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DOENÇAS CARDIOVASCULARES AUMENTAM ENTRE OS JOVENS NO RIO GRANDE DO NORTE

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O aumento dos casos de doenças cardiovasculares entre adultos jovens tem chamado a atenção de especialistas no Rio Grande do Norte e em todo o país. Pessoas entre 18 e 39 anos estão aparecendo com mais frequência nas estatísticas de internações por infarto, arritmias e complicações ligadas à pressão alta, o que reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento precoce.

Dados do Ministério da Saúde apontam que as internações por infarto nessa faixa etária mais que dobraram nos últimos 16 anos. Estudos também indicam crescimento superior a 150% nos casos de infarto entre jovens nas últimas duas décadas. Em 2025, as mortes por doenças cardiovasculares no Brasil ultrapassaram 400 mil, uma média de 1.100 por dia, segundo o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

De acordo com o médico cardiologista Arthur Carvalho, a procura por atendimento cardiovascular entre os jovens potiguares tem aumentado, e a mudança de perfil é perceptível tanto no consultório quanto nos plantões hospitalares. “Tenho observado um crescimento preocupante de doenças cardiovasculares em pessoas jovens. Muitos ainda acreditam que infarto e arritmia são problemas de quem já passou dos 50 anos, mas essa realidade mudou”, afirma.

Essa realidade é vivida de perto pelo produtor de eventos Angel Gabriel, de 24 anos, que recebeu o diagnóstico de hipertensão assim que atingiu a maioridade. Ele conta que descobriu a condição aos 18 anos, após passar mal durante uma atividade física.

“Eu recebi o meu diagnóstico de hipertensão aos 18 anos. Durante um exercício eu senti uma dor forte e passei mal no treino. Procurei atendimento médico e me orientaram a buscar um cardiologista. Fiz exames e descobri que tinha hipertensão. Desde então passei a tomar losartana [medicamento para controle da pressão arterial] e, até hoje, continuo com a medicação e fazendo acompanhamento com cardiologista”, relata.

Segundo o cardiologista Arthur Carvalho, fatores como estresse constante, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e uso de substâncias estimulantes têm antecipado quadros que antes eram mais comuns em faixas etárias mais elevadas. Além disso, condições silenciosas, como colesterol alto e hipertensão precoce, contribuem para agravar o risco.

“Prevenir é sempre mais simples do que tratar. Atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e exames de rotina são medidas fundamentais para proteger o coração e garantir maior e melhor qualidade de vida”, orienta o especialista.

Diretrizes para pressão alta
Diante desse cenário, recomendações recentes da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, lançadas em setembro 2025, reforçam a importância da identificação precoce de pessoas em risco. O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.

A atualização redefiniu o que é considerado pressão arterial normal. A tradicional medida de 12 por 8 milímetros de mercúrio, antes vista como ideal, passou a ser classificada como indicativa de pré-hipertensão. Agora, considera-se normal a pressão inferior a 12 por 8. Valores iguais ou superiores a 14 por 9 continuam caracterizando hipertensão, dividida em estágios conforme a gravidade.

A mudança busca ampliar o monitoramento, especialmente entre pessoas mais jovens que, muitas vezes, não apresentam sintomas. A proposta é estimular intervenções não medicamentosas antes que o quadro evolua.

Arthur Carvalho, no entanto, explica que pacientes com 12 por 8 não são considerados hipertensos, mas precisam de acompanhamento regular. “É um ponto de atenção. Não significa que todos precisarão de medicação, mas que devem adotar hábitos mais saudáveis e realizar avaliações periódicas”, afirma.

A diretriz também amplia o olhar para o risco cardiovascular global, incorporando o escore PREVENT, ferramenta desenvolvida pela American Heart Association que estima o risco de eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca em 10 e 30 anos. O cálculo considera fatores como obesidade, diabetes, colesterol elevado e possíveis danos a órgãos como coração e rins.

Outra inovação é o capítulo dedicado ao Sistema Único de Saúde (SUS), com recomendações adaptadas à realidade da rede pública, responsável por atender a maior parte dos pacientes hipertensos no país. Entre as orientações estão a priorização de medicamentos disponíveis, o fortalecimento da atenção primária e o incentivo ao uso de monitorização ambulatorial e residencial da pressão arterial.

Para o cardiologista, a nova classificação deve ser encarada como um alerta positivo, sobretudo entre jovens. “A pressão 12 por 8 continua sendo um bom parâmetro, mas agora representa um sinal de atenção. Quanto mais cedo houver consciência e mudança de hábitos, menores serão as chances de complicações no futuro”, conclui.


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