
A Prefeitura de Natal realizou, na tarde desta quarta-feira, uma vistoria técnica na obra da estátua de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Pajuçara, Zona Norte da capital, após o incêndio registrado na última terça-feira (24). De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura, a estrutura de concreto da base não apresenta comprometimento visível, embora ainda passe por testes para atestar a estabilidade. O episódio ocorreu quando a obra já estava na fase final de montagem, restando acabamentos e pintura.
As chamas atingiram a parte superior da imagem, que terá 35 metros de altura, além de uma base de 8 metros. Segundo o engenheiro responsável pela fiscalização da obra, Sueldo Medeiros, o incêndio teria começado durante um serviço de solda na armação dos módulos superiores, possivelmente após um curto-circuito em uma das máquinas utilizadas por dois operários.
Apesar do susto, ninguém ficou gravemente ferido e o rosto da imagem não foi danificado.
Durante a vistoria desta quarta-feira, a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, esteve no local ao lado do artista plástico Ranilson Viana, responsável pelo projeto. Ela explicou que, neste momento, a prioridade é avaliar tecnicamente os danos e organizar os próximos passos.
“Estamos fazendo essa vistoria, ele está apurando toda essa situação, vendo as peças que ficaram e analisando a estrutura. A partir dessa análise é que vamos traçar os próximos passos de retomada e definir o momento ideal. De imediato, vamos agir com o processo de limpeza da área”, afirmou a secretária.
Segundo ela, a parte estrutural executada pela Prefeitura não apresenta, a princípio, sinais de comprometimento. “Toda a nossa parte de estrutura está visivelmente sem comprometimento, mas essa base de concreto vai passar por testes para verificar a estabilidade. Visivelmente, não houve comprometimento”, ressaltou.
Ainda não há prazo definido para a retomada dos trabalhos nem para a inauguração, inicialmente prevista para abril. “A gente está levantando as peças que não tinham sido colocadas, organizando a fabricação das novas peças e estudando possibilidades para dar mais celeridade.
Por enquanto, não temos uma data fixa para início nem para conclusão”, disse Shirley Cavalcanti, acrescentando que a gestão municipal ficou “estarrecida e triste” com o ocorrido, mas mantém a confiança de que a estátua será erguida.
informou que a perícia está sendo finalizada, mas que já há indícios de que o fogo começou após um curto na máquina de solda. “Houve uma explosão na máquina que atingiu parte da resina. A resina é combustível e começou a pegar fogo. Os operários estavam preparados, um teve uma queimadura leve na mão, mas estão bem”, relatou.
De acordo com o escultor pernambucano Ranilson Viana, responsável pelo projeto, mais de 70% da parte atingida foi comprometida. Ele garantiu, no entanto, que a reconstrução será iniciada o mais rápido possível. “Já identifiquei que mais de 70% queimou. Vamos modelar novamente as peças atingidas, trazer para o local e iniciar a montagem. Vamos entregar mais bonita e mais segura para a população de Natal, do Brasil e do mundo”, declarou.
Ranilson também defendeu o material utilizado na obra, afirmando que trabalha com fibra de vidro e EPS antichama, tecnologia empregada em grandes esculturas ao redor do mundo. “Nada é feito para pegar fogo. Foi uma fatalidade. Já fiz mais de 200 esculturas com esse material em mais de 15 anos e nunca aconteceu isso. Vamos investigar para zerar essa possibilidade”, pontuou.

Santuário deve impulsionar turismo religioso na região
A construção integra o Complexo do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, primeiro santuário da capital potiguar, no conjunto Pajuçara. Além da imagem principal, o projeto inclui praça temática, réplica da Capelinha das Aparições de Fátima, espelho d’água, anfiteatro, vitral de 13 metros e prédio administrativo. A estátua é executada pelo município, enquanto as demais estruturas estão sob coordenação da Arquidiocese de Natal.
Com investimento estimado em R$ 15 milhões, abrangendo pavimentação, iluminação, acessibilidade, cercamento e estacionamento, o complexo é apontado como novo vetor de desenvolvimento para a Zona Norte.
O turismólogo Sidnesio Moura avalia que o espaço pode inserir Natal na rota nacional do turismo religioso. Segundo ele, o fato de a capital ser litorânea amplia o potencial de impacto econômico, já que o visitante também busca lazer, cultura e praia. Ele ressalta, contudo, que o sucesso dependerá de gestão especializada e manutenção adequada.