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STYVENSON TRAI O DISCURSO E CONFIRMA A PRÓPRIA IRMÃ COMO SUA SUPLENTE

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O senador Styvenson Valentim (Podemos) confirmou a própria irmã, Anny Kelly Valentim, como primeira suplente na chapa com a qual disputará a reeleição ao Senado. A confirmação foi feita nesta quarta-feira (22), em entrevista ao Portal BNews, após semanas de especulações sobre a composição. Ao justificar a escolha familiar, o parlamentar apontou a confiança como fator determinante, argumento que contrasta com um episódio de 2020, quando criticou publicamente a irmã após descobrir que ela havia recebido o auxílio emergencial durante a pandemia.

“Uma já está certa. Demorei para convencer”, confirmou Styvenson. A segunda suplência, segundo ele, permanece indefinida e poderá ser ocupada por outra irmã, uma prima ou alguém que considere de confiança e com perfil adequado para acompanhá-lo.

Antecipando críticas pela escolha de um familiar, Styvenson argumentou que sua trajetória política não é marcada por acusações de corrupção, negociação de cargos ou irregularidades e afirmou estar preparado para responder aos questionamentos durante a campanha.

“Estou doido para começar os debates. Estão questionando meu caráter porque coloquei minha irmã porque não têm nada para dizer sobre dinheiro, sobre negociação de projeto ou qualquer irregularidade.

Como não encontram nada, tentam criar um problema onde não existe”, declarou.

Confiança pesou na escolha
A possibilidade de escolher a irmã já havia sido discutida por Styvenson em entrevista recente ao comunicador Bruno Giovanni, no Meio Dia RN, da 96 FM. Na ocasião, o senador afirmou que, em vez de definir um suplente apenas pela capacidade de agregar votos ou recursos à campanha, considerava fundamental ter alguém de confiança para assumir a cadeira em uma eventual ausência.

“Ninguém leva em consideração a confiabilidade de ter uma pessoa na cadeira que dê a tranquilidade de uma ausência de um senador”, afirmou.

Essa segurança também pode estar relacionada a projetos políticos futuros. Questionado sobre uma eventual candidatura ao Governo do Estado em 2030, Styvenson admitiu a possibilidade. “Pode ser, pode ser”, respondeu, lembrando que, em 2022, não teria se sentido seguro para disputar outro cargo por não confiar no suplente. A possibilidade é levantada mesmo com o senador integrando atualmente o grupo político do pré-candidato ao Governo Álvaro Dias (PL).

Ao tratar especificamente da irmã, reforçou o vínculo familiar como fator decisivo. “Minha irmã pode até me trair, mas é sangue do meu sangue, é dentro da minha casa. É mais fácil a gente confiar em quem conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda”, declarou.

Questionado também sobre a falta de experiência política de Anny, Styvenson relativizou esse aspecto e usou a própria trajetória como exemplo. “Se a gente for discutir competência, eu não tinha nenhuma em 2018, não tinha perfil político nenhum, e a competência foi se construindo. Nada melhor do que o modelo para ser seguido. É só dar continuidade ao que já foi feito”, argumentou.

Irmã já foi alvo de críticas

Em 2020, Anny Kelly foi exposta pelo próprio irmão por ter recebido auxílio emergencial na pandemia – Foto: Reprodução

A confiança destacada agora contrasta com um episódio ocorrido durante a pandemia. Em 2020, Styvenson criticou publicamente Anny Kelly após descobrir que ela havia recebido uma parcela de R$ 600 do auxílio emergencial.

Na época, a irmã estava desempregada e, como o próprio senador reconheceu, enquadrava-se nos critérios legais para receber o benefício. Styvenson, porém, considerou inadequado que ela recorresse ao auxílio por entender que poderia pedir ajuda financeira a ele.

O parlamentar descobriu o pagamento ao consultar o Portal da Transparência, no mesmo dia em que havia criticado nas redes sociais pessoas que, em sua avaliação, recebiam o benefício sem precisar. Anny explicou que estava desempregada, precisava do dinheiro e não queria recorrer ao irmão.

Mesmo reconhecendo que ela tinha direito ao benefício, Styvenson tornou o episódio público e defendeu a devolução dos R$ 600. O recurso foi posteriormente devolvido à União, conforme consta no Portal da Transparência.

Seis anos depois, Anny passa de alvo de uma repreensão pública do irmão a primeira suplente de sua candidatura à reeleição, escolhida justamente sob o argumento da confiança para assumir e dar continuidade ao mandato em uma eventual ausência.


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