
Com 75 anos de atuação e amplo reconhecimento pela qualidade dos serviços prestados, a Liga Contra o Câncer cumpre uma missão significativa na saúde potiguar. Além do papel fundamental no atendimento oncológico, suprindo 80% da demanda do estado, a instituição hoje vai muito além da sua função inicial. Ao todo, são 50 especialidades médicas em cinco unidades de saúde, alcançando uma média de 97 mil atendimentos por mês. Tudo isso aliado a atividades de pesquisa, ensino e trabalho assistencial.
Fundada em Natal, no ano de 1949, como uma instituição sem fins lucrativos, modalidade na qual permanece até os dias atuais, a Liga teve sua primeira sede em uma antiga casa de recolhimento, que hoje é o Hospital Dr. Luiz Antônio – assim nomeado em homenagem a um de seus fundadores. Nessa época, devido à falta de equipamentos e de profissionais especializados, as possibilidades de cura do câncer eram muito restritas, mas, ainda assim, a entidade tomava a responsabilidade de oferecer mais qualidade de vida aos pacientes.
Hoje, com oito unidades de atendimento, pesquisa, ensino e acolhimento, a Liga é reconhecida pelo Ministério da Saúde como Centro de Alta Complexidade em Oncologia e tem a missão de prestar assistência em saúde, gerar e difundir conhecimento, priorizando a área oncológica, com competência e filantropia. O objetivo principal é conjugar esse serviço de alto padrão com elevada acessibilidade, principalmente, através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os serviços de saúde oferecidos pela Liga, estão consultas com médicos e equipe multidisciplinar (psicólogos, nutricionistas, terapeutas), quimioterapia, radioterapia, exames de imagem e cirurgias. Para isso, a instituição administra o Hospital Dr. Luiz Antônio, o Centro Avançado de Oncologia (Cecan) e a Policlínica, em Natal; com o Hospital de Oncologia do Seridó, em Caicó, e com o Centro de Diagnóstico e Ensino do Seridó, em Currais Novos. Para atender a demanda dos cerca de 97 mil atendimentos mensais nesses equipamentos, são necessários 2.400 funcionários, sendo 400 médicos.
Custos e importância das doações
Toda essa estrutura demanda alto investimento, sobretudo diante do padrão de excelência que a instituição prima em manter. “O maior desafio é manter a qualidade do tratamento oferecido, é ter condições financeiras de se manter funcionando com esse padrão de qualidade que a Liga tem hoje, com todas as suas unidades”, afirmou o superintendente Roberto Sales.
Para isso, a Liga conta com recursos provenientes do SUS, dos atendimentos através do setor de saúde suplementar – planos de saúde particulares –, das pesquisas, de emendas parlamentares – propostas pelas quais os deputados federais e senadores podem opinar ou influenciar na alocação de recursos públicos – e de doações.
“Um pouco mais de 70% [do atendimento] é SUS, mas quando você observa o atendimento e o tratamento como um todo oferecido para esses pacientes do SUS, é exatamente igual – veja bem, exatamente igual – e com a mesma rapidez do que os pacientes de convênio, dos planos da saúde e os particulares”, explicou Sales.
“Então, é exatamente o mesmo fio cirúrgico, a mesma cirurgia, o mesmo antibiótico, o mesmo soro, a mesma quimioterapia, a mesma radioterapia. O mesmo local que vai um, vai o outro. Não existe nenhuma distinção entre o atendimento. É a nossa missão. A missão da Liga é atender os mais necessitados. Só que atende os mais necessitados e as pessoas mais abastadas também”, completou o superintendente.
Sales pontuou, então, que os recursos provenientes de outras fontes, que não o SUS, são essenciais para cobrir o que o SUS compromete e manter a Liga funcionando e ofertando o mesmo padrão para todos os pacientes. Nesse sentido, ele destacou a importância das doações, sobretudo de Pessoas Físicas. “São fundamentais. Não tenho outra palavra para dizer, é extremamente importante. Hoje, temos aproximadamente 24 mil pessoas doadoras para a Liga.
Essa doação vinda de Pessoas Físicas corresponde a aproximadamente 10% do faturamento. Sem os doadores, nós não conseguiríamos manter o padrão de qualidade”, afirmou.
O valor do voluntariado
Outra contribuição importante para fortalecer a Liga é o voluntariado. Atualmente, três grupos atuam diretamente com os pacientes e os acompanhantes: o Grupo da Humanização, a Rede Feminina e o Grupo Despertar.
Em 2024, os voluntários da Liga dedicaram mais de 6.600 horas a esse trabalho. Entre as ações, estão o acolhimento aos pacientes hospedados na Casa de Apoio Irmã Gabriela; atividades recreativas, como música, bingo, “palhaçoterapia”, dias de beleza, jogos, atividades espirituais, distribuição de mensagens de motivação, oficinas de artes e atividades físicas, além do acompanhamento aos pacientes durante toda a jornada oncológica, com visitas domiciliares e hospitalares.
O superintendente Roberto Sales reforça o valor desse trabalho para os pacientes. “É um trabalho totalmente separado de remuneração, essas pessoas vão no intuito totalmente de ajudar as pessoas. O acolhimento é importante. Essas pessoas trabalham diariamente na Liga, servindo um cafezinho, dando todo o apoio, tanto aos pacientes quanto aos seus familiares”.
Para integrar conhecer melhor os grupos e se voluntariar, os interessados devem acessar ligacontraocancer.com.br/sobre/voluntariado.
Dedicação à pesquisa e ao ensino
Além dos serviços médicos e de acolhimento, a Liga Contra o Câncer tem um núcleo de ensino e pesquisa, o qual é o maior formador de profissionais especializados em oncologia no estado.
Através do Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação (IEPI), a entidade oferece residência médica, multidisciplinar, cursos de pós-graduação, estágios curriculares e cursos livres de formação continuada. Em 2024, foram mais de 3 mil estudantes capacitados.
Já o Centro de Pesquisa Clínica da Liga existe há 18 anos e conduz estudos clínicos que avaliam a segurança e eficácia de novos medicamentos de combate ao câncer. Apenas no ano passado, foram 380 estudos e mais de 180 mil atendimentos a pacientes participantes das pesquisas.
Esse trabalho é fundamental para atualizar diretrizes de prática clínica e aprimorar a qualidade do cuidado e assistência, além de permitir que os pacientes tenham acesso a terapias que ainda não são ofertadas através do SUS.
“Hoje, na Liga, o paciente pode realizar tratamento que ainda estão em fase de estudo, mas não fazendo o paciente de cobaia. Todas essas drogas já são estabelecidas e comprovadas para o tratamento do ser humano. Isso é um dos motivos de orgulho da instituição porque que a gente se enquadra como um dos melhores centros de ensino, pesquisa e inovação não só do Nordeste, mas do Brasil. A Liga, hoje, é ponta, é um expoente nessa parte, com vários trabalhos publicados em revistas importantes”, destacou o superintendente.

