
Com o ano letivo iniciando, muitas famílias ainda vivem a corrida contra o tempo, e contra o orçamento. Rematrículas, material escolar, livros didáticos, uniformes e, em muitos casos, serviços extras como colônia de férias e período integral concentram gastos logo nos primeiros meses do ano. Diante desse cenário, o planejamento financeiro virou regra dentro de casa, e a criatividade passou a ser aliada para garantir economia sem comprometer a rotina das crianças.
Nos lares brasileiros, essa organização já começa bem antes de janeiro, como na família da gestora ambiental Shirliana Freitas, mãe de Laura, de 4 anos, e Lívia, de 2. Ela conta que o ajuste no orçamento passa a ser uma preocupação ainda no segundo semestre do ano anterior.
“Realmente, é um desafio grande. Para esse início de ano, inclusive, a gente já vem se organizando desde outubro, porque a gente já fica meio que preocupada. Vai começar janeiro e a gente já começa a pensar no material escolar, porque é uma despesa alta”, relata.
Além da matrícula, outros custos se acumulam nesse período, segundo ela. “Fora nesse período de janeiro que a gente tem que pagar mais, porque tem a colônia de férias. Para quem trabalha e não tem uma rede de apoio, a gente depende da escola para isso também. Então, além da matrícula, tem essa despesa. Hoje, as duas ficam em período integral, aí tem lanche, material de higiene e roupa”, enumera.
Para conseguir equilibrar as contas, Shirliana diz que mudou a forma de encarar a compra do material escolar ao longo dos anos. “Nos primeiros anos das crianças, eu meio que sofri, porque sempre pensei em comprar tudo novo. Mãe de primeira viagem, a gente sempre pensa assim. Mas hoje a gente já começa a fazer uma lista, vendo o que de fato é necessário comprar e o que dá para reaproveitar do ano passado”, afirma. Entre os itens reaproveitados, segundo ela, estão toalhas e outros materiais identificados que continuam em bom estado.
A pesquisa de preços também se tornou uma regra na rotina da família. “Eu faço pesquisa, tanto na internet quanto nas lojas físicas. Já percebi que tem itens que valem a pena comprar pela internet e outros que não valem de jeito nenhum, porque acabam ficando mais caros”, conta.
Outra estratégia adotada foi a personalização do material escolar, que ajuda a reduzir os gastos e ainda agrada às crianças. “A Laura adora Ladybug e a Lívia gosta da Peppa Pig. Então, criei imagens personalizadas, mandei fazer adesivos e colei em cadernos simples, que custam em média 12 reais, enquanto um com personagem pronto sai por 30 ou 35, e elas adoram”, conclui.
Procon alerta para práticas abusivas
Além do planejamento financeiro, pais e responsáveis precisam estar atentos aos seus direitos para evitar práticas abusivas por parte das instituições de ensino. De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, é recorrente, neste período do ano, o aumento de denúncias relacionadas à chamada venda casada, quando a escola condiciona a matrícula ou a renovação à aquisição de produtos ou serviços específicos.
“A matrícula escolar é uma relação de consumo e deve ser tratada com atenção. Os pais precisam observar se a escola está condicionando a matrícula ou a renovação à compra de materiais, uniformes, livros ou serviços em um fornecedor específico. Essa prática configura venda casada e é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor”, alerta.
Canais de denúncia
Qualquer indício de irregularidade deve ser denunciado ao Procon Natal. As denúncias podem ser feitas por e-mail, pelo endereço procon.natal@natal.rn.gov.br, pelos telefones e WhatsApp (84) 3232-6189 ou (84) 3232-9050, ou presencialmente na sede do órgão, localizada na Avenida Ulisses Caldas, nº 181, no Centro.