De acordo com a investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Mederi, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ficaria com uma propina de 15% do montante pago pela Prefeitura de Mossoró à empresa Dismed. Considerando esse percentual e o valor total dos pagamentos executados entre 2022 e 2025, Allyson pode ter recebido mais de R$ 2,2 milhões em propina da empresa investigada.
A PF chegou ao percentual de 15% por meio de conversas gravadas entre os donos das empresas investigadas que detalham a divisão de um pagamento no valor de R$ 400 mil. Do montante em questão, R$ 200 mil seriam para a entrega de medicamentos efetivamente e os outros R$ 200 mil para divisão entre os envolvidos, entre eles, segundo a PF, o prefeito de Mossoró. Do montante, Allyson teria recebido R$ 60 mil (15%), conforme o relatório das investigações.
Caso esse percentual tenha sido praticado ao longo dos contratos entre a Prefeitura de Mossoró e a Dismed, Allyson pode ter recebido R$ 2.231.645,78 dos R$ 14.877.638,59 que ele pagou à empresa nos últimos quatro anos.
O valor destinado pela Dismed para o pagamento de propinas pode ser ainda maior. Nas conversas gravadas, a PF também identificou o pagamento de 10% para uma pessoa identificada como “Fátima”, o que seria equivalente a mais R$ 1.487.763,85 dos R$ 14.877.638,59 repassados à empresa. Assim, o valor total repassado como propina a Allyson e “Fátima” chegaria a R$ 3.719.409,63.
O montante é referente a apenas uma das três empresas investigadas na operação. A Prefeitura de Mossoró manteve contrato com pelo menos mais uma dessas empresas: a Drogaria Mais Saúde Sociedade Empresarial LTDA.
O Diário do RN não conseguiu aferir quanto Allyson pagou à Drogaria Mais Saúde em razão de o site da Prefeitura de Mossoró, incluindo o Portal da Transparência, ter sido mantido fora do ar durante essa quinta-feira (29).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Allyson negou qualquer envolvimento com o que tem chamado de “erro”.
Com o ano letivo iniciando, muitas famílias ainda vivem a corrida contra o tempo, e contra o orçamento. Rematrículas, material escolar, livros didáticos, uniformes e, em muitos casos, serviços extras como colônia de férias e período integral concentram gastos logo nos primeiros meses do ano. Diante desse cenário, o planejamento financeiro virou regra dentro de casa, e a criatividade passou a ser aliada para garantir economia sem comprometer a rotina das crianças.
Nos lares brasileiros, essa organização já começa bem antes de janeiro, como na família da gestora ambiental Shirliana Freitas, mãe de Laura, de 4 anos, e Lívia, de 2. Ela conta que o ajuste no orçamento passa a ser uma preocupação ainda no segundo semestre do ano anterior.
“Realmente, é um desafio grande. Para esse início de ano, inclusive, a gente já vem se organizando desde outubro, porque a gente já fica meio que preocupada. Vai começar janeiro e a gente já começa a pensar no material escolar, porque é uma despesa alta”, relata.
Além da matrícula, outros custos se acumulam nesse período, segundo ela. “Fora nesse período de janeiro que a gente tem que pagar mais, porque tem a colônia de férias. Para quem trabalha e não tem uma rede de apoio, a gente depende da escola para isso também. Então, além da matrícula, tem essa despesa. Hoje, as duas ficam em período integral, aí tem lanche, material de higiene e roupa”, enumera.
Para conseguir equilibrar as contas, Shirliana diz que mudou a forma de encarar a compra do material escolar ao longo dos anos. “Nos primeiros anos das crianças, eu meio que sofri, porque sempre pensei em comprar tudo novo. Mãe de primeira viagem, a gente sempre pensa assim. Mas hoje a gente já começa a fazer uma lista, vendo o que de fato é necessário comprar e o que dá para reaproveitar do ano passado”, afirma. Entre os itens reaproveitados, segundo ela, estão toalhas e outros materiais identificados que continuam em bom estado.
A pesquisa de preços também se tornou uma regra na rotina da família. “Eu faço pesquisa, tanto na internet quanto nas lojas físicas. Já percebi que tem itens que valem a pena comprar pela internet e outros que não valem de jeito nenhum, porque acabam ficando mais caros”, conta.
Outra estratégia adotada foi a personalização do material escolar, que ajuda a reduzir os gastos e ainda agrada às crianças. “A Laura adora Ladybug e a Lívia gosta da Peppa Pig. Então, criei imagens personalizadas, mandei fazer adesivos e colei em cadernos simples, que custam em média 12 reais, enquanto um com personagem pronto sai por 30 ou 35, e elas adoram”, conclui.
Procon alerta para práticas abusivas Além do planejamento financeiro, pais e responsáveis precisam estar atentos aos seus direitos para evitar práticas abusivas por parte das instituições de ensino. De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, é recorrente, neste período do ano, o aumento de denúncias relacionadas à chamada venda casada, quando a escola condiciona a matrícula ou a renovação à aquisição de produtos ou serviços específicos.
“A matrícula escolar é uma relação de consumo e deve ser tratada com atenção. Os pais precisam observar se a escola está condicionando a matrícula ou a renovação à compra de materiais, uniformes, livros ou serviços em um fornecedor específico. Essa prática configura venda casada e é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor”, alerta.
Canais de denúncia Qualquer indício de irregularidade deve ser denunciado ao Procon Natal. As denúncias podem ser feitas por e-mail, pelo endereço procon.natal@natal.rn.gov.br, pelos telefones e WhatsApp (84) 3232-6189 ou (84) 3232-9050, ou presencialmente na sede do órgão, localizada na Avenida Ulisses Caldas, nº 181, no Centro.
O Rio Grande do Norte passou a contar, oficialmente, com a sua primeira lista de espécies da fauna ameaçadas de extinção. O documento, elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), aponta que 172 espécies de animais estão sob risco no estado e foi publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial do Estado (DOE). A iniciativa marca um passo importante para orientar políticas públicas, ações de fiscalização e processos de licenciamento ambiental.
De acordo com o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, a lista consolida, pela primeira vez, informações científicas sistematizadas sobre a situação da fauna potiguar. “Estamos falando de 172 espécies da nossa fauna, que vivem em ambientes terrestres, aquáticos, costeiros e marinhos, e que agora passam a ter prioridade nas ações de proteção, no licenciamento ambiental, na fiscalização e nas políticas públicas do estado”, afirmou.
As espécies incluídas pertencem à fauna silvestre nativa do Rio Grande do Norte, tanto residentes quanto migratórias. Elas estão distribuídas em diferentes ambientes, que vão desde áreas terrestres e águas continentais até zonas costeiras e o mar territorial adjacente à faixa litorânea do estado.
A avaliação seguiu critérios compatíveis com os da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com ajustes para refletir as particularidades ecológicas, territoriais e socioambientais do RN. As espécies foram enquadradas em três categorias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU).
O Idema informou que a lista será revisada e atualizada periodicamente, a cada quatro anos, ou antes disso caso novos dados científicos relevantes justifiquem alterações.
Espécies em risco Entre os animais marinhos classificados como “Criticamente em Perigo” estão o peixe-serra (Pristis pectinata), o tubarão-martelo (Sphyrna lewini), o mero (Epinephelus itajara), a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus). Essas espécies sofrem com impactos como a pesca predatória, a degradação de habitats e a poluição dos oceanos. Já na fauna terrestre e continental, aparecem espécies emblemáticas como a ararajuba (Primolius maracana), o gavião-de-pescoço-curto (Leptodon forbesi), a jacucaca (Penelope jacucaca), a ema (Rhea americana) e a perereca-da-caatinga (Pseudopaludicola jaredi). Elas enfrentam, sobretudo, a perda e fragmentação de habitats, além da caça e do tráfico de animais silvestres. A lista completa pode ser acessada no site do Idema (https://www.idema.rn.gov.br).
Diretrizes para proteção e conservação A portaria publicada no DOE também estabelece diretrizes para proteção, conservação, manejo e recuperação da fauna silvestre. Segundo o órgão, os objetivos são subsidiar o licenciamento ambiental, apoiar ações de fiscalização e controle, fomentar pesquisas científicas, fortalecer a educação ambiental e embasar políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade.
Com a nova norma, as espécies classificadas nas categorias de ameaça passam a ser consideradas prioritárias para ações de preservação no Estado. O documento prevê ainda restrições à captura, perseguição, transporte, comercialização e destruição de habitats, salvo em casos autorizados pelo órgão ambiental competente, como pesquisas científicas, ações de manejo, programas de reprodução e atividades de educação ambiental.
Parceria com universidades Para elaborar a lista, o Idema contou com a colaboração de pesquisadores da UFRN, UERN, UFERSA e outras instituições, que analisaram diferentes grupos de animais silvestres, como insetos (libélulas e borboletas), peixes de ambientes continentais, estuarinos e marinhos, crustáceos, anfíbios, répteis, incluindo tartarugas marinhas, aves e mamíferos marinhos.
A análise considerou critérios científicos reconhecidos, levando em conta a distribuição geográfica das espécies, o Estado de conservação, as ameaças existentes e a disponibilidade de informações técnicas específicas para o RN.
Segundo o coordenador de Fauna do Idema, Marcelo da Silva, o levantamento representa um marco para a pesquisa e a gestão ambiental. “Para quem trabalha com pesquisa, é o primeiro passo para definirmos outras ações. Ter essa catalogação é importante para subsidiar tomadas de decisão, ampliar o conhecimento acadêmico sobre conservação e biodiversidade e apoiar pesquisadores em vários campos de atuação”, destacou.
Impacto no licenciamento ambiental A partir de agora, a lista passa a ser obrigatoriamente considerada nos processos de licenciamento ambiental conduzidos pelo Idema. A identificação de espécies ameaçadas em áreas de empreendimentos poderá resultar na exigência de estudos ambientais específicos, na adoção de medidas que reduzam ou compensem impactos, na imposição de condicionantes ou até no indeferimento do pedido.
Para o Órgão, a iniciativa fortalece a atuação do estado na proteção da fauna e passa a orientar decisões sobre uso do território e atividades econômicas. Com a divulgação oficial dos dados, o RN passa a contar com uma base pública sobre espécies ameaçadas, que deve apoiar ações de conservação e planejamento ambiental no estado.
A Operação Mederi, deflagrada nessa terça-feira (27) pela Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios e que teve como alvo principal o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), causou alvoroço na cidade e despertou reações, muitas sem demonstrar qualquer surpresa com o suposto envolvimento do chefe do Executivo Municipal com corrupção. Para diversos mossoroenses, a PF pode achar mais casos de corrupção na gestão do prefeito que intitulou de “pobrezinho”.
“Apenas a ponta do iceberg. É muito mais do que Mossoró imagina. Arrocha PF.”, comentou Rudney Pinto. “É muita irregularidade, isso é só o começo!.”, escreveu Valeria Alencar. , “Se investigar mais vai achar um poço sem fundo”, afirmou Claudenice Pinheiro.
Adriano Pereira relatou uma desconfiança anterior com o prefeito. “Eu nunca confiei nesse Alisson Bezerra.”, declarou. Francinete Maia defendeu o afastamento de Allyson “pra facilitar as investigações”.
Teve também eleitor do prefeito decepcionado. David Alves disse que votou em Allyson duas vezes e classificou o possível recebimento de propina pelo prefeito como “ganância”. “A bíblia já fala sobre isso. É a raiz da amargura, depois que penetra o coração, já era.”, acrescentou. Sidney Gomes questionou a religiosidade do prefeito. “Ainda se diz evangélico o nosso belo prefeito.”, publicou.
Para muitos mossoronses, “a casa caiu” para Allyson. A ação da PF gerou até questionamentos obre a atuação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). “Espero que a PF chegue até as centenas de denúncias arquivadas pela MPRN.”, comentou Gracielle Costa.
Enquanto os mossoroenses sem ligação com o Palácio da Resistência, sede da Prefeitura de Mossoró, apoiaram e cobraram a ampliação das investigações, ocupantes de cargos na gestão foram ao perfil do prefeito nas redes sociais para questionar a atuação da PF e atestar a honestidade de Allyson.
Vereadores protocolam pedido de CEI da “Matemática de Mossoró” para investigar Allyson
Vereadores da oposição cobram a participação dos demais parlamentares mossoroenses para se comprometerem com a investigação na CMM – Foto: Divulgação
A bancada de oposição na Câmara Municipal de Mossoró protocolou, nesta quarta-feira (28), pedido de instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o suposto pagamento de propina ao prefeito Allyson Bezerra revelado pela Operação Mederi.
Em coletiva de imprensa concedida na Câmara, os vereadores Cabo Deyvison, Marleide Cunha, Pluvial Oliveira, Jailson Nogueira e Wiginis do Gás cobraram a participação dos demais parlamentares para se comprometerem com a investigação no legislativo.
Plúvia recordou que investigações de outras denúncias de corrupção foram barradas pela bancada governista e que espera um desfecho diferente agora, diante da gravidade da situação com a citação clara dos nomes envolvidos. “Se se negar (a investigar), que diga para toda a sociedade porque não aceitar a CEI.”, desafiou, acrescentando que não se trata de perseguição política: “São indícios de corrupção, com nomes citados: Allyson, Marcos, Morgana, Mariano.”, defendeu.
Marleide Cunha acrescentou que há indícios de corrupção na gestão Allyson desde o seu início.
Ela elencou outros casos que não foram investigados como um aditivo de meio milhão de reais para a obra do Memorial da Resistência depois de concluída; mais R$ 500 mil em aditivos para obras de praças e do museu já em fase de conclusão; a contratação – cancelada depois de denúncia da oposição – da empresa São Tomé, que nem uma sede tinha; e a aplicação de recursos da cultura. “A população sofrendo sem medicamento e o prefeito sendo citado em diálogos como beneficiário para receber propina.”, criticou.
A CEI foi batizada de “Matemática de Mossoró” em alusão a trechos de diálogos revelados pela PF em que empresários discutem a divisão de propina entre eles, Allyson e uma mulher não identificada. Segundo a PF, o prefeito ficaria com R$ 60 mil (15%) de uma ordem de entrega de material no valor de R$ 400 mil.
Além da CEI, a oposição vai pedir a convocação de uma sessão extraordinária para debater a operação e também vai acionar o Ministério Público.
Desvios A empresa DISMED recebeu quase R$ 15 milhões da Prefeitura de Mossoró na gestão do prefeito Allyson Bezerra, de acordo com dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró.
Entre 2022 e 2025, Allyson pagou R$ 14.877.638,59 à DISMED. Os valores foram crescendo ano após ano, começando com R$ 1 milhão, em 2022, e chegando a mais de R$ 6 milhões, em 2025.
E o volume de recursos envolvendo os contratos da gestão Allyson com a DISMED é ainda maior.
Em quatro anos, a empresa empenhou quase R$ 19 milhões (R$ 18.827.154,40), dos quais, R$ 15.966.825,19 foram liquidados.
Pagamentos para a DISMED por ano: 2022: R$ 1.264.424,30 2023: R$ 2.896.126,33 2024: R$ 4.711.224,17 2025: R$ 6.008.866,79
Fonte: Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró
A operação deflagrada pela Polícia Federal que investiga o desvio de recursos da saúde pública de Mossoró provocou reação da oposição na Câmara Municipal. Em entrevista, o vereador oposicionista Cabo Deyvison (MDB) afirmou que o município “se tornou a casa dos escândalos de corrupção” e responsabilizou politicamente o prefeito Allyson Bezerra (UB) pelo esquema investigado, que, segundo a PF, apura o desvio de cerca de R$ 14 milhões por meio de direcionamento de contratos.
Para o parlamentar, a operação desta semana não é um fato isolado. Ele sustenta que a atual gestão acumula denúncias sucessivas envolvendo saúde, obras e contratos administrativos.
“Não é opinião minha. A Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e a Justiça dizem que há indícios de autoria, corrupção e materialidade de desvio de recursos públicos. Havia um racha que se comprava e que se recebia pela Prefeitura. Mossoró virou a casa dos escândalos de corrupção”, afirmou. Deyvison citou, além da investigação na saúde, suspeitas em licitações de obras estruturantes do município e contratos de aluguel e fornecimento de materiais que, segundo ele, apresentariam sobrepreço.
Deyvison também citou propriedades atribuídas ao proprietário da Dismed, Oseas Monthalggan, e afirmou que bens adquiridos com recursos públicos, caso confirmados, “terão que voltar para o povo”. Ele cita ainda outros casos semelhantes na Prefeitura de Mossoró.
“Allyson Bezerra acabou de dar uma declaração que o CETEC, o Anel Viário e o Hospital Municipal foram feitos por licitações eletrônicas. Mentira! Foi licitação presencial e isso viabiliza o direcionamento e a fraude de licitações. Ele utilizou a antiga lei, que é a 8666, que é a antiga lei de licitações, que ainda permitia fazer esse tipo de licitação”, denunciou. O vereador ainda lembrou sobre o caso do Estação Natal, em que indícios de superfaturamento na decoração natalina é investigada pelo Ministério Público.
“Quer mais um caso? O gabinete institucional localizado no condomínio comercial Manhattan Business, eu tenho um contrato em mão que custou à Prefeitura 10.600 reais e numa breve busca na OLX eu vou encontrar no mesmo condomínio comercial para alugar por 3.000 reais. A prefeitura de Mossoró pagou um calção de 31,8 mil adiantado”, acrescentou.
Pode ter dinheiro de corrupção enterrado em terreno de associação
O vereador também trouxe à tona denúncias que, segundo ele, chegaram ao seu gabinete e às redes sociais, indicando que parte do dinheiro desviado poderia estar escondida em áreas ligadas à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Cabo Deyvison disse acreditar na possibilidade e afirmou que irá apurar. De acordo com ele, as informações apontam que valores estariam enterrados como forma de ocultação, supostamente em caixas, inclusive de máscaras hospitalares.
“Se chega denúncia de falta de medicamento, eu vou ao posto de saúde. Se chega denúncia de que tem dinheiro público enterrado em qualquer terreno, eu também tenho o dever legal de averiguar. Eu não vou prevaricar, não vou me omitir”, declarou.
O vereador argumenta que a suspeita se conecta ao volume de recursos investigados pela PF.
Segundo ele, o montante apurado desde 2021 chega a R$ 13,8 milhões e, de acordo com o relatório da Polícia Federal, haveria um esquema de divisão dos valores desviados. “Esse montante, se for feita a rachadinha que a PF colocou em relatório, é 50%, 7 milhões de reais”, disse.
Afastamento de Allyson Diante da gravidade das denúncias, a oposição protocolou pedido de instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. Cabo Deyvison defende não apenas a investigação legislativa, mas também o afastamento imediato do prefeito Allyson Bezerra e do vice-prefeito Marcos Medeiros.
Os partidos comandados pelas tradicionais famílias Alves e Maia no Rio Grande do Norte divulgaram nota conjunta em defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), após a operação da Polícia Federal que investiga desvios de recursos públicos na área da saúde e envolve integrantes da gestão municipal. A manifestação é assinada por União Brasil (UB), Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), comandados justamente pelos personagens da política tradicional que Allyson rejeitava no início da sua trajetória política, mas que agora são seus principais aliados.
Na nota, as siglas afirmam “solidariedade e apoio” ao prefeito e dizem confiar na postura de Allyson Bezerra, destacando que sua gestão seria pautada “pelo compromisso com a transparência, pelo respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública”.
Os partidos também reforçam a defesa do devido processo legal e garantem a continuidade do apoio ao projeto do pré-candidato ao Governo do RN. “Seguimos ao lado de Allyson Bezerra, com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência”, diz o texto, concluindo que “a verdade prevalecerá”.
A defesa pública ocorre em um momento simbólico da trajetória política do prefeito de Mossoró.
Allyson ascendeu na política potiguar justamente com um discurso de enfrentamento às oligarquias que historicamente dominaram o poder no Estado.
Ao longo de sua construção eleitoral, fez críticas diretas à política conduzida por famílias tradicionais, que, segundo ele, agiam em benefício próprio: “Eles não fazem política nem para mim, nem para você. Não fazem política para o povo do Rio Grande do Norte. Fazem exclusivamente para suas famílias e para os seus grupos políticos”, declarou em discursos do início de sua carreira.
O cenário, porém, mudou significativamente. Oito anos depois, mirando a disputa pelo Governo do Estado em 2026, Allyson Bezerra passou a integrar justamente o bloco político que reúne as famílias Alves e Maia. A nota de defesa divulgada agora se soma ao movimento iniciado na semana passada, quando lideranças como José Agripino Maia (União Brasil), João Maia (PP) e a senadora Zenaide Maia (PSD) publicaram comunicado de boas-vindas a Walter Alves (MDB), consolidando o arco de alianças das duas famílias em torno do nome do prefeito de Mossoró. O vice-governador chegou recentemente ao grupo depois de romper com a governadora Fátima Bezerra (PT) em nome do apoio à Allyson e pela sua candidatura à deputado estadual.
As articulações que resultaram nessa aliança foram conduzidas longe dos holofotes, em conversas reservadas, modelo de construção política que Allyson antes criticava publicamente.
Fora a nota oficial, nenhuma das lideranças envolvidas concedeu entrevistas ou declarações nas redes sociais sobre o escândalo de supostos desvios de dinheiro da saúde de Mossoró, que, segundo a PF, teria o prefeito como eixo central.
O caranguejo-uçá voltou a entrar no período de defeso no Rio Grande do Norte, fase em que ficam proibidas a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização do crustáceo. A medida, definida por portaria interministerial dos ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, coincide com a chamada andada reprodutiva, quando machos e fêmeas deixam as tocas no mangue para acasalar e liberar os ovos. Proteger esse momento é essencial para garantir a renovação da espécie e a preservação dos manguezais.
No Rio Grande do Norte, o defeso ocorre de forma intercalada entre janeiro e abril. Durante essas datas, qualquer atividade relacionada ao caranguejo-uçá é considerada ilegal, com exceção apenas de estoques declarados previamente aos órgãos ambientais. A orientação vale para pescadores, marisqueiros e comerciantes, além de bares, restaurantes e demais estabelecimentos comerciais que trabalham com o produto.
Para o diretor-técnico do Idema/RN, Thales Dantas, o defeso é uma das principais ferramentas de conservação da espécie e de equilíbrio ambiental. “A portaria federal estabelece uma vedação de 18 de janeiro a 23 de abril, com semanas alternadas. Esse intervalo corresponde exatamente ao período de andada, quando o caranguejo se reproduz. Respeitar esse tempo é garantir que a população da espécie continue existindo nos manguezais”, explica.
Ele ressalta que o caranguejo-uçá tem um papel essencial no funcionamento do ecossistema. “É uma espécie que ajuda a manter o solo do mangue oxigenado, participa da ciclagem de nutrientes e contribui para o equilíbrio ambiental. Proteger o caranguejo é proteger o próprio manguezal”, afirma.
Thales também reforça que o consumo só é permitido quando há comprovação de origem legal.
“O comerciante precisa apresentar a declaração de estoque. Sem esse documento, a venda é irregular e deve ser denunciada aos órgãos ambientais”, orienta.
Fiscalização integrada A fiscalização é feita em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que intensifica as ações durante o período. O superintendente do Ibama no RN, Rivaldo Fernandes, lembra que o defeso protege não apenas o presente, mas o futuro da espécie. “Precisamos proteger o caranguejo-uçá agora para que ele continue existindo amanhã. Reforçamos que nesse período, não é permitida a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização nem a comercialização. A medida coincide com a saída em massa dos animais para o acasalamento e garante a renovação natural da espécie”, afirma.
Rivaldo destaca que as equipes do Ibama, junto com a Polícia Ambiental, vêm realizando operações em áreas de mangue, rodovias, feiras livres, bares e restaurantes. “Quem for flagrado desrespeitando o defeso responde por crime ambiental, com multa, apreensão de material e, em caso de flagrante, até prisão”, alerta.
As penalidades variam conforme a gravidade da infração e a quantidade de caranguejos apreendidos. De acordo com a legislação ambiental, as multas têm valor Inicial de R$ 700 e podem chegar a R$ 100 mil. Além disso, todo o material utilizado na atividade ilegal também pode ser recolhido.
Calendário do defeso Neste ano, o calendário do defeso do caranguejo-uçá no Rio Grande do Norte é dividido em seis etapas alternadas. A primeira ocorreu de 18 a 23 de janeiro; a segunda, de 1º a 6 de fevereiro; a terceira, de 17 a 22 de fevereiro; a quarta, de 3 a 8 de março; a quinta, de 18 a 23 de março; e a sexta, de 17 a 22 de abril, caso a temporada de andadas reprodutivas continue.
A Câmara Municipal de Natal decidiu, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (27), não arquivar o processo de cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT). Por 15 votos contra o arquivamento, nove favoráveis, três abstenções e uma ausência, o plenário optou por manter o andamento da investigação no âmbito da Comissão Especial Processante. Com isso, o processo segue para nova fase de instrução, com oitiva de testemunhas e análise de documentos, antes de um julgamento final.
A sessão foi convocada para analisar o parecer da Comissão Especial Processante, apresentado no dia 7, que recomendava o arquivamento do processo com envio da denúncia à Comissão de Ética. No parecer, o relator Daniell Randall (Republicanos) votou contra o arquivamento, enquanto a presidente Samanda Alves (PT) apresentou voto divergente, defendendo o envio à Comissão de Ética, posição acompanhada por Tárcio de Eudiane (União Brasil). No plenário, porém, a maioria dos vereadores decidiu que o caso deveria continuar sendo apurado pela própria comissão de cassação.
Para a vereadora Samanda Alves, presidente da Comissão, o envio do caso à Comissão de Ética permitiria uma análise mais técnica. “O relatório trouxe elementos embasados pelas assessorias jurídicas. Nossa proposição não foi transformar a denúncia em pizza, mas arquivar no âmbito da comissão especial e fazer com que ela prosseguisse na Comissão de Ética, conforme o regimento indica”, explicou. Segundo ela, a instância de ética teria melhores condições de avaliar o mérito e indicar, se fosse o caso, absolvição, punição ou até a abertura de um novo processo de cassação.
Ao final da sessão, Brisa Bracchi concedeu entrevista coletiva e afirmou que a decisão reflete um processo de perseguição política. “Já foi investigado, já teve oitiva, já teve depoimento e hoje havia a oportunidade de ter sido arquivado ou encaminhado para a Comissão de Ética, mas infelizmente parece que para a maioria dos vereadores a prioridade não tem sido a discussão dos temas da cidade, e sim esse processo de perseguição”, disse.
A parlamentar avaliou que há um desgaste em torno do tema e que a população espera que a Câmara se concentre em outras pautas. “As pessoas querem e preferem que os vereadores, independente de partido, estejam preocupados com outros temas no ano de 2026”, afirmou. Brisa também declarou que a continuidade do processo não a afastará da vida pública. “Se alguns acham que estender esse processo, que já se arrasta por mais de seis meses, vai me fazer sair da política, muito pelo contrário, eu vou continuar com mais força do que nunca”, completou.
De acordo com o procurador-geral da Câmara, Gustavo Henrique Souza, com a decisão do plenário, a Comissão Especial Processante deve se reunir novamente nos próximos dias para dar continuidade aos trabalhos. “Agora o processo volta para a comissão, onde haverá oitiva de testemunhas, juntada de documentos e, posteriormente, novo julgamento”, afirmou. A previsão é de que o procedimento seja concluído em até 90 dias, com prazo estimado até o fim de fevereiro.
Votação nominal Na votação nominal, 15 vereadores optaram pela continuidade do processo: Albert Dickson, Aldo Clemente, Cláudio Custódio, Cleiton da Policlínica, Daniell Randall, Daniel Santiago, Eriko Jácome, Fúlvio Saulo, Hébert Sena, Kleber Rodrigues, Preto Aquino, Robson Carvalho, Subtenente Eliabe, Tércio Tinoco e Tony Henrique. Nove votaram pelo arquivamento e envio à Comissão de Ética: Camila Araújo, Carlos Silvestre, Daniel Valença, Eribaldo, Léo Souza, Paulo Henrique, Samanda Alves, Tárcio de Eudiane e Thabatta Pimenta. Três se abstiveram: Irapoã Nóbrega, João Batista Torres e Luciano Nascimento. Anne Lagartixa não registrou presença.
Motivação para o processo O processo de cassação foi instaurado a partir de denúncia do vereador Matheus Faustino (União), de que Brisa Bracchi teria destinado indevidamente uma emenda parlamentar para um evento de caráter político-partidário em 2025. O evento, conhecido como “Rolé Vermelho”, ocorreu em 9 de agosto, na Casa Vermelha, em Natal, e foi divulgado como uma festa ou ato político associado à vereadora, celebrando a expectativa de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (27), ultrapassou rapidamente as fronteiras do Rio Grande do Norte e ganhou ampla repercussão nacional, colocando o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), no centro de um dos mais graves escândalos recentes envolvendo desvios na área da Saúde pública. A repercussão ganhou destaque nacional, pelos milhões envolvidos nos contratos em questão.
O Estadão foi um dos veículos que deram maior destaque ao caso, publicando manchetes duras e detalhadas. Em uma delas, o jornal crava: “A matemática do prefeito de Mossoró: ‘ele comeu 60, 15% de Allyson’, diz empresário sobre propina”.
Em outra reportagem, o jornal ampliou o alcance da operação. “Três prefeitos e 15 servidores no Rio Grande do Norte são alvos da PF por rombo de R$ 13 mi na Saúde”.
O veículo destacou que a Polícia Federal posiciona Allyson Bezerra no topo do esquema, com referências nominais e indiretas ao recebimento de propina em escutas ambientais.
A CNN Brasil não apenas noticiou a operação como trouxe um desdobramento com perfil político do prefeito: “Quem é Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró que foi alvo de operação da PF”.
A emissora ressaltou que Allyson tem 33 anos, é natural de Mossoró e se tornou o prefeito mais jovem da história da cidade, destacando que a investigação atinge uma liderança em ascensão no cenário político potiguar e nacional. Além disso, traz a trajetória do prefeito até se tornar deputado estadual.
A CartaCapital tratou o caso como um escândalo institucional, com a manchete: “PF deflagra operação contra suspeitas de desvios na saúde no Rio Grande do Norte”.
Já o ICL Notícias foi mais direto ao associar o nome do prefeito e o partido ao esquema: “Prefeito de Mossoró (RN), do União Brasil, é alvo de operação da PF contra desvios na saúde”.
Os veículos destacaram o impacto da investigação sobre a gestão municipal e a gravidade das denúncias envolvendo contratos de medicamentos.
O caso também foi destaque em portais de grande alcance como InfoMoney, G1 Nacional, Metrópoles, Terra, Brasil 247, Revista Oeste e BandNews, evidenciando que o escândalo atravessa diferentes linhas editoriais e espectros políticos.
O Jornal Nacional, da TV Globo, levou a operação ao horário nobre, reforçando o caráter nacional da investigação e o volume de recursos públicos sob suspeita.
UOL destaca impacto eleitoral no RN O UOL deu um enquadramento político-eleitoral ao episódio, apontando Allyson como figura estratégica no tabuleiro estadual: “Alvo da PF, prefeito de Mossoró é principal ameaça ao governo do PT no RN”.
A abordagem ressalta que a operação não tem apenas repercussão criminal e administrativa, mas também potencial para redesenhar o cenário político do Rio Grande do Norte, especialmente em meio às disputas entre grupos ligados ao União Brasil e ao PT.
A ampla cobertura nacional reforça a dimensão do caso que, como já detalhado, envolve contratos de R$ 6,39 milhões apenas em Mossoró, uma empresa com crescimento explosivo em ano eleitoral e escutas que descrevem com precisão a divisão de propinas.
Como já revelado em reportagens anteriores, a investigação aponta fraudes em licitações, pagamento de propinas e desvio de recursos públicos em contratos milionários para fornecimento de medicamentos. Diálogos interceptados pela PF indicam que Allyson teria recebido percentuais fixos sobre contratos, descritos por empresários como parte da chamada “matemática de Mossoró”.
A Operação Mederi, deflagrada na manhã desta terça-feira (27), expôs um esquema de fraudes em licitações, pagamento sistemático de propinas e desvio de recursos públicos na área da Saúde em Mossoró e outros municípios do Rio Grande do Norte. No centro das investigações está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em sua residência.
De acordo com a PF, diálogos interceptados entre empresários do setor farmacêutico detalham com precisão o funcionamento do esquema e apontam o prefeito como beneficiário direto de percentuais fixos sobre contratos públicos. Em uma das conversas, o empresário Oseas Monthalggan, sócio da distribuidora de medicamentos DISMED, descreve o que chamou de “a matemática de Mossoró”.
“Tem uma ordem de compra de quatrocentos mil. […] Ele entrega duzentos, tudo a preço de custo.
Dos duzentos, ele pega trinta por cento. Sessenta. Aqui ele comeu sessenta mil”, diz Oseas, em diálogo captado em maio de 2025. O “ele” em questão é Allyson Bezerra.
Na sequência, o empresário detalha a divisão final dos valores e cita nominalmente o prefeito: “Dos 130 nós temos que pagar 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Só ficou 30 mil pra empresa”, descreve a decisão que determinou a operação da PF, assinada pelo Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira.
Para a Polícia Federal, “o contexto geral destas conversas deixa claro que o ‘Allyson’ mencionado é o prefeito de Mossoró”, não havendo ambiguidade quanto ao destinatário das vantagens indevidas.
Outro diálogo interceptado pela PF reforça a suspeita de que havia um percentual previamente definido destinado ao prefeito. Em escuta ambiental realizada nas dependências da DISMED, Oseas volta a tratar da divisão da propina: “Quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento”.
Segundo os investigadores, “‘o homem’ é uma referência indireta a Allyson Bezerra, utilizada como forma de identificação velada”. Para a PF, a repetição da expressão e o contexto das conversas afastam qualquer interpretação genérica.
Durante a captação ambiental, o nome de Allyson foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe como ladrão.
“Ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não!”, aponta investigação atribuindo a Oseas.
A Polícia Federal é explícita ao posicionar o prefeito e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), no comando da engrenagem criminosa. A Controladoria-Geral da União (CGU) reforçou essa leitura ao informar que “todas essas práticas ilícitas teriam sido encabeçadas pelo alto escalão das gestões municipais”.
“Allyson Bezerra e Marcos Bezerra operavam o topo do esquema, recebendo propina em percentuais definidos sobre os contratos firmados com a DISMED”, afirma a investigação.
De acordo com os autos, a organização funcionava em camadas. No topo, o prefeito e o vice-prefeito; em um nível intermediário, secretários e gestores administrativos, responsáveis por “garantir as condições institucionais”; no nível operacional, estavam fiscais e gestores de contrato que atestavam entregas parciais ou inexistentes; e externamente, empresários que executavam o esquema no setor privado.
Além das referências diretas a pagamentos, a PF aponta indícios claros de que Allyson tinha consciência da ilegalidade. Em outro trecho das conversas, Oseas descreve o comportamento do prefeito: “Os cara é um cuidado… não porque ninguém pode saber não”.
Para os investigadores, essa fala demonstra que o prefeito adotava uma postura deliberadamente cautelosa para ocultar sua participação: “Os interlocutores percebem no prefeito um comportamento cauteloso voltado a manter oculta sua participação nos esquemas discutidos, o que é indicativo de conhecimento da irregularidade das práticas”, registra a PF.
A empresa apontada como pivô do esquema, a DISMED, firmou R$ 6,39 milhões em contratos com a Prefeitura de Mossoró entre 2024 e 2026. Em 2023, a empresa operava no prejuízo. Em 2024, ano eleitoral, apresentou lucro superior a R$ 2 milhões, crescimento que, segundo a investigação, decorre quase exclusivamente dos contratos públicos.
A PF também destaca a fragilidade da estrutura empresarial da distribuidora, que tinha como sócio Maycon Lucas, jovem residente na zona rural de Serra do Mel, sem histórico no setor farmacêutico e com atividade pública registrada como oficina mecânica. Meses antes da operação, Maycon transferiu suas cotas para uma holding de sua própria titularidade, movimento visto como possível tentativa de blindagem patrimonial.
A Operação Mederi cumpriu 35 mandados de busca e apreensão e aplicou medidas cautelares e patrimoniais contra os investigados. Ao todo, 15 servidores públicos são investigados, entre secretários, chefes de gabinete e pregoeiros, em cinco municípios potiguares.
Segundo a PF, os indícios apontam para sobrepreço, não entrega de medicamentos, uso irregular de atas de registro de preços e dispensas emergenciais fraudulentas, com prejuízo estimado em R$ 13 milhões.
O que diz Allyson Em nota, o prefeito tenta afastar de si a responsabilização sobre os desvios. Afirmou que colaborou com a diligência e negou envolvimento pessoal nos fatos, alegando que a investigação se baseia em diálogos de terceiros. A Polícia Federal, porém, sustenta que as conversas interceptadas fazem referências nominais e indiretas reiteradas ao prefeito, descrevem percentuais específicos e revelam um esquema estruturado de desvio de recursos públicos.
Agora, a investigação avança para rastrear o fluxo financeiro e esclarecer quanto da “matemática de Mossoró” permaneceu com os empresários e quanto retornou aos agentes políticos que comandavam a máquina pública.
A operação da Polícia Federal que investiga desvios de verbas da Saúde em Mossoró e o suposto envolvimento do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) provocou forte impacto político no Rio Grande do Norte, mas expôs também um silêncio estratégico entre as principais lideranças estaduais. Até o momento, apenas nomes ligados ao PT se pronunciaram publicamente sobre o caso.
Como já detalhado, a investigação apura fraudes em contratos de medicamentos, pagamento de propinas e prejuízo milionário aos cofres públicos, com escutas que, segundo a PF, apontam o prefeito de Mossoró como beneficiário de percentuais sobre contratos. Mesmo diante da gravidade das denúncias, a reação política foi desigual.
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi uma das primeiras a se manifestar. Em publicação no Instagram, ao comentar reportagem do Jornal Hoje (TV Globo), Isolda classificou o caso como grave e fez duras críticas à gestão municipal: “O que está acontecendo em Mossoró é GRAVE e precisa ser investigado! É revoltante que a gestão e empresários ROUBEM o dinheiro que deveria ser usado para salvar vidas”, escreveu na legenda.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) também repercutiu amplamente a operação em suas redes sociais, compartilhando matérias da imprensa nacional. Em uma das postagens, foi direta: “GRAVE! O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, foi alvo da Polícia Federal hoje, na investigação de fraudes em contratos de compra de insumos para a rede pública de saúde. Esquema criminoso de desvios de recursos”, afirmou.
Já o pré-candidato ao Governo do RN, Cadu Xavier (PT), possível adversário direto de Allyson Bezerra na eleição de outubro, publicou nota pública cobrando atenção e responsabilidade diante da operação: “A megaoperação da Polícia Federal contra desvio de recursos no RN na casa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, merece atenção de todos”, apontou.
Cadu também destacou o aspecto ético e humano do caso: “Gerir recursos públicos é coisa séria e requer compromisso, zelo e, principalmente, honestidade. (…) Fraudes em contratos da Saúde é, além de crime, totalmente desumano”.
Enquanto lideranças petistas se posicionaram, nomes centrais da direita potiguar optaram pelo silêncio. Não houve manifestações públicas do pré-candidato a governador Álvaro Dias (Republicanos), nem dos senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB).
O silêncio se estendeu também aos aliados diretos do prefeito. O presidente do União Brasil no RN, José Agripino Maia, não se pronunciou. Tampouco falaram os deputados Benes Leocádio (UB) e João Maia (PP), além do vice-governador Walter Alves (MDB), que mantém relação política com a gestão mossoroense.
Quando Cristina (nome fictício, para preservar a identidade da vítima) lembra da filha aos sete anos, a imagem que vem é de uma menina expansiva, que gostava de correr, pular, brincar na rua e conversar com todo mundo. “Ela sempre foi muito comunicativa, gostava de ser criança”, recorda. Foi em 2019, quando a menina começou a estudar numa escola pública do bairro das Rocas, em Natal, que o comportamento mudou. “Ela parou de falar, voltou a fazer as necessidades fisiológicas na roupa, ficou compulsiva com comida, agressiva, isolada da família. Eu achava que era algum problema neurológico. Não fazia ideia do que estava acontecendo. ”
A pandemia intensificou os sinais. A menina passou a ter medo do escuro, a dormir no chão, a chorar com frequência e a não querer sair de casa. Cristina mudou de endereço, acreditando que o ambiente poderia estar afetando a filha. Nada mudou. “Eu estava perdida. Ela regredia como criança e eu não entendia o por quê”, relembra.
O relato surpreendente Em abril de 2022, sentadas na calçada de casa, a então criança de 10 anos disse à mãe que um professor “tocava nela de forma diferente”. Cristina lembra do choque. “Fiquei sem fala. Não sabia o que dizer, nem o que fazer e chamei ela para entrar e conversarmos melhor. ” Já dentro de casa, a filha contou o que vinha acontecendo, relatando que um professor a prendia na sala enquanto os outros alunos saíam, tocava o corpo dela, encostava nela na fila, a colocava no fundo da sala e repetia os abusos. “Dói só de imaginar. É muito forte”, diz a mãe emocionada.
Um dos episódios mais marcantes foi na hora da saída. “Ela disse que ele trancou a sala e começou de novo. Ela gritava pedindo para soltar, dizendo que ouvia a minha voz no portão. Ele abriu a porta para ver se eu tinha chegado. Não tinha ninguém. O portão estava fechado. Daí, ela teve que voltar para a sala. E ele cometeu os abusos outra vez. ” A mãe se culpa até hoje. “O que mais me dói é não estar lá quando ela precisava. Eu sempre trabalhei para dar o melhor, mas eu não estava lá”, se culpa.
Na semana seguinte, Cristina procurou a direção da escola. Ao contar o que a filha havia relatado, ouviu que já havia suspeitas sobre o comportamento do professor. “A coordenadora disse que percebia atitudes estranhas, que ele se trancava na sala, saía atrasado do intervalo, deixava mochilas dos alunos presas. Disseram que havia relatos de outras mães e que nada tinha sido feito. ” O professor havia pedido transferência após um episódio com outro aluno. “Eu disse que isso não podia ficar impune, queria justiça.”
Dito isto, Cristina foi à Secretaria de Educação e, em seguida, à Delegacia da Criança e do Adolescente. Registrou boletim de ocorrência, passou o dia prestando depoimento. “Saí de lá e ninguém me procurou. A escola não me ligou. Foi como se eu tivesse falado ao vento”, lamenta.
A luta por atendimento e justiça Sem apoio institucional, Cristina buscou um vereador do bairro, que a orientou a procurar o Conselho Tutelar. Vieram medidas protetivas e o acionamento do Ministério Público. O caso passou a correr em segredo de justiça.
Mas o atendimento psicológico para a filha não chegava. “Eu batia em todas as portas. Diziam: vai aqui, vai ali. Eu nunca encontrava ajuda. ” A menina continuou na mesma escola por falta de condições de mudar de bairro. “Era um terror. Ela não queria ir, mas eu temia que ela sofresse ainda mais em outra escola, diante da condição que se encontrava”.
Após muita luta, conseguiu uma vaga em uma clínica voltada a crianças neurodivergentes, longe de casa, com consultas espaçadas e interrupções por falta de transporte. “Não era o tratamento correto para o que ela tinha vivido. ”
Foi no CEDECA Casa Renascer (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente), uma organização da sociedade civil, que a adolescente passou a ter o atendimento adequado além do suporte jurídico à família. “Lá ela foi acolhida. Tem acompanhamento psicológico para o que ela viveu, escuta para a família e apoio jurídico. Mas, diante de tanta demora, já era tarde para muita coisa”, observa. A menina tem 13 anos, atualmente.
Consequências do trauma
Após os abusos, adolescente desenvolveu depressão e pesa 115 quilos – Foto: Reprodução
Cristina descreve a filha como alguém que se fechou no próprio mundo. “Hoje ela pesa 115 quilos, dorme no chão na casa da minha mãe, não quer voltar para casa, tem crises de ansiedade, toma medicação e fala em atentar contra a própria vida. Pergunta por que está aqui, por que isso aconteceu com ela. ” A mãe tenta resgatar a criança que existia antes. “Eu queria que ela voltasse a ser quem era”, diz.
Segundo Cristina, o professor foi exonerado do cargo e deixou de dar aulas na rede pública. “Era minha prioridade, que ele não estivesse mais com crianças. Mas eu não sei como anda o caso. Tudo é em segredo de justiça. Há informação de que uma audiência está marcada para abril de 2026. Mas estou aguardando ser notificada”. Ela afirma que o homem também atua como líder religioso e continua em atividades com crianças fora da escola. “Isso me assusta, porque ele pode fazer com outras crianças”, diz temerosa.
Cristina quer que a história ganhe visibilidade. “Não por vingança, mas para que não fique impune e para que o homem não faça outras vítimas”. Ela resume o que viveu como uma batalha solitária. “Eu perdi o emprego para correr atrás disso. O que eu queria era tratamento para minha filha e justiça e só vou sossegar quando conseguir. Esse homem destruiu sonhos da minha filha. O mínimo que eu espero é que a justiça faça a parte dela”, finaliza.
Os principais nomes da oposição ao governo de Fátima Bezerra (PT) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), têm adotado como centro de suas pré-campanhas o discurso de que o Estado enfrenta uma situação fiscal grave e que a atual governadora deixará uma “herança difícil” para o próximo gestor. No entanto, dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a gestão fiscal dos dois gestores mostram crescimento do endividamento, tanto na Prefeitura de Natal, quanto em Mossoró. Os números contrastam com o discurso utilizado pelos gestores.
Informações disponibilizadas pela gestão Álvaro Dias ao TCE à frente da Prefeitura do Natal indicam um crescimento expressivo do endividamento municipal ao longo de seu mandato, o que tem sido utilizado por aliados do governo estadual como contraponto às críticas dirigidas à administração de Fátima Bezerra.
De acordo com os Relatórios de Gestão Fiscal, em abril de 2018, quando Álvaro assumiu a Prefeitura do Natal, a dívida consolidada reconhecida do município era de R$ 502.556.179,49. Ao final de sua gestão, com a posse do atual prefeito Paulinho Freire (UB), esse valor chegou a R$ 1.214.112.285,63, representando um aumento nominal superior a R$ 700 milhões em cerca de seis anos.
A Dívida Consolidada Líquida (DCL) é um indicador fiscal que mostra quanto um governo deve, depois de descontar o que ele tem em caixa ou a receber no curto prazo. O índice, além de medir o nível real de endividamento, avalia a capacidade de pagamento.
Já o relatório da gestão fiscal da Prefeitura de Mossoró aponta que Allyson Bezerra recebeu o cargo em 2021 com dívida consolidada de R$ 233.266.818,17. Já em dados atuais do relatório, até outubro de 2025, a dívida consolidada está em R$ 610.639.267,27. Allyson Bezerra vai entregar a cadeira do Executivo Municipal ao seu vice, Marcos Medeiros (PSD), com aumento de quase R$ 400 milhões na dívida de Mossoró. O valor exato é de R$ 377.372.449 de ampliação do débito durante quase seis anos da gestão Allyson.
O governo Fátima Bezerra tem argumentado que herdou um Estado com graves desequilíbrios financeiros, atraso de salários e comprometimento elevado da receita com despesas obrigatórias, e que, apesar das dificuldades, promoveu reorganização administrativa, retomada de investimentos e regularização de pagamentos.
Conforme publicado pelo Diário do RN, o aumento de cerca de R$ 2 bilhões em quase oito anos de Governo, se devem ao contexto econômico influenciado pela inflação acumulada no período, de 15%, dívidas com precatórios e o crescimento da folha de pessoal.
Nesse contexto, o discurso de “herança fiscal” utilizado por Álvaro Dias e Allyson Bezerra, que tende a ser o principal tema da campanha eleitoral, perde força quando confrontado com os resultados de sua própria gestão municipal.
Pré-candidato a deputado estadual pelo MDB, o ex-vereador de Natal Luiz Carlos avalia que o PT não soube fortalecer o vice-governador para a eleição 2026. A crítica à forma como o PT conduziu a relação política com o vice-governador Walter Alves, avaliando que erros sucessivos do partido acabaram por enfraquecer o MDB e levar ao rompimento político com a governadora Fátima Bezerra (PT).
“O PT errou com Walter Alves, na minha opinião, desde do início, quando não soube fortalece-lo para a eleição de 2026. Confirmou isso quando, em 2024, na eleição de prefeito, não aceitou uma indicação do MDB para vice na chapa de Natália Bonavides, e para piorar colocou um outro nome para vice, sem peso o suficiente que justificasse o não ao MDB”, avalia.
A fala ocorre em meio ao cenário já amplamente discutido nos bastidores da política potiguar: a decisão de Walter Alves de não disputar o Governo do Estado em 2026, não assumir o governo do RN em caso de renúncia da governadora, o desgaste da relação com o PT e a reconfiguração de alianças que empurrou o MDB para fora da base governista.
Na avaliação de Luiz Carlos, o PT deveria ter seguido uma lógica comum na política nacional. “Era para ter tornado Walter um supersecretário, como todos fazem com seu futuro candidato. O PT precisa aprender com Lula: para ganhar eleições é necessário aliança. O PT vaiou Alckmin quando Lula o trouxe para ser seu vice. O resultado apertadíssimo contra Bolsonaro mostrou que Lula precisou da aliança”, disse.
Luiz Carlos defendeu que, diante do desgaste do atual governo estadual, o MDB buscou um caminho pragmático.
“O MDB parte para aliança com Allyson. Acho que, no momento, é o melhor caminho. É notório o desgaste deste último mandato de Fátima”, afirmou. Para ele, o lançamento antecipado do nome de Cadu Xavier pelo PT agravou o isolamento político do partido. “Esse lançamento afastou o MDB. Não só o MDB: isolou o PT. Não dá para se ter Fátima no Senado e PT no Governo sem alianças”, criticou Luis Carlos.
Construção da pré-candidatura Luiz Carlos é um dos nomes a compor a nominata a deputado estaual do MDB, formada com a presença do próprio Walter Alves, que busca ingresso na Assembleia Legislativa. O ex-vereador reconheceu que a disputa exige foco e estratégia. “Toda eleição é difícil, e para deputado estadual, como será a minha, requer muito mais foco. Sou engenheiro, professor, ex-vereador, atuo no esporte, e hoje as redes sociais ajudam muito”, listou, apostando no histórico profissional e político para ampliar suas chances.
Segundo ele, a pré-candidatura ganhou corpo após convite da direção do MDB, liderada por Walter Alves e Garibaldi Filho. “Consultei familiares e amigos mais próximos e resolvi criar um grupo no WhatsApp para sentir a nossa pré-candidatura. Desde a criação, em outubro de 2025, já entraram mais de 800 amigos”, relatou.
Caso eleito, Luiz Carlos afirma que pretende concentrar atuação em áreas específicas. “A fiscalização do Executivo, Educação e Esporte serão as principais pautas”, afirmou. Ele destacou a atuação prévia nessas áreas, citando um canal educacional com mais de mil videoaulas e uma web TV com programação 24 horas, além da presença constante no esporte amador.
Sobre a formação da nominata do MDB, o pré-candidato demonstrou otimismo. “Ainda está se formando, mas o MDB tem muitos prefeitos, vices e mais de 360 vereadores. Sentando e conversando, isso está sendo trabalhado. Eu sou uma prova de que o partido tem condição de fechar uma nominata forte”, avaliou. Para Luiz Carlos, a definição do novo governador por meio de eleição indireta pode fortalecer ainda mais o partido no processo eleitoral de 2026.
Aberta desde o mês de dezembro, a exposição “Reinos do Imaginário” permite que o público potiguar mergulhe em um sertão reinventado na Pinacoteca Potiguar. A mostra do artista potiguar AZOL propõe uma leitura sensorial, simbólica e profundamente subjetiva do sertão nordestino. Conhecido por suas pinturas e fotografias, o artista amplia seu repertório ao incluir peças tridimensionais em madeira, barro, metal, porcelana, tapeçaria e mobiliário, criando um universo que mistura religiosidade, estética medieval e referências populares. Em cartaz até 22 de fevereiro, a exposição já recebeu quase 3.500 visitantes desde a abertura.
Com visitação gratuita, a mostra é estruturada em quatro módulos, que organizam a experiência do visitante por meio de cores, aromas e trilhas sonoras próprios. Esses elementos compõem ambientes que procuram traduzir diferentes camadas de um sertão moderno e mitológico, dividido em: Reino do Encoberto, Reino do Silêncio Ardente, Reino da Cruz Errante e Reino do Chão das Promessas. Cada núcleo apresenta suas próprias atmosferas, conduzindo o público por uma espécie de narrativa sensorial e emocional.
AZOL conta que a ideia do projeto começou a tomar forma ainda nas pesquisas para sua exposição anterior, “O Sertão Virou Mar”, de 2022, mas ganhou força após viagens feitas em 2024 por diferentes regiões do Nordeste. Nessas andanças, o artista se aprofundou na arquitetura sertaneja e passou a observar casas do interior representadas de forma fragmentada que, quando ampliadas, lembravam coroas. A partir daí, surgiu o impulso de inserir traços humanos nas obras.
“Ao ampliar isso, surgiu a figura do rei e da rainha com traços do fenótipo indígena e afrodescendente como ferramenta de fortalecimento dessa identidade, somada à ideia monárquica de reinos que simbolizam uma verdadeira mitologia”, relata.
O processo criativo também foi alimentado por uma imersão em expressões populares de fé. AZOL percorreu cerca de três mil quilômetros por cidades da Bahia, Pernambuco e Ceará, reunindo imagens e memórias ligadas a tradições religiosas. Esse conjunto de vivências deu origem aos quatro reinos que estruturam a exposição.
“O conceito dos quatro reinos nasceu de uma fábula sobre um andarilho que vagueia pelo sertão em busca de mistério. Ele passa pelo Reino da Cruz Errante, terra de penitentes e peregrinos; pelo Reino do Chão das Promessas, onde o barro é protagonista; pelo Reino do Encoberto, onde tudo é presença oculta; e, por fim, pelo Reino do Silêncio Ardente, ligado aos saberes ancestrais do sagrado feminino”, descreve o artista.
Responsável pela curadoria da exposição, Manoel Onofre destaca que a mostra apresenta o sertão como um território onde a memória e o sagrado se entrelaçam, criando uma experiência que extrapola o olhar.
“Ao transitar pelos Reinos do Imaginário de AZOL, inventados e reinventados, o espectador é convidado não apenas a observar, mas a participar de uma experiência sensível de reconhecimento e escuta. Em cada obra, reverbera o eco de um tempo que não passa, mas pulsa, onde o invisível é matéria, o sagrado é gesto e a memória, território vivo. Reinos do Imaginário se firma, assim, como um convite à travessia interior, um percurso simbólico por entre ruínas de fé, fragmentos de mitos e promessas de futuro, onde a arte se torna ferramenta de encantamento, reconexão e permanência”, afirma o curador.
Entre as obras que devem atrair a atenção do público, está uma instalação modular em madeira que remete a um castelo, com nichos que abrigam cabeças de reis. A peça dialoga com outros elementos expostos, como tronos, totens e um gazebo que representam a divisão entre os reinos. Outro destaque é uma escultura inspirada nas cúpulas do Castelo de Zé dos Montes, ponto turístico de Sítio Novo, no Rio Grande do Norte.
“É uma experiência imersiva, uma exposição que deve provocar no público o resgate de uma memória afetiva. É para o público observar não apenas as obras expostas, mas também, as sensações que delas surgem ao adentrar pelos reinos”, traduz o artista.
“Reinos do Imaginário” conta com apoio institucional do Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação José Augusto, responsáveis pela administração do Palácio Potengi, sede da Pinacoteca do Estado.
O nome da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) passou a circular nos bastidores da política potiguar como uma possível vice na chapa encabeçada por Cadu Xavier (PT) para a disputa ao Governo do Rio Grande do Norte. A possibilidade surge em meio às mudanças no cenário eleitoral provocadas pela decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo e de se colocar como pré-candidato a deputado estadual. Em conversa com o Diário do RN, Larissa confirmou que o tema da sucessão estadual tem sido tratado em diálogos informais dentro do campo governista, mas deixou claro que não houve, até o momento, qualquer convite oficial para compor chapa majoritária. Segundo ela, as conversas ocorreram de forma preliminar, especialmente com lideranças do PT.
“Eu tenho conversado com Samanda (Alves, presidente do PT-RN). A gente ainda não fez uma conversa partidária em que a executiva do PT e do PSB se reunissem para tratar do assunto das eleições. Foi informal a nossa conversa. A gente falou sobre sucessão, obviamente falamos, mas não sobre vice”, explicou.
Apesar das especulações sobre a vice, Larissa confirmou que, neste momento, seu nome está colocado como pré-candidata à Assembleia Legislativa. Larissa ressaltou que qualquer avanço nesse sentido depende, necessariamente, da instância partidária. “Se por acaso eu for convidada, eu preciso consultar o partido. Isso é uma coisa que passa pela instância partidária, tem que dialogar com o partido”, frisou.
Durante o diálogo com o Diário do RN, a ex-parlamentar destacou ainda a avaliação positiva que faz do nome de Cadu Xavier, atual secretário da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo. “Eu acho que Cadu é um excelente quadro, acho que tem todas as possibilidades de ter sucesso”, afirmou.
Ela também revelou ter conversado com Cadu sobre a possibilidade de mandato tampão, caso a governadora Fátima Bezerra renuncie para disputar o Senado. No entanto, confirma que a prioridade do PT é emplacar Cadu Xavier já na eleição indireta, ou o deputado Francisco do PT.
No campo partidário, Larissa relatou articulações para fortalecer as nominatas proporcionais, especialmente no PSB. Segundo ela, está no radar uma conversa com o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves.
“Eu vou procurá-lo para saber se ele topa vir para o PSB, para saber qual a candidatura que ele deseja, porque a gente está trabalhando para ter as duas nominatas”, afirmou, acrescentando que tratou do tema com o prefeito do Recife e vice-presidente nacional do PSB, João Campos.
Sobre a reviravolta política provocada pela decisão de Walter Alves, Larissa foi crítica à forma como o vice-governador conduziu o processo. “Eu sei que Walter tem o direito de ser candidato a deputado estadual. Eu só não acho que foi correta a forma como ele fez isso. Em vez dele chegar e dizer ‘eu quero ser candidato, por isso não assumirei o governo’, ele tentou arranhar, desgastar a imagem de Fátima para justificar o fato dele não assumir”, avaliou.
Questionada se concorda com a avaliação negativa que Walter faz da atual gestão, Larissa foi enfática. “O governo ruim quem pegou foi Fátima quando assumiu, com os salários atrasados, fornecedores atrasados, aquela situação que a gente conhece”, concluiu.
Os gastos da Prefeitura de Extremoz com limpeza urbana registraram um crescimento acelerado nos últimos dois anos. Dados oficiais do Portal da Transparência da Prefeitura de Extremoz apontam que o serviço custou R$ 9.884.918,67 em 2023 e saltou para R$ 17.428.698,86 em 2025, quase o dobro no período. No ano eleitoral de 2024, o contrato com a MB Construção, a mesma empresa que prestou o serviço à gestão Jussara Sales (PL), durante os anos consultados, foi de R$ 14.567.894,88.
O contraste entre os números e a realidade enfrentada pela população pesa contra a gestão municipal. Em dois anos, o custo da limpeza urbana praticamente dobrou, passando de R$ 9,8 milhões em 2023 para mais de R$ 17,4 milhões em 2025, sem que a melhoria do serviço seja percebida de forma proporcional nas ruas do município.
Mesmo com o avanço no custeio, moradores seguem relatando falhas na coleta de lixo, acúmulo de resíduos em vias públicas e deficiência na manutenção urbana, o que motivou a atuação do Ministério Público. As reclamações deram origem à Notícia de Fato nº 02.23.2614.0000131/2025-32, instaurada em julho de 2025.
O movimento chamou a atenção do Ministério Público, que viu a necessidade de apurar e abriu o Procedimento Preparatório nº 03.23.2614.0000215/2025-75, em 6 de novembro de 2025. A investigação está sob responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Extremoz e tem como objeto “apurar denúncia sobre a coleta de lixo e a manutenção das ruas, em Extremoz/RN”.
Ao longo da tramitação, o Ministério Público expediu ofícios à Prefeitura de Extremoz, principalmente à Secretaria Municipal de Infraestrutura (SMI), solicitando esclarecimentos sobre a execução do serviço e a aplicação dos recursos públicos. Os autos registram reiterações de pedidos e certidões de ausência de resposta, fatores que contribuíram para o avanço das investigações.
Com a instauração do Procedimento Preparatório, o MPRN passa a analisar com mais profundidade contratos, despesas, responsabilidades administrativas e a regularidade da prestação do serviço, podendo adotar medidas administrativas ou judiciais caso sejam identificadas falhas, omissões ou irregularidades.
O órgão deverá decidir, ao final do procedimento, se arquiva o caso ou se adota providências legais, enquanto a população segue cobrando melhorias em um dos serviços públicos mais essenciais da cidade.
“Ao contrário das cassandras, ao contrário de quem prega contra, esse Estado não está falido”, disparou o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), em crítica explícita à oposição política ao governo Fátima Bezerra (PT), formada pela direita, parlamentares oposicionistas na Assembleia Legislativa e defensores da privatização de estatais. A fala aconteceu durante a assinatura da ordem de serviço da duplicação da BR-304.
Logo no início do discurso, Mineiro reagiu ao que classificou como uma narrativa recorrente de que o Rio Grande do Norte estaria “falido”, discurso usado, segundo ele, para deslegitimar a atual gestão. Mineiro sustentou que a própria execução da obra desmonta essa tese.
“Se estivesse falido, nós não estávamos aqui, governador. Se estivesse falido, nós não estávamos aqui vendo a obra mais importante desse Estado”, disse, apontando para a duplicação da principal rodovia federal do Rio Grande do Norte como prova da recuperação da capacidade de investimento.
Na sequência, o deputado confrontou outro ponto central do discurso oposicionista: a defesa da privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) como condição para a realização de obras estruturantes. “Muitos dizem: tem que privatizar a Caern para poder ter dinheiro. Não! Tem que fazer gestão e parceria para ter obras como essa”, afirmou.
Em tom de defesa do governo, Mineiro associou a duplicação da BR-304 a uma mudança de orientação administrativa, baseada em planejamento e articulação institucional. “É disso que se trata: de ter um projeto, de ter um lado, de ter compromisso, de sanear finanças, de ter rumo”, declarou.
O parlamentar também destacou a política de valorização do funcionalismo público como parte desse modelo de gestão, em contraponto às críticas da oposição. “Nós temos a transformação da coragem de respeitar os servidores e as servidoras para que eles prestem o melhor serviço à população”, disse.
Ao encerrar, Mineiro fez uma defesa direta da governadora Fátima Bezerra, afirmando que a obra consolida o legado da gestão.
“Queiram ou não queiram, gostem ou não gostem, vão ter que engolir o preconceito, engolir o ódio, engolir a inveja para reconhecer que essa governadora está colocando o Estado em novos caminhos!”, concluiu.
O número de prisões por crimes de violência sexual e outras violações contra crianças e adolescentes segue em alta no Rio Grande do Norte. Dados das Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCAs), localizadas em Natal, Parnamirim e Mossoró, apontam que 63 pessoas foram presas em 2024 por envolvimento nesses tipos de crime. Em 2025, até o mês de novembro, o número chegava a 64 prisões, ultrapassando o ano anterior e revelando a gravidade do problema.
De acordo com a Polícia Civil, as denúncias anônimas têm desempenhado papel decisivo nas investigações. Em Parnamirim, um dos casos mais recentes partiu de uma informação encaminhada de forma sigilosa e levou à identificação de mais de dez vítimas de um mesmo suspeito de exploração sexual.
“A Polícia Civil do Rio Grande do Norte vem intensificando as ações de investigação e enfrentamento aos crimes de violência sexual e outras violações de direitos contra crianças e adolescentes em todo o estado”, afirma a delegada Ana Gadelha.
Outro caso emblemático também começou com uma denúncia feita pelo Disque 100. A apuração resultou na responsabilização de um homem por abuso sexual contra uma criança, com a comprovação do crime por meio de imagens encaminhadas ao próprio canal.
“Essas denúncias são fundamentais para que possamos agir rapidamente, interromper os ciclos de abuso e garantir que os autores sejam punidos”, acrescenta a delegada.
O aumento das prisões e das investigações reflete um cenário alarmante, em que muitos abusos acontecem dentro do próprio lar. Segundo especialistas, cerca de 70% dos casos de abuso infantil são cometidos por pessoas conhecidas da vítima, como padrastos, pais, avós, tios ou vizinhos. Um caso ocorrido no ano passado ganhou repercussão nas redes sociais, em que um padrasto foi flagrado observando a enteada tomar banho, reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade das crianças dentro do ambiente familiar.
Para a advogada Sâmoa Martins, presidente da Comissão da Infância e Juventude da OAB/RN, a gravidade dessas situações vai muito além do ato em si. “Essa notícia em que o padrasto bisbilhota a enteada demonstra claramente que estamos vivendo um momento gravíssimo, onde a dignidade, a intimidade e a integridade das crianças estão sendo violadas. O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro ao assegurar que toda criança deve ter seus direitos garantidos, principalmente o direito à sua intimidade sexual. Uma criança não deve ser exposta a qualquer forma de sexualização precoce”, alerta.
Sâmoa ressalta que o abuso sexual infantil deixa marcas que ultrapassam a infância. “Quando uma criança percebe que está sendo violentada, isso gera consequências profundas não apenas naquele momento, mas também na vida adulta. São danos emocionais, psicológicos e sociais que, muitas vezes, se estendem por toda a vida”, lembra.
A advogada também destaca que o enfrentamento à violência sexual não deve se restringir ao campo jurídico, mas envolver toda a sociedade. “O Estatuto da Criança e do Adolescente é muito claro ao dizer que é dever do Estado, da família e de toda a sociedade assegurar a proteção integral à criança. Isso significa também salvá-las de todo e qualquer ato desumano, violento ou que cause vexame. A violação sexual e a importunação são crimes graves e têm sanções previstas no Código Penal”, explica.
Um dos principais desafios, segundo Sâmoa, é o silêncio. “A pedofilia e o abuso sexual acontecem, em sua maioria, dentro das casas, por padrastos, pais, tios, avôs ou até vizinhos conhecidos da família. E onde estão os outros membros da família que não percebem? Será que há medo de denunciar? Enquanto o silêncio prevalecer, nossas crianças continuarão sendo violentadas. É dever de todos observar, acolher e denunciar”, enfatiza.
MONINOTAMENTO VIRTUAL A Polícia Civil tem reforçado também o combate aos crimes sexuais cibernéticos, com o uso de técnicas investigativas especializadas e medidas judiciais cautelares. Essas ações têm permitido identificar autores, interromper a circulação de conteúdos ilícitos e preservar a identidade das vítimas no ambiente virtual. “A Polícia Civil também atua com rigor nesses casos para garantir proteção à integridade física e psicológica das crianças e adolescentes”, reforça a delegada Ana Gadelha.
Como denunciar Para garantir a eficácia das ações e ampliar a rede de proteção, a Polícia Civil orienta que a população utilize os canais oficiais de denúncia, que funcionam de forma segura e sigilosa. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal nacional de direitos humanos; pelo Disque 181, da Polícia Civil; na Delegacia Virtual (www.policiacivil.rn.gov.br); ou diretamente nas Delegacias Especializadas de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCAs) em todo o estado.
“A denúncia é um ato fundamental de proteção e pode salvar vidas. Cada ligação pode interromper um ciclo de violência e devolver a uma criança o direito de viver com segurança e dignidade”, conclui a delegada Ana Gadelha.
O Partido Liberal (PL) anunciou, durante coletiva realizada nesta quarta-feira em Natal, novas filiações e avanços na montagem das nominatas para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, consolidando o partido como uma das principais forças da oposição no estado. O principal destaque foi a confirmação da filiação da vereadora Nina Souza, tratada pela direção partidária como peça-chave para a chapa à Câmara Federal.
Presidente estadual do PL, o senador Rogério Marinho confirmou que Nina Souza já assegurou sua ida para o partido e destacou o peso eleitoral do seu nome. Segundo ele, Nina passa a integrar uma nominata que o partido considera “a mais forte e a mais consistente”, com potencial para eleger no mínimo três e possivelmente quatro deputados federais, repetindo ou superando o desempenho da eleição anterior.
A filiação de Nina, no entanto, envolve riscos políticos. De acordo com a deputada federal Carla Dickson, a vereadora pode perder o mandato em Natal ao deixar o União Brasil, já que o partido possui decisão nacional que não libera vereadores para concorrerem por outra legenda fora das hipóteses de justa causa previstas na legislação eleitoral. Ainda assim, o PL avalia que o capital político de Nina compensa o custo institucional da mudança.
Na disputa pela Câmara Federal, o PL já trabalha com uma nominata formada por General Girão, Carla Dickson, Sargento Gonçalves, Major Brilhante, Ludmila Oliveira, de Mossoró, Nina Souza, Pedro Filho, vereador de Assú, o ex-prefeito Daniel Marinho e o empresário Juninho Saia Rodada.
Internamente, a avaliação é de que a combinação de parlamentares de mandato, lideranças regionais e nomes de forte apelo popular amplia a competitividade da chapa.
No plano estadual, a coletiva também marcou a filiação do deputado Luiz Eduardo ao PL, fortalecendo ainda mais a bancada na Assembleia Legislativa. Com isso, o partido passa a reunir deputados de mandato como Coronel Azevedo, Dr. Kerginaldo, José Dias, Tomba Farias, Gustavo Carvalho, Terezinha Maia e Luiz Eduardo, além da expectativa da chegada, durante a janela partidária, de Adjuto Dias, filho do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, anunciado como candidato do grupo ao Governo do Estado.
Segundo dirigentes do partido, o PL passa a contar com a maior bancada da Assembleia Legislativa, somando sete deputados estaduais vinculados à legenda, mesmo com o deputado José Dias já tendo anunciado que não disputará a reeleição. Além dos parlamentares de mandato, a nominata estadual em formação inclui nomes como Jorge do Rosário, presidente do PL em Mossoró, e outros pré-candidatos que seguem em fase de articulação.
Para os líderes do partido, as novas filiações confirmam o crescimento do PL no Rio Grande do Norte e reforçam o discurso de protagonismo tanto na disputa proporcional quanto na majoritária, com chapas robustas e capacidade de influenciar decisivamente o cenário eleitoral de 2026.
Direita e esquerda passam a direcionar atenção para eleição indireta ao Governo
Cadu Xavier é o nome posto pelo sistema governista para mandato tampão. Direita ainda discutirá nomes – Foto: Reprodução
A possibilidade de eleições indiretas para o mandato tampão no Governo do Rio Grande do Norte, entre março e abril, começa as articulações políticas nos dois campos ideológicos. O cenário se abre caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado e o vice-governador Walter Alves (MDB), como já sinalizou publicamente, confirme que não assumirá o Executivo. Diante desse desenho atípico, direita e esquerda se movimentam nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde a escolha do governador do RN será decidida pelos 24 deputados estaduais.
Na direita, as articulações começam após a definição pelo nome escolhido para a disputa de 4 de outubro. Agora, o foco se volta para o nome a ser apresentado para o mandato tampão. Pelo lado da oposição, o discurso público ainda é de cautela. O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao governo em 2026, Álvaro Dias (Republicanos), tem reiterado que seu projeto político está voltado exclusivamente para a eleição direta.
O senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado, também evita antecipar definições, mas admite que o tema está no radar do grupo. Segundo ele, tudo depende da concretização das duas condições centrais: a renúncia de Fátima e a recusa formal de Walter Alves em assumir o governo.
Caso isso ocorra, Rogério afirma que o PL e aliados irão dialogar para avaliar a construção de uma maioria na Assembleia. Hoje, o partido conta com sete deputados estaduais e trabalha para ampliar essa bancada. “Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel, eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição para fazer justamente as ações necessárias para preparar o Estado para o próximo governo”, declarou, em crítica direta à atual gestão.
Dentro do PL, a linha predominante é de que um eventual nome para o mandato tampão deveria ter perfil técnico e de transição. O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) ressaltou que, até o momento, não há nomes colocados pela oposição. “Tem que acontecer duas coisas: a atual governadora anunciar a renúncia e o vice-governador não assumir. Se isso se concretizar, aí sim podemos falar e debater sobre o mandato tampão. No momento, não há nenhum nome ventilado”, afirmou.
PT Do lado governista, com a saída de Walter Alves da linha sucessória, o PT passa a conversar sobre a eleição indireta na Assembleia. Caso Ezequiel também decline de assumir o governo, como segundo na linha de sucessão, a avaliação interna é de que o sistema governista deverá apresentar um nome próprio para o mandato tampão.
Entre as opções discutidas estão o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, que já é pré-candidato do grupo, prioritário para este projeto. Há também a possibilidade do deputado estadual Francisco do PT, apontado pelos pares na Casa como um nome de perfil mais conciliador entre os parlamentares.
Nos bastidores, Fátima Bezerra é descrita como disposta a apostar alto para manter o controle do Executivo até o fim do mandato. Aliados reconhecem que uma eventual derrota na eleição indireta teria impacto direto sobre sua própria estratégia eleitoral para o Senado.
Fator Ezequiel Ferreira No centro desse tabuleiro está o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).
Ele será o responsável por conduzir o processo de eleição indireta, caso o cenário se confirme.
Esse papel estratégico fez com que Ezequiel passasse a ser intensamente cortejado pelos dois lados.
Na avaliação da direita, Ezequiel já é tratado como um aliado em potencial. Rogério Marinho admite conversas e aposta na possibilidade de caminhar junto com o presidente da Casa.
“Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição”, afirmou Marinho durante coletiva, nesta quarta-feira (21).
Já no campo governista, o discurso é outro. Integrantes da esquerda afirmam que, enquanto não houver um rompimento formal, Ezequiel segue sendo considerado parte da base. “Ele participa do governo, então até prova em contrário, ele é aliado”, resume um nome próximo ao PT.
Nos bastidores, há relatos de que ele já abriu diálogo com a oposição, inclusive com Rogério Marinho. Ao mesmo tempo, tem reunião marcada para a próxima semana, com o dia a definir, com a governadora.