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setembro 9, 2026


CÍCERO AFIRMA QUE ROGÉRIO SELECIONA CANDIDATOS E CRITICA DIVISÃO DE RECURSOS

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O advogado e ex-vereador de Natal Cícero Martins criticou a distribuição dos recursos partidários entre os candidatos do PL no Rio Grande do Norte e afirmou que os valores revelam uma escolha política sobre quais nomes a direção da legenda pretende fortalecer nas eleições. Em entrevista ao Diário do RN, ele atribuiu ao senador Rogério Marinho, presidente estadual do partido, e ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, influência na definição das candidaturas que recebem os maiores repasses.

“Eles estão selecionando quem eles querem eleger. É diferente. Quem é de interesse deles”, afirmou Cícero. “Ele está selecionando os candidatos que ele quer que ganhe”, disse, se referindo à interferência direta do senador Rogério Marinho na divisão dos recursos.

Para sustentar a crítica, o ex-vereador compara os valores destinados aos candidatos à Câmara dos Deputados. Segundo ele, Sargento Gonçalves recebeu R$ 3 milhões e General Girão, R$ 2,7 milhões, enquanto Nina Souza recebeu R$ 2,4 milhões. Juninho Saia Rodada teria recebido R$ 600 mil; Cabo Deyvison, R$ 500 mil; Coronel Brilhante, R$ 600 mil; Pedro Filho, R$ 710 mil; e Gabi Trajano, R$ 300 mil.

Cícero contesta a justificativa de que os maiores repasses estariam relacionados à existência de mandato. Para ele, o caso de Nina contraria esse critério, já que a candidata disputa uma vaga na Câmara, mas não exerce mandato federal.

“Nina Souza não é detentora de mandato federal e recebeu R$ 2,4 milhões. Então, esse critério não combina”, afirmou.

Na avaliação do ex-vereador, a diferença compromete uma condição mínima de equilíbrio entre candidatos da mesma legenda. “Eu acho injusto, porque, a partir do momento que você propõe uma igualdade partidária mínima para aquelas pessoas que estão trabalhando tanto, se doando, que estão realmente fazendo tudo possível e impossível para vencer a campanha”, criticou.

“Privilégios dentro do partido”
As críticas também alcançam a nominata para deputado estadual. Cícero comparou os R$ 1,2 milhão que, segundo ele, foram destinados a Bispo Paulo Luiz com os R$ 200 mil recebidos por Jorge do Rosário, candidato apoiado pelo ex-vereador. Ele também citou Getúlio Rêgo, detentor de dez mandatos, entre os nomes que receberam R$ 200 mil.

“Como é que o presidente do PL de Mossoró, que teve votações expressivas anteriores, recebe R$ 200 mil e uma pessoa que nunca teve mandato nem nada recebe R$ 1,2 milhão? Qual é a justificativa que o partido tem sobre isso?”, questionou.

Para Cícero, os números evidenciam tratamento diferenciado dentro da legenda. “Está havendo uma parcialidade escancarada. Não é normal, não. Privilégios dentro do partido escancarados para quem eles querem eleger”, afirmou.

Ele também chamou atenção para a origem pública dos recursos. “É importante que as pessoas saibam como está sendo utilizado esse dinheiro público”, disse.

Bolsonarismo x “Valdemarismo”
Ao tratar do comando político das decisões, Cícero atribuiu a distribuição dos recursos a uma articulação entre Rogério Marinho e Valdemar Costa Neto. “Eu acredito que isso é uma situação selecionada por Rogério Marinho à mando de Valdemar da Costa Neto”, declarou.

Na avaliação do ex-vereador, a distribuição estaria ligada à estratégia da cúpula nacional do PL para definir quais candidaturas à Câmara dos Deputados terão prioridade no RN. Ele sustenta que os maiores repasses foram direcionados para fortalecer nomes considerados prioritários pelo comando partidário.

É nesse contexto que diferencia o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro do que chama de “valdemarismo”, em referência à influência de Valdemar sobre o partido. “Existe o bolsonarismo e o valdemarismo. Ele é valdemarista agora”, afirmou sobre Rogério.

Para Cícero, a concentração dos recursos evidencia essa influência na composição da bancada federal que o PL pretende eleger pelo Estado. “Valdemar mandou dinheiro para eleger os dois deputados dele”, afirmou.

O ex-vereador ressalta que a crítica é à diferença entre os valores destinados aos candidatos.

“Ninguém aqui está criticando o PL, só querendo um pouco de igualdade”, concluiu.


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