  • por
Compartilhe esse post

A acusação feita por Allyson Bezerra (União Brasil) durante o debate da Band, neste domingo (9), levou Cadu de Lula (PT) a reagir e devolver os questionamentos ao adversário. Em entrevista ao Diário do RN, o petista negou irregularidade no episódio envolvendo a remuneração dos auditores fiscais durante a pandemia e afirmou que a medida questionada estava prevista em lei.

“O problema é que Allyson quer me medir pela régua dele. Ele é investigado por desviar R$ 13 milhões na Prefeitura de Mossoró com desvios de medicamentos, em vez de comprar medicamento para o povo de Mossoró, ele é suspeito de ter desviado esse recurso em benefício próprio e quer medir as atitudes dele pela minha régua. Mas a minha régua é bem diferente”, afirmou Cadu.

O candidato sustentou que a remuneração dos auditores fiscais é regulamentada por lei e recorreu à própria trajetória no serviço público para rebater a acusação. “Eu tenho 21 anos de serviço público, passei sete anos como gestor financeiro do Rio Grande do Norte e nem passa perto de mim nenhuma acusação desse tipo”, acrescentou.

Na manhã desta segunda-feira (10), a campanha de Cadu ampliou a reação por meio de nota.

Segundo o texto, o documento apresentado por Allyson no debate se refere a uma representação administrativa de 2021 no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), que rejeitou a adoção de medida cautelar.

A nota sustenta que a resolução questionada não criou aumento salarial por decisão dos então secretários, mas aplicou critérios previstos em legislação anterior. A campanha afirma ainda que não houve condenação, multa ou imputação de débito contra Cadu e que permaneceram pedidos de esclarecimentos técnicos sobre aspectos orçamentários.

“Os conselheiros reconheceram que Cadu cumpriu a lei. O Tribunal deixou claro que a resolução não criou aumento salarial por vontade dos secretários; ela apenas aplicou critérios estabelecidos em lei anterior”, diz trecho da nota.

Lei que prevê reajuste anual dos auditores foi reformulada em 2013

O debate realizado pela Band RN foi o primeiro com os quatro principais candidatos ao Governo do Estado e foi marcado por ofensas e acusações de falhas em gestões anteriores – Foto: Reprodução

A legislação que originou o debate é a Lei Complementar Estadual nº 484, de 16 de janeiro de 2013, que reestruturou a carreira dos Auditores Fiscais do Tesouro Estadual e estabeleceu regras específicas para a remuneração da categoria. A norma instituiu, entre outros pontos, uma Parcela Variável vinculada ao nível ocupado pelo auditor.

A LC nº 484/2013 determina que o valor da Unidade da Parcela Variável (UPV), que compõe essa remuneração, seja reajustado anualmente. O cálculo considera o percentual da arrecadação de ICMS que superar a meta estimada pelo Estado e o cumprimento de metas de fiscalização.

A lei estabelece ainda que o reajuste seja homologado até 31 de março do ano seguinte ao período usado como base e implementado até 31 de julho. Assim, a legislação prevê um mecanismo anual de atualização de parte da remuneração vinculado ao desempenho da arrecadação e da fiscalização tributária.

Ainda no comunicado mencionado acima, a campanha de Cadu voltou-se contra Allyson ao citar a Operação Mederi, da Polícia Federal. Segundo a nota, conversas analisadas na investigação fazem referência à chamada “Matemática de Mossoró”, envolvendo medicamentos pagos e não entregues e uma divisão de valores na qual 15% seriam destinados a Allyson. O candidato do União Brasil nega irregularidades.

Acusação surgiu durante debate
A reação ocorreu após Allyson apresentar no debate um documento atribuído ao TCE e acusar Cadu de ter participado de um aumento salarial durante a pandemia.

“Esse documento mostra que o candidato está sendo investigado por uma conduta durante a pandemia. Ele aumentou, através de uma resolução, o próprio salário, dando para a categoria R$ 13 milhões”, afirmou Allyson.


O candidato citou o processo nº 1708/2021 e sustentou que a medida teria sido tomada sem passar pela Assembleia Legislativa. “Sem passar por lei, sem ter impacto financeiro, tudo está dentro do processo, aumentou em R$ 13 milhões o salário dele durante a pandemia, quando nem o salário poderia ser aumentado”, declarou.

Allyson também exibiu o documento e atribuiu a Cadu a assinatura da resolução. “É a assinatura do senhor. O senhor vai contra a sua assinatura?”, questionou.

Após as acusações, Cadu solicitou direito de resposta ainda durante o debate, alegando que as declarações atingiam sua conduta como servidor público. O pedido foi analisado e negado pela equipe jurídica responsável pelo programa.


Compartilhe esse post

VIOLÊNCIA POLÍTICA CONTRA MULHERES VAI ALÉM DAS CAMPANHAS ELEITORAIS

  • por
Compartilhe esse post

A violência política de gênero continua sendo uma barreira para a participação feminina na política e tende a se intensificar durante o período eleitoral. Embora o problema não se limite às campanhas, a disputa pelo voto amplia episódios de discriminação, ataques pessoais e tentativas de restringir a atuação das mulheres na vida pública.

A avaliação é da advogada eleitoralista, pesquisadora e militante das causas de gênero Clarisse Tavares. Segundo ela, o preconceito ainda acompanha muitas mulheres desde o momento em que decidem ingressar na política.

“O gênero ainda define, em muitas ocasiões, os primeiros questionamentos dirigidos a uma mulher quando ela decide entrar na política, de forma direta ou velada. Essas violências não se restringem ao período eleitoral, mas nele se intensificam”, afirmou.

A advogada explica que a Lei nº 14.192/2021 considera violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão que tenha por finalidade impedir, obstaculizar ou restringir seus direitos políticos. Durante as campanhas, porém, esse tipo de prática costuma ganhar maior visibilidade.

“A violência de gênero ocorre independentemente do calendário eleitoral, mas se acentua durante a disputa pelo voto”, comentou.

Segundo Clarisse, as situações mais comuns incluem críticas à aparência e à vida íntima das candidatas, interrupção de falas em eventos, distribuição desigual de recursos de campanha e ameaças.

Outro ambiente em que esse tipo de violência se manifesta com frequência são as redes sociais.

Para a advogada, é importante diferenciar críticas legítimas aos agentes públicos de ataques motivados pelo fato de a vítima ser mulher.

“Em resumo: crítica legítima é a que se dirige a propostas, atos e desempenho; violência de gênero é a que ataca a mulher pela sua condição de mulher”, explicou.

A legislação brasileira prevê punições para quem pratica esse tipo de violência. Além da definição trazida pela Lei nº 14.192/2021, o artigo 326-B do Código Eleitoral tipifica como crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato com o objetivo de impedir ou dificultar a campanha ou o exercício do cargo, utilizando menosprezo ou discriminação à condição de mulher, à cor, à raça ou à etnia.

Lei trouxe avanços, mas proteção pode ser ampliada
Na avaliação de Clarisse Tavares, a legislação representa um avanço no enfrentamento à violência política de gênero e já produz resultados práticos, mas ainda há espaço para aperfeiçoamentos.

“A lei é eficaz e produz efeitos jurídicos desde a sua vigência, como demostram condenações recentes de figuras públicas. Ainda assim, na condição de advogada militante nas causas de gênero, entendo que é preciso avançar”, argumentou.

Para ela, a proteção legal deveria alcançar também outras mulheres que atuam no ambiente político, mesmo sem disputar eleições ou exercer mandato.

“É necessário incluir, como possíveis vítimas, outras agentes políticas além das candidatas e detentoras de mandato”, defendeu.

A advogada entende que advogadas, assessoras, servidoras e outras profissionais também estão sujeitas a esse tipo de violência.

“Com certeza. É por isso que defendo a inclusão de outras agentes do meio político no rol de vítimas: advogadas, assessoras, servidoras e demais profissionais que circulam nesse ambiente também são atingidas”, disse.

Ela ressalta ainda que a violência política pode partir tanto de adversários quanto de integrantes do próprio grupo político.

“Não há diferença. A violência é a mesma, quer parta de um adversário, quer de um correligionário”, pontuou.

Ambiente digital preocupa para as eleições de 2026
Ao projetar o cenário das eleições de 2026, Clarisse aponta que um dos principais desafios será enfrentar os ataques praticados no ambiente digital.

“Talvez o maior desafio seja combater a violência política de gênero no ambiente digital, onde as mulheres ficam especialmente expostas a ataques, ameaças e xingamentos”, afirmou.

Na avaliação da especialista, também será importante criar mecanismos técnicos e jurídicos para conter a desinformação de gênero impulsionada por inteligência artificial, além de promover o letramento de gênero entre integrantes dos partidos e da Justiça Eleitoral e assegurar a distribuição paritária de recursos e de tempo de campanha para as candidaturas femininas.


Compartilhe esse post