
Em entrevista ao Diário do RN, o deputado federal e presidente do PP, João Maia, fez uma leitura contundente sobre a disputa pelo Governo do Estado e afirmou que, no cenário atual, o ex-prefeito de prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, teria condições de vencer a disputa ainda no primeiro turno.
Segundo ele, as sondagens do grupo indicam um favoritismo consolidado. “Se a eleição fosse no próximo domingo, não teria nem segundo turno. Allyson ia ser o governador. Allyson venceria no 1º turno”, disse, ao sustentar que o crescimento do prefeito mudou o eixo da disputa.
A análise confronta diretamente a tese defendida pelo também pré-candidato ao governo, Álvaro Dias, que aposta em uma polarização capaz de tirar Allyson do páreo. Para João Maia, o movimento faz parte de uma estratégia eleitoral do ex-prefeito de Natal. “Ele sabe que, se Allyson for para o segundo turno, há uma divisão clara. O eleitorado de um lado não vota no outro. É uma estratégia política”, afirmou, ao relativizar a leitura do adversário.
O parlamentar também minimizou o impacto da polarização nacional na disputa estadual. Ele acredita que o ambiente político local segue dinâmica própria e pouco influenciada por disputas ideológicas. “A polarização nacional aqui interfere muito pouco. O comportamento do eleitor é mais pragmático”, afirmou ao citar como exemplo o desempenho das eleições municipais recentes.
Na sequência, o deputado reforçou que, na prática, o cenário seria outro. “Isso não corresponde à realidade. Allyson caiu no gosto do povo e conseguiu montar uma estrutura partidária que antes não tinha”, declarou ao apontar que o prefeito deixou de ser apenas um fenômeno local.
Ainda dentro dessa lógica, João Maia avalia que a ida de Allyson ao segundo turno, caso ocorra, tende a ampliar ainda mais sua vantagem. “Se Allyson chegar ao segundo turno, a tendência é concentrar votos. O cenário termina convergindo para ele”, disse.
Senado sem Fátima
Na entrevista ao Diário do RN, João Maia também comentou a disputa para o Senado e afirmou que a decisão da governadora Fátima Bezerra de permanecer no cargo até o fim do mandato acabou alterando o cenário, beneficiando a senadora Zenaide Maia, que integra o grupo político de Allyson.
“Sem Fátima na disputa, o cenário ficou mais favorável. Zenaide larga com vantagem”, afirmou ao reconhecer o peso político da senadora.
Ele também destacou a estrutura de que Zenaide dispõe para a campanha. “Ela é senadora, tem serviço prestado e presença nos municípios”, disse ao apontar fatores que fortalecem a candidatura à reeleição.
Sobre a possibilidade de o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, ser o segundo nome na chapa, como apurou o Diário do RN nesta semana, João Maia evitou comentar: “Não tenho essa informação”, afirmou, se esquivando do tema levantado pela reportagem.
Nominata federal
Na avaliação sobre a nominata da Federação União Progressista para a Câmara Federal, João Maia demonstrou otimismo, embora tenha evitado fazer previsões mais diretas.
“Estamos com a base formada, trabalhando os nomes e garantindo a composição necessária. A nominata está bem estruturada”, afirmou.
Porém, mesmo cauteloso, deixou escapar uma projeção ambiciosa: “A expectativa é de um resultado competitivo, com possibilidade de eleger uma bancada expressiva”, disse, ponderando que projeções públicas podem interferir no processo eleitoral.
Pré-candidato ao quinto mandato na Câmara, João Maia adotou um tom mais reservado ao falar da própria disputa. “A eleição só se define no voto. Até o fechamento das urnas, tudo é cenário”, afirmou e concluiu com uma avaliação típica de campanha. “O candidato precisa acreditar no próprio projeto. Sem isso, não consegue convencer ninguém.”