
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira (21), reuniu os principais nomes de seu palanque no Estado, mas expôs um distanciamento do senador Styvenson Valentim (Podemos). Candidato à reeleição e integrante da chapa de Álvaro Dias (PL), Styvenson não acompanhou os compromissos realizados durante o dia e só apareceu no fim da programação, durante o comício na Praça Cívica, em Natal.
A chegada apenas no último ato chamou atenção porque Styvenson integra formalmente o mesmo projeto eleitoral. Apoia Flávio para presidente, disputa uma das vagas ao Senado na coligação de Álvaro e tem Coronel Hélio (PL) como companheiro de chapa. Mesmo assim, enquanto os demais nomes do grupo acompanharam o presidenciável desde os primeiros compromissos, Styvenson permaneceu longe do palanque durante boa parte do dia.
Flávio desembarcou no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e depois participou de almoço com aliados em Natal. Álvaro Dias, Coronel Hélio e Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha presidencial, estavam entre os presentes. A programação seguiu com mobilização pelas ruas da capital até o comício na Praça Cívica.
Styvenson não constava entre os principais nomes anunciados para acompanhar os compromissos anteriores ao comício.
O contraste aumentou porque foi justamente durante a ausência do senador que Flávio fez uma defesa pública de sua reeleição. No encontro com aliados, o presidenciável pediu votos para Coronel Hélio e Styvenson e apresentou os dois como os nomes que deseja ter no Senado pelo Rio Grande do Norte.
“É muito importante eu ter esses dois senadores. Os meus dois senadores aqui no Rio Grande do Norte são eles dois”, declarou Flávio.
Styvenson só apareceu mais tarde, no comício que encerrou a programação. A chegada no último compromisso amenizou a ausência durante o restante do dia, mas não passou despercebida diante da movimentação dos demais integrantes do grupo. Em plena reta final, quando as campanhas procuram demonstrar unidade e colocar seus principais candidatos lado a lado, o senador ficou distante justamente durante parte da visita do presidenciável que apoia.
A postura também se refletiu nas redes sociais. Até o fechamento desta edição, Styvenson não havia publicado conteúdo destacando a passagem de Flávio pelo Rio Grande do Norte, o apoio recebido do candidato à Presidência ou sua própria participação no comício.
Apesar dos rumores nos bastidores, a presença de Styvenson à noite confirmou que o senador continua integrado ao palanque. O comportamento ao longo do dia, entretanto, alimentou nos bastidores especulações sobre o grau de envolvimento do candidato com a campanha de Flávio e com a própria exposição do bolsonarismo no Estado.
Bolsonarismo foi rejeitado dias antes
O distanciamento durante boa parte da agenda ocorreu poucos dias depois de Styvenson minimizar a identificação de Coronel Hélio com o bolsonarismo. Durante sabatina da Inter TV Cabugi, na semana passada, o senador elogiou o companheiro de chapa, mas pediu que sua vinculação política fosse colocada de lado.
“O Coronel Hélio é o Styvenson de 2018. Não tem histórico político”, comparou. Ao mencionar diretamente a posição ideológica do aliado, acrescentou: “Ah, mas ele é bolsonarista. Cara, exclui isso aí. Pensa o que o cara pode fazer pelo Estado. Pensa o que o cara pode fazer com as emendas parlamentares”.
Coronel Hélio assumiu posição diferente ao falar sobre o assunto em entrevista ao Diário do RN.
“De jeito nenhum. Até porque Bolsonaro é um conceito. Bolsonaro representa uma ideia, valores, costumes e princípios que são inegociáveis. Então, para mim, é até uma honra ser chamado bolsonarista”, declarou.