
A operação da Polícia Federal que investiga desvios de verbas da Saúde em Mossoró e o suposto envolvimento do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) provocou forte impacto político no Rio Grande do Norte, mas expôs também um silêncio estratégico entre as principais lideranças estaduais. Até o momento, apenas nomes ligados ao PT se pronunciaram publicamente sobre o caso.
Como já detalhado, a investigação apura fraudes em contratos de medicamentos, pagamento de propinas e prejuízo milionário aos cofres públicos, com escutas que, segundo a PF, apontam o prefeito de Mossoró como beneficiário de percentuais sobre contratos. Mesmo diante da gravidade das denúncias, a reação política foi desigual.
A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi uma das primeiras a se manifestar. Em publicação no Instagram, ao comentar reportagem do Jornal Hoje (TV Globo), Isolda classificou o caso como grave e fez duras críticas à gestão municipal:
“O que está acontecendo em Mossoró é GRAVE e precisa ser investigado! É revoltante que a gestão e empresários ROUBEM o dinheiro que deveria ser usado para salvar vidas”, escreveu na legenda.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) também repercutiu amplamente a operação em suas redes sociais, compartilhando matérias da imprensa nacional. Em uma das postagens, foi direta:
“GRAVE! O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, foi alvo da Polícia Federal hoje, na investigação de fraudes em contratos de compra de insumos para a rede pública de saúde. Esquema criminoso de desvios de recursos”, afirmou.
Já o pré-candidato ao Governo do RN, Cadu Xavier (PT), possível adversário direto de Allyson Bezerra na eleição de outubro, publicou nota pública cobrando atenção e responsabilidade diante da operação:
“A megaoperação da Polícia Federal contra desvio de recursos no RN na casa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, merece atenção de todos”, apontou.
Cadu também destacou o aspecto ético e humano do caso: “Gerir recursos públicos é coisa séria e requer compromisso, zelo e, principalmente, honestidade. (…) Fraudes em contratos da Saúde é, além de crime, totalmente desumano”.
Enquanto lideranças petistas se posicionaram, nomes centrais da direita potiguar optaram pelo silêncio. Não houve manifestações públicas do pré-candidato a governador Álvaro Dias (Republicanos), nem dos senadores Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PSDB).
O silêncio se estendeu também aos aliados diretos do prefeito. O presidente do União Brasil no RN, José Agripino Maia, não se pronunciou. Tampouco falaram os deputados Benes Leocádio (UB) e João Maia (PP), além do vice-governador Walter Alves (MDB), que mantém relação política com a gestão mossoroense.