
Recém-empossado como coordenador da campanha majoritária da Federação Brasil da Esperança no Rio Grande do Norte, Raimundo Alves concedeu ao Diário do RN sua primeira entrevista na nova função. Após deixar o Gabinete Civil do Governo do Estado, ele afirmou que a campanha de Cadu Xavier (PT) entra em um novo momento e avaliou o crescimento do pré-candidato, a composição da chapa e os reflexos da recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado.
Raimundo, que já coordenou outras campanhas eleitorais, afirma que aceitou a nova missão por entender que o projeto governista entrava em uma etapa decisiva. “A campanha estava precisando desse novo momento. Já coordenei algumas campanhas, fui convocado para essa tarefa e cá estou”, resumiu.
Sobre a evolução da candidatura de Cadu Xavier, o coordenador afirmou que o desempenho observado nas últimas semanas confirma uma expectativa construída desde a escolha do nome pelo PT.
“Quando o partido escolheu Cadu como candidato, a gente já enxergava nele esse perfil e essa capacidade. Ele tem uma facilidade muito grande de conquistar as pessoas. O primeiro teste foi com a militância do PT, que não é fácil, mas ele conquistou rapidamente a militância do PT, do PV e amplia muito para além do próprio partido”, afirmou.
Segundo Raimundo, o perfil do pré-candidato também representa uma renovação interna do campo governista. “É um nome novo, um perfil novo. Isso faz parte de uma renovação geracional que o partido já vem fazendo há alguns anos, e Cadu se adequa perfeitamente a esse perfil”, avaliou.
Ao comentar o apoio das principais lideranças municipais do estado, tema que vem sendo acompanhado de perto pelos bastidores políticos, Raimundo relativizou o peso dos números e disse que o principal ativo da campanha está na receptividade popular.
“Esse cenário é muito disputado, muitas vezes mais por uma questão simbólica do que eleitoral. Eu acho muito importante e não minimizo o apoio dos prefeitos, mas o principal é que Cadu está conquistando os corações e a mente das pessoas”, destacou.
Vice permanece em aberto
Outro ponto ainda indefinido é a composição da chapa majoritária. Raimundo confirmou que a escolha do candidato a vice permanece em aberto e deverá ser discutida com os partidos aliados antes da convenção.
“Ainda não definimos essa questão. Vamos fazer essa discussão com os partidos coligados e acredito que antes da convenção teremos uma solução”, afirmou.
A preferência do grupo continua sendo por uma mulher na vaga, embora o cenário tenha mudado nas últimas semanas. Nomes antes cotados passaram a concentrar esforços nas chapas proporcionais.
“Essa continua sendo a nossa pretensão, porque entendemos que seria o ideal. Mas os nomes que surgiram foram se organizando nas disputas proporcionais. Hoje não existe esse nome definido, embora não esteja descartado deslocar alguma dessas mulheres para a vice”, explicou.
Alianças com partidos aliados
As articulações com os partidos aliados também continuam em andamento. Sobre o PSOL, Raimundo afirmou que as conversas existem, mas ressaltou que o partido tem uma dinâmica própria de construção política.
“Até agora entendo que é muito mais uma conversa mesmo. O PSOL tem uma particularidade, uma forma de fazer política, e acho legítimo que, de repente, queira manter suas candidaturas”, afirmou.
Já em relação ao PSDB, Raimundo afirmou que a definição da legenda ainda depende de uma conversa interna e lembrou que o presidente estadual da sigla, Ezequiel Ferreira, já chegou adiar a reunião para tratar do tema.
“O presidente Ezequiel adiou algumas vezes essa reunião que já era para ter acontecido. Como o PSDB participa hoje do governo, acho que primeiro eles devem ter uma conversa enquanto governo para depois discutir a questão eleitoral. Não tenho noção de quando isso será definido”, afirmou.
Efeito pós-Lula
Raimundo também atribuiu à passagem de Lula pelo Rio Grande do Norte um impulso importante para a campanha governista. Segundo ele, o crescimento da presença digital de Cadu foi imediato.
“Foi muito forte o crescimento de Cadu nessas duas últimas semanas. Hoje o que temos para medir são as redes sociais, e o crescimento foi totalmente fora da curva. Acredito que isso deverá aparecer nas próximas pesquisas”, avaliou.
Na avaliação do coordenador, o efeito positivo também alcançou os demais integrantes da chapa majoritária e as candidaturas proporcionais.
“Com certeza refletiu em toda a majoritária. A militância está muito empolgada. Partido de militância é diferente de partido de estrutura. Quando ela se apaixona pelo projeto, vai para a frente”, concluiu.