
Durante a campanha eleitoral de 2026, o nome do empresário Oséas Monthalggan, vem sendo levado aos debates pelo então candidato Álvaro Dias, que questiona o ex-prefeito Allyson Bezerra sobre quem é o empresário e qual era sua relação com a gestão municipal. As provocações ocorreram enquanto a Dismed Distribuidora de Medicamentos, da qual Oséas é sócio-administrador, acumulava milhões de reais em contratos com a Prefeitura de Mossoró. Naquele momento, o nome ainda era pouco conhecido do público. Hoje, Oséas aparece nas investigações da Operação Mederi, da Polícia Federal, em gravações nas quais são mencionados percentuais atribuídos a Allyson Bezerra e sua ex-assessora Fátima Dantas.
O empresário Oséas Monthalggan Fernandes Costa passou a ocupar posição central no cenário eleitoral de 2026. O nome dele aparece nas investigações da Operação Mederi, da Polícia Federal, em gravações ambientais nas quais ele detalha uma suposta divisão de valores envolvendo contratos de medicamentos em Mossoró e menciona percentuais atribuídos a Allyson Bezerra e sua ex-assessora Maria de Fátima Dantas dos Santos.
Antes de aparecer nas gravações analisadas pela PF, Oséas já tinha sido alvo de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa envolvendo a Drogaria Mais Saúde Sociedade Empresária Ltda. O processo tramitou na Vara Única da Comarca de Santana do Matos e teve como autor o Ministério Público do Rio Grande do Norte. Figuram como réus Oséas, Roberta Ferreira Praxedes Costa, Mônica Maria Damasceno e a empresa.
O caso terminou com um Acordo de Não Persecução Civil firmado entre o Ministério Público e os envolvidos. A Justiça homologou o acordo, que estabeleceu, entre outras condições, o ressarcimento do dano e o pagamento de multa civil. A homologação judicial ocorreu em dezembro de 2023, com determinação para cumprimento das obrigações pactuadas. A partir da Operação Mederi, a Polícia Federal passou a analisar a atuação de Oséas dentro do grupo empresarial ligado à distribuição de medicamentos. Segundo o relatório policial, ele é sócio da Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda e aparece como um dos principais integrantes do núcleo investigado. A PF também registrou que a empresa mantinha relação comercial com diversos municípios potiguares.

No caso de Mossoró, a investigação passou a olhar os contratos firmados entre a Dismed e a Prefeitura durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra. Dados Dde despesas públicas do município apontam que a empresa acumulou R$ 17.035.297,10 em valores empenhados. Desse montante, R$ 14.218.661,89 foram liquidados e R$ 13.616.217,29 foram pagos pelos cofres públicos municipais.
Os pagamentos envolvem principalmente áreas ligadas à saúde pública, mas também registros em diferentes unidades administrativas da Prefeitura de Mossoró, incluindo Fundo Municipal de Saúde, Fundo Municipal de Assistência Social e outras secretarias municipais.
A “matemática de Mossoró”

O ponto mais sensível da investigação está em uma gravação ambiental feita pela Polícia Federal dentro da sede da Dismed. No diálogo entre Oséas e o também sócio José Moabe Zacarias Soares, o empresário apresenta uma conta que chama de “matemática de Mossoró”.
Segundo a transcrição da PF, Oséas fala sobre uma ordem de compra de R$ 400 mil e afirma que, após os cálculos, “dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil a Allyson e a Fátima”, mencionando “dez por cento de Fátima e quinze por cento de Allysson”.
Em outro trecho analisado pelos investigadores, a PF registra que Oséas teria explicado anteriormente uma divisão de percentuais, falando em 15% como “a parte do homem” e 10% como “a parte disso aí”. Segundo o relatório policial, somente depois das conversas posteriores teria sido possível associar os percentuais aos nomes mencionados pelos interlocutores.
A Polícia Federal afirma no relatório que considera “muito provável” que a referência ao nome “Allyson” corresponda ao prefeito de Mossoró, Allyson Leandro Bezerra Silva.
Crescimento empresarial
O relatório da PF também destaca a evolução da Dismed após a entrada de Oséas no quadro societário. Segundo o documento, ele passou a integrar a empresa em fevereiro de 2021. A investigação registra que o faturamento da empresa cresceu no período analisado, chegando a mais de R$ 11 milhões em 2023.
Oséas também tem trajetória política. A PF registra que ele exerceu mandato de vereador entre 2017 e 2020 e disputou a Prefeitura de Upanema nas eleições de 2024.
Além dos contratos e das gravações, a investigação analisou movimentações financeiras relacionadas às empresas. O relatório cita saques em espécie e operações consideradas suspeitas pelos investigadores, incluindo retiradas associadas ao núcleo empresarial comandado por Oséas.