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GUILHERME SALDANHA NEGA TESE DE QUE O RN SEJA “INGOVERNÁVEL”

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O secretário estadual da Agricultura, Guilherme Saldanha (PSDB), voltou a se manifestar sobre as especulações que o colocam como possível nome para um eventual governo temporário no Rio Grande do Norte, caso se confirme a renúncia da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado. Em entrevista ao Diário do RN, Saldanha negou qualquer convite formal e afirmou que, até o momento, não houve conversa com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), sobre o assunto.

“Isso não existe. O presidente Ezequiel não chegou para mim, em momento algum, em todo esse tempo, amigo, você topa ser governador? Zero, não chegou”, declarou. Segundo ele, o que há é um ambiente de especulação alimentado pelas dificuldades políticas em torno da construção de um nome de consenso para uma eventual eleição indireta. “De concreto mesmo, assim, de sentar com a governadora, vamos sentar aqui Guilherme, você topa, as condições são essas, a gente lhe apoia, isso realmente não tem, não existe. Tem muita especulação”, reforçou.

Nesse contexto, o secretário fez questão de rebater um dos principais argumentos usados pela oposição ao governo estadual. “O Estado é ingovernável como a oposição diz? Não. Isso não existe, não. Eu tiro pela minha secretaria, que não é diferente das outras. Não tem atraso de dois meses, três meses. Se você trabalha um mês, fatura 30 dias, o Estado tem 30 dias para pagar”, declarou, acrescentando que não compartilha da avaliação de colapso administrativo. “Não vejo isso”, completou.

Ao ser provocado diretamente se considera o Rio Grande do Norte ingovernável, reiterou: “Sobre hipótese alguma. Tanto não é que tem uma disputa de três candidatos querendo governar ele a partir de janeiro”.

Questionado diretamente sobre a hipótese de disputar um mandato-tampão, Saldanha afirmou que não pretende entrar em uma disputa eleitoral indireta. “Eu não vou disputar. Não é que eu não mereça participar de uma disputa. É porque eu acho que esse mandato tampão precisa sair de um consenso, que, obviamente, as pessoas respeitem a próxima eleição”, disse.

Para ele, a resistência ao nome do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, no âmbito da Assembleia passa diretamente pelo fato de Cadu ser candidato ao governo em outubro. “A dificuldade que a governadora está encontrando com o nome de Cadu é só por causa da eleição de outubro, que Cadu é candidato. E um bom candidato e certamente estará no segundo turno”, avaliou.

Apesar de negar qualquer articulação em curso, Saldanha admitiu que, se for oficialmente procurado pela governadora e pelo presidente da Assembleia, analisará o cenário. “Se chegar, eu vou analisar. Sinceramente, vou analisar com muito carinho e muita responsabilidade, saber o que é possível fazer”, afirmou.

Saldanha também fez uma leitura do cenário eleitoral para outubro e voltou a defender a viabilidade do nome de Cadu Xavier. Segundo ele, a força do presidente Lula como cabo eleitoral e o desempenho recente da esquerda em Natal indicam um patamar competitivo. “Eu acho que Cadu tem fácil 35%. Se Cadu tiver 35%, só sobra 75% para dois candidatos. Ele estará no segundo turno. Simples assim”, disse.

As declarações de Guilherme Saldanha ocorrem em meio à incerteza sobre a realização de uma eleição indireta para o governo do Estado entre abril e maio. Caso Fátima Bezerra confirme a renúncia, o PT defende a manutenção do comando do Executivo até o fim do ano, enquanto setores da direita chegaram a falar em um “nome técnico”.

Nesse cenário, além de sugestões como Zeca Melo e Roberto Serquiz, que circularam em janeiro, o nome de Saldanha passou a circular nos bastidores como alternativa de consenso, dada sua ligação com o PSDB, sua relação com o governo petista e o trânsito com parlamentares ligados ao grupo do senador Rogério Marinho.


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