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SETOR IMOBILIÁRIO RETOMA CRESCIMENTO EM NATAL E AGUARDA CENÁRIO PÓS-ELEIÇÃO

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Depois de um longo período de baixo número de lançamentos, o mercado imobiliário de Natal voltou a crescer e encerra o terceiro trimestre de 2026 com indicadores positivos. O setor, entretanto, acompanha com atenção o cenário econômico que será consolidado após as eleições, já que fatores como taxa de juros, oferta de crédito e previsibilidade são considerados decisivos para manter o ritmo de expansão.

Dados da Brain Inteligência Estratégica, em levantamento encomendado pelo Sinduscon-RN e pelo Sebrae-RN, mostram que Natal comercializou 1.720 apartamentos verticais nos 12 meses encerrados em junho deste ano. O resultado representa crescimento de 78% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, foram lançadas 1.596 novas unidades, avanço de 34%. O Valor Geral de Vendas (VGV) também cresceu, passando de R$ 671 milhões para R$ 931 milhões, enquanto o preço médio do metro quadrado alcançou R$ 9.780, valorização de 17% em um ano.

Para o diretor da Emobi Imobiliária, Valdomiro Júnior, a recuperação é resultado da combinação entre demanda reprimida, novos empreendimentos e maior segurança jurídica proporcionada pela revisão do Plano Diretor.

“Vejo uma combinação de fatores: havia demanda represada, o mercado voltou a oferecer novos produtos e a revisão do Plano Diretor trouxe mais segurança para novos investimentos. Também pesa a procura de famílias que querem sair do aluguel ou melhorar de moradia”, afirmou.

Segundo ele, embora os indicadores apontem crescimento, o mercado ainda vive o início de um novo ciclo.

“Há sinais de que sim, mas eu diria que estamos no começo desse ciclo. Depois de um período com poucos lançamentos, voltamos a ver novos projetos e mais confiança. Para que essa expansão se sustente, precisamos de crédito acessível, previsibilidade e continuidade dos investimentos”, explicou.

Apesar da recuperação, o custo do financiamento imobiliário continua sendo apontado como o principal entrave para ampliar as vendas. Na avaliação do especialista, pequenas variações nas taxas de juros têm impacto direto sobre o orçamento das famílias.

“Porque a grande maioria das famílias depende de financiamento para comprar. A taxa de juros define o valor da parcela e, consequentemente, o quanto a pessoa consegue financiar. Uma variação pequena nos juros muda o tamanho do imóvel que cabe no orçamento. Por isso, mesmo com vontade de comprar, o custo do crédito muitas vezes é o que decide se a compra acontece agora ou fica para depois”, explicou.

Caso a trajetória de redução da Selic continue e seja refletida nas linhas de financiamento, a expectativa é de aumento da demanda.

“Se a queda da Selic continuar e chegar de fato às taxas de financiamento, a expectativa é de aumento nas vendas. Famílias que hoje estão esperando voltariam ao mercado, com a renda melhor enquadrada para conseguir uma linha de crédito maior e o investidor também ganha estímulo”, afirmou.

Segundo Valdomiro, existe uma demanda reprimida significativa.

“Atendemos com frequência famílias que já escolheram o imóvel, já fizeram a simulação e estão só esperando uma parcela que caiba no orçamento. Há também quem já tem o imóvel atual e quer trocar por um maior ou mais bem localizado, mas aguarda condições melhores”, comentou.

Na avaliação do empresário, o calendário eleitoral costuma afetar mais os investidores do que quem procura um imóvel para moradia.

“Na EMOBI, percebemos alguns investidores pedindo mais tempo antes de fechar negócio nos últimos meses, enquanto quem procura um imóvel para morar seguiu ativo, porque a necessidade da família não espera o calendário eleitoral. O ponto importante é que o investidor adia, mas não desiste. Com o cenário mais claro, essa demanda tende a voltar”, afirmou.

Ele ressalta que, independentemente do resultado das urnas, o mercado espera estabilidade para planejar novos investimentos.

“Passada a eleição, mais do que um resultado específico, o setor precisa de previsibilidade e de regras claras. Um empreendimento imobiliário leva anos entre a concepção e a entrega, então quem constrói e quem investe precisa enxergar o cenário à frente. Estabilidade econômica, responsabilidade fiscal e continuidade das políticas de crédito são o que permite às empresas planejar novos lançamentos com segurança”, destacou.

Natal mantém preços competitivos
Mesmo com a valorização registrada nos últimos meses, Natal continua apresentando um dos menores preços médios do metro quadrado entre as capitais nordestinas pesquisadas pela Brain, fator que ajuda a atrair investidores de outras regiões do país.

“O valor mais competitivo atrai investidores, mas eles também analisam localização, infraestrutura, liquidez e potencial de valorização. O que torna Natal atrativa é justamente essa combinação entre preço competitivo, qualidade de vida e vocação turística”, explicou Valdomiro.

Entre as áreas com maior potencial de crescimento, o especialista destaca a Zona Sul da capital.

“Ponta Negra se destaca pela retomada de empreendimentos de médio e alto padrão e pelo interesse de investidores, inclusive de fora do estado. Capim Macio também vem ganhando força pela infraestrutura consolidada e pelos novos lançamentos. Tirol e Petrópolis seguem valorizados pela localização central e pela oferta de serviços”, afirmou.

Segundo ele, investimentos públicos em infraestrutura também podem impulsionar a valorização imobiliária.

“Obras de requalificação urbana tornam as áreas mais atraentes para moradores e investidores. A orla de Ponta Negra é um bom exemplo: uma orla bem cuidada valoriza o entorno e reforça a imagem de Natal como destino. O impacto, porém, depende da execução e da continuidade desses projetos”, concluiu.


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