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DISCURSO ANTICORRUPÇÃO CALADO DIANTE DE ÁUDIOS COMPROMETEDORES DE FLÁVIO

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O silêncio do senador Styvenson Valentim diante do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro tem sido observado com atenção nos bastidores da política potiguar.

Conhecido pelo discurso duro contra corrupção e pelo uso frequente das redes sociais para cobrar investigações e punições, Styvenson ainda não comentou publicamente o vazamento recente de mensagens e áudios que expuseram negociações milionárias para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ausência de posicionamento chama ainda mais atenção porque, dias após o caso vir à tona, o próprio senador publicou vídeo anunciando a assinatura para criação da CPMI do Banco Master.

Na gravação, divulgada em 16 de maio, Styvenson adotou o tom combativo que costuma marcar suas falas sobre corrupção e investigação de irregularidades.

“Assinei CPMI do INSS, assinei CPI do Master, que tá parado. Assinei essa agora de manhã, pra investigar todo mundo. Quem roubou, quem é bandido, que se lasque, que vá preso”, afirmou. Em outro trecho, o senador declarou: “Não tenho amizade com bandido, não quero conversa com bandido”. Na legenda da publicação, Styvenson ainda escreveu: “Quem for podre que se quebre”.

Apesar do discurso incisivo, Styvenson não fez qualquer referência direta ao escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, mesmo após o vazamento das conversas entre o presidenciável e Vorcaro.

A pouco mais de dois meses, Styvenson Valentim manifestou apoio público à pré-candidatura presidencial de Flávio no Rio Grande do Norte.

Durante evento político de lançamento das pré-candidaturas encabeçadas pelo grupo do ex-prefeito Álvaro Dias, no mês de março, Styvenson chegou a subir o tom em defesa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Chega de omissão, né? Não dá pra fazer nada sozinho mais não, Flávio. Desejo a você, meu candidato a presidente, que tenha boa sorte”, afirmou na ocasião.

A ligação política entre Flávio Bolsonaro e o Rio Grande do Norte também reforça a repercussão do caso no Estado. O senador Rogério Marinho é considerado um dos principais aliados da família Bolsonaro e atualmente coordena nacionalmente a pré-campanha presidencial de Flávio para 2026.

Nos bastidores, aliados e adversários avaliam que o silêncio de Styvenson evita desgaste direto com a base conservadora em um momento de crise dentro do próprio bolsonarismo. O Diário do RN tentou ouvir Styvenson Valentim sobre o caso e sobre a repercussão política envolvendo Flávio Bolsonaro, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

Entenda o caso
A repercussão aumentou após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens, documentos e áudios, datados de outubro de 2024, que mostram Flávio Bolsonaro cobrando repasses milionários de Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Em um dos áudios divulgados, Flávio admite desconforto ao cobrar os pagamentos. “Apesar de você ter dado a liberdade da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando”, disse ao banqueiro. Na sequência, alertou para o risco de paralisação da produção caso os recursos não fossem liberados.

Segundo os documentos revelados pela reportagem, o orçamento previsto para o filme era de R$ 134 milhões. Parte das negociações envolvia repasses de pelo menos 10 milhões de dólares, cerca de R$ 50 milhões na cotação atual, destinados à produção internacional.

O caso provocou desgaste político porque, inicialmente, Flávio Bolsonaro tentou minimizar a relação com Vorcaro e negar proximidade com o empresário ligado ao Banco Master. Após a divulgação de novas mensagens e documentos, porém, o senador passou a admitir o contato e tentou justificar a negociação como parte de um projeto audiovisual privado.


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