Início » Arquivos para 3 de junho de 2026, 11:00h

junho 3, 2026


ENTRE FILTROS, AVATARES E NEGÓCIOS: COMO A NOVA ECONOMIA DA IMAGEM ESTÁ TRANSFORMANDO EMPREENDEDORES DIGITAIS NO RN

  • por
Compartilhe esse post

Por muito tempo, abrir uma empresa significava alugar um ponto comercial, investir em estoque e conquistar clientes nas ruas. Hoje, em muitos casos, basta um smartphone, conexão à internet e uma audiência disposta a acompanhar a rotina de alguém nas redes sociais.

Em um cenário onde filtros remodelam rostos em segundos, avatares digitais reproduzem expressões humanas e ferramentas de inteligência artificial criam imagens, vídeos e campanhas publicitárias em poucos cliques, surge uma nova geração de empreendedores. Eles vendem influência, estilo de vida, experiências, conhecimento e, muitas vezes, a própria imagem.

A chamada economia dos criadores de conteúdo, ou creator economy, deixou de ser apenas uma tendência para se tornar um mercado bilionário em expansão. O fenômeno também já impacta o Rio Grande do Norte, onde influenciadores, pequenos negócios e criadores digitais transformam perfis em redes sociais em verdadeiras microempresas digitais.

Mas, junto com as oportunidades econômicas, cresce uma discussão que ultrapassa o marketing e alcança aspectos psicológicos, sociais e culturais: o que acontece quando a aparência deixa de ser apenas uma representação e passa a ser constantemente editada, aperfeiçoada e reconstruída por algoritmos?

A empresa sou eu
A transformação é visível nos números.

Dados do mercado de influência mostram que o Brasil possui cerca de 500 mil influenciadores digitais ativos e ocupa a segunda posição mundial em presença digital nas redes sociais. A expectativa é de crescimento entre 10% e 20% nos próximos cinco anos. Além disso, 54% das marcas investiram em marketing de influência em 2023 e 68% pretendiam ampliar esses investimentos.

A lógica é simples: em um ambiente saturado por publicidade tradicional, a recomendação de uma pessoa em quem o público confia tornou-se um ativo econômico valioso.

Foi exatamente esse movimento que transformou a rotina da influenciadora Alana Fernandes.

A trajetória começou em 2017, quando ela decidiu compartilhar experiências da gravidez da primeira filha. Sem planejamento empresarial ou estratégia de monetização, o conteúdo tinha caráter pessoal.

Com o passar dos anos, novas fases da vida foram sendo incorporadas ao perfil: decoração, reforma da casa, organização, maternidade, saúde, academia e estilo de vida. O público cresceu junto.

“O que começou como um hobby foi criando conexões genuínas. Vieram os primeiros recebidos, convites de lojas, restaurantes e parcerias locais. Aos poucos, transformei a criação de conteúdo em uma atividade profissional”, relata.

O processo, segundo ela, não foi imediato nem linear. A profissionalização aconteceu à medida que a audiência passou a responder de forma mais consistente ao conteúdo produzido.

“Primeiro vieram os recebidos, depois os convites para lojas, restaurantes e eventos. Eu percebi que aquilo que eu compartilhava tinha valor porque existia uma relação de confiança com quem me acompanhava. Hoje tenho parcerias fixas e uma relação profissional consolidada com diversas empresas. Mas isso levou anos. Não existe crescimento instantâneo”, disse.

Alana também chama atenção para um equívoco comum no mercado digital: a ideia de que o sucesso depende apenas de números.

“Muita gente acha que basta ter seguidores para ganhar dinheiro na internet, mas não é assim. O que realmente importa é a confiança. Existem perfis menores que geram mais resultado do que perfis grandes porque têm uma audiência muito engajada. O seguidor precisa acreditar no que você fala”, explica.

Hoje, Alana mantém contratos fixos com empresas dos segmentos de alimentação, decoração, maternidade e serviços, além de ter sido eleita Melhor Digital Influencer de Parnamirim em quatro edições consecutivas.

A influenciadora destaca ainda que seu conteúdo evoluiu junto com sua vida pessoal, o que reforça a relação de proximidade com o público: ““Quando digo que compartilho uma vida real, é porque meu conteúdo acompanha exatamente as fases que estou vivendo. Falo sobre maternidade, mas também sobre casa, rotina, saúde, academia, moda e empreendedorismo. Essa diversidade faz com que as pessoas se identifiquem comigo de forma verdadeira. ”

Sua história reflete uma mudança estrutural na economia digital: o criador de conteúdo deixou de ser apenas um usuário das redes sociais para se tornar uma marca.

Influenciadores viram microempresas

A transformação dos criadores em empreendedores tem sido acelerada pela inteligência artificial.

Segundo análise publicada pelo Propmark sobre a evolução da creator economy, as ferramentas de IA estão permitindo que influenciadores atuem como verdadeiras microempresas digitais, automatizando tarefas que antes exigiam equipes inteiras de produção, design, atendimento e marketing.

Na prática, um único criador consegue produzir imagens, vídeos, roteiros, campanhas, peças gráficas e até estratégias de conteúdo utilizando ferramentas que reduzem custos e aumentam a produtividade.

Esse movimento aparece também em pesquisas sobre o uso da inteligência artificial no marketing.

Levantamento nacional realizado pelo IAB Brasil em parceria com a Nielsen mostra que quatro em cada cinco empresas já utilizam IA em estratégias de marketing. Entre os principais benefícios apontados estão aumento da eficiência operacional (80%), maior velocidade de execução (68%) e suporte à tomada de decisões (49%). A criação de conteúdo aparece como a principal aplicação da tecnologia, utilizada por 71% das empresas entrevistadas.

Para Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae-RN, a inteligência artificial está diminuindo barreiras históricas para quem deseja empreender no ambiente digital.

“A IA reduz custos de produção, aumenta a frequência de publicação e permite uma presença visual mais profissional. Um criador potiguar pode competir nacionalmente utilizando ferramentas que ampliam sua capacidade operacional”, explica.

Segundo ele, a imagem digital deixou de ser apenas um elemento estético para se tornar um ativo econômico: “Imagem, reputação e presença digital viraram ativos econômicos. A tecnologia não substitui autoridade, mas amplia a capacidade de gerar negócios. ”

O especialista acrescenta que a mudança se assemelha a uma nova fase da internet, em que ferramentas antes restritas a grandes empresas agora estão disponíveis para pequenos empreendedores.

“Hoje é possível produzir campanhas, vídeos e materiais com qualidade profissional sem grandes estruturas. Mas isso não elimina a importância da identidade e da estratégia. Pelo contrário, aumenta a necessidade de diferenciação”, relata.

“Imagem, reputação e presença digital viraram ativos econômicos. A tecnologia não substitui autoridade, mas amplia a capacidade de gerar negócios.”

Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae-RN

O algoritmo como novo mercado
Se antes a localização física determinava boa parte das oportunidades de um negócio, hoje a visibilidade é decidida pelos algoritmos. Para pequenos empreendedores criativos, isso representa tanto uma oportunidade quanto um desafio.

Jéssica Matos, analista técnica do Sebrae-RN, observa que as redes sociais passaram a integrar o próprio modelo de negócio das empresas. “As redes deixaram de ser apenas uma vitrine. Hoje elas fazem parte da estratégia de relacionamento e da construção da identidade das marcas “, explica.

Ela reforça que o empreendedorismo digital exige novas competências: “Hoje não basta apenas produzir conteúdo. O empreendedor precisa entender posicionamento, narrativa, dados e comportamento do público. Ele precisa construir comunidade, não apenas audiência. ”

“Um pequeno negócio de moda, gastronomia, artesanato ou beleza no RN pode alcançar novos públicos sem depender de grandes verbas publicitárias. Mas isso exige planejamento, conhecimento de métricas e entendimento profundo da audiência”, conta.

Nesse contexto, os empreendedores passaram a investir não apenas em produtos e serviços, mas também em narrativa, posicionamento e construção de comunidade.

A estética da perfeição
Ao mesmo tempo em que cria oportunidades econômicas, o ambiente digital também produz novas pressões.

Nas redes sociais, filtros avançados e ferramentas de edição conseguem afinar rostos, modificar corpos, alterar tons de pele e criar versões altamente idealizadas da aparência humana.

É nesse contexto que surge o conceito de estética pós-humana, uma tendência visual marcada pela mistura entre características humanas e elementos digitais, frequentemente impulsionada por inteligência artificial.

A influenciadora natalense Kaline Cilene percebe diariamente os efeitos dessa lógica. “As pessoas buscam a perfeição o tempo todo. Esse padrão foi estabelecido e muita gente cai nessa armadilha. O problema é que isso não afeta só quem produz conteúdo, mas quem consome também”, relata.

Ela explica que o consumo constante de imagens editadas altera a percepção da realidade: “Muitas pessoas começam a enxergar defeitos que antes nem percebiam. Criam comparações com padrões que não existem na vida real. Isso gera insegurança e uma pressão constante por uma perfeição impossível.”

A dinâmica é reforçada pelo próprio funcionamento das plataformas digitais. “Existe uma pressão implícita para manter uma imagem aperfeiçoada. O conteúdo mais visualmente atraente costuma receber mais engajamento”, conta.

Entretanto, ela acredita que a autenticidade continua sendo o principal diferencial competitivo: “A estética pode atrair, mas é a autenticidade que conecta e converte.”

Quando a vida vira conteúdo
A monetização da rotina é uma das características mais marcantes da nova economia digital. Mas ela também levanta questionamentos sobre privacidade, saúde mental e limites da exposição.

A influenciadora e professora Cléa Rocha conhece bem essa realidade. Mãe de três filhos, ela produz conteúdo sobre maternidade e cotidiano familiar. Ao longo dos anos, percebeu que a internet mudou.

“O público gosta de acompanhar a vida real. Quanto mais real, mais as pessoas permanecem assistindo”, relata.

Para ela, essa proximidade com o público é ao mesmo tempo um ativo e um desafio. “As pessoas querem ver os bastidores, o café derramado, os erros, as conquistas. Isso gera identificação, mas também cria uma sensação de intimidade que faz muita gente acreditar que pode opinar sobre tudo da sua vida.”

Cléa afirma que a exposição exige limites claros: “Você precisa mostrar parte da sua vida para criar conexão, mas também precisa proteger o que é íntimo. Esse equilíbrio é difícil e precisa ser revisto constantemente.”

Recentemente, após publicar uma campanha envolvendo a filha para uma marca parceira, Cléa percebeu uma movimentação incomum de perfis masculinos interagindo com o conteúdo.

O episódio levou à retirada imediata da publicação: “A segurança e a paz da minha filha não têm preço.”

Ela também reforça que o trabalho do influenciador ainda é mal compreendido. “As pessoas veem um vídeo de poucos segundos e acham que foi fácil. Mas existe planejamento, edição, negociação, métricas, atendimento e estratégia. Você é praticamente uma empresa inteira. ”

A identidade editável
Os filtros, avatares digitais e ferramentas de IA estão produzindo uma mudança que vai além da estética. Especialistas apontam que a identidade digital se tornou cada vez mais editável, performática e moldada pelas plataformas.

Segundo Carlos von Sohsten, a identidade contemporânea já não é apenas física. “Ela passa a ser também algorítmica, replicável e mediada por plataformas. Isso cria oportunidades de expressão, mas exige transparência e responsabilidade.”

A transformação é impulsionada pelo avanço das tecnologias generativas. Pesquisa do IAB Brasil mostra que 43% dos profissionais já utilizam IA para criação e edição de imagens, enquanto 16% usam ferramentas para criação e edição de vídeos.

A tendência aponta para um futuro em que avatares hiper-realistas, vídeos sintéticos, clonagem de voz e influenciadores virtuais estarão cada vez mais presentes nas estratégias de marketing.

A profissionalização do mercado
O crescimento acelerado do setor também trouxe uma nova exigência: profissionalização. Se antes bastava acumular seguidores, hoje o mercado exige competências empresariais.
Alana Fernandes afirma que a monetização não está diretamente ligada ao tamanho da audiência. “Ter muitos seguidores não significa necessariamente ter influência. O que faz diferença é a confiança construída com o público”, explica.

Cléa Rocha concorda.

“Não importa se você tem cinco mil ou quinhentos mil seguidores. As marcas querem resultado”, explica.

No Sebrae-RN, a percepção é semelhante.

Jéssica Matos destaca que o criador de conteúdo moderno precisa dominar áreas que vão muito além da produção de vídeos: “Hoje o creator precisa entender posicionamento, precificação, negociação, reputação e relacionamento com marcas. Ele não é apenas comunicador, é empreendedo”.

Ela reforça que as empresas passaram a olhar o influenciador como ativo estratégico. “As marcas não compram apenas divulgação. Elas se associam à credibilidade construída com o público. ”

O futuro da economia da influência
Os próximos anos prometem aprofundar ainda mais a integração entre tecnologia, identidade e empreendedorismo.

De um lado, ferramentas de inteligência artificial continuarão reduzindo custos, aumentando produtividade e democratizando o acesso à criação de conteúdo.

Do outro, cresce a necessidade de preservar características que nenhuma tecnologia consegue reproduzir integralmente: autenticidade, repertório, experiência e conexão humana.

O próprio mercado reconhece essa dualidade.

Embora 69% dos profissionais considerem a inteligência artificial indispensável para o trabalho, existe preocupação com a excessiva automatização da comunicação e com a perda do senso crítico humano.

A nova economia da imagem nasce justamente dessa tensão.

Entre filtros e realidade.

Entre algoritmos e identidade.

Entre tecnologia e humanidade.

No Rio Grande do Norte, como em todo o mundo, empreendedor


Compartilhe esse post

RAFAEL MOTTA MISTURA PALANQUES COM FILHO DE ABRAÃO E MULHER DE ALLYSON

  • por
Compartilhe esse post

Integrante do chamado “Time de Lula” no Rio Grande do Norte e aliado da pré-candidatura governista de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado, o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Rafael Motta (PDT), tem chamado atenção nos bastidores da política potiguar por dividir agendas com lideranças ligadas ao grupo do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). A aproximação ocorre justamente em um momento de intensificação da pré-campanha e tem gerado questionamentos sobre os sinais políticos transmitidos ao eleitorado.

Conforme apurou o Diário do RN, registros publicados nas redes sociais reforçaram essa movimentação. Em uma postagem colaborativa realizada no último 25 de maio, Rafael aparece ao lado de Allan Cruz, filho de Abraão Lincoln, personagem envolvido nas investigações sobre fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, durante encontro político em Caiçara do Norte. Allan foi candidato a prefeito do município em 2024 e atualmente integra um grupo político alinhado ao projeto de Allyson Bezerra para 2026.

Em outro registro mais recente, também publicado em colaboração entre os perfis de Allan Cruz e Rafael Motta, surge a presença da pré-candidata a deputada estadual Cinthia Pinheiro (União Brasil), conhecida politicamente como “Cinthia de Allyson”, esposa do ex-prefeito mossoroense e pré-candidato a governador pela oposição.

Porém, a sequência de agendas não se restringe a Caiçara do Norte. Em outro compromisso recente, Rafael Motta apareceu ao lado de Kelps Lima, durante celebração religiosa em Pedro Velho, a convite da vereadora e pré-candidata a deputada estadual pelo MDB, Mayara Lemos. Kelps é apontado como um dos nomes que compõem o projeto político aliado a Allyson para as eleições de 2026.

Nos bastidores, os encontros têm provocado questionamentos de aliados e adversários. O principal ponto levantado é a possibilidade de a aproximação transmitir ao eleitorado sinais contraditórios, uma vez que Rafael integra o grupo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao projeto estadual de Cadu Xavier, enquanto participa de agendas ao lado de lideranças vinculadas ao campo político de Allyson Bezerra.

A movimentação tem sido comparada por observadores ao posicionamento da senadora Zenaide Maia (PSD), que apoia o projeto estadual de Allyson Bezerra, mas mantém apoio declarado à reeleição do presidente Lula. Em entrevista recente ao Diário do RN, o próprio Rafael Motta classificou esse tipo de postura como contraditória ao questionar a convivência entre palanques distintos em uma mesma disputa eleitoral.

Críticas à liderança do Psdb
Um outro episódio que chamou a atenção recentemente foi o fato de Rafael Motta tecer duras críticas à gestão da prefeita de João Câmara, Aize Bezerra (PSDB), que declarou apoio recente às pré-candidaturas de Cadu Xavier, Samanda Alves (PT) e Zenaide Maia. Durante agenda no município, o pré-candidato ao Senado afirmou que pretende “resgatar a Prefeitura”, declaração que repercutiu negativamente entre aliados da gestora e lideranças locais.

Após o episódio, o Diretório Municipal do PT divulgou uma nota pública de repúdio às declarações do ex-deputado e pré-candidato ao Senado. No documento, os petistas afirmaram que as críticas de Rafael à administração municipal não representam o pensamento da legenda na cidade e defendem cautela por parte de lideranças que integram o mesmo campo político liderado pela governadora Fátima Bezerra.

A nota também reafirmou o apoio do diretório municipal à reeleição do presidente Lula, à pré-candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado e à pré-candidatura de Samanda Alves ao Senado.

Nos bastidores, a manifestação foi interpretada como um sinal do desgaste provocado pelas declarações de Rafael Motta junto a setores do próprio grupo político ao qual ele busca se vincular para a disputa de 2026.


Compartilhe esse post

“NÃO EXISTE DIÁLOGO COM O PT NO MOMENTO”, AFIRMA PRESIDENTE DO PSOL

  • por
Compartilhe esse post

Após rumores de que poderia abrir mão de suas candidaturas majoritárias em favor de uma composição com o PT nas eleições de 2026, o PSOL do Rio Grande do Norte decidiu afastar publicamente as especulações. Em entrevista ao Diário do RN, o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Senado, Sandro Pimentel, afirmou que não existe qualquer diálogo em andamento com os petistas sobre alianças eleitorais no Estado e garantiu que as pré-candidaturas do partido permanecem mantidas.

Segundo Sandro, as informações que circularam nos bastidores políticos nos últimos dias não correspondem à realidade e motivaram, inclusive, a divulgação de uma nota oficial do Diretório Estadual do PSOL, nesta terça-feira (02). O objetivo, segundo ele, foi esclarecer que a legenda segue concentrada na construção de seu próprio projeto para 2026, embora não descarte conversas futuras dentro do campo progressista.

Na nota, o partido afirma que “não existe qualquer diálogo aberto com o PT ou com qualquer outro partido acerca de composição eleitoral para 2026” e reafirma que seguirá cumprindo seu calendário pré-eleitoral e construindo seu programa de governo, informação que foi reforçada durante a entrevista ao Diário do RN:

“O que fez a gente produzir aquela nota foi porque começaram a divulgar que a gente estava em diálogo com o PT. A gente não está em diálogo com o PT em momento nenhum”, afirmou

O dirigente ressaltou que conversar com outras legendas faz parte da dinâmica política, mas frisou que não há qualquer negociação aberta neste momento.

“Pode até vir a ter diálogo. É claro que, se o PT solicitar um diálogo, a gente vai sentar e conversar. Conversar é normal, faz parte do processo político democrático. Mas estar em diálogo significa dizer que a gente está sentando, trocando ideias e discutindo uma composição. Isso não é fato, isso não está acontecendo”, declarou.

Atualmente, o PSOL mantém as pré-candidaturas do professor Robério Paulino ao Governo do Estado e de Sandro Pimentel ao Senado, além da construção das nominatas para deputado federal e estadual.

“O que a gente pode afirmar é que começaram a divulgar que o PSOL estava em diálogo com o PT e que as candidaturas poderiam não ser viabilizadas. Isso não procede”, reforçou, enfatizando a solidez do projeto.

Ao comentar o futuro, Sandro evitou antecipar cenários e afirmou que qualquer discussão sobre alianças ainda é prematura.

“Não dá para conjecturar o futuro com base em algo que a gente nem sabe se vai acontecer e, se acontecer, nem em quais termos irá acontecer. Agora, pode dizer o presente”, afirmou.

Alinhamento da chapa majoritária
A posição dialoga com declarações feitas anteriormente pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Robério Paulino, também em entrevista ao Diário do RN. No mês passado, o professor afirmou que o PSOL pretende apresentar seu projeto próprio ao eleitorado, mas admitiu a possibilidade de entendimentos futuros caso exista convergência programática.

“No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, disse.

Na ocasião, Robério deixou claro que qualquer eventual aproximação dependeria da incorporação de pautas defendidas pelo partido.

“O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, afirmou.

Apoio à reeleição de Lula
Apesar da negativa em relação a uma composição estadual, Sandro destacou que o partido já definiu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nós aprovamos por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Lula. Isso é um fato, isso foi decidido desde janeiro”, afirmou.

O dirigente, porém, fez questão de separar os cenários nacional e estadual.

“Isso não significa dizer que nos estados a aliança vai seguir a mesma. Os estados têm realidades completamente diferentes”, avaliou.


Compartilhe esse post