
Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim chama a atenção para um problema de saúde pública que cresce de forma silenciosa no Brasil e no mundo: as doenças renais crônicas. A data busca ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico, especialmente entre pessoas com fatores de risco.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e do Ministério da Saúde, cerca de 12 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de doença renal. Estimativas mais amplas indicam que a Doença Renal Crônica (DRC) pode atingir até um em cada dez brasileiros, o que representa mais de 20 milhões de pessoas.
Apesar da dimensão do problema, muitos casos ainda não são diagnosticados. A nefrologista e vice-presidente da SBN no Nordeste, Kalyanne Cabral, explica que a doença costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce.
“A doença renal crônica é geralmente assintomática até as fases finais. Então, se o paciente que é hipertenso, diabético, obeso ou cardiopata não fizer um rastreio da função renal, ele pode ter a doença e não saber”, alerta.
Segundo a especialista, os primeiros sinais costumam surgir quando o comprometimento dos rins já está avançado, muitas vezes próximo da necessidade de hemodiálise ou transplante. Por isso, a realização de exames preventivos é fundamental.
Entre as principais causas da doença renal crônica estão a hipertensão arterial, responsável por cerca de 33% dos casos, e o diabetes, que responde por aproximadamente 30%. Outros fatores, como obesidade, doenças cardíacas e o uso frequente de anti-inflamatórios, também contribuem para o desenvolvimento da doença.
“É importante destacar que as principais causas da doença renal são muito comuns na população, como hipertensão e diabetes. Por isso a doença renal crônica acaba sendo tão prevalente”, explica a médica.
Os rins desempenham funções essenciais para o organismo, como filtrar o sangue, eliminar toxinas, controlar a pressão arterial e produzir hormônios importantes. Quando deixam de funcionar adequadamente, podem surgir complicações graves que exigem tratamento contínuo.
No Brasil, mais de 140 mil pessoas realizam diálise regularmente. O Sistema Único de Saúde financia cerca de 90% desses tratamentos, incluindo hemodiálise e diálise peritoneal. Em 2024, o governo federal anunciou um reajuste de aproximadamente R$ 600 milhões no financiamento da terapia renal substitutiva.
Mesmo assim, os desafios permanecem. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas morram todos os anos no país antes de conseguir acesso à diálise ou ao transplante renal.
A nefrologista também destaca que o tratamento da doença renal em estágios avançados traz impactos que vão além da saúde, incluindo o alto consumo de recursos naturais e a geração de resíduos.
“Quando a doença só é tratada nas suas fases finais, ela acaba sendo de tratamento muito caro e de alto impacto ambiental, principalmente em relação à diálise. Cada sessão usa muitos litros de água. E tem também a questão do acúmulo de lixo biológico e do consumo de energia elétrica.
Então, é um tratamento muito caro e que pode ser evitado se a gente conseguir um diagnóstico precoce da doença renal”, observa.
A médica lembra, no entanto, que o diagnóstico pode ser feito de forma simples, por meio de exames acessíveis.
“Basta realizar dois exames disponíveis no SUS [Sistema Único de Saúde], a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. São exames simples que permitem avaliar a função renal”, explica.
Panorama do RN
No Rio Grande do Norte, o cenário acompanha a tendência nacional de crescimento das doenças renais. Com isso, o estado tem registrado aumento na demanda por tratamentos e também por transplantes.
Em 2025, o RN alcançou um recorde histórico ao realizar 426 transplantes de órgãos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública. Entre eles, os transplantes renais estão entre os mais frequentes. Mesmo com o avanço, ainda existem filas de espera por esse tipo de procedimento.
Ações de conscientização
Para marcar o Dia Mundial do Rim, profissionais de saúde e instituições ligadas à nefrologia realizam ações de conscientização em diferentes cidades do Rio Grande do Norte.
Segundo a nefrologista Kalyanne Cabral, a programação inclui atividades de orientação e exames voltados principalmente para pessoas com fatores de risco.
“Na quinta-feira vamos ter ações em Natal e também no interior, organizadas pelos serviços de nefrologia e de diálise, com verificação de pressão arterial, testes de glicemia, distribuição de vouchers para exames de creatinina e atividades de conscientização da população”, explica.
A programação será encerrada no domingo (15), com um evento aberto ao público no Parque das Dunas, em Natal, promovido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia no estado (SBN-RN).
“Vamos ter palestras de conscientização, atividades físicas orientadas e esclarecimento de dúvidas. Será um momento importante de orientação e cuidado com a saúde”, pontua a médica.