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PSICÓLOGA ENCORAJA COMBATE A ABUSOS E EXPLORAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

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No mês de maio acompanhamos a intensificação de campanhas de conscientização e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mas é importante manter o debate permanente e. nesse prisma, é crucial a conscientização e, sobretudo, a participação de famílias, escolas e comunidades sabendo como agir diante de suspeitas, relatos ou mudanças de comportamento que indiquem sofrimento infantil. E essa orientação vale não só para os pais, mas também para as crianças próximas de quem sofreu abuso.

De acordo com a servidora pública e psicóloga clínica, especialista em infância e adolescência, Amanda Palácio, o primeiro cuidado é acolher sem julgar. “A criança precisa ser ouvida, acreditada e protegida.

O adulto não deve minimizar, duvidar ou expor. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima”.

Para ela, que atende crianças a partir de três anos, a primeira coisa que deve ser reforçada sempre para pais e educadores é que os ‘pequenos’ precisam se sentir seguros, antes de conseguir falar. Afinal, observou Amanda, muitas vítimas de violência e de abuso nessa faixa etária tem medo de não se sentirem validadas, de serem culpadas, castigadas e até mesmo têm medo de causar um conflito dentro da própria família, quando é o caso.

Diante disso, a postura do adulto que vai conversar faz toda a diferença. “Acredito que o mais importante é acolher a criança sem pressioná-la, escutar com calma, não fazer interrogatório, sem ter perguntas invasivas no primeiro momento, sem expressar choque ou julgamento, a partir daquela informação que está sendo revelada”, orientou.

Outra questão pontuada pela psicóloga diz respeito às consequências cruéis que ficam, após a violência.

“Quando a gente fala de um abuso, de uma exploração sexual, a gente está falando de um trauma, de uma violação de direito que está atingindo ali uma fase do desenvolvimento, que é um alicerce para o resto da vida, que é a infância”.

DISSONÂNCIA COGNITIVA
Ancorados nesse vínculo traumático, acrescentou Amanda, crianças e adolescentes vivem uma ambivalência de sentimentos. Passam a sentir medo, culpa e até a dificuldade de reconhecer a violência sofrida. O impacto emocional sofrido ainda pode gerar ansiedade, mudança de comportamento e negação para aceitar novas realidades.

A boa notícia, alivia a psicóloga, é que existe tratamento. Segundo ela, a psicoterapia é fundamental nesse processo de reconstrução emocional pós trauma. “O atendimento vai ajudar a criança ou o adolescente a elaborar o sofrimento, ressignificar essa experiência, fortalecer a autoestima e reconstruir a sensação de segurança que foi quebrada anteriormente”.

Nesse contexto, a profissional salienta a importância da orientação à família, já que se configura um ambiente de proteção. Em alguns casos, acrescenta, pode ser necessário um acompanhamento multiprofissional, envolvendo agente social, escola e psiquiatra. Quanto ao tempo de recuperação da vítima, isso vai depender de cada caso: “Cada criança vai responder de uma forma, vai depender da gravidade, da violência, da frequência e da forma como ela está reagindo ao tratamento. Contudo, a prioridade do foco deve estar no reestabelecimento psicoemocional. A duração da terapia é algo secundário”, explicou.

MENOS É MAIS
Com base no olhar clínico, Amanda percebe que, a cada ano, as campanhas de conscientização vêm se fortalecendo e alcançando mais pessoas. A partir daí, os casos vem sendo cada vez menos silenciados, sejam eles praticados por pessoas próxima, vizinhos ou parentes. “Alguém da família nuclear que não é falado, onde existe uma vergonha e um medo por trás, começa a eclodir, vir à tona. Então, a gente percebe que as campanhas, de fato, têm ajudado”.

Os números são preocupantes. De 2020 a 2024, o crime de estupro de vulnerável contra menores de 0 a 17 anos cresceu 106% em Natal e no Rio Grande do Norte. Em outro levantamento divulgado em 2025, mais de quatro meninas são estupradas por hora no Brasil e 76% dos casos de abuso contra vulneráveis acontecem dentro de casa. Já o canal Disque 100 registrou mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes apenas nos quatro primeiros meses de 2023, evidenciando a urgência do tema.

Para Amanda, a triste realidade precisa ser combatida, não só através das campanhas temáticas, mas de um engajamento social mais sólido, onde haja maior fortalecimento da rede de proteção. “É uma responsabilidade coletiva combater a violência infantil. Quanto mais preparada a sociedade tiver, com famílias e Poder Público dispostas a acolher as vítimas e punir os agressores, maior será a chance de proteger essa faixa tão vulnerável”.

NATAL NÃO ‘AMARELA’ PARA O ABUSO
Em Natal, a Prefeitura realizou, recentemente, o 1º Fórum Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, evento focado em debater estratégias preventivas e o fortalecimento de políticas públicas. A partir disso, o município vem intensificando as ações em parceria com diversas secretarias, onde a mobilização inclui:

  • Direitos Humanos (SEMIDH) e o trabalho essencial do Centro de Referência Abraçar.
  • Assistência Social (SEMTAS) na prevenção e fortalecimento de vínculos.
  • Segurança Pública (SEMDES) no combate aos crimes, inclusive no ambiente virtual.
  • Educação (SME) com o projeto Escola que Cuida nas salas de aula.
  • As Mulheres (SEMUL) no fortalecimento das ações de proteção, conscientização e apoio às vítimas.
  • Saúde (SMS) no acolhimento e cuidado integral.
    Em caso de suspeita, a recomendação é procurar a rede de proteção, como Conselho Tutelar, delegacia especializada, Polícia Militar (190) ou Disque 100.

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