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‘GAROTINHO DA COPA’: 20 ANOS SEM A VOZ DO CRAQUE NO RÁDIO POTIGUAR

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Há exatos 20 anos, silenciou-se uma das vozes mais belas e marcantes do rádio potiguar. Se o destino tivesse traçado outro caminho, Marco Antônio Antunes, o eterno “Garotinho da Copa”, já estaria ‘afiando’ a principal ferramenta de trabalho para narrar e comentar seu 12.º Mundial de Futebol a Fifa, que acontece no próximo mês, em três países, simultaneamente: México, Estados Unidos e Canadá. Natural de Passo Fundo, nas terras gaúchas, ele morreu cedo, aos 56 anos, vítima de um infarto súbito, em um hotel na cidade de Colônia (Alemanha), às vésperas de cobrir a sua sétima Copa do Mundo.

Naquele ano de 2006, a Seleção Brasileira sucumbiu nas quartas de final, eliminada pela França por 1 a 0. Entretanto, para os fãs que ouviam Marco com devoção, a maior e mais dolorosa derrota já havia se consumado, antes mesmo da bola rolar.

Como disse a saudosa escritora Clarice Lispector, “mesmo nas ausências, o coração permanece habitado”. E é exatamente essa verdade que define a resiliência de Zalix Marinho, a viúva do ‘Garotinho’, após uma vida de 14 anos tecida com amor, amizade e respeito. Após o falecimento do marido, ela confessa que sua vida perdeu a motivação. “A saudade maltrata muito e a ausência dele ainda é muito presente em meu coração. Não tivemos filhos juntos, mas construímos uma história muito forte e cheia de significado. Eu o chamava carinhosamente de ‘amor’, porque ele realmente representava isso na minha vida”.

Marco não bebia, mas fumava muito, às vezes, entre goles de refrigerante. Zalix recorda que, antes da viagem fatal à Alemanha, ele submeteu-se todos os exames necessários e tudo indicava perfeita saúde. “Acredito que o estresse com a demanda de responsabilidades tenha contribuído bastante, porque, além da vida profissional, ele cursava Direito e estava no último ano da faculdade. Na época, precisava estudar intensamente para as provas, antes de viajar para cobrir a Copa do Mundo. Muitas vezes estudava durante a madrugada, tendo o cigarro como companhia.

Ele era extremamente dedicado, obstinado e muito preparado. Falava quatro idiomas”, observou.

Mesmo diante de uma despedida tão repentina, Zalix cultiva a gratidão pelos anos marcados de companheirismo, sonhos e muitos momentos inesquecíveis. “Guardo muitas lembranças especiais dos momentos que vivemos juntos. Fizemos várias viagens, e ele adorava conhecer novas culturas, sempre vibrando por cada oportunidade. Também trago comigo o exemplo de homem que ele foi: iluminado, generoso, inteligente e cheio de amor nos gestos mais simples.

Para mim, a maneira como ele amava a vida e as pessoas ao redor é algo inesquecível”.

Hoje, a rotina de Zalix é preenchida pelo trabalho diuturno – uma espécie de bálsamo necessário para minimizar a dor e ocupar o vazio deixado pela partida do seu companheiro. Além das atividades, Zalix segue mantendo uma relação de respeito, carinho e consideração com a família dele. “A saudade que sentimos dele nos une ainda mais, porque Marco deixou marcas muito bonitas em todos que conviveram com ele. Aprendi muito com ele. Marco era uma pessoa educada, carinhosa, otimista e cheia de sonhos. Eu admirava sua obstinação e a forma positiva como encarava a vida. Até nos momentos simples do dia a dia, ele encontrava motivos para celebrar. Hoje, sigo minha rotina carregando as lembranças, os ensinamentos e o amor que vivemos”, disse.

Gaúcho de nascença, Marco Antônio fez de Natal a sua casa a partir 1977. Apaixonado pela crônica esportiva, foi pela combinação do seu talento nato, da sua criatividade e de uma voz inconfundível que ele conquistou sua ‘posição de titular’ nos microfones da Poti, Cabugi, Tropical (CBN) e 96 FM. Outro trunfo do ‘Garotinho’ era sua análise perspicaz, temperada com refinado humor. Em pouco tempo, o sucesso ultrapassou as ondas do rádio e chegou à televisão, onde comandou o Globo Esporte, na antiga TV Cabugi. A trajetória brilhante também o levou às páginas do jornalismo impresso, onde assinou colunas nos jornais Tribuna do Norte e no saudoso vespertino O Jornal de Hoje (JH). Marco Antônio faleceu na madrugada do dia 28 de maio de 2006, vítima de um infarto fulminante, em Colônia (Alemanha).


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