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Tulio Lemos


31ª EDIÇÃO DA FIART REFORÇA PAPEL DO ARTESANATO NA ECONOMIA POTIGUAR

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O lançamento da 31ª edição da Feira Internacional de Artesanato, a FIART, aconteceu na manhã desta quinta-feira (15), no espaço Neuma Leão, no bairro de Morro Branco, zona Sul de Natal.

Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Rio Grande do Norte, a feira volta a ocupar o Centro de Convenções de Natal, entre os dias 23 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, reafirmando seu papel como um dos principais eventos de cultura, economia criativa e turismo do Estado.

Consolidada ao longo de três décadas, a FIART vai além da venda de produtos. É um espaço de encontro entre saberes, cores e histórias feitas à mão, reunindo artesãos do Rio Grande do Norte, de diversas regiões do Brasil e também do exterior. Neste ano, o público encontrará uma grande diversidade de peças em fios, tecidos, cerâmica, madeira e fibras naturais, além de itens utilitários, moda autoral e objetos de decoração que traduzem a identidade cultural de diferentes territórios.

A programação inclui ainda o Festival FIART Cultural, com shows musicais, apresentações de dança, literatura e manifestações folclóricas, além de uma praça de alimentação dedicada à culinária regional. Outro destaque é o Salão dos Mestres, espaço onde artesãos produzem suas peças ao vivo, permitindo ao visitante acompanhar o processo criativo e compreender o valor do trabalho manual. A feira se consolida, assim, como vitrine da economia criativa e importante instrumento de fortalecimento do turismo e da geração de emprego e renda.

Durante o lançamento, o idealizador e coordenador da FIART, Neiwaldo Guedes, destacou o crescimento do evento e o desafio de mantê-lo em expansão. “A feira tem 30 anos. No ano passado, tivemos um investimento de aproximadamente 2 milhões de reais. Este ano, foi necessário buscar mais 2 milhões. A responsabilidade aumentou, mas novos parceiros chegaram, parceiros importantes para o artesanato e para a economia do Nordeste”, afirmou.

Entre os apoiadores, Neiwaldo ressaltou a presença do Banco do Nordeste e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). “O banco vai estar na feira mostrando que não está distante do artesão, que existe crédito com condições diferenciadas.

Muitas vezes as pessoas passam na frente do banco e não entram. Lá, o artesão vai entender como funciona. E a Apex vem para mostrar que exportar não é só para grandes empresas. O artesão pode exportar, a cultura pode ser exportada”, explicou.

A programação cultural também foi destacada pelo coordenador, que anunciou homenagens e novidades. “A FIART é o momento de mostrar o que nós temos de melhor na nossa cultura. Vamos fazer uma homenagem a Titina Medeiros, e quantas homenagens fizermos ainda serão poucas.

Além do palco principal, teremos os cortejos que lembram muito os carnavais, criando um clima de festa dentro da feira”, disse, convidando o público a visitar todos os espaços do evento.

O superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, Jeová Lins, por sua vez, apresentou dados que demonstram o impacto do crédito na vida dos artesãos. “Este ano, realizamos quase 200 mil operações de crédito no Estado, a maioria de pequenos valores, em torno de 3 a 4 mil reais. Esse crédito chega principalmente às mulheres, que representam cerca de 67% desse público, artesãs, trabalhadoras, empreendedoras e mães de família. Para nós, é uma imensa satisfação, porque o banco não faz apenas crédito, faz cultura”, destacou.

Já o diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti, ressaltou o papel da FIART no desenvolvimento do artesanato. “É um evento que faz com que o nosso artesanato evolua e fortalece a integração do Nordeste. Estaremos presentes em todas as atividades, desde a loja conceito até a programação cultural. Hoje, o Sebrae está praticamente inserido em toda a feira, contribuindo em diversas áreas”, afirmou.

Representando o Governo do Estado, a secretária Iris Oliveira, da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social, reafirmou o compromisso da gestão estadual com o setor. “Para o governo da professora Fátima Bezerra, é uma alegria muito grande apoiar a FIART e reafirmar o compromisso com o artesanato. Hoje, o Rio Grande do Norte conta com quase 13 mil artesãos cadastrados no Programa do Artesanato Potiguar. Isso significa dar visibilidade, dignidade e respeito”, afirmou. Ela também destacou a realização de ações formativas durante a feira, como seminários e espaços de troca de experiências, voltados tanto para artesãos participantes quanto para aqueles que desejam se qualificar.

Fiart reúne grandes parcerias como Sebrae, Banco do Nordeste, Governo do RN e Prefeitura de Natal – Foto: Reprodução

Números do Natal em Natal confirmam importância do apoio ao artesão

Ainda durante a solenidade de lançamento da 31ª Fiart, o diretor do Departamento de Desenvolvimento e Apoio ao Artesanato da Semtas, Rodrigo Loureiro, representando o prefeito Paulinho Freire, destacou o fortalecimento do artesanato natalense como política pública e vetor de desenvolvimento. “Viemos de um Natal em Natal, com polos estruturados que geram renda real. Os polos de Mirassol e Ponta Negra faturaram juntos mais de meio milhão de reais apenas no período do Natal, com artesanato genuinamente feito à mão”, afirmou. Ele explicou que o polo de Mirassol funciona como a loja Natal Original, espaço dedicado exclusivamente à valorização da produção local.

Segundo Loureiro, o investimento em infraestrutura tem garantido mais dignidade aos artesãos. “Em Mirassol, construímos um belíssimo pavilhão, que dá melhores condições para quem expõe e permite que o espaço funcione como um centro de eventos. E a proposta é que ele esteja aberto o ano inteiro, com loja colaborativa e programação contínua”, disse. Atualmente, mais de 50 artesãos participam diretamente das atividades no local.

Além desses espaços, a Prefeitura avança na criação do polo de comercialização do artesanato na Redinha, integrado ao processo de requalificação da área. “A Redinha passa a ser mais um ponto estratégico, conectando artesanato, cultura e turismo. É uma forma de descentralizar, ampliar a visibilidade e criar novas oportunidades de renda para os artesãos de Natal”, pontuou.

Loureiro também destacou o alcance turístico da FIART. “Pesquisas mostram que quase 50% do público da feira no ano passado era formado por turistas. Isso demonstra a importância de termos um espaço estruturado para mostrar o artesanato de Natal para o mundo”, afirmou. “Para a Prefeitura de Natal, é um orgulho participar da FIART e mostrar que o artesanato de Natal e do Rio Grande do Norte tem qualidade que não deixa a desejar a nenhum estado do país”, concluiu.


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PV APOSTA EM “SUPERCHAPA” PARA AMPLIAR PROTAGONISMO NA FEDERAÇÃO

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O Partido Verde (PV) no Rio Grande do Norte acelera articulações para ampliar seu espaço político e chegar às eleições de outubro com influência na Federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB) tanto na disputa proporcional quanto no debate majoritário. A estratégia passa pela montagem de uma nominata robusta para a Câmara Federal, pelo fortalecimento da chapa estadual e pela defesa de um projeto que auxilie a chapa majoritária no projeto do sistema governista.

O redesenho do tabuleiro político após a confirmação da governadora Fátima Bezerra (PT) como pré-candidata ao Senado e de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado acirrou o trabalho interno por protagonismo dentro da federação. Nesse contexto, o PV tenta se posicionar como um dos pilares do bloco governista, apostando no crescimento eleitoral como instrumento de barganha política. Segundo o presidente estadual do partido, Rivaldo Fernandes, a avaliação interna é de que o PV entra em 2026 em condições de sair fortalecido.

“O PV enquanto partido sairá vitorioso com o deputado Dr. Bernardo Amorim e a vereadora Thabatta Pimenta”, afirmou ao Diário do RN, se referindo aos candidatos a deputado federal. Na leitura do dirigente, esses nomes ampliam o potencial da federação como um todo.

“Com esses nomes, a federação deverá eleger quatro deputados federais, pois conta, além de Natália Bonavides e Mineiro, com Rafael Motta, no PCdoB. Assim, seria reforçada a possibilidade de sermos a nominata mais robusta para a Câmara Federal”, completou, antecipando, inclusive, articulação entre o ex-deputado do PSB sobre seu destino partidário.

A aposta na proporcional é vista nos bastidores como uma forma de “blindar” o projeto da federação diante das incertezas do cenário majoritário e, ao mesmo tempo, de elevar o poder de influência do PV nas decisões estratégicas. A filiação do deputado estadual Dr. Bernardo Amorim ao partido e a pré-candidatura da vereadora Thabatta Pimenta são tratadas como movimentos-chave nessa engenharia eleitoral.

Além da Câmara Federal, o PV também trabalha para consolidar sua presença na Assembleia Legislativa. Rivaldo Fernandes confirmou que o partido aposta na reeleição de Hermano Morais e Eudiane Macedo e destacou que o ex-presidente da legenda e ex-vereador Milklei Leite figura entre os nomes com perspectiva de eleição. “O PV está conversando com vários pretendentes à Assembleia Legislativa que podem reforçar sua chapa estadual”, disse.

O crescimento projetado na proporcional alimenta outro debate sensível dentro da federação: o espaço na disputa majoritária, especialmente para o Senado. Com a primeira vaga encaminhada para Fátima Bezerra, o PV mira a segunda cadeira.

“Para a segunda vaga para o Senado temos o nome do professor Rivaldo Fernandes, presidente do PV, que tem feito um grande trabalho de articulação juntamente com Samanda”, declarou Rivaldo, tratando do próprio nome.

Na corrida pelo Governo do Estado, o partido afirma que sua prioridade não é apenas a definição de nomes, mas a apresentação de um projeto claro para o Rio Grande do Norte. O discurso busca se diferenciar pela ênfase no desenvolvimento econômico e na industrialização.

“Para a disputa para o governo, o PV pretende apresentar uma proposta de desenvolvimento para o RN no rumo de fortalecer as cadeias produtivas do Estado, tendo como motor um amplo programa de industrialização”, afirmou Rivaldo.

Segundo ele, a legenda defende que o debate eleitoral seja menos personalista e mais programático. A proposta envolve industrializar setores estratégicos da economia potiguar.

“Entendemos que o principal papel de um candidato é apresentar um projeto, como forma de desformalização do debate e de centrar no rumo de fazer o RN superar os gargalos econômicos.

Nossa fruticultura, nosso pescado, nossas salinas, a cajucultura, as eólicas, e caminhar para uma transição energética que possa puxar nossa industrialização”, enumerou.

O diálogo com o pré-candidato do PT ao governo já está em curso. “Já conversamos com o pré-candidato Cadu e vamos apresentar até março a nossa contribuição para debater com o RN. Mais importante para nós é ter projeto”, concluiu o presidente do PV.


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“NÃO FALTARÁ CORAGEM”, AFIRMA CADU XAVIER SOBRE ASSUMIR MANDATO-TAMPÃO

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Cotado pelo sistema governista para assumir o mandato-tampão, o secretário estadual da Fazenda e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), afirmou que não lhe falta coragem para assumir um eventual mandato-tampão no Executivo estadual, quando se concretizar a vacância do cargo, com a renúncia da governadora, Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB). Segundo ele, qualquer definição dependerá da configuração política na Assembleia Legislativa, mas o PT tem posição clara sobre o tema.

“Isso depende da configuração na Assembleia Legislativa. O interesse do partido é que cumpramos o mandato que foi concedido pelo povo do Rio Grande do Norte, ou seja, que, no caso da vacância do cargo, seja um nome do PT a governar o nosso Estado”, declarou Cadu.
Questionado se a atual situação financeira do Rio Grande do Norte poderia intimidar um gestor que venha a assumir o comando do Executivo, Cadu foi enfático ao negar qualquer temor.

“Depende. A situação que nós pegamos o Estado era infinitamente pior e não nos faltou coragem.

Com certeza, não. Não faltará coragem”, afirmou, se referindo indiretamente à Walter Alves, vice-governador, que rompeu acordo feito em 2022 quando recuou do seu papel de primeiro na linha de sucessão e não vai assumir o posto. Sua decisão e a também negativa de Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, tornarão necessária uma eleição indireta no Estado.

Na avaliação do secretário, o discurso de “caos” ou “terra arrasada” propagado por setores da oposição não corresponde à realidade. “A situação do Estado passa longe de caos ou terra arrasada, como a oposição quer vender. O que existe é uma oposição que quer desqualificar o trabalho do governo da professora Fátima para justamente sentar na cadeira que ela está sentada hoje”, disse.

Sobre a dívida do Estado, Cadu Xavier apontou o crescimento em relação aos precatórios.

Segundo ele, o aumento do endividamento não foi provocado pela atual gestão.

“O crescimento dessa dívida se deu em razão do crescimento do estoque de precatórios e não foi gerada pelo governo atual, mas sim por inúmeras ações judiciais motivadas pelo descumprimento de direitos dos servidores em governos anteriores”, explicou.

De acordo com os dados apresentados por ele, em 2022 os empréstimos representavam 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) e os precatórios, 15%. Já em 2025, os empréstimos passaram a representar 14% da RCL, enquanto os precatórios chegaram a 35%. O secretário ressaltou que o pagamento dessa dívida seguirá as regras da Emenda Constitucional nº 136, promulgada em setembro de 2025. “O Estado do RN vem cumprindo com o pagamento do plano de precatórios anual, concluiu integralmente o pagamento do plano de 2025 e tem plenas condições de cumprir o pagamento do exercício corrente”, afirmou.

Ao defender o legado do governo Fátima Bezerra, Cadu destacou a regularidade no pagamento dos servidores como um dos principais avanços da gestão petista. “A gente finalizou mais um ano honrando os pagamentos dos servidores, finalizamos agora o pagamento do 13º. Desde o início do governo da professora Fátima, os salários são pagos rigorosamente em dia, com o 13º sempre finalizado no início de janeiro. Em 2025 foi do mesmo jeito”, ressaltou.

Ele comparou o cenário atual com a realidade encontrada no início da gestão. “É um cenário bem diferente de quando a gente recebeu alguns servidores com até quatro folhas em atraso. Hoje, as demonstrações contábeis do Estado dizem a verdade sobre os números. É uma situação completamente diferente do que a gente vivia antes”, disse.

Cadu também enumerou investimentos realizados nos últimos anos, rebatendo novamente o discurso oposicionista. “O Estado hoje consegue investir. Tem feito o maior plano de recuperação de rodovias da história do Rio Grande do Norte, tem 10 IERNs na educação entregues à população ou em fase de entrega, mais de 100 escolas reformadas e um incremento muito relevante no número de leitos. Hoje, a gente tem muito mais leitos de UTI do que antes do governo da professora Fátima”, afirmou.

O pré-candidato apontou como caminhos de uma eventual gestão Cadu Xavier a continuidade e o aprofundamento das políticas públicas que, segundo ele, vêm dando resultados positivos. “É seguir avançando nas políticas públicas que deram certo, como na segurança pública, e apostar na retomada da trajetória de reequilíbrio fiscal do Estado para ampliar a capacidade de investimentos”, disse.

Entre as prioridades, ele citou investimentos em infraestrutura e logística para potencializar oportunidades econômicas. “Principalmente para maximizar as oportunidades que se apresentam ao RN, como a ampliação dos investimentos em energias renováveis, a expansão da mineração e a retomada da indústria do petróleo no Estado, com o início da exploração da margem equatorial”, afirmou, acrescentando ainda a “continuidade do crescimento do turismo, retomado no governo Fátima”, como eixo estratégico para o desenvolvimento potiguar.


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CRESCIMENTO DA DÍVIDA DO ESTADO É ATRELADO À INFLAÇÃO E FOLHA DE PESSOAL

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Enquanto o atual secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do RN, insiste em afirmar que a situação do Governo não é de caos, o vice-governador Walter Alves (MDB), que esteve ao lado de Fátima Bezerra (PT) nos últimos três anos de gestão, decidiu não assumir a cadeira do Executivo alegando a situação fiscal do Estado. A decisão de Waltinho, porém, não acontece em um cenário tão diferente do que existia no RN em 2022, quando ele aceitou o convite para ser vice-governador e, como primeiro na linha de sucessão, assumiria o governo quando Fátima, reeleita, renunciasse para a disputa ao Senado. O acordo previa também Walter disputando a reeleição como parte do projeto governista.

Os dados oficiais dos Relatórios de Gestão Fiscal do Executivo estadual mostram que o endividamento do Rio Grande do Norte passou por momentos distintos durante as gestões Fátima Bezerra. O crescimento do endividamento em 2025 aparece em um contexto econômico influenciado pela inflação acumulada no período, dívidas com precatórios e o crescimento da folha de pessoal.

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon), analisa quais os principais pontos que comprometeram as finanças estaduais, mesmo sob o recorde de arrecadação.

“Embora as receitas do Estado venham batendo recorde de arrecadação em 2024, graças a equalização dos 18% para os 20% do ICMS ocorridos a partir de abril de 2024, além da melhoria da logística operacional da máquina tributária mais eficaz da Sefaz, o que subiu significativamente a arrecadação, mas o que ocorre na realidade, é que as despesas de pessoal têm seus crescimentos vegetativos e incrementados de alguns ajustes conquistados por algumas categorias que estavam sem aumento há diversos anos, e conseguiram já reposições e isto sem falar, notadamente, pelos sucessivos aumentos dos pisos salariais de 2022 para cá, que vêm comprometendo e pressionando as despesas com pessoal, acima do limite prudencial, deixando a posição fiscal do Estado comprometida e com baixa capacidade de investimentos”, avaliou.

No encerramento de 2018, a dívida consolidada bruta do Rio Grande do Norte somava cerca de R$ 4,44 bilhões. Em 2022, quando aconteceu a eleição que reconduziu Fátima ao posto de governadora e o vice-governador Antenor Roberto (PCdoB) foi substituído por Walter Alves, mesmo com a melhora da posição financeira e a redução da dívida líquida, a dívida consolidada bruta não recuou. Ao contrário, encerrou o exercício em aproximadamente R$ 4,87 bilhões, valor superior ao registrado em 2018. Já em 2025, até outubro, a dívida consolidada bruta alcançou cerca de R$ 6,29 bilhões, o maior patamar da série analisada.

A análise do avanço da dívida bruta entre 2022 e 2025 deve considerar, como aponta Valério, o efeito da inflação acumulada no período, que ficou próxima de 15%. Parte do crescimento da dívida reflete a correção monetária dos contratos e a própria perda do poder de compra da moeda. Sob essa ótica, o aumento real da dívida bruta é menor do que o observado em valores nominais, embora ainda assim relevante.

“Ademais, o Governo Fátima Bezerra, além da herança das quatro folhas em atraso, recebeu uma Previdência Social do IPERN altíssima, que mensalmente custa mais de 150 milhões ou 1,8 bilhão de reais nos orçamentos anuais. Desta forma, os ganhos de arrecadação mais acréscimo da inflação, não causam nenhum conforto fiscal para o ano findo de 2025 e nem projetam um orçamento tranquilo para 2026”, reforça o economista.

Os dados são públicos e o vice-governador Walter Alves tinha conhecimento da situação quando aceitou o convite do PT, numa articulação direta das direções nacionais dos dois partidos, que já previa as movimentações eleitorais para quatro anos depois.


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USO DE FARDAMENTO NAZISTA REACENDE O DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO E LIMITES

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O caso do adolescente de 13 anos que apareceu vestindo uma fantasia associada ao regime nazista durante um baile de formatura, em Mossoró, no Oeste potiguar, chamou a atenção do país e levantou uma série de reflexões que vão além da esfera policial. As imagens, registradas durante a festa e compartilhadas nas redes sociais, provocaram indignação, mobilizaram autoridades e reacenderam o debate sobre intolerância, responsabilidade familiar e o uso consciente da internet por crianças e adolescentes.

O episódio ocorreu no último fim de semana, durante um baile de formatura do curso de Medicina da Facene. Fotos e vídeos mostram o adolescente usando um uniforme inspirado na Wehrmacht, o exército criado por Adolf Hitler, além de reproduzir gestos ligados à ideologia nazista. A divulgação inicial foi feita pelo Blog do Barreto e, em poucas horas, o conteúdo se espalhou pelas redes, despertando questionamentos sobre os limites entre fantasia e apologia a um regime marcado por violência, perseguições e milhões de mortes.

Com a repercussão, o Ministério Público do Rio Grande do Norte confirmou a abertura de um procedimento extrajudicial, conduzido pela 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, para reunir informações, identificar os envolvidos e analisar as circunstâncias do caso; e destacou que a apuração ocorre em segredo de justiça, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil também instaurou investigação por meio da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA), que segue realizando diligências.

Diante da exposição, o adolescente publicou um vídeo pedindo desculpas. Na gravação, afirmou não ter tido a intenção de fazer apologia ao nazismo, reconheceu o erro e disse não ter imaginado a dimensão que o caso tomaria. Ele também pediu uma nova chance e declarou contar com o apoio da família. Após a repercussão, o perfil do garoto em uma rede social foi apagado. Antes disso, o espaço trazia a frase em alemão “Ein Volk, ein Reich, ein Führer”, um dos slogans mais conhecidos do regime nazista.

Além do pedido de desculpas, apurações jornalísticas levantaram informações sobre o contexto familiar do adolescente. Segundo o Blog do Barreto, há registros de comentários de familiares elogiando o uniforme utilizado e de publicações antigas que indicariam estímulo a ideias de cunho extremista. As informações apontam ainda que familiares teriam facilitado a troca de roupa durante o evento e incentivado registros em fotos e vídeos, o que ampliou o debate sobre a responsabilidade dos adultos na orientação ética de crianças e adolescentes.

Para além da investigação e das possíveis consequências legais, o caso chama a atenção para os impactos emocionais e sociais desse tipo de exposição na adolescência. A psicóloga Débora Sampaio, especialista no atendimento a crianças e adolescentes, explica que essa é uma fase marcada por intensas transformações. “Aos 13 anos, o adolescente ainda está em pleno desenvolvimento emocional, cognitivo e moral. As áreas do cérebro responsáveis por julgamento crítico, empatia e avaliação das consequências ainda não estão amadurecidas”, afirma.

Segundo a especialista, comportamentos inadequados podem surgir por diferentes motivações.

“Muitas vezes, atitudes assim aparecem por imitação, provocação, desejo de chamar atenção, para chocar ou por busca de pertencimento a grupos, especialmente quando símbolos extremistas circulam na internet de forma banalizada ou romantizada”, explica. Débora destaca que muitos adolescentes não compreendem plenamente o peso histórico e humano de símbolos como o nazismo. “Isso não diminui a gravidade do ato, mas ajuda a entender o contexto em que ele acontece.”

A psicóloga também ressalta o papel da família e do meio social. “A família é uma referência fundamental na formação de valores, limites e noções éticas, especialmente na infância. Na adolescência, porém, os grupos passam a exercer forte influência, porque o jovem busca aceitação, reconhecimento e identidade fora do núcleo familiar”, observa. De acordo com ela, esse desejo de pertencimento pode levar o adolescente a reproduzir comportamentos inadequados como forma de se sentir aceito.

Outro ponto destacado por Débora Sampaio é o impacto da exposição pública. “A exposição intensa pode gerar efeitos profundos e duradouros. O adolescente está em fase de construção da identidade, da autoestima e do senso de pertencimento social”, alerta. Entre as possíveis consequências estão sentimentos de vergonha excessiva, ansiedade, isolamento e estigmatização.

A especialista também chama atenção para as chamadas pegadas digitais. “O que um adolescente publica na internet não desaparece. Esses registros podem ser recuperados e gerar consequências reais no futuro, inclusive em ambientes acadêmicos, profissionais e sociais”, afirma. Por isso, reforça a importância de orientação constante sobre responsabilidade digital.

Para Débora, é fundamental que a resposta social ao caso seja equilibrada. “É essencial diferenciar responsabilização de destruição. O adolescente precisa responder pelos seus atos, mas também precisa ser orientado, acompanhado e educado para compreender a gravidade do que fez e seguir em um processo de amadurecimento”, conclui.


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DEMANDAS ESCOLARES EXIGEM ATENÇÃO AO ORÇAMENTO E À LEGISLAÇÃO

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Ano letivo prestes a começar e, com ele, um novo ciclo de despesas concentradas já nos primeiros meses. Rematrículas, compra de material escolar, livros didáticos, uniformes e, em muitos casos, serviços adicionais como colônia de férias e período integral acabam pressionando o orçamento doméstico. Nesse cenário, além do planejamento financeiro, pais e responsáveis precisam estar atentos aos seus direitos para evitar práticas abusivas por parte das instituições de ensino, condutas que ferem o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, é recorrente, neste período do ano, o aumento de denúncias relacionadas à chamada venda casada, quando a escola condiciona a matrícula ou a renovação à aquisição de produtos ou serviços específicos. “A matrícula escolar é uma relação de consumo e deve ser tratada com atenção. Os pais precisam observar se a escola está condicionando a matrícula ou a renovação à compra de materiais, uniformes, livros ou serviços em um fornecedor específico. Essa prática configura venda casada e é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor”, alerta.

Dina explica que há apenas uma exceção prevista em lei. “A escola pode indicar apostilas ou material didático próprio, desde que isso esteja claramente previsto no contrato, mas não pode impor local de compra, marca específica ou exigir itens que não sejam de uso individual do aluno”, afirma. Ela também chama atenção para as listas de material escolar, que frequentemente incluem itens indevidos. “Itens de uso coletivo, de higiene, limpeza ou administrativo não podem ser repassados às famílias. Transparência contratual é palavra-chave. Tudo deve estar por escrito, com valores claros, regras de reajuste, condições de desistência e sem cláusulas abusivas.”

Para enfrentar esse cenário, o Procon Natal intensificou, neste início de ano, a atuação preventiva e educativa junto às instituições de ensino e aos consumidores. O órgão tem orientado escolas sobre os limites legais nas cobranças de matrícula e na exigência de materiais, além de reforçar ações de fiscalização. “O foco é coibir práticas abusivas, especialmente vendas casadas, listas irregulares e cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem excessiva.

Estamos analisando contratos, recebendo denúncias, promovendo fiscalizações e deixando claro que a educação é um serviço essencial, que deve respeitar o Código de Defesa do Consumidor.

Orientar para prevenir, mas fiscalizar e autuar quando houver descumprimento da lei”, destaca Dina Pérez.

Qualquer indício de irregularidade deve ser denunciado ao Procon Natal. As denúncias podem ser feitas por e-mail, pelo endereço procon.natal@natal.rn.gov.br, pelos telefones e WhatsApp (84) 3232-6189 ou (84) 3232-9050, ou presencialmente na sede do órgão, localizada na Avenida Ulisses Caldas, nº 181, no Centro. “A orientação é que pais e responsáveis guardem contratos, listas de material escolar, comprovantes de pagamento, mensagens e qualquer documento que comprove a exigência abusiva, o que facilita a atuação do órgão”, ressalta Dina Pérez.


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“EU NÃO DISCUTIRIA O QUE É MELHOR, O QUE É PIOR. EU CUMPRIRIA O MEU DEVER”

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Ex-deputado federal e nome histórico do MDB, Henrique Eduardo Alves fez duras críticas à decisão de Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte como primeiro na linha de sucessão, classificando a postura como “constrangedora”. Sem se referir ao primo Walter diretamente pelo nome, mas como “ele”, Henrique diz que “não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder”.

Em entrevista ao Diário do RN, o ex-presidente da Câmara, afirmou que não lhe faltaria coragem para assumir a gestão, mesmo diante de dificuldades financeiras, e defendeu que governar em momentos difíceis faz parte do dever de quem ocupa um cargo público. “O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar. Eu não teria esse comportamento”, disse.

Henrique avaliou que a decisão tem gerado forte repercussão negativa, enfraquece a imagem do MDB no Estado e no cenário nacional, frustra a militância e rompe com a tradição histórica do partido, marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura militar.

“Garibaldi não merece passar por isso. Ele sempre foi o líder de todos nós. Tenho certeza de que ele não teria essa atitude se fosse o caso”, lamentou.

O ex-deputado contou, ainda, que diante da situação, Ezequiel Ferreira não irá mais para a MDB. Leia a entrevista na íntegra:

Diário do RN – Deputado Henrique Alves, como é que vê essa situação do MDB nesse momento, não assumindo o governo e toda essa dificuldade até de formar uma nominata competitiva para a eleição?
Henrique Alves – Olha, primeiramente, o respeito que eu tenho pela decisão de cada um. Cada um assuma a sua responsabilidade. Eu só espero que tenha profunda consciência do que está fazendo hoje e pelo exemplo que deixará para amanhã.

Diário do RN – E aí, dito isto, eu faço a pergunta: se Henrique estivesse no lugar de Walter, assumiria o governo?
Henrique Alves – Olha, eu acho que quem é MDB de anteontem, de ontem, de hoje, não pode nunca ter esquecido ou esquecer um discurso que motivou o Rio Grande do Norte: ‘Aos que me dizem que a luta é difícil, mais uma razão para dar o primeiro passo’.
E, na hora que este passo corretamente for dado, ele tem que ser feito embasado em outra frase histórica: ‘Lutar sem ódio e sem medo, porque o ódio escraviza, seja lá em que direção for, e o medo acovarda’.

Diário do RN – O MDB que lutou contra a ditadura agora tem medo de assumir o governo?
Henrique Alves – O MDB da antiga geração, Aluízio, Agnelo e Garibaldi, todos os três tinham perfeitamente consciência e esse sentimento da luta que não poderia fugir, da luta que teriam que enfrentar em plena ditadura militar.

Eu tinha 21 anos de idade. Eu estudava Direito na Universidade do Rio de Janeiro e fui convocado para ser candidato a deputado federal, com tão pouco conhecimento do Rio Grande do Norte, e topei numa hora também mais difícil desse país. E cheguei onde pude chegar porque essas três lições eu aprendi da minha vida.

Então, agora, o MDB, quando aceitou ser vice, eu aqui quero lembrar: Renan Calheiros me ligou porque o único estado do Nordeste que não estava ainda apoiando Lula era o Rio Grande do Norte.

E eu disse a ele, com muita tranquilidade: “Renan, nisto eu não posso ajudar, porque o MDB que eu sou tem uma candidata correta, competente, ética, exemplar, que é a senadora Simone Tebet, pelo mesmo MDB nacional. Como é que eu vou chegar no Rio Grande do Norte? Eu não vou recebê-la? Eu não vou me esconder dela. Não posso fazer isso, Renan”. Ele disse: “Ah, tá bom, então vou ver outro caminho”. Quando eu sou surpreendido com Lula aqui no Rio Grande do Norte, onde foi tratado e negociado politicamente um lugar de vice que, de fato, acho que ela (Fátima) nem queria ele, em troca do apoio a Lula.

Então, na hora que assume uma posição dessa, na hora que você pede esse desafio, você está pronto para o que der e vier. E agora chegou a hora do vier: é assumir a governadoria do Rio Grande do Norte. E, conhecendo como conhece os seus problemas, melhor ainda, porque já deve estar preparado para enfrentá-los, com a colaboração de todos, ter a capacidade de dialogar, de discutir.

Eu acho que o MDB deveria, sim, assumir o governo do Estado e fazer, sim, do MDB um MDB vigoroso, forte, corajoso, exemplar.

O MDB hoje vai lutar desesperadamente para eleger um deputado estadual. Que MDB é esse? O MDB teve deputado estadual, teve federais, teve senador, teve ministro, teve presidente do Senado, teve presidente da Câmara, teve governador. E aí, de repente, não pode assumir uma vice porque quer eleger um deputado estadual nas 24 cadeiras? Mas, como eu disse no começo, é o direito. E, mais que o direito, é a responsabilidade de cada um. Eu não teria esse comportamento.

“O político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas”

Henrique Alves relembra tradição do MDB marcado pela luta, pela coragem e pelo enfrentamento de desafios, inclusive durante a ditadura – Foto: Reprodução

Diário do RN – Esse comportamento tem sido classificado por alguns como covardia. O senhor concorda?
Henrique Alves – Não, eu não vou fazer essa análise desse comentário, até por uma questão de respeito ao próprio vice-governador Walter e, ainda, a Garibaldi Filho, que sempre foi o melhor de todos nós, sempre foi o meu líder, e que eu imagino que deve estar sofrendo nesse momento, porque ele sabe que o político não é só para as horas boas. O político é para todas as horas, que ele tem condição de enfrentar, de perder ou de ganhar. Ele não está falando só para dentro dele, ele está falando para a multidão de eleitores que está olhando para ele.

É constrangedor, porque eu acho que, ao contrário, poderia fazer um grande governo nesses oito meses, já preparado, com conhecimento de vice-governador. Eu sei que há desafios. O MDB atravessa momentos difíceis, mas não é a dificuldade, não é o medo, que devem fazer a história do político, muito menos do MDB que eu vivi e que eu aprendi com Ulysses Guimarães, com meu pai, é o MDB da luta. Você caiu? Está difícil? Se levanta, caminha, se erga. Então, quem viveu isso, eu acho que esta hora tinha, sim, que aceitar o desafio, porque está sendo muito ruim para a imagem do nosso MDB, esse tipo de atitude, não topar uma luta maior.

Diário do RN – A repercussão tem sido negativa?
Henrique Alves – Tem, profundamente negativa. Porque é o único estado do Brasil em que você elegeu um vice, mas que já tinha como se fosse uma data para sair, e não a necessidade de quando sair, que era o final do mandato.

É natural que a governadora Fátima tenha o direito de cumprir o período dela e disputar o Senado. É natural essa aspiração dela. E é natural também de quem quis ser vice-governador por três anos que, nesta hora, diga: “Estou aqui, pronto para a luta, vamos em frente”.

Então, isso acho que não está tendo uma boa repercussão para a história do MDB do Brasil e para a história do MDB do Rio Grande do Norte. É uma situação inédita. Inédita aqui e no Brasil. Você pode ver os estados todos, não tem um caso desse.

Diário do RN – Se o senhor fosse vice-governador, assumiria mesmo com dificuldades financeiras?
Henrique Alves – Era meu dever assumir. Eu não discutiria o que é melhor, o que é pior, o que é agradável ou desagradável. Eu cumpriria o meu dever de MDB, de ter preenchido o cargo de vice-governador por três anos. E, na hora em que o Estado mais necessita, de repente fugir, sair, se esconder? Eu não faria isso. Cada um tem as suas razões. Só que a razão de quem é homem público, de quem é político, muitas vezes as razões pessoais têm que ficar abaixo daquelas que são compromisso com o seu Estado, com a sua gente e até com o seu partido.

Eu imagino Garibaldi como está agora constrangido. E a informação que se tem aí é que vai ter dificuldade de formar nominata.

Diário do RN – Por que ia formar nominata com o partido presidido pelo governador agora vai tomar uma nominata com o partido presidido por um ex sem mandato?
Henrique Alves – Ezequiel, que era alma gêmea, iria ao MDB, levaria cinco deputados estaduais, poderia até assumir a presidência do MDB e agora Ezequiel está fora desse jogo, não vai mais para o MDB, outros deputados que iam também não estão indo mais.

Diário do RN – É certeza Ezequiel não ir mais?
Henrique Alves – É, certeza. Não vai não. Ezequiel não vem mais para a MDB. MDB, quem te viu e quem te vê. Outra coisa, Garibaldi não merece passar por isso, Garibaldi sempre foi de todos nós o líder. Eu tenho certeza que ele não teria uma atitude dessa se fosse o caso, porque ele não é só um vice que se improvisou, ele é um líder que se impôs.

Diário do RN – Ezequiel vai para onde?
Henrique Alves – Não sei.

Diário do RN – Então os dois romperam?
Henrique Alves – Não, não romperam porque são amigos, mas não estão mais como estavam antes no mesmo projeto.

Diário do RN – A parceria política, então, acabou?
Henrique Alves – Momentaneamente. Vamos ver o que vai acontecer porque essa política do Rio Grande do Norte está surpreendendo a todos. É como se cada um olhasse para o seu umbigo, mas não é o seu umbigo, é o seu coração, é a sua alma, é o seu corpo é o seu caminhar, é o seu olhar.

Diário do RN – O senhor falou agora há pouco da questão dos desejos pessoais que se sobrepõem e que, na verdade, é para ser o contrário: a questão coletiva do Estado se sobrepõe aos desejos pessoais, aos interesses pessoais. Nesse caso, está o inverso?
Henrique Alves – É, porque a expectativa das pessoas que são MDB no Rio Grande do Norte, nesses municípios todos, tantos anos, devem estar aguardando com expectativa: “Oba, o MDB vai assumir o governo, vamos ter por oito meses o governador do MDB”. E está tendo o que? A frustração, não vai enfrentar, está com medo, vai se esconder. Quer dizer, isso não é um bom exemplo para um simples eleitor do MDB.

Diário do RN – Além desse medo, o que eu soube agora é que o vice-governador está conversando com o Allyson Bezerra e está praticamente definido o apoio a ele. E além disso, ainda teria que carregar a pecha de traidor?
Henrique Alves – Vamos aguardar os acontecimentos. Eu só estou na arquibancada. Eu sou torcedor da arquibancada. Com a mesma bandeirinha verde, sentado lá, torcendo por aquilo que eu quero, gosto e para que jogue melhor. E jogando assim não está joga


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ÁLVARO DIAS PODE SER O CANDIDATO DA DIREITA EM POSSÍVEL ELEIÇÃO INDIRETA

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Com a reviravolta na política potiguar dada como certa nos bastidores, a sucessão no Governo do Rio Grande do Norte por meio de uma eleição indireta começa a sair do terreno das especulações e ganha ações concretas nos bastidores. A renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), para disputar o Senado, e a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o cargo estão colocadas, abrindo caminho para a escolha de um governador tampão pela Assembleia Legislativa entre os meses de abril e maio. Nesse cenário, o nome do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), passa a ser tratado como uma possibilidade real dentro do campo da direita.

Ex-prefeito da capital por seis anos e pré-candidato ao Governo do Estado na eleição direta de outubro, Álvaro Dias tem seu nome citado em articulações que já ocorrem nos gabinetes de deputados estaduais, especialmente entre parlamentares ligados ao grupo do senador Rogério Marinho (PL), grupo ao qual Álvaro Dias integra e que possui pelo menos seis deputados estaduais. A mobilização envolve a construção de uma maioria entre os deputados, que serão os responsáveis pela escolha do governador no pleito indireto.

Em conversa com o Diário do RN, Álvaro Dias afirmou que se considera preparado para assumir o Governo do Estado, destacando os números de aprovação ao final de sua gestão em Natal.

“Olha, a nossa gestão em Natal fala por isso. Está uma demonstração inequívoca de que quem realizou uma boa gestão em Natal deverá fazer também uma boa gestão pelo Rio Grande do Norte. A gente encerrou a nossa gestão em Natal com 65% de aprovação. Isso é realmente um atestado indiscutível de competência e de que uma boa gestão à frente da capital depois de dois mandatos foi realizada. Então, eu acho que sobre isso aí, não tem nenhuma dúvida de que a gente se considera preparado para disputar o governo do Estado”, disse.

Apesar de se declarar preparado para o cargo, Álvaro adota cautela em relação à eleição indireta.

Em férias familiares no exterior, ele ressaltou que qualquer definição será tomada de forma coletiva, após diálogo com as principais lideranças do grupo político ao qual está vinculado.

“Para tomar essa decisão eu preciso conversar com Rogério, Styvenson e Paulinho”, declarou, citando o senador Rogério Marinho (PL), o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil).

Questionado se estaria disponível para disputar especificamente o mandato tampão, Álvaro classificou o debate como antecipado. “Isso aí é falar sobre hipótese. Porque ninguém sabe ainda se a governadora Fátima sai, se fica, se o vice assume ou não assume. Então é algo assim que está sendo falado com muita antecipação e eu terei uma opinião formada sobre isso aí, mas apenas depois que eu falar com o Rogério, com o Styvenson e com o Paulinho para tomar uma posição em grupo, já que eu faço parte de um grupo. Eu preciso tomar uma decisão em conjunto com eles”, afirmou.

Segundo informações apuradas pela reportagem, a definição depende, neste momento, do levantamento de votos entre os deputados estaduais, que são os eleitores da eleição indireta. O foco das articulações é verificar se há número suficiente de parlamentares dispostos a apoiar o nome que venha a ser apresentado pelo grupo político. Até agora, nenhum dos três candidatos ao Governo, Rogério Marinho (PL), Allyson Bezerra (UB) e Cadu Xavier (PT), sabe, ao certo, o número de deputados de quem terão apoio, já que alguns tomam posições administrativas e políticas diversas.


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POLÍCIA CIVIL E MP/RN APURAM CASO DE APOLOGIA AO NAZISMO EM MOSSORÓ

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte e a Polícia Civil confirmaram, nesta terça-feira (13), a abertura de investigações sobre o episódio envolvendo possível ato infracional análogo à apologia ao nazismo ocorrido durante um baile de formatura do curso de Medicina da Facene, em Mossoró, no Oeste potiguar. O aconteceu no último fim de semana e ganhou repercussão nacional após a circulação de imagens nas redes sociais mostrando um adolescente de 13 anos usando uniforme associado ao regime nazista e realizando gestos relacionados à ideologia extremista.

Por meio da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, o MP/RN informou que instaurou procedimento extrajudicial para coleta de informações preliminares, identificação dos envolvidos e análise das circunstâncias do fato. Após a conclusão das diligências iniciais, o órgão avaliará a eventual responsabilização do adolescente e ou de seus responsáveis legais. O Ministério Público destacou que recebeu diversas representações por meio de sua plataforma oficial de denúncias, todas reunidas em um único procedimento.

O MP/RN ressaltou que a apuração segue em segredo de justiça, por envolver possível ato infracional atribuído a adolescente. O órgão também alertou meios de comunicação e usuários de redes sociais sobre a proibição legal de divulgação de imagens, vídeos ou qualquer identificação do menor, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O descumprimento pode configurar infração administrativa, além de violar o artigo 143 do ECA.

Paralelamente, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte instaurou procedimento investigativo por meio da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA) de Mossoró. Segundo a corporação, diligências estão em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido e apurar eventuais responsabilidades legais. A Polícia Civil informou que acompanha o caso e adotará as medidas cabíveis dentro da legislação.

Adolescente se pronuncia
Diante da repercussão do episódio, o adolescente publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (13), no qual pede desculpas públicas e afirma não ter tido intenção de fazer apologia ao nazismo. No pronunciamento, ele reconhece o erro e diz não ter imaginado a dimensão que o caso tomaria. “Eu peço desculpas a quem se sentiu ofendido, quem se sentiu triste com essa situação, com minhas atitudes. Eu não sabia que repercussão isso poderia tomar”, declarou.

Na gravação, o garoto afirma que adquiriu a roupa em uma feira em Fortaleza e que costuma se fantasiar de personagens históricos e fictícios, sem refletir sobre o peso simbólico do nazismo. Ao final, ele pede uma nova oportunidade e diz contar com o apoio da família. “Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado. Mas eu não sou um menino assim. Eu sou um menino bom”, afirmou.

Histórico familiar
Além do pedido de desculpas, novas informações levantadas pelo Blog do Barreto apontam para um histórico familiar ligado a comportamentos nazistas. De acordo com as apurações, há registros de postagens e comentários de familiares com referências ou estímulos a ideias extremistas. Um dos casos citados envolve uma tia do adolescente que elogia elementos do uniforme nazista exibido nas imagens divulgadas nas redes sociais. Ainda segundo o blog, há prints de publicações antigas em que o garoto recebe incentivo para defender ideias de cunho nazista. As apurações também indicam que familiares teriam facilitado a troca de roupa do adolescente durante o evento, permitindo que ele entrasse no baile com vestimenta comum e se trocasse apenas para posar para fotos e vídeos. Durante a festa, um familiar ainda teria tentado estimular outra pessoa a fazer a saudação nazista enquanto o menino realizava o gesto.

Além disso, o adolescente ostentava em seu perfil na rede Instagram a frase em alemão “Ein Volk, ein Reich, ein Führer”, que se traduz para o português como: “Um povo, um império, um líder”, considerada uma das frases de propaganda mais proeminentes e poderosas do regime nazista na Alemanha, sob a liderança de Adolf Hitler. O perfil do adolescente foi apagado após o caso repercutir.

Adolescente já tinha histórico de apologia ao nazismo em perfis nas redes sociais e recebia apoio de familiares – Foto: Reprodução

Sobre o caso
O episódio ocorreu durante o baile de formatura do curso de Medicina da Facene (Faculdade de Enfermagem e de Medicina Nova Esperança), realizado na madrugada do último domingo (11), em Mossoró. As imagens mostram o adolescente trajando uniforme da Wehrmacht, o exército criado por Adolf Hitler durante o regime nazista. A divulgação inicial foi feita pelo Blog do Barreto, do jornalista Bruno Barreto, e provocou ampla indignação e debates nas redes sociais sobre intolerância, limites legais e responsabilidade social.

Segundo apuração inicial do Blog do Barreto, o adolescente era convidado de duas formandas, naturais do estado de Rondônia e atualmente residentes no Ceará, não possuindo vínculo direto com a instituição de ensino. Diante da repercussão, a presidente da comissão de formatura, Tâmira Thomas, afirmou que a turma desconhecia completamente a situação e repudiou qualquer atitude de apologia ao nazismo ou a regimes de ódio.

A Facene também se manifestou por meio de nota oficial, esclarecendo que o baile não teve caráter institucional, sem participação, promoção ou financiamento da faculdade. Ainda assim, a instituição lamentou profundamente o episódio e o impacto ofensivo causado à comunidade acadêmica e à sociedade. A Master Produções e Eventos, responsável pela realização da festa, informou que o adolescente esteve no local acompanhado dos pais e que a troca de roupa ocorreu de forma pontual, sem conhecimento prévio da organização.

Já o Conselho Tutelar da 34ª Zona de Mossoró informou, em nota, que a apuração de suposto ato infracional cabe à autoridade policial, mas ressaltou que repudia qualquer prática racista, discriminatória ou associada à intolerância, bem como condutas que exponham crianças e adolescentes a situações vexatórias ou de risco. O órgão afirmou ainda que permanece à disposição da sociedade, dentro das atribuições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, e reiterou seu compromisso com a defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes.

No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto na Lei nº 7.716/89, a Lei do Crime Racial, que criminaliza a divulgação de símbolos, emblemas, ornamentos ou propaganda associada ao regime nazista, com penas que podem incluir reclusão e multa. O caso segue sob investigação das autoridades competentes.


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“FOI LITERALMENTE UM RESGATE”, DIZ JACSON DAMASCENO SOBRE DEPRESSÃO

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Em meio ao “Janeiro Branco”, mês dedicado à promoção da saúde mental, o jornalista Jacson Damasceno, com mais de 25 anos de atuação no jornalismo potiguar, quebrou o silêncio no último fim de semana para relatar o quadro de depressão que enfrentou e o processo de recuperação que já dura cerca de um ano e meio. Em entrevista ao Diário do RN, Jacson contou como reconheceu a doença, atravessou um período de perdas sucessivas e, agora, comemora novas conquistas na vida pessoal e profissional.

O relato começa muito antes do diagnóstico de depressão, recebido em 2024. Jacson lembra que, há cerca de 15 anos, enfrentou sua primeira grande crise emocional, marcada pela ansiedade extrema e pela síndrome do pânico. “Foi logo depois que perdi meu irmão caçula em um acidente de carro”, recorda. Na época, vieram o medo constante, o pavor de sair de casa e a sensação recorrente de que algo grave estava prestes a acontecer. “Meu coração acelerava, eu suava, as pernas tremiam e achava que estava enfartando”, relata. Ele lembra que o tratamento com psiquiatra e psicólogo trouxe melhora, embora a ansiedade tenha permanecido, de forma pontual, ao longo dos anos.

A depressão, porém, foi diferente. Segundo Jacson, os sinais começaram a se intensificar há cerca de um ano e meio, após uma sequência de acontecimentos difíceis. A perda da mãe durante a pandemia, a saída do emprego, o endividamento e a separação conjugal foram se acumulando.

“Uma série de grandes problemas foram acontecendo e isso foi minando a minha capacidade de resolvê-los”, afirma. Aos poucos, a tristeza tomou espaço. “Eu não tinha vontade de sair de casa, não conseguia sair da cama para ir trabalhar”, conta.

Com experiência profissional na área, inclusive como assessor de imprensa da Associação Norte-rio-grandense de Psiquiatria, Jacson reconheceu os sintomas. “Eu falava muito sobre depressão e ansiedade e percebi que não estava bem”, diz. Ainda assim, tentou esconder o quadro da família.

No trabalho, onde atuava na assessoria de imprensa do Governo do Rio Grande do Norte, o abatimento já era perceptível. “Eu faltava, andava cabisbaixo, com certeza perceberam que havia algo errado”, relata.

A virada aconteceu quando a ex-esposa, que também é sua prima, o encontrou em estado debilitado. Chocada, ela decidiu avisar a família na Bahia, onde Jacson tem raízes. “Foi literalmente um resgate”, resume. Em poucos dias, parentes viajaram até Natal e o levaram para Catu, cidade a cerca de 100 quilômetros de Salvador. “Quando cheguei, tinha uma casa pronta para mim, decorada com cartazes e balões, e toda a família ao redor”, lembra.

O acolhimento foi decisivo. Morando perto da avó, de tias e tios, Jacson teve apoio integral. “Eles bancaram meu tratamento, minha alimentação, psiquiatra, medicamentos e psicólogo”, conta.

Amigos também desempenharam papel importante, tanto os de Natal quanto os da Bahia. Três, em especial, o ajudaram por meio da fé, cada um à sua maneira, católica, espírita e adventista. “Foram essenciais nesse processo”, afirma.

Mas, mesmo com a melhora progressiva, iniciada por volta de março do ano passado, o ócio passou a incomodá-lo. “Trabalhei 25 anos consecutivos no jornalismo. Não ser produtivo, não ter rotina, estava me adoecendo”, confessa. A retomada começou de forma inesperada, incentivada por uma amiga e pela psicóloga, que sugeriram que ele falasse sobre o assunto nas redes sociais.

Após resistência inicial, Jacson decidiu gravar um vídeo simples, em uma manhã comum. “Falei de coração, de primeira”, diz.

Publicado na última semana, o depoimento viralizou e trouxe uma avalanche de mensagens de apoio. “Eu me senti amado, acolhido, querido”, relata. Os comentários, segundo ele, ajudaram a acalmar a ansiedade. Jacson passou a responder mensagens privadas como forma de retribuição.

“Não sou especialista, mas como alguém que passou pelo problema, tento aconselhar”, afirma.

Hoje, ele vê no relato público uma forma de ajudar quem enfrenta situação semelhante.

Por fim, Jacson deixa uma mensagem a quem vive situação semelhante. “Primeiro, procure ajuda. Fale com alguém de confiança e, se puder, busque um psiquiatra e um psicólogo”, orienta.

Ele ressalta que a paciência é fundamental durante o processo. “Um dos desesperos da depressão é acordar todos os dias se sentindo mal, mas isso passa”, afirma. A fé também foi decisiva. “Tive uma experiência com Deus. Ele está reescrevendo a minha história”, diz. Jacson destaca que essa nova fase já se reflete na vida profissional. “Esta semana estou comemorando minha contratação pela Band Bahia, como um símbolo de retomada e superação”, conclui.

Em 25 anos de carreira, jornalista atuou em importantes veículos do RN – Foto: Reprodução

Janeiro Branco
Criado em 2014, o Janeiro Branco surgiu a partir da iniciativa do psicólogo Leonardo Abrahão e de um grupo de profissionais de Uberlândia, em Minas Gerais, com o objetivo de estimular a reflexão e o diálogo sobre a saúde mental e emocional no início do ano, período simbólico de recomeços. A campanha cresceu ao longo da última década e ganhou reconhecimento nacional em 2023, quando passou a ser oficialmente instituída pela Lei Federal nº 14.556, que estabelece o mês de janeiro como dedicado à conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental no Brasil.

Dentro desse contexto, relatos como o do jornalista Jacson Damasceno contribuem na desmistificação da doença e trazem esclarecimento sobre a importância do apoio profissional especializado, além do papel fundamental de familiares e amigos na detecção do quadro e no suporte necessário durante o tratamento.


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IVAN BARON: “NÃO ACEITO RÓTULOS, POIS JAMAIS ABANDONEI MINHAS PAUTAS”

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Após meses de diálogo com diferentes partidos do campo progressista, o ativista potiguar reconhecido pela luta contra o capacitismo decidiu assinar ficha de filiação ao MDB. A escolha, anunciada nas redes sociais ocorreu depois de tratativas avançadas com o PV, partido integrante da federação PT–PV–PCdoB, e gerou reações nas redes sociais, algumas delas, segundo ele, marcadas por ataques pessoais e tentativas de deslegitimação política. Em entrevista ao Diário do RN, o ativista afirmou compreender o debate político, mas rejeitou ataques pessoais e tentativas de rotulá-lo.

“As críticas fazem parte do jogo político, perseguição e tentativa de desidratação não. Eu estou comprometido em fazer uma pré-campanha dialogando com o povo, trabalhando pela inclusão e pela juventude. Não aceito rótulos como “Judas” ou “traidor”, pois nunca fui filiado a nenhum outro partido e jamais abandonei minhas pautas. Apenas fiz uma escolha e espero que seja respeitada”, afirmou.

Apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ativista chegou a subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do então presidente eleito, em janeiro de 2023, em um gesto simbólico da luta por inclusão e representatividade. A decisão de ingressar no MDB, partido presidido no Rio Grande do Norte pelo vice-governador Walter Alves, que vem se afastando politicamente da governadora Fátima Bezerra (PT), foi tratada por ele como estratégica, não ideológica.

“O RN não tem grandes nominatas competitivas, e eu sentei com diversos partidos, inclusive os do campo progressista. O MDB foi minha escolha por aceitar minhas condições inegociáveis e me garantir prioridade eleitoral, como por exemplo a minha candidatura ser de fato competitiva e inédita no partido. Após meses de conversa em nível estadual e nacional, onde pude, inclusive, conversar com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, que me deu suporte e confiança”, disse.

Questionado sobre a possibilidade, amplamente ventilada, de filiação ao PV, ele negou que a decisão tenha sido descartada de última hora. Baron destaca o diálogo e a receptividade do presidente estadual Rivaldo Fernandes, no entanto, ponderou que disputas internas acabaram pesando contra a filiação. “O PV enfrenta uma disputa entre grupos e isso me geraria um desgaste eleitoral desnecessário, além da disputa geral”, afirmou, agradecendo publicamente a condução do diálogo no partido.

Apesar de ingressar em um partido que hoje se distancia do núcleo do governo estadual, o ativista reforçou que não há definição automática sobre o apoio à majoritária. Segundo ele, o MDB garantiu liberdade para a construção política. “O MDB me deu abertura para escolher caminhar com quem eu quiser. Continuarei dialogando com as bases e com nosso grupo, longe de qualquer tipo de radicalismo”, declarou.

Nesse contexto, deixou claro que seu critério para a eleição majoritária será político e estratégico. “Quanto ao governo, estamos dialogando sobre qual é o melhor projeto viável para não deixar a extrema direita comandar o Estado. Para o Senado, meu primeiro voto já está decidido: Dra. Zenaide, uma parceria de longa data”.

Confiante quanto às chances eleitorais, o ativista avaliou que a filiação ao MDB amplia as possibilidades reais de disputa. “As perspectivas são boas. O apoio do MDB e a estrutura do partido nos dão a possibilidade real de competir”, afirmou.

Caso eleito, ele disse que pretende concentrar o mandato em pautas sociais, com ênfase na inclusão e na juventude. “Vou trabalhar pela inclusão, pela juventude e pelo desenvolvimento social, com foco em políticas públicas para o Rio Grande do Norte”, afirmou. Entre os principais objetivos está a criação da primeira Política Estadual de Combate ao Capacitismo, proposta que ele classifica como central em seu projeto político.


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ESCOLHA DE WALTER POR ALLYSON PASSA POR NOMINATA PARA SE ELEGER, DIZ JOÃO MAIA

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A decisão já foi tomada, o anúncio é que ainda deve ocorrer nos próximos dias. O vice-governador Walter Alves (MDB) teria definido o alinhamento ao projeto político do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), na corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte. A informação do deputado federal João Maia, presidente do PP no RN, é que uma reunião ocorrida na manhã desta terça-feira (13) entre Walter e Allyson teria acontecido. A informação que circula nos bastidores é de que o encontro teria caráter mais comunicativo do que deliberativo, dentro de um cenário em que a montagem de nominatas e o cálculo eleitoral para 2026 falam mais alto do que o cargo de governador.

“Eu acho que a decisão de Walter de vir para o lado de Allyson já está decidida”, afirmou em conversa com o Diário do RN.

Segundo o dirigente do PP, a aproximação de Walter com o projeto de Allyson está diretamente ligada à estratégia eleitoral de 2026, sobretudo à formação de chapas proporcionais competitivas.

“Vir para o lado de Allyson tem a ver com formar nominata, se eleger deputado”, resumiu.

Nesse ponto, a decisão de Walter de não assumir o Governo do Estado, mesmo estando na linha sucessória, é uma escolha pragmática: preservar capital político e priorizar o projeto pessoal de retorno à Assembleia Legislativa. O cenário financeiro delicado do Executivo estadual pesou para não assumir, mas a mudança de lado teria como ponto central a engenharia eleitoral.

É nesse contexto que entram as conversas entre João Maia e Walter Alves. Os dois estariam discutindo a distribuição de nomes entre PP e MDB, avaliando quem permanece em cada legenda e quem pode migrar, num desenho que só faz sentido se houver, de fato, uma composição conjunta no palanque majoritário de Allyson Bezerra. A negociação de quadros, bases regionais e puxadores de voto reforça que o alinhamento político está em curso.

“Isso também é o que nós conversamos, então vamos esperar o que é que Walter vai dizer. Ele tem medo de assumir o Governo e não conseguir pagar o salário nos últimos dois meses ou três meses do governo dele, isso é uma coisa. A outra de vir para o lado de Allyson tem a ver com formar nominata, se eleger deputado”, afirmou.

A presidência da Assembleia Legislativa também foi tratada. João Maia relativizou qualquer pretensão automática de Walter nesse sentido. “Ele sabe que tem um candidato há mais tempo, que é Kleber [Rodrigues]. Ele tem noção disso. Eu disse; ‘Essa coisa da presidência da Assembleia, você se entenda com Kleber”, explicou o deputado.

O presidente do PP acredita que Walter deverá tornar pública sua decisão até o fim desta semana, mas pontuou que, ainda assim, até março, “vai rolar muita água ainda, e não é no Rio Piranhas-Açu”, finalizou.


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EXTREMOZ RECEBEU R$ 23 MILHÕES DE LULA E SÓ R$ 7 MILHÕES DE BOLSONARO

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O município de Extremoz, governado pela prefeita Jussara Sales (PL), foi beneficiado com mais de R$ 30 milhões em emendas federais entre 2019 e 2025, período da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme dados oficiais do Portal do Tesouro Nacional. Já durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022), Extremoz recebeu um total aproximado de R$ 7 milhões em emendas federais. Os números revelam um crescimento expressivo nos repasses ao longo dos últimos anos e evidenciam a diferença entre os períodos dos governos Bolsonaro e Lula.

Durante a gestão bolsonarista, grupo ao qual a prefeita faz parte, os valores anuais foram de R$ 740.549,50 em 2019, R$ 486.881,50 em 2020, R$ 3.326.969,63 em 2021 e R$ 2.461.982,30 em 2022.

Nos anos do governo Lula (2023–2025), os repasses cresceram de forma significativa. Em 2023, o município recebeu R$ 7.078.766,00; em 2024, foram R$ 6.966.110,00; e em 2025, o volume chegou a R$ 9.049.933,00, totalizando cerca de R$ 23 milhões apenas nesse período. No acumulado dos sete anos, Extremoz recebeu mais de R$ 30 milhões em recursos federais.

A prefeita Jussara Sales é filiada ao mesmo partido de Bolsonaro. Foi eleita em 2020 e portanto, administrava Extremoz durante parte da gestão de Jair Bolsonaro. Na eleição de 2024 foi reeleita, já numa situação mais confortável em relação aos repasses dos municípios.


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LIVRO DO PROFESSOR RÔMULO ESTÂNRLEY CONTA A HISTÓRIA DO SEMANÁRIO “O GRANDE NATAL”

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O professor Rômulo Estânrley Souza de Medeiros lança na próxima quinta-feira (15) o seu novo livro: “O Grande Natal – O Legado do Jornal de Paulo Tarcísio Cavalcanti. A obra retrata o jornal que cobria os principais municípios da Região Metropolitana de Natal, fundado pelo renomado jornalista Paulo Tarcísio Cavalcanti, em 1994.

O semanário se notabilizou pelas coberturas jornalísticas nas cidades do entorno da capital potiguar, que não tinham muita atenção dos grandes jornais da época.

Rômulo Estânrley trabalhou como correspondente de Macaíba no semanário de 1997 a 2004. Ele explica que as 544 páginas do livro estão divididas em quatro partes: a primeira, relatando a trajetória do jornal, a linha editorial, sua evolução gráfica, as grandes reportagens, paralisações e os bastidores da redação; a segunda, com a rica biografia de Paulo Tarcísio; a terceira, com a biografia dos demais membros de sua equipe; e a quarta e última parte, com o registro de alguns acontecimentos posteriores ao fechamento do jornal.

A pesquisa se aprofunda nos fatores que motivaram a descontinuidade da publicação, em 2004, que atingiram não somente O Grande Natal, mas praticamente toda a imprensa escrita no RN.

“Embora tenha circulado por quase dez anos, O Grande Natal deixou um legado para a história da imprensa norte-rio-grandense. Como educador, posso afirmar, com certeza, que o jornal foi um grande incentivador de leitura para a geração de sua época. E a sua marca é sentida até hoje”, finalizou o escritor.

O evento de lançamento, na quinta-feira, é aberto ao público e acontecerá a partir das 18h, na Escola Estadual em Tempo Integral Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba.


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CASO DE APOLOGIA AO NAZISMO EM MOSSORÓ É DENUNCIADO AO MPF

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Um adolescente de 13 anos, usando uniforme do exército nazista e fazendo apologia ao regime, se destaca entre os registros fotográficos durante uma festa de formatura do curso de Medicina da Facene (Faculdade de Enfermagem e de Medicina Nova Esperança). O episódio ocorreu em Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte, na madrugada do último domingo (11), e ganhou repercussão após publicação do Blog do Barreto, de responsabilidade do jornalista Bruno Barreto, ganhando repercussão nacional e provocando ampla indignação e debates, sobretudo nas redes sociais, sobre intolerância, limites legais e responsabilidade social.

Nas fotos divulgadas, o garoto faz pose trajando a farda da Wehrmacht, o exército criado por Adolf Hitler para rearmar a Alemanha durante o regime nazista. De acordo com informações apuradas pelo Blog do Barreto, o adolescente era convidado de duas formandas, naturais do estado de Rondônia e atualmente radicadas no Ceará, não tendo vínculo direto com a instituição de ensino.

Diante da repercussão negativa e das críticas públicas, a presidente da comissão de formatura da turma se pronunciou para repudiar o ocorrido e afastar qualquer responsabilidade coletiva dos formandos. Em declaração na rede social Instagran, Tâmira Thomas afirmou que a turma desconhecia completamente a situação e reforçou que não compactua com qualquer atitude de apologia ao nazismo ou a regimes de ódio.

A Faculdade também se manifestou por meio de nota oficial, esclarecendo que o baile de formatura não teve caráter institucional. Segundo a faculdade, o evento não contou com participação, promoção ou financiamento da instituição, não sendo considerado um evento oficial. Ainda assim, a Facene lamentou profundamente o episódio e o impacto ofensivo causado à comunidade acadêmica e à sociedade em geral.

A Master Produções e Eventos, empresa responsável pela realização do baile de formatura, também divulgou nota de repúdio. A organização confirmou que o adolescente era convidado de duas formandas e esteve no local acompanhado dos pais. Segundo a empresa, a troca de roupa para os registros fotográficos ocorreu de forma pontual, sem conhecimento prévio da organização, que afirmou não compactuar com o ocorrido.

Repercussão e representação no MPF
O caso ultrapassou o debate nas redes sociais e chegou ao campo institucional, tendo em vista que a vereadora de Mossoró Plúvia Oliveira e a deputada estadual Isolda Dantas, ambas do Partido dos Trabalhadores (PT), juntamente com a Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), movimentos sociais, professores de instituições de ensino superior e representantes de outros partidos políticos, protocolaram uma representação no Ministério Público Federal (MPF) solicitando a apuração do episódio.

Apologia ao nazismo é crime
No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto na Lei nº 7.716/89, a Lei do Crime Racial, que pune atos de discriminação e preconceito. Desde 1997, a legislação criminaliza de forma expressa a divulgação do nazismo, incluindo a veiculação de símbolos, emblemas, ornamentos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou o gamado, com penas que podem chegar à reclusão e multa.

Do ponto de vista jurídico, o advogado criminalista Fernandes Braga explica que, mesmo sendo menor de idade, a conduta se enquadra na legislação. Segundo ele, “a conduta de um menor que se veste com uniforme nazista e faz apologia ao regime em público configura um ato infracional análogo ao crime de veiculação de símbolos nazistas, tipificado no artigo 20, parágrafo 1º, da Lei nº 7.716/89”.

Ele ressalta que, na esfera adulta, trata-se de crime grave e constitucionalmente inafiançável e imprescritível, já que “a lei criminaliza a veiculação de símbolos, emblemas, ornamentos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo”, explica.

Braga destaca que, por ser inimputável penalmente, o adolescente não responde como adulto, mas está sujeito às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “As penalidades aplicáveis ao menor incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, regime de semiliberdade e, em casos mais graves, internação”, afirma.

O advogado também chama atenção para a responsabilidade civil dos pais ou responsáveis. “Na esfera cível, a responsabilidade pelos prejuízos e danos gerados pelo ato infracional do menor recai sobre os genitores, de forma objetiva, conforme os artigos 932 e 933 do Código Civil”, pontua.


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BRASIL COMEMORA GLOBO DE OURO ENQUANTO SE DESPEDE DE TITINA

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Enquanto o cinema brasileiro celebrava uma conquista histórica no cenário internacional, Rio Grande do Norte se despedia de uma de suas maiores artistas. No palco do Teatro Alberto Maranhão (TAM), o velório da atriz Titina Medeiros acontecia no mesmo instante em que o Brasil era anunciado vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, com o Agente Secreto; e de Melhor Ator em Filme de Drama, com o anúncio de Wagner Moura, um contraste que transformou o luto em símbolo.

Ao refletir sobre a fatídica coincidência, o escritor, jornalista e publicitário Mário Ivo Dantas Cavalcanti destacou a dimensão simbólica do momento por meio de uma postagem em sua conta no Instagram. “Não deixa de ter uma simbologia forte, quase mística e espiritual, o corpo de Titina estar sendo velado enquanto o Brasil vence o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e o de Melhor Ator em Filme de Drama. Há uma conexão real, que não se quebra, que não se interrompe, mesmo aparentemente representando momentos díspares”, afirmou.

Embora tenha alcançado projeção nacional através da teledramaturgia, Titina também foi destaque no cinema brasileiro, emprestando seu talento a obras como Malasartes e o Duelo com a Morte (2017) e o premiado Filhos do Mangue (2024), reafirmando sua versatilidade.

Legado de Titina marca o audiovisual potiguar
A trajetória de Titina Medeiros vai além do reconhecimento nacional conquistado no teatro e na televisão brasileira e ocupa um lugar central na história da cultura potiguar, especialmente no fortalecimento do audiovisual no interior do Rio Grande do Norte. Seridoense orgulhosa, a atriz foi uma das vozes mais ativas na defesa da produção cultural descentralizada, apostando no cinema como ferramenta de identidade, educação e transformação social. Sua atuação foi decisiva para projetos que hoje são referência além das divisas do RN, como o Curta Caicó, festival de cinema do Seridó que chega, em 2026, à sua 9ª edição.

Mais do que apoiar iniciativas culturais, Titina participou ativamente da construção de espaços de formação, debate e visibilidade para o audiovisual potiguar. Para o diretor e idealizador do Curta Caicó, Raildon Lucena, amigo pessoal da atriz, a importância de Titina começa ainda na concepção do festival, quando a ideia existia apenas como projeto. “Titina, seridoense, era uma pessoa que sempre defendeu a nossa região do Seridó. Em 2017, quando tivemos a ideia de criar o festival, procuramos Titina, e ela gravou um vídeo dizendo que o Curta Caicó estava nascendo, que era um festival da região do Seridó. Aquilo ajudou a impulsionar o projeto”, relembra.

Segundo Raildon, esse gesto inicial foi fundamental para dar visibilidade e credibilidade a uma iniciativa que surgia fora dos grandes centros. A partir daí, a presença de Titina se tornou constante. Ela participou das primeiras edições, acompanhou o crescimento do festival e manteve apoio permanente ao longo dos anos. “Ela sempre foi muito presente, participou das primeiras edições, esteve sempre nos apoiando. Com o tempo, a gente foi ficando cada vez mais próximo, e ela se tornou uma grande amiga”, afirma.

A relação entre os dois começou antes mesmo da criação do Curta Caicó. Raildon conta que conheceu Titina em 2007, quando trabalhava em Janduís, e que anos depois eles se reencontraram na estreia da peça Meu Seridó. Foi a partir desse reencontro que surgiu o convite para que a atriz se envolvesse diretamente com o festival. Já na primeira edição, Titina assumiu um papel ativo na programação, organizando e mediando um debate sobre o papel das mulheres no audiovisual, tema que sempre defendeu com firmeza e coerência.

Para Raildon, Titina reunia talento artístico e compromisso coletivo, características que marcaram sua trajetória. “Ela era uma pessoa muito generosa, sempre empolgada, com uma energia muito boa. Estava sempre incentivando outras pessoas a entrarem no mundo da arte, sempre levando a bandeira do Seridó”, diz. Na avaliação dele, a perda da atriz representa um vazio difícil de preencher. “O Rio Grande do Norte e o Brasil perdem uma de suas grandes atrizes, um nome que acreditava na cultura e que estava sempre abrindo caminhos para outras pessoas. ”
No contexto pessoal, Raildon relembra a luta de Titina contra o câncer e conta que usou sua vivência durante as conversas após o diagnóstico da atriz, na tentativa de fortalecê-la. “Eu vim acompanhando essa luta dela contra o câncer. Eu também tive câncer em 2013 e, quando ela recebeu o diagnóstico, a gente conversou como uma forma de dar força, de mostrar que era possível vencer”, afirmou. Raildon visitou Titina no mês de setembro e conta que a expectativa de superação esteve presente até o fim. “A gente sempre pôs aquela esperança de que ela ia conseguir superar”, completou.

Sobre o Curta Caicó
Madrinha do Curta Caicó, Titina Medeiros teve papel fundamental na consolidação de um dos principais festivais de cinema do interior do Rio Grande do Norte, realizado anualmente em Caicó desde 2018 com o objetivo de fortalecer o audiovisual local e aproximar o cinema do público seridoense. Ao longo dos anos, o evento se firmou como um espaço plural, com mostras, oficinas e debates que valorizam produções nacionais, potiguares e do Seridó, além de investir na formação de novos realizadores. O envolvimento de Titina desde o início contribuiu decisivamente para dar visibilidade, credibilidade e identidade a um projeto hoje central para a cultura da região.


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ELEITO PARA ASSUMIR, WALTER FOGE DA CADEIRA E EMPURRA CRISE PARA FÁTIMA

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A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Governo do Rio Grande do Norte não é lida nos bastidores como cautela administrativa, mas como covardia política. A opinião é apontada por prefeitos do MDB que conversaram com o Diário do RN. Ao se recusar a sentar na principal cadeira do Estado quando a vacância se aproxima, Walter rompe, na prática, o acordo firmado com a governadora Fátima Bezerra (PT), com o PT e com os filiados do próprio partido que preside no momento em que aceitou ser vice-governador: o compromisso de assumir o Governo, se necessário, e sustentar politicamente a gestão até o fim do mandato.

No MDB, cresce a avaliação de que o vice-governador perdeu o momento de demonstrar liderança. “Isso é coisa de frouxo”, disparou um prefeito do partido.

Ao não assumir quando teve a chance, Walter Alves não apenas evita o Governo, expõe fragilidade, quebra um acordo político e deixa claro que prefere a segurança eleitoral ao enfrentamento do poder. O desfecho das articulações deve ocorrer até o final de janeiro, mas o rótulo já circula nos corredores do poder: o vice que não quis ser governador.

A justificativa apresentada, a frágil situação fiscal do Estado, não é novidade, tampouco surgiu às vésperas do calendário eleitoral. Walter conhecia os números, os riscos e o histórico das contas públicas quando topou compor a chapa governista. Ainda assim, agora prefere recuar, preservar o próprio projeto eleitoral à deputado estadual e deixar o desgaste integralmente nas costas da governadora.

Segundo apuração do Diário do RN, Walter reuniu dados técnicos que apontam dificuldades concretas no caixa estadual, o mais recente deles o atraso no pagamento do 13º salário do funcionalismo, que não foi quitado dentro do prazo legal. Para os críticos do PT, assumir o Governo nessas condições significaria herdar um passivo fiscal indigesto. Para aliados que confiaram em Walter, é exatamente esse o ônus de quem se dispõe a governar, e que Walter optou por não assumir.

Ao tomar a decisão, Walter evita o desgaste de comandar um Estado em crise, mantém distância da impopularidade e busca seguir com capital político intacto para a disputa eleitoral de 2026. Ao fazer isso, transfere todo o peso da crise para Fátima Bezerra, enquanto tenta se apresentar como espectador responsável, quando, na prática, abandona o posto para o qual foi eleito.

Apesar de já estar decidido que não assumirá o Governo, o vice-governador tenta evitar que o gesto seja interpretado como rompimento imediato com o PT. Interlocutores insistem que o recuo não significa, automaticamente, apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), um dos principais nomes da oposição para 2026. Esse movimento, segundo dizem, seria outro passo.

No fim de dezembro, em Brasília, Walter se reuniu com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com o presidente do MDB, Baleia Rossi. O resultado foi a reafirmação do apoio do MDB no Nordeste à reeleição do presidente Lula. Em seguida, Walter e Fátima divulgaram nota conjunta empurrando para as direções nacionais dos partidos a definição do cenário local, deixando claro que, para o PT, a prioridade absoluta é a eleição de Fátima ao Senado, mais ainda que o Governo do RN.

Quanto ao apoio a Allyson Bezerra, segundo fontes ouvidas pela reportagem, o movimento dependerá de consenso interno no MDB, após consulta a prefeitos, deputados e lideranças regionais.

Nominatas
Paralelamente, Walter Alves já definiu que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Após o esfacelamento de uma forte nominata que vinha sendo articulada à federal, a alteração de caminhos voltou as atenções do presidente e da sigla para a nominata à Assembleia Legislativa.

Sem ocupar a cadeira do Executivo estadual, os pretensos candidatos pelo MDB vão contar com o fundo eleitoral e estrutura garantidos por Baleia Rossi pessoalmente a Walter, recurso que será voltado para a nominata a qual Waltinho fará parte. A movimentação inclui articulações para fortalecer a nominata do MDB, com garantia de apoio do diretório nacional, tanto em termos de fundo partidário quanto de estrutura.

De acordo com as informações obtidas pelo Diário do RN, os encaminhamentos continuam com os deputados Hermano Morais (PV), Galeno Torquato (PSDB) e Nélter Queiroz (PSDB), que pretendem disputar reeleição. Mara Cavalcanti, ex-prefeita de Riachuelo, Flávio de Beroi, ex-prefeito de Nova Cruz, Clóvis Júnior, vereador mais votado de São Gonçalo do Amarante, e Ivan Baron, ativista contra o capacitismo e pelos direitos humanos, são alguns nomes já convidados e/ou confirmados para a disputa proporcional.


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KLEBER RODRIGUES ANUNCIA IDA PARA O PP E APOIO A ALLYSON, FÁTIMA E ZENAIDE

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O deputado estadual Kleber Rodrigues anunciou que irá se filiar ao Progressistas (PP) e integrar a base política da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026. A decisão, segundo ele, foi construída a partir da escuta das lideranças que o acompanham e do sentimento de gratidão ao deputado federal João Maia, presidente estadual do partido.

“Eu não tomo decisão nenhuma sem escutar aqueles que acreditam em mim”, afirmou Kleber, ao explicar ao Diário do RN o processo que o levou à escolha partidária. Segundo o deputado, somente após ouvir sua base política é que comunicou a decisão. “Como eles já me autorizaram, já comunico que vou me filiar ao PP, partido do deputado federal João Maia”, disse.

Kleber ressaltou que a mudança partidária está diretamente ligada à relação construída com João Maia ao longo de sua trajetória política. “Eu tenho um débito de gratidão enorme com o deputado federal João Maia, que é meu deputado já por três vezes. Quando eu saí do partido dele [então PL] para ir para o PSDB, entendi que, em algum momento, eu tinha que pagar esse débito. Ele pediu esse gesto da minha parte e gratidão só se paga com gratidão. Então eu estou voltando para minha casa”, completou.

Segundo Kleber, a mudança partidária só ocorrerá com a abertura da janela partidária, em 4 de março. “Quando abrir esse prazo, eu migrarei para o PP”, reforçou.

O assunto foi conversado diretamente com Fátima Bezerra (PT), cuja base Kleber compõe enquanto parlamentar estadual. Ele informa que seus votos serão em Fátima e Zenaide Maia ao Senado.

Allyson Bezerra
Apesar de Allyson Bezerra ainda não ter oficializado a pré-candidatura ao Governo, Kleber justificou a decisão de integrar a base do mossoroense afirmando que o prefeito de Mossoró já passou pelo “teste” da gestão pública. “Eu convivi com ele, eu conheço ele, acompanho o trabalho que ele faz em Mossoró. Ele já foi testado, governou uma grande cidade do nosso Estado e fez uma excelente gestão. Ele está preparado”, disse.

Kleber também demonstrou confiança no desempenho eleitoral de Allyson em 2026. “Eu acredito 100%”, afirmou, ao ser questionado sobre as chances do prefeito frente a outros possíveis candidatos. “Tenho certeza que, se o povo escolher ele e ele for eleito, vai fazer uma grande gestão também à frente do governo do Estado”, acrescentou.

Ao tratar da federação formada por PP e União Brasil, Kleber destacou que a expectativa é de uma nominata forte para a disputa da Assembleia Legislativa em 2026. “A expectativa é de uma nominata grande e robusta, que deve fazer uma grande quantidade de deputados na Assembleia, eu lhe garanto”, disse.

O deputado negou especulações sobre eventual acordo antecipado envolvendo a presidência da Assembleia Legislativa, caso Allyson seja eleito governador. “Isso não existe. Primeiro a gente tem que passar pela eleição. Não adianta estar pensando em conversas futuras se você não passou nem pela eleição, nem pelo teste do povo”, garantiu.

Ao comentar o apoio político que levará para o palanque de Allyson Bezerra com o grupo que compõe pelo menos 30 nomes, Kleber evitou promessas de imposição. “As pessoas têm livre-arbítrio. Eu não trabalho de forma forçada com ninguém. Eu digo com quem eu estou caminhando. Quem quiser caminhar comigo estará muito feliz”, completou.

O anúncio ocorreu em reunião de Kleber com lideranças políticas de diversas regiões do Estado, em Natal, no primeiro encontro do ano com sua base. No evento, ele reforçou a importância da escuta como marca do mandato. “Aprendi com meu pai, Severino, que política se faz com escuta e parceria. Eu sempre digo que tenho mais que parceiros políticos. Tenho amigos e eu preciso ouvir vocês”, afirmou.


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PENSAR RN: SEMINÁRIO ENCERRA CICLO 2025 DE DEBATES SOBRE FUTURO DO RN

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O Grupo Pensar RN realiza, nesta terça-feira (16), às 16h, no auditório do CREA-RN, o último seminário de 2025, encerrando um ciclo de debates técnicos voltados à formulação de um plano integrado de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte. Aberto ao público, o encontro terá como palestrante o professor Emanuel Nunes, coordenador da pós-graduação da UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte), em Mossoró, e marca mais uma etapa do trabalho coletivo que deverá resultar em um documento a ser apresentado no primeiro semestre do próximo ano.

Criado com o objetivo de discutir os principais gargalos estruturais do Estado e apontar caminhos estratégicos de médio e longo prazo, o Grupo Pensar RN vem se consolidando como um espaço plural de reflexão e articulação. Ao longo dos últimos meses, o grupo promoveu seminários temáticos, visitas técnicas e diálogos com instituições públicas, setor produtivo, academia e especialistas, sempre com base no debate qualificado e na busca de consensos.

Segundo o coordenador do grupo, professor Rivaldo Fernandes, a iniciativa nasce da necessidade de pensar o desenvolvimento do Estado para além dos ciclos eleitorais. “O Grupo Pensar RN tem como horizonte apresentar um projeto de desenvolvimento sustentável para o Rio Grande do Norte, que possa superar os gargalos da nossa economia e apontar as tarefas principais para transformar o Estado em um território rico e socialmente justo”, afirmou.

O plano de desenvolvimento em elaboração está estruturado em cinco eixos estratégicos: economia verde e transição energética, modernização da agropecuária, ciência e tecnologia, infraestrutura e logística integrada, e desenvolvimento territorial com sustentabilidade ambiental. As propostas incluem desde a integração das energias renováveis com novas cadeias, como o hidrogênio verde, até a modernização portuária, segurança hídrica, inovação tecnológica e recuperação de áreas degradadas.

Balanço de 2025
A programação do grupo, construída ao longo do ano de 2025, incluiu uma visita à Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), onde os integrantes puderam conhecer a visão do empresariado local sobre desafios e oportunidades. O grupo também dialogou com o professor Mário González, especialista em projetos portuários, e acompanhou uma palestra técnica sobre a implantação do Porto Indústria-Multipropósito Offshore, iniciativa que pode reposicionar o RN no mercado internacional de energia, especialmente no contexto da produção e exportação de hidrogênio verde.

Outra agenda relevante, segundo a coordenação, foi a visita ao Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), onde o diretor Rodrigo Diniz de Melo apresentou os laboratórios de Eletromecânica, Automação Industrial, Refrigeração e Climatização, reforçando a importância da qualificação técnica para sustentar o crescimento econômico. Em Macaíba, o grupo esteve na Fazenda Montana, conhecendo experiências agroecológicas inovadoras voltadas à agricultura sustentável e a sistemas produtivos regenerativos.

Os seminários temáticos também aprofundaram o debate sobre vocações regionais, oportunidades em que o professor Antonio Cortez, que é referência em Economia do Mar, destacou o potencial do litoral potiguar para atividades como turismo, carcinicultura, pesca artesanal, maricultura e cultivo de algas. Já o professor Raimundo Inácio chamou atenção para a riqueza produtiva do Vale do Açu, alertando para o avanço da devastação da caatinga. Na área de segurança pública, o especialista Heráclito Noé apresentou experiências exitosas de cidades da América do Sul. Mais recentemente, Carlos Von, do Sebrae/RN (O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte), abordou os desafios tecnológicos do RN em áreas como tecnologia da informação, data centers e energias renováveis.

Para Rivaldo Fernandes, um dos pontos centrais do debate é a necessidade de industrialização.

“Não adianta termos grandes parques eólicos se não tivermos fábricas de torres e equipamentos aqui. A indústria é quem paga os melhores salários e gera desenvolvimento consistente. Os estados mais ricos do Brasil são também os mais industrializados”, ressaltou. Ele defende que setores como fruticultura, sal, petróleo e energias renováveis precisam agregar valor. “Não podemos continuar exportando apenas produtos primários. Precisamos transformar nossas riquezas em cadeias produtivas completas.”

Ao falar sobre o contexto político, Rivaldo destacou que o grupo pretende influenciar o debate público. “As eleições de 2026 são uma oportunidade para mudar o foco da discussão. Queremos contribuir para que os candidatos debatam projetos, e não apenas nomes. É preciso evitar a personalização da política e enfrentar, de forma madura, os desafios estruturais do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Sobre o Pensar RN
Coordenado por Rivaldo Fernandes, o Grupo Pensar RN reúne professores universitários, empresários, especialistas em diversas áreas, lideres religiosos e técnicos com experiência na gestão pública. A diversidade de perfis é apontada como um diferencial da iniciativa, que busca construir uma visão compartilhada de futuro para o Estado, baseada em planejamento, sustentabilidade e desenvolvimento econômico com inclusão social.


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DECISÃO NACIONAL DEVE REPOSICIONAR MDB NO RN E ISOLA ALLYSON BEZERRA

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A decisão de empurrar para as direções nacionais dos partidos a definição sobre a eventual assunção de Walter Alves (MDB) ao Governo do Estado, em caso de renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar o Senado, deve ter um efeito político imediato nos bastidores: abortar o rompimento que vinha sendo desenhado no plano local e deixar o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), isolado em sua pré-candidatura para 2026.

Como o Diário do RN mostrou, a nota divulgada em conjunto por Walter Alves e Fátima Bezerra selou o entendimento de que qualquer decisão sobre a sucessão no Executivo estadual será tomada em instâncias nacionais. O movimento esvazia, na prática, as tratativas que vinham ocorrendo entre o vice-governador e Allyson, que apostava nessa aliança como passo decisivo para provocar um rompimento entre Walter e a governadora e, a partir daí, viabilizar um novo arranjo político no Estado.

Pelo cálculo do prefeito, com o MDB, maior partido do Rio Grande do Norte, capilarizado e bem estruturado, ao seu lado, junto com PSD e PP, Allyson ganharia musculatura política para se apresentar como alternativa competitiva ao Governo do Estado. A decisão de retirar o debate do âmbito local, no entanto, desmonta essa estratégia e recoloca o MDB dentro de um projeto que dialoga simultaneamente com o cenário estadual e nacional.

Nos bastidores, a avaliação é de que o envio do tema para Brasília não foi apenas uma saída protocolar, mas uma solução política construída a partir de conversas diretas entre as cúpulas do PT e do MDB. A formação da chapa Fátima-Walter em 2022 não foi um acordo restrito ao Rio Grande do Norte, mas uma construção nacional, fruto de uma demanda da campanha do presidente Lula e de um entendimento com o MDB do Nordeste.

Esse argumento ganhou força em contatos ocorridos nos últimos dias. O coordenador nacional do grupo de trabalho eleitoral do PT, deputado José Guimarães, e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, trataram diretamente do tema. A conclusão foi de que a questão deveria, desde o início, ter sido submetida às direções nacionais, e assim passou a ser conduzida.

Após essas conversas, Guimarães entrou em contato com a governadora Fátima Bezerra e com o deputado federal Fernando Mineiro (PT), enquanto Baleia Rossi falou diretamente com Walter Alves. A definição é que qualquer decisão precisaria ser debatida dentro desse contexto mais amplo, envolvendo os projetos nacionais das legendas.

O desfecho reposiciona o MDB e freia, ao menos por ora, qualquer movimento de ruptura local.

Ao submeter a definição à lógica partidária nacional, o vice-governador reforça sua vinculação a um projeto maior e retira de Allyson Bezerra um dos principais trunfos que ele buscava para alavancar sua pré-candidatura ao Governo.


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