
Tornar-se mãe altera, e como, a vida das mulheres que atuam no Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte. Essas guerreiras passam para uma dupla jornada: de cuidar dos seus rebentos, além das pessoas desconhecidas, vítimas de acidentes. No quartel, a rotina começa cedo, alternando o expediente entre serviços administrativos e plantões operacionais de combate a incêndio e salvamento. Contudo, o amor pelos filhos e pela profissão faz com que essas bravas mães superem quaisquer circunstâncias.
Uma delas é a soldado Mayara Rachel. Casada, aos 37 anos, ela ingressou há quatro anos na corporação, antes mesmo da maternidade. Hoje, se diz orgulhosa de ser mãe de uma “princesa linda”, de 1 ano e 8 meses, que se chama Maya.
De acordo com ela, sua rotina é marcada por uma dupla jornada intensa e, ao mesmo tempo, muito significativa. “Como mãe, tenho o compromisso diário de cuidar, educar, orientar e estar presente na vida da minha filha. Já na minha atuação profissional, lido com situações de urgência e emergência, prestando assistência a pessoas que muitas vezes estão em momentos críticos de suas vidas”, relatou.
E essa dualidade, salienta a soldado, exige equilíbrio emocional, responsabilidade e, principalmente, humanização. “Em um momento estou acolhendo minha filha, e em outro, estou cuidando de vítimas desconhecidas que precisam de atenção imediata. São papéis diferentes, mas ambos movidos pelo cuidado e pelo compromisso com a vida”.
Diante disso, conciliar essas duas funções não é uma tarefa fácil para Mayara. Exige organização, apoio familiar e muita resiliência. Segundo a militar, existem momentos de cansaço, de ausência e de desafios emocionais, principalmente por lidar com situações delicadas no trabalho. “Não considero uma rotina tranquila, mas sim possível. Com dedicação, planejamento e amor pelo que faço, consigo desempenhar minhas funções com responsabilidade. Cada dificuldade enfrentada fortalece minha capacidade de seguir em frente”, ressaltou.
Entretanto, a soldado revela a maior motivação que, talvez, só as mães sintam no sentido cognitivo da maternidade: “O amor pela minha filha é o que me sustenta, diariamente. É minha base, minha maior força e coragem. Já o amor pela minha profissão está diretamente ligado ao propósito de salvar vidas e ajudar ao próximo. Ser mais humana em cada vida alcançada”.
Nesse sentido, pontuou Mayara, ambos amores são intensos e complementares. Mesmo diante das dificuldades, eles a impulsionam a continuar. “Posso dizer que esse amor, tanto pela minha família, quanto pela farda, supera qualquer circunstância, pois é ele que dá sentido a tudo o que faço”.
Em curso de formação, aspirante conta com o apoio da mãe

A aluna do curso de formação de praças do CBMRN, Ana Heloisy, também traz o relato das suas experiências como mãe e militar. Casada, mãe de 1 menino de 1 ano e 7 meses, a aspirante conta que engravidou durante o Curso de Formação de Oficiais (CFO).
Assim como a soldado Raquel, conciliar a profissão de Bombeira Militar com as responsabilidades da maternidade é bem difícil para Heloisy, principalmente pelo fato de dela ainda estar em curso de formação, que tem uma rotina intensa, muitas vezes imprevisível, tendo que estudar, fazer trabalhos e atividades do curso, às vezes tendo realizado atividades que exigem bastante do vigor físico. “Quando eu chego em casa, meu filho tem a consciência de que eu estou cansada física ou mentalmente. Não preciso arranjar disposição para dar a atenção que ele precisa. Mas, graças a Deus, tenho o apoio da minha mãe, que cuida dele enquanto eu preciso está ausente. Se não fosse ela, não sei se conseguiria”, relata.
Segundo a aspirante, o amor pela profissão vem do significado que ela mesma tem pela vida das pessoas, principalmente daquelas que um dia já precisaram ser atendidas e tiveram suas vidas salvas pelo Corpo de Bombeiros. Já como mãe, ela frisa que o amor pelo seu filho é incondicional.
“Maior do que tudo que o que eu já senti na vida e não fazia ideia de que seria possível sentir. Supera todo o estresse e o cansaço”.
Já na formação militar, Heloisy revela que, quando se depara com alguma vítima, sempre vem o questionamento: “Será que essa pessoa tem filhos? ”. E isso a motiva ainda mais a realizar o atendimento da melhor forma, justamente pela empatia de se colocar no lugar da vítima. “Penso que ela precisa ficar bem o mais rápido possível para poder voltar a cuidar do filho. Esse sentimento surgiu depois que eu fui mãe. Ao mesmo tempo