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março 12, 2026


“PRECISAMOS OCUPAR ESPAÇOS DE PODER PARA CONSTRUIR DECISÕES MAIS JUSTAS”

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A presença feminina na política ainda é minoritária no Brasil, mas, para a vice-prefeita de Natal, Joana Guerra (Republicanos), ocupar esses espaços é parte essencial do processo de transformação social. Em entrevista ao Diário do RN, ela fala sobre sua trajetória na gestão pública, os desafios enfrentados por mulheres em ambientes políticos majoritariamente masculinos e a importância de ampliar a participação feminina nas decisões que impactam a vida da população.

Ao refletir sobre o papel das mulheres na política, a vice-prefeita reconhece que ainda existe uma predominância masculina nos espaços de poder e admite que, muitas vezes, as mulheres precisam demonstrar mais competência para obter o mesmo reconhecimento. Para ela, a melhor forma de enfrentar esse cenário é com trabalho, preparo e resultados, ajudando a quebrar preconceitos e consolidar a presença feminina na política.

Joana também destaca que Natal tem buscado avançar na participação das mulheres na gestão pública. De acordo com ela, atualmente cerca de 45% do primeiro escalão da administração municipal é composto por mulheres, o que considera um sinal de compromisso com maior representatividade.

Além da atuação na gestão municipal, Joana Guerra também tem papel na organização partidária. Ela preside o Republicanos em Natal e atua como secretária estadual de Mulheres da legenda no Rio Grande do Norte, defendendo que os partidos avancem além das cotas eleitorais e invistam na formação e no fortalecimento de lideranças femininas.
A seguir, a entrevista concedida ao Diário do RN.

Diário do RN – Em que momento da sua vida você percebeu que a política seria um caminho possível?
Joanna Guerra – Minha trajetória começou muito antes de disputar um cargo eletivo. Sou formada em Gestão de Políticas Públicas pela UFRN, com especialização em Gestão Pública pelo IFRN e mestrado em Estudos Urbanos e Regionais também pela UFRN, e durante muitos anos atuei na área de planejamento e gestão pública. Foi nesse contato direto com a construção de políticas públicas, participando da elaboração de projetos e acompanhando decisões que impactam a vida das pessoas, que percebi que a política também poderia ser um caminho natural para ampliar essa contribuição e ajudar a transformar realidades.

DRN – Ser mulher influenciou de alguma forma sua decisão de entrar na política? Como?
Joanna Guerra – Ser mulher certamente influencia nossa forma de olhar para a política. Ao longo da minha trajetória, sempre tive consciência de que ainda somos minoria nos espaços de poder. E isso não me afastou da política, pelo contrário, reforçou a convicção de que precisamos ocupar esses espaços, levar nossa perspectiva e contribuir para decisões mais justas, sensíveis e representativas da sociedade.

DRN – Como é ocupar hoje o cargo de vice-prefeita em um ambiente político ainda majoritariamente masculino?
Joanna Guerra – É uma grande responsabilidade, mas também uma oportunidade de contribuir para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. A política brasileira ainda tem predominância masculina, mas em Natal temos buscado dar um exemplo diferente. Hoje, a gestão municipal conta com um percentual expressivo de mulheres no primeiro escalão, chegando a cerca de 45% do secretariado, o que demonstra um compromisso real com a participação feminina na condução das políticas públicas da cidade.

Além disso, o Rio Grande do Norte tem uma história muito forte de pioneirismo feminino na política, o que aumenta ainda mais o senso de responsabilidade de quem ocupa um cargo público hoje. Foi aqui que tivemos Alzira Soriano, a primeira mulher eleita prefeita na América Latina, ainda em 1928. Também tivemos lideranças marcantes como Wilma de Faria, primeira mulher prefeita de Natal e depois governadora do estado, além de outras mulheres que abriram caminhos na política e na gestão pública.

Estar hoje como vice-prefeita de Natal significa dar continuidade a esse legado e, ao mesmo tempo, trabalhar para que cada vez mais mulheres possam participar da política não como exceção, mas como parte natural da construção das decisões que impactam a sociedade.

DRN – Você sente que precisa provar mais competência do que colegas homens para ocupar o mesmo espaço?
Joanna Guerra – Infelizmente, em muitos momentos as mulheres ainda precisam demonstrar mais para ter o mesmo reconhecimento. Mas eu acredito que o melhor caminho é responder com trabalho, seriedade e resultados. Quando mostramos capacidade, preparo e dedicação, ajudamos a desconstruir preconceitos e a consolidar o espaço das mulheres na política.

DRN – Houve algum episódio marcante em que você sentiu claramente o peso do machismo na política?
Joanna Guerra – A política, como outros ambientes de poder, ainda carrega práticas e visões antigas. Em alguns momentos percebemos questionamentos ou julgamentos que muitas vezes não seriam feitos da mesma forma a um homem. Essas situações existem, mas procuro encará-las como parte de um processo maior de transformação, em que cada avanço das mulheres ajuda a mudar essa cultura.

DRN – Quais pautas relacionadas às mulheres ainda precisam avançar mais no poder público municipal?
Joanna Guerra – O enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo uma das maiores prioridades. Em Natal, temos fortalecido a rede de proteção com o trabalho da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Semul), que atua no acolhimento, orientação e desenvolvimento de ações de prevenção e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Outro instrumento muito importante é a atuação da Patrulha Maria da Penha, que tem reforçado o acompanhamento e a proteção de mulheres com medidas protetivas, garantindo mais segurança e presença do poder público na defesa de suas vidas.

Também avançamos em políticas que impactam diretamente o cotidiano das mulheres. Um exemplo importante foi zerar a fila por vagas em creches em Natal, uma conquista que representa mais dignidade e oportunidade para muitas mães que precisam trabalhar, estudar ou empreender com a tranquilidade de ter seus filhos em um espaço seguro e de qualidade.

Mas ainda precisamos seguir avançando em outras frentes igualmente estratégicas, como a autonomia econômica das mulheres, ampliando oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e apoio ao empreendedorismo feminino.

DRN – Os partidos políticos realmente incentivam candidaturas femininas ou ainda tratam as mulheres como cota eleitoral?
Joanna Guerra – Houve avanços importantes na legislação e dentro dos partidos, mas ainda precisamos evoluir muito. Não basta apenas cumprir cotas formais! É fundamental investir na formação, no apoio e na visibilidade das mulheres na política.

Falo também a partir da experiência prática. Hoje tenho a responsabilidade de presidir o Republicanos em Natal e de atuar como secretária estadual de Mulheres do partido no Rio Grande do Norte. Há um movimento a nível nacional neste Partido e temos trabalhado para fortalecer cada vez mais a participação feminina, estimulando a formação política, o surgimento de novas lideranças e a construção de candidaturas competitivas.

No Republicanos, o movimento feminino tem ganhado força e organização, justamente com o objetivo de garantir que as mulheres não estejam na política apenas para cumprir uma exigência legal, mas para ocupar espaços de decisão, influenciar agendas e contribuir efetivamente para o desenvolvimento das cidades e da sociedade. Quando os partidos realmente acreditam no protagonismo feminino, o resultado é mais diversidade, mais representatividade e uma democracia mais forte. E aqui em Natal e no Rio Grande do Norte, dentro das minhas atribuições partidárias, busco fortalecer as mulheres republicanas e incentivar também uma participação feminina não só em maior número, mas projetos cada vez mais fortes de ocupação de mulheres na política Norte-Rio-Grandense.


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OPOSIÇÃO APOSTA QUE FÁTIMA BEZERRA NÃO RENUNCIA E VAI CONCLUIR MANDATO

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A possibilidade de uma eleição indireta para o Governo do Rio Grande do Norte, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar o Senado em 2026, ainda é tratada com cautela por parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa. Para o deputado estadual da direita, Tomba Farias (PL), o cenário mais provável é que a governadora permaneça no cargo até o fim do mandato. “Ela fica no governo até o fim. Porque ela não tem os votos. Ela só renunciará se tiver a certeza de que tem os votos”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Diário do RN.

Pelas regras, caso a renúncia ocorra no último ano de mandato, a escolha do novo governador é feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa, que reúne 24 deputados estaduais. Para vencer, o candidato precisa de maioria simples, ou seja, pelo menos 13 votos. Segundo Tomba, a direita ainda não discute nomes para uma eventual disputa justamente porque não acredita que a governadora vá abrir mão do cargo sem a garantia de eleger um sucessor.

“Deixa eu fazer uma pergunta: Fátima vai renunciar? Fátima sai do governo? Se ela não tiver votação, ela sai? Então, se ela não sai, não tem eleição. Como é que nós vamos botar os carros na frente dos bois? Nem Rogério Marinho conversou nada com a gente ainda sobre isso. A gente não tem nem certeza que tem que começar a trabalhar nisso. Quem está trabalhando muito é a esquerda, mas a esquerda está trabalhando para ver se tem os votos”, afirmou.

O deputado avalia que, hoje, nenhum dos grupos políticos possui os 13 votos necessários para garantir a eleição de um candidato. Para ele, esse equilíbrio de forças explica por que o debate ainda não avançou de forma concreta entre os parlamentares. “O problema é que nós (a direita) temos hoje dez votos. Precisa de 13. Quem é que tem 13 votos? Ninguém. Se tem alguém que tem votos, somos nós da direita. A esquerda não tem 13. O centro não tem 13”, disse.

A lógica do deputado vem sendo considerada nos bastidores por diferentes grupos políticos. Se Fátima não conseguir a maioria, não haverá eleição indireta, porque ela não renunciará.

Nesse cenário de forças equilibradas, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), é apontado por diferentes grupos como o principal articulador e possível fiel da balança na definição de um nome capaz de reunir maioria. Recentemente, chegou a circular nos bastidores a hipótese de um nome considerado conciliador: o do secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha (PSD), que possui trânsito em diferentes grupos políticos.

No entanto, fontes próximas à presidência da Assembleia negam que essa possibilidade esteja sendo discutida neste momento. Segundo essas fontes, o nome de Saldanha não foi tratado por Ezequiel nem com o próprio secretário nem com o governo estadual, o que indica que, ao menos por enquanto, ele não integra as negociações.

Nomes ligados ao PT afirmam que o partido vai continuar insistindo em um candidato dos seus quadros. “O PT vai bater o pé. Tem que ser alguém do PT”, afirmou à reportagem um interlocutor próximo ao partido.

O partido da governadora insiste em Cadu Xavier, o candidato que vem sendo trabalhado até agora. Entretanto, entende que o pré-candidato enfrenta mais dificuldades por ser o nome do grupo para a eleição de outubro, enquanto Francisco do PT poderia representar uma alternativa de negociação. O deputado, inclusive, é apontado por parlamentares de centro pela maior capacidade de diálogo por já integrar a própria Assembleia.

Francisco admitiu, em conversa com o Diário do RN, que a prioridade pessoal é disputar a reeleição para deputado estadual em 2026, mas não descarta participar de um eventual projeto partidário caso seja necessário: “O projeto que eu venho trabalhando é o da reeleição à deputada estadual. Eu tenho dito isso em todo lugar. Mas eu tenho 35 anos de filiação ao PT, todos os mandatos que exerci foram pelo partido, então tenho compromisso partidário e coletivo”, disse.

Nos bastidores da Casa, o cenário é de forte resistência a um nome diretamente ligado ao PT.

Mesmo assim, o partido ainda aposta na construção de um acordo político mais amplo e não trabalha, neste momento, com outras alternativas fora da legenda. Cadu continua sendo prioridade do projeto, mas o grupo dá a entender que tem uma carta na manga: “Ainda vamos usar acordo. Então não se discute isso agora”, garante o interlocutor do PT.


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DEFINIÇÃO DE NOMINATAS: PL SAI NA FRENTE; FEDERAÇÃO DE ESQUERDA AVANÇA

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A menos de um mês do fim da janela partidária, prazo que se encerra em 4 de abril, os partidos intensificam articulações para fechar as nominatas que disputarão as oito cadeiras do Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Das maiores chapas, até o momento, três movimentos se destacam no cenário potiguar: a nominata já fechada do Partido Liberal (PL), a composição quase concluída da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e a dificuldade de organização da federação União Progressista (União Brasil e PP), que enfrenta perda de nomes e incertezas internas.

O PL foi o primeiro partido a apresentar uma nominata completa para disputar a Câmara Federal no Rio Grande do Norte. A lista, divulgada nesta semana, reúne nove nomes e tem como meta eleger quatro deputados federais, metade da bancada potiguar em Brasília.

Entre os confirmados estão os atuais deputados federais Sargento Gonçalves, General Girão e Carla Dickson, além de lideranças com atuação em diferentes regiões do Estado. Também integram a nominata a secretária municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal e vereadora licenciada Nina Souza, o coronel Brilhante, o ex-prefeito de Caraúbas Juninho Alves, a ex-candidata à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante Gabriela Trajano, a ex-reitora da Ufersa Ludmila Oliveira e o vereador de Assú Pedro Filho, ligado ao segmento evangélico.

O partido aposta na soma do capital eleitoral de nomes que já demonstraram força nas urnas com candidatos que possuem capilaridade regional. Nas eleições de 2022, por exemplo, General Girão foi eleito com 76.698 votos, enquanto Sargento Gonçalves conquistou 56.315 votos. Já Nina Souza teve 6.127 votos na eleição municipal de Natal em 2024, mas deve herdar parte da base política do marido, o prefeito da capital Paulinho Freire, que foi eleito deputado federal em 2022 com 77.906 votos. Carla Dickson teve 43.191 votos e ficou na suplência de Paulinho Freire.

Federação Brasil da Esperança organiza chapa competitiva
No campo oposto ao PL, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também avança na organização da nominata para deputado federal. Entre os nomes já colocados como pré-candidatos estão os atuais deputados Natália Bonavides e Fernando Mineiro, ambos do PT. A chapa também reúne a vereadora de Mossoró Marleide Cunha, a vereadora de Natal e presidente estadual do PT Samanda Alves, o ex-prefeito de Currais Novos, Odon Júnior, o secretário estadual de Agricultura Familiar ,Alexandre Lima, o deputado estadual Doutor Bernardo, pelo PV, e a vereadora natalense Thabatta Pimenta, também pelo PV.

A definição do nono integrante da nominata ainda depende de negociação. A vaga pode ficar com a vereadora de Natal Brisa Bracchi, do PT, ou com o ex-deputado federal Rafael Motta, que vem conversando com o PCdoB sobre uma possível filiação para compor a chapa.

A federação também reúne nomes com histórico eleitoral expressivo. Natália Bonavides foi a deputada federal mais votada do estado em 2022, com 157.565 votos. Fernando Mineiro obteve 83.481 votos na mesma eleição. Já Thabatta ultrapassou 50 mil votos na disputa para a Câmara em 2022, embora não tenha sido eleita em razão do cálculo proporcional. Na eleição municipal de 2024, ela recebeu 7.085 votos em Natal para vereadora.

Em Mossoró, a vereadora Marleide Cunha obteve 13.333 votos, representando uma aposta da federação para garantir presença eleitoral na segunda maior cidade do estado — fator considerado estratégico na montagem da nominata.

União Progressista enfrenta dificuldade para fechar chapa
Já a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, vive um cenário de incerteza. Até o momento, três nomes permanecem como pré-candidatos: o deputado João Maia, do PP, e os deputados Benes Leocádio e Robinson Faria, do União Brasil. Nas eleições de 2022, os três registraram votações expressivas: João Maia recebeu 104.254 votos, Benes Leocádio obteve 100.693 votos e Robinson Faria conquistou 93.319 votos.

Mesmo com esse capital eleitoral, a formação da nominata enfrenta obstáculos. A dificuldade de atrair novos candidatos e de cumprir a cota mínima de candidaturas femininas tem gerado preocupação entre os integrantes da federação.

Além disso, o ex-deputado Kelps Lima, que era cotado para integrar a nominata, já comunicou ao grupo que mudou de planos. Nesta quarta-feira (11), ele esteve em Brasília em reuniões com dirigentes partidários e publicou nas redes sociais uma foto ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos. A movimentação reforça a possibilidade de Kelps migrar para o Republicanos, legenda que vem sendo articulada no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, dentro de um novo arranjo político no campo da direita.

Diante da dificuldade para completar a chapa e garantir competitividade no sistema proporcional, os próprios da federação União Progressista já avaliam a possibilidade de buscar outras legendas que ofereçam melhores condições de eleição.


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ACESSO À INTERNET EM ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DO RN SUPERA MÉDIA NACIONAL

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O Rio Grande do Norte está muito próximo da universalização do acesso à internet em escolas públicas de ensino básico. Informações divulgadas pelo Censo Escolar 2025 indicam que o estado deu um salto de 42,9 pontos percentuais em dez anos. Em 2015, 55,2% das instituições públicas de ensino infantil, fundamental e médio estavam conectadas à internet no Rio Grande do Norte.

Em 2025, o percentual chegou a 98,1%. O percentual do estado supera a média nacional, que registrou 93,1% em 2025.

Levando em conta apenas as instituições em áreas urbanas, a evolução no Rio Grande do Norte foi de 79% para 99,5% entre 2015 e 2025 (20,5 pontos percentuais). Já nas áreas rurais, o avanço foi de 66,6 pontos percentuais: saiu do patamar de 29,6% em 2015 para 96,2% em 2025. O mesmo fenômeno se refletiu em escolas quilombolas e de educação especial. Nas quilombolas, o avanço foi de 58 pontos percentuais, de 35,3% em 2015 para 93,3% em 2025. Na educação especial, o salto foi de 69,9% para 98,7% (28,8 pontos percentuais).

No plano mais diretamente conectado ao cotidiano dos estudantes no Rio Grande do Norte, subiu 76,9 pontos percentuais (de 30,3% para 76,9%) o número de escolas públicas com internet disponível para atividades de ensino e aprendizagem entre 2019 e 2025, e cresceu 22,8 pontos percentuais (de 48,5% para 71,2%) o número de escolas com computadores disponíveis para alunos (desktops ou laptops) entre 2019 e 2025.

ESTRATÉGIA NACIONAL

Os avanços no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas – Foto: Reprodução

Os avanços observados no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas nos últimos anos para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas. Lançada em setembro de 2023, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) articula ações voltadas à expansão do acesso à internet de qualidade, à melhoria da infraestrutura elétrica e de rede interna (Wi-Fi) e à promoção do uso pedagógico das tecnologias digitais. Entre 2023 e 2025, foram destinados aproximadamente R$ 3 bilhões para ações de conectividade em escolas estaduais e municipais, em regime de colaboração com estados e municípios.

FINS PEDAGÓGICOS
“Nós queremos a tecnologia na escola com fins pedagógicos, para auxiliar a aprendizagem do aluno e ser elemento complementar do professor. Há um esforço do governo de garantir 100% da conectividade para fins pedagógicos das escolas”, afirmou o ministro Camilo Santana (Educação).

A Estratégia opera de forma integrada. Combina expansão da infraestrutura, monitoramento técnico da qualidade da conexão e apoio às redes de ensino para garantir que o acesso esteja associado a condições efetivas de aprendizagem e uso pedagógico.

“O censo apresenta a conectividade em geral, mas ela pode ser para a sala do professor, para o diretor, para a área administrativa. O que queremos é que o professor possa transmitir um vídeo em sala. E é por isso que criamos a Estratégia de Conectividade de Escolas, e passamos de 45% em 2023 para 70% este ano”, completou Santana.

COMO É FEITO
O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e contabiliza 178,8 mil escolas de educação básica no Brasil. A divulgação dos resultados de 2025 foi realizada em 26 de fevereiro de 2026. O levantamento apresenta dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades de ensino.

PARA QUE SERVE
Os indicadores do censo são usados para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Os resultados servem, ainda, para a definição de programas e critérios para atuação do MEC junto às escolas, aos estados e aos municípios. Além disso, subsidiam o cálculo de indicadores, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e possibilita contextualizar os resultados das avaliações, bem como o monitoramento da trajetória dos estudantes desde seu ingresso na escola. A precisão dos dados é base para o repasse de recursos de federais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), no ano seguinte.

INDICADOR COMPLEMENTAR
Complementarmente ao Censo, o Ministério da Educação usa o Indicador Escolas Conectadas (INEC), no âmbito da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, para avaliar se essa internet atende às condições necessárias para o uso pedagógico. O indicador considera a velocidade da conexão, a presença de Wi-Fi nos ambientes escolares e a infraestrutura elétrica compatível, além de integrar diferentes fontes de informação, como medições de velocidade da internet, registros contratuais e dados validados por gestores.


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AVANÇO DAS DOENÇAS RENAIS NO PAÍS LANÇA ALERTA SOBRE RISCOS E PREVENÇÃO

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Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim chama a atenção para um problema de saúde pública que cresce de forma silenciosa no Brasil e no mundo: as doenças renais crônicas. A data busca ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico, especialmente entre pessoas com fatores de risco.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e do Ministério da Saúde, cerca de 12 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de doença renal. Estimativas mais amplas indicam que a Doença Renal Crônica (DRC) pode atingir até um em cada dez brasileiros, o que representa mais de 20 milhões de pessoas.

Apesar da dimensão do problema, muitos casos ainda não são diagnosticados. A nefrologista e vice-presidente da SBN no Nordeste, Kalyanne Cabral, explica que a doença costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce.

“A doença renal crônica é geralmente assintomática até as fases finais. Então, se o paciente que é hipertenso, diabético, obeso ou cardiopata não fizer um rastreio da função renal, ele pode ter a doença e não saber”, alerta.

Segundo a especialista, os primeiros sinais costumam surgir quando o comprometimento dos rins já está avançado, muitas vezes próximo da necessidade de hemodiálise ou transplante. Por isso, a realização de exames preventivos é fundamental.

Entre as principais causas da doença renal crônica estão a hipertensão arterial, responsável por cerca de 33% dos casos, e o diabetes, que responde por aproximadamente 30%. Outros fatores, como obesidade, doenças cardíacas e o uso frequente de anti-inflamatórios, também contribuem para o desenvolvimento da doença.

“É importante destacar que as principais causas da doença renal são muito comuns na população, como hipertensão e diabetes. Por isso a doença renal crônica acaba sendo tão prevalente”, explica a médica.

Os rins desempenham funções essenciais para o organismo, como filtrar o sangue, eliminar toxinas, controlar a pressão arterial e produzir hormônios importantes. Quando deixam de funcionar adequadamente, podem surgir complicações graves que exigem tratamento contínuo.

No Brasil, mais de 140 mil pessoas realizam diálise regularmente. O Sistema Único de Saúde financia cerca de 90% desses tratamentos, incluindo hemodiálise e diálise peritoneal. Em 2024, o governo federal anunciou um reajuste de aproximadamente R$ 600 milhões no financiamento da terapia renal substitutiva.

Mesmo assim, os desafios permanecem. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas morram todos os anos no país antes de conseguir acesso à diálise ou ao transplante renal.

A nefrologista também destaca que o tratamento da doença renal em estágios avançados traz impactos que vão além da saúde, incluindo o alto consumo de recursos naturais e a geração de resíduos.

“Quando a doença só é tratada nas suas fases finais, ela acaba sendo de tratamento muito caro e de alto impacto ambiental, principalmente em relação à diálise. Cada sessão usa muitos litros de água. E tem também a questão do acúmulo de lixo biológico e do consumo de energia elétrica.

Então, é um tratamento muito caro e que pode ser evitado se a gente conseguir um diagnóstico precoce da doença renal”, observa.

A médica lembra, no entanto, que o diagnóstico pode ser feito de forma simples, por meio de exames acessíveis.

“Basta realizar dois exames disponíveis no SUS [Sistema Único de Saúde], a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. São exames simples que permitem avaliar a função renal”, explica.

Panorama do RN
No Rio Grande do Norte, o cenário acompanha a tendência nacional de crescimento das doenças renais. Com isso, o estado tem registrado aumento na demanda por tratamentos e também por transplantes.

Em 2025, o RN alcançou um recorde histórico ao realizar 426 transplantes de órgãos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública. Entre eles, os transplantes renais estão entre os mais frequentes. Mesmo com o avanço, ainda existem filas de espera por esse tipo de procedimento.

Ações de conscientização
Para marcar o Dia Mundial do Rim, profissionais de saúde e instituições ligadas à nefrologia realizam ações de conscientização em diferentes cidades do Rio Grande do Norte.

Segundo a nefrologista Kalyanne Cabral, a programação inclui atividades de orientação e exames voltados principalmente para pessoas com fatores de risco.

“Na quinta-feira vamos ter ações em Natal e também no interior, organizadas pelos serviços de nefrologia e de diálise, com verificação de pressão arterial, testes de glicemia, distribuição de vouchers para exames de creatinina e atividades de conscientização da população”, explica.

A programação será encerrada no domingo (15), com um evento aberto ao público no Parque das Dunas, em Natal, promovido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia no estado (SBN-RN).

“Vamos ter palestras de conscientização, atividades físicas orientadas e esclarecimento de dúvidas. Será um momento importante de orientação e cuidado com a saúde”, pontua a médica.


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