
O ex-deputado estadual Kelps Lima (União Brasil) anunciou, nesta quinta-feira (9), que não será mais pré-candidato a deputado federal pela Federação União Progressista. Em entrevista ao comunicador Bruno Giovanni, no Meio Dia RN, da 96 FM, ele afirmou que a decisão “não tem mais volta” e acusou os deputados João Maia (PP), Benes Leocádio (União Brasil) e Robinson Faria (PP) de traição política dentro da própria Federação.
Ao comentar como ficará sua relação com o grupo, Kelps disse que continuará apoiando o ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), mas fez questão de separar o aliado dos demais integrantes da chapa proporcional.
“Kelps sem ser pré-candidato continua apoiando Allyson Bezerra, continua no front com Allyson Bezerra”, afirmou.
O tom mais duro veio quando Kelps foi questionado sobre os compromissos assumidos dentro da Federação. Ele afirmou que pretende honrar os acordos feitos, mas acusou os colegas de não fazerem o mesmo.
“Meu nome não é João Maia, Benes e Robinson. Eu cumpro compromisso. Existem três mentirosos que não cumprem compromisso. Esse povo não tem palavra, eu tenho palavra”, declarou.
Em outro trecho da entrevista, Kelps também voltou a afirmar que sua relação com Allyson vem desde 2017 e disse que não pretende ser usado para prejudicar a pré-candidatura do aliado ao Governo.
“Allyson é meu amigo, eu participei da construção do projeto dele, não foi de agora não, foi de 2017.
Allyson está sendo bombardeado internamente e eu vou dizer toda a verdade, mas não vou servir também de instrumento para prejudicar a candidatura dele”, disse.
Apesar de não atribuir a Allyson a responsabilidade direta por sua desistência, Kelps afirmou que o ex-prefeito teria cedido à pressão dos deputados da Federação.
“Os deputados chantagearam Allyson para não passar apoio para mim, e ele cedeu a essa chantagem. Eu disse a ele que não se sacrificasse por mim. A decisão foi minha”, afirmou.
Mesmo fora da disputa, Kelps disse que seguirá atuando politicamente e mantendo diálogo com aliados e voltou a mirar os deputados que responsabiliza pelo esvaziamento de sua pré-candidatura.
“Eu não tenho medinho nem de João Maia, nem de Benes, nem de Robinson. Não tenho nada pessoal contra eles. É esse tipo de gente que representa o Rio Grande do Norte em Brasília”, afirmou.
As críticas retomam uma sequência de desavenças entre Kelps e os deputados da Federação. Nas últimas semanas, o ex-deputado passou a acusar João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria de descumprirem o acordo para garantir bases eleitorais à sua pré-candidatura, desgaste que, segundo ele, culminou na decisão de deixar a disputa pela Câmara Federal.

Portas fechadas no diretório nacional
O ex-deputado também relatou que, nos últimos 35 dias, deixou de ser atendido pelo presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Para ele, o silêncio da direção nacional teria relação com pressões internas.
“O presidente nacional do partido, Antônio Rueda, não atendia mais minhas ligações. O que é que eu deduzo? Ele está recebendo pressão da Federação, dos deputados”, declarou.