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PROJETO OFERECE ACOLHIMENTO E APOIO PSICOLÓGICO PARA VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM NATAL

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O mês de agosto é dedicado à conscientização sobre a importância do combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, o chamado Agosto Lilás. A campanha, no entanto, é um alerta de que esse acolhimento às vítimas precisa acontecer durante todo o ano. Com esse objetivo, o Instituto Social de Saúde e Educação do Rio Grande do Norte (ISSERN) desenvolve, desde abril deste ano, um projeto que oferece atendimento psicológico, orientação social e jurídica a mulheres em situação de violência, buscando fortalecer a autonomia e contribuir para o rompimento do ciclo de agressões. Os atendimentos acontecem na Rua Jaguarari, 2239, em Lagoa Nova – Natal.

A iniciativa surgiu a partir da percepção de que muitas mulheres enfrentam dificuldades para acessar os serviços da rede de proteção. Medo, vergonha, dependência emocional ou financeira e até a dificuldade de reconhecer que vivem uma situação de violência são algumas das barreiras identificadas pela equipe do instituto.

Segundo a gerente e coordenadora de Projetos do ISSERN, Lindinez Chagas Cabral, a instituição já realizava ações de acolhimento em alguns municípios potiguares e decidiu ampliar esse trabalho por meio de um serviço estruturado para atuar de forma complementar à rede pública.

“A ideia surgiu a partir da percepção de que muitas mulheres vivenciam situações de violência, mas nem sempre conseguem chegar aos serviços da Rede de Proteção. Existem barreiras como medo, vergonha, dependência emocional ou financeira, falta de informação e, muitas vezes, a dificuldade de reconhecer que estão vivendo uma situação de violência”, afirmou.

Ela explica que o projeto foi pensado para ser uma porta de entrada acolhedora, onde as mulheres possam ser ouvidas sem julgamentos e orientadas sobre os caminhos disponíveis.

“Criamos uma porta de entrada acolhedora, onde a mulher possa ser ouvida sem julgamento, receber orientação e, quando necessário, ser direcionada aos serviços adequados. Nossa proposta é fortalecer a Rede e, principalmente, fazer com que nenhuma mulher se sinta sozinha ou sem saber a quem recorrer”, disse.

Acolhimento antes de qualquer encaminhamento
O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, na sede do ISSERN, em Natal. O acesso é gratuito e não exige agendamento prévio.

De acordo com Lindinez Chagas Cabral, o primeiro atendimento prioriza a escuta ativa e o respeito à individualidade de cada mulher.

“Muitas vezes, antes de qualquer encaminhamento, ela precisa simplesmente encontrar alguém que diga: ‘Você não está sozinha. Nós podemos caminhar com você’. O projeto nasce justamente dessa compreensão: acolher primeiro, compreender a realidade daquela mulher e, a partir daí, construir junto com ela os caminhos possíveis”, explicou.

A mulher é inicialmente recebida pela recepcionista Rebecca Rodrigues e, em seguida, atendida pela psicóloga Camilla Maia e pela assistente social Jéssica Marinho. Quando necessário, a equipe também aciona a assessoria jurídica.

Segundo a coordenadora, não existe um protocolo rígido.

“Cada mulher tem uma história e precisa ter sua individualidade respeitada. Nosso papel não é decidir por ela, mas ajudá-la a compreender as possibilidades e acessar seus direitos e a rede de proteção”, afirmou.

O trabalho é desenvolvido por uma equipe multiprofissional formada pela coordenação do projeto, psicóloga, assistente social e assessoria jurídica.

“Cada profissional contribui a partir da sua área de conhecimento, mas existe algo que precisa estar presente em todos os atendimentos: a capacidade de escutar e acolher. A atuação integrada permite olhar para essa mulher não apenas pela situação de violência, mas considerando também suas necessidades sociais, emocionais, familiares e de proteção”, comentou.

Desde o início do projeto, em abril, o ISSERN já realizou atendimentos, mas a coordenadora reconhece que o número ainda é pequeno.

“Não olhamos para esses atendimentos apenas como números. Cada mulher que chega até nós representa uma história e, muitas vezes, a coragem de romper o silêncio e buscar orientação.

Nosso desafio agora é ampliar o alcance do projeto e fazer com que mais mulheres conheçam esse espaço e saibam que podem procurar ajuda”, pontuou.

O projeto atende mulheres a partir de 18 anos e, segundo a coordenadora, não há um perfil predominante entre aquelas que procuram o serviço.

“Não existe um único perfil, porque a violência pode acontecer em diferentes contextos sociais, familiares e econômicos. O que percebemos é que muitas chegam fragilizadas e, algumas vezes, ainda têm dificuldade de reconhecer ou nomear a situação que estão vivendo como violência”, destacou.

Sempre que necessário, a equipe realiza encaminhamentos para órgãos da rede de proteção, de acordo com a demanda apresentada por cada mulher.

Romper o ciclo da violência exige tempo
Além do acolhimento imediato, o projeto desenvolve rodas de conversa, atividades de fortalecimento da autoestima, orientações sobre direitos, saúde da mulher, projeto de vida e desenvolvimento pessoal e profissional. Também busca fortalecer a articulação com os serviços de saúde, assistência social, Justiça e segurança pública para garantir continuidade no atendimento.

Segundo Lindinez Chagas Cabral, fortalecer a autonomia das mulheres é um processo construído de forma gradual.

“Oferecer condições para que a mulher reconheça seus direitos e, junto com a equipe técnica do projeto, consiga construir estratégias seguras para romper o ciclo da violência. E é importante dizer: romper um ciclo de violência nem sempre acontece de uma vez. Às vezes, o primeiro passo é simplesmente conseguir pedir ajuda”, concluiu.

Violência vai além da agressão
A violência contra a mulher vai além da agressão, ela não é apenas física, mas também psicológica, moral, patrimonial e sexual.

“Violência doméstica, não é só a agressão, o tapa, a facada, não é só o tiro. Ela pode ser psicológica, do tipo “você não serve de nada, ninguém vai lhe querer porque eu posso fazer isso…” é a humilhação, é aquela “Síndrome da Cinderela”, em casos em que a mulher só serve para fazer serviços domésticos. As ameaças são um tipo de agressão que a gente considera agressão psicológica, mas ela, na Maria da Penha, geralmente vem separada. A psicológica é aquela que diminui, a moral é aquela que humilha a vítima”, detalhou a advogada Larissa Nobre.

Já no caso da violência patrimonial, a advogada explica que estaria relacionada a situação financeira, quando a vítima é obrigada a entregar dinheiro ao agressor. “Nós temos a violência patrimonial, exemplo: meu dinheiro eu vou lá e dou todo para meu companheiro, ou meu pai, ou meu irmão agressor. Ou, mesmo não entregando, ele vai lá e faz empréstimos em meu nome, seja meu nome, porque eu sou a única que tem o nome limpo, ou sou a única que tem um crédito na praça”, descreveu.

Entre janeiro e a primeira semana de agosto de 2026, foram solicitadas 5.089 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em todo o RN.

A Medida é uma decisão judicial destinada a garantir a segurança da vítima. Após a solicitação realizada pela Polícia Civil, o Poder Judiciário poderá determinar medidas como o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e de qualquer forma de contato com a vítima, inclusive por telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mail, a suspensão do porte de arma de fogo e, quando necessário, a restrição temporária de visitas aos filhos.


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