A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Entre os representantes do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL) votou contra o texto, enquanto Zenaide Maia (PSD) e Styvenson Valentim (Podemos) se posicionaram favoravelmente.
Relatada por Omar Aziz (PSD-AM), a proposta foi aprovada em votação simbólica. Dos 27 senadores presentes, apenas Rogério, Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) registraram voto contrário ao parecer.
A discussão provocou um dos principais embates da sessão entre Rogério e Aziz. Ex-ministro do Trabalho e defensor de maior flexibilidade nas relações trabalhistas, o senador potiguar argumentou que a redução da jornada com manutenção dos salários terá impacto direto sobre os empregadores.
“Porque não tem mágica. Reduzir jornada e manter o nível salarial significa que o empresário vai ter que repassar os custos. É óbvio, é ululante, é claro, é transparente, é cristalino e quem diz o contrário ou tem má-fé ou é burro”, declarou.
Aziz reagiu e afirmou que as mudanças defendidas por Marinho atendem aos interesses dos empregadores. “É sim um projeto para patrões. Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benefícios para o trabalhador”, afirmou. O relator também criticou a possibilidade de acordos individuais, classificando a medida como “assédio ao trabalhador”.
Em meio ao clima de tensão, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), ironizou o nervosismo de Rogério. “Eu trouxe até Lexotan, se o senhor quiser. Quer o Lexotan?”, perguntou ao senador potiguar.
Resistência anterior A posição adotada na CCJ reforça uma resistência que Rogério já vinha manifestando ao fim da escala 6×1 nos moldes propostos.
Em maio, Marinho apresentou emenda para flexibilizar as regras de jornada, rejeitada pela comissão. Nesta quarta-feira, também pediu vista da proposta, suspendendo temporariamente a análise.
Já no mês de julho, durante discurso no plenário do Senado, ele questionou a aplicação de uma jornada com dois dias de repouso a diferentes atividades, citando trabalhadores de plataformas de petróleo, pescadores e profissionais da saúde e da segurança.
“A escala é um processo de negociação levando em consideração a tipicidade de cada ação laboral”, afirmou. Para Marinho, a diversidade do mercado de trabalho não estaria sendo considerada. “O governo sabe que não é possível implementar essa medida. A diversidade do mercado de trabalho não está sendo levada em consideração, ou por leviandade ou porque o discurso é eleitoreiro”, declarou.
O que muda Pelo texto aprovado na CCJ, a jornada máxima cairá gradualmente de 44 para 40 horas semanais.
Dois meses após a promulgação, o limite passaria para 42 horas e, após um ano e dois meses, chegaria às 40 horas.
A PEC também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução dos salários. A mudança valerá para os contratos em vigor.
Com a aprovação na CCJ, a PEC segue para o Plenário do Senado, onde precisará passar por dois turnos de votação e obter pelo menos 49 dos 81 votos em cada um. Se for aprovada sem alterações, poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional. Caso o texto seja modificado, retornará à Câmara dos Deputados para nova análise.
mês de setembro marca mais uma edição da campanha Setembro Amarelo, movimento nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida. Em 2026, o tema escolhido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) é “Escutar é estar presente”, destacando a importância da escuta acolhedora, empática e sem julgamentos para pessoas que enfrentam sofrimento emocional.
A campanha integra o lema global “Mudar a Narrativa”, adotado para o período de 2024 a 2026, incentivando conversas abertas e seguras sobre saúde mental. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro.
Para o médico psiquiatra Hugo Saily, iniciativas como o Setembro Amarelo são fundamentais para combater o preconceito em torno das doenças mentais e estimular as pessoas a procurarem ajuda.
“A campanha do Setembro Amarelo é fundamental para que a gente perca o medo e vá aprendendo a lidar com essas situações tão difíceis, que é uma emergência médica, quando a gente pensa no risco de suicídio, numa depressão tão grave que leve alguém a perder esse tipo de pensamento de morte”, declarou.
Um dado recente revelou uma estatística preocupante: Quase 12% da população natalense apresenta algum quadro depressivo. O maior índice entre as capitais do Nordeste, segundo o psiquiatra.
“Hoje, Natal é a capital do Nordeste com maior índice de pessoas com depressão. Antes a gente era o segundo lugar, perdia para Recife, mas infelizmente hoje estamos na liderança em prevalência da população com depressão. Chega a quase 12% da nossa população, o que representa mais de 200 mil pessoas com depressão em Natal. É muita gente mesmo”, esclareceu.
Segundo o especialista, a sociedade precisa compreender que depressão e risco de suicídio são doenças que exigem tratamento, assim como qualquer outra enfermidade.
“Quando a gente faz uma campanha como essa, a gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças. E como a hipertensão é doença, a gente vai no cardiologista, a pneumologia trata as doenças do pulmão, a depressão e o risco de suicídio são doenças da mente, então a gente precisa de uma equipe multidisciplinar para tratar de forma farmacológica, psicoterápica e tantas outras medidas para tratar esse tipo de doença e hoje cada vez mais a gente tem sucesso nesse tratamento”, explicou.
Hugo Saily afirma que ainda existe uma barreira cultural que impede muitas pessoas de procurar atendimento especializado, mas ressalta que esse cenário precisa mudar.
“Então é uma campanha como a de setembro amarelo ela é fundamental para derrubar esses tabus e aí a gente perder essa última barreira que eu vejo na medicina como um todo das pessoas ainda não procurarem uma assistência médica adequada quando a gente de fato está tratando de doenças tão comuns. Eu lembro que antigamente você, por exemplo, não podia operar o coração.
Os primeiros cirurgiões cardíacos foram excomungados pela igreja porque o coração era considerado o local da alma. Hoje ninguém questiona mais se deve fazer uma cirurgia cardíaca quando há indicação porque, se não fizer, a pessoa pode morrer. Para depressão e suicídio é da mesma forma. Se a gente não trata quem tem necessidade, mais e mais pessoas vão continuar morrendo”, afirmou.
“A gente está diminuindo o medo das pessoas, o preconceito contra as doenças mentais e o foco é mostrar que a depressão e risco de suicídio são doenças” – Foto: Reprodução
Escutar sem julgar pode salvar vidas O tema escolhido para a campanha deste ano reforça justamente a importância da escuta como primeiro passo para acolher quem enfrenta sofrimento emocional.
Segundo Hugo Saily, familiares e amigos não precisam ter todas as respostas, mas podem oferecer apoio por meio da presença e da escuta.
“E aí o que é que você pode fazer se você passa por uma situação como essa de uma depressão grave, um pensamento suicida ou algum parente, alguma pessoa querida sua? É você emprestar seu ouvido de uma maneira muito isenta, sem julgamento. Você pode não concordar, você pode achar que é frescura. No final das contas, se você só pode oferecer sua ajuda e se não quiser ajudar, não souber como, fique calado. De fato, só empreste seu ouvido porque quando a pessoa que está no sofrimento intenso se sente validada, acolhida naquela dor dela, você já está fazendo um bem enorme”, orientou.
O médico reforça que, além da escuta, é indispensável buscar atendimento profissional o mais rapidamente possível.
“E o segundo passo é procure ajuda. Lembre: depressão e suicídio são emergências médicas quando são graves. Você não deixa alguém que está com início de infarto ficar em casa, você leva para a urgência. Alguém com risco de suicídio, da mesma forma, tem que ter um acompanhamento médico e psicológico o mais breve possível. O foco é mostrar: eu posso não entender ou não concordar com o que você está passando, mas existe esperança. Vamos buscar o tratamento para você melhorar”, disse.
Hugo Saily também destacou os avanços da psiquiatria no tratamento dos casos mais graves de depressão.
“E hoje a gente foca muito nos tratamentos mais atuais, por exemplo, o tratamento com escetamina. Ela é uma medicação que se faz em hospital, em uma sessão de duas horas, e a pessoa entra muito mal, deprimida, pensando em morrer, e sai da sessão feliz, tranquila. A gente chegou nesse nível de avanço científico”, explicou.
O psiquiatra comparou a evolução da psiquiatria ao avanço obtido em outras áreas da medicina.
“Assim como crianças que descobriam diabetes tipo 1 há um século morriam porque não existia insulina, hoje elas vivem plenamente graças ao tratamento. Pessoas com depressão grave e risco de suicídio também podem e devem ter uma vida plena e feliz, mas precisam de ajuda profissional. Esse medo de procurar um psiquiatra por achar que é coisa de doido é coisa do passado. Todo mundo, ao longo da vida, está sujeito a ter um episódio depressivo. Sabendo que um dia pode ser a gente, a gente vai ajudar quem está ao nosso lado”, afirmou.
Pessoas que enfrentam sofrimento emocional ou pensamentos suicidas podem procurar atendimento nas unidades de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em serviços de urgência e emergência ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso por telefone, chat, e-mail e atendimento presencial em diversas cidades do país. O atendimento pelo telefone 188 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O caso de uma adolescente de 16 anos que morreu em Mossoró após uma situação de sofrimento relacionada ao ambiente escolar trouxe novamente ao debate a importância do combate ao bullying e da atenção à saúde mental dos jovens.
A adolescente, que possuía vitiligo, uma doença de pele crônica e não contagiosa, teria relatado à família dificuldades enfrentadas dentro do Colégio Diocesano Santa Luzia, além de tristeza, crises de ansiedade e sentimento de isolamento. Em mensagens enviadas à mãe, a jovem pediu para não frequentar mais o ambiente escolar e afirmou que não se sentia bem no local.
“Mãe, deixa eu faltar, por favor, eu não me sinto bem na escola, eu fico chorando o tempo todo. Eu fico com vergonha, eu não consigo parar de chorar, fica todo mundo me olhando”, escreveu a adolescente em uma das mensagens.
Em outro momento, ela relatou dificuldades emocionais e disse: “Eu só queria sair daqui logo”.
As provocações foram tantas que chegou ao ponto em que a menina não suportou mais e acabou tirando a própria vida.
Após a repercussão do caso, familiares e ex-alunos passaram a compartilhar relatos nas redes sociais sobre outras situações de bullying envolvendo estudantes do Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró.
Um familiar da adolescente afirmou que pretende buscar esclarecimentos na Justiça e pediu que outras pessoas compartilhassem relatos que pudessem ajudar a compreender o que teria acontecido. “Sou o primo de ***, vítima de bullying na escola Diocesano, Mossoró-RN. Vamos levar isso à justiça, e eu preciso da ajuda de todos vocês nisso. Me mandem relatos, caso ela tenha citado os nomes das pessoas, desabafos dela, tudo ajuda, por favor”, relatou um familiar na rede social X.
Psicóloga alerta para sinais de sofrimento entre adolescentes Para a psicóloga Débora Sampaio, situações envolvendo suicídio entre adolescentes exigem cuidado, acolhimento e uma análise ampla, sem julgamentos precipitados.
“Uma morte por suicídio deixa muita dor, muitas perguntas sem respostas, sentimento de culpa e impotência entre todos aqueles que amavam esse adolescente”, afirmou.
Segundo a profissional, o suicídio é um fenômeno complexo e não pode ser explicado por uma única causa ou por um único acontecimento.
“A gente precisa entender que o suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial, que não existe uma única causa, uma única conversa ou uma única pessoa que possa explicar uma morte como essa”, destacou.
A psicóloga ressaltou ainda que familiares, escolas e a sociedade precisam estar atentos aos sinais apresentados pelos adolescentes.
“Quando um adolescente diz que não está bem, que está se sentindo sozinho, que não está conseguindo dormir, que está ansioso, que não consegue frequentar determinado ambiente ou que já não suporta alguma situação, a gente precisa tentar compreender o que aquela fala está comunicando”, explicou.
Débora destacou que o sofrimento emocional nem sempre aparece de forma clara e pode ser percebido por mudanças de comportamento.
“Às vezes isso vai aparecendo assim, nas faltas na escola, em uma mudança de comportamento, no isolamento, na irritabilidade, na queda do rendimento ou no afastamento das pessoas e até das atividades que ele gostava”, afirmou.
Para a psicóloga, é necessário abandonar a ideia de que o sofrimento dos jovens é apenas uma fase ou exagero.
“A gente ainda comete o erro de chamar esse sofrimento do adolescente de exagero, drama, preguiça, falta de vontade ou coisa da aborrecência”, disse.
Ela reforçou que validar a dor de um adolescente não significa concordar com tudo, mas reconhecer o sofrimento e oferecer apoio.
“Validar é a gente poder dizer: eu não compreendo tudo que você está sentindo, mas eu reconheço que isso está sendo muito difícil para você. Eu acredito no seu sofrimento e eu estou do seu lado para lhe ajudar”, explicou.
“Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola”
Além do caso envolvendo a adolescente, outros estudantes e familiares relataram nas redes sociais possíveis episódios de intolerância e violência entre alunos da instituição.
Entre os relatos divulgados, há a denúncia de que um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) teria sido vítima de agressões praticadas por colegas, com registro em vídeo. O caso também passou a circular nas redes sociais e gerou manifestações de pessoas que afirmam ter estudado na instituição.
Ex-alunos também relataram experiências relacionadas ao bullying.
“Meus três anos no Diocesano foram implorando para coordenação se importar com bullying e ultimamente tem acontecido tanta coisa naquela escola que parece que eu estava prevendo que ia piorar muito”, escreveu uma ex-aluna.
Outra ex-estudante afirmou: “Eu fui aluna do Diocesano e desde minha época já era alastrado o bullying e a omissão da escola. Os casos vêm se repetindo todos os anos e nada é feito e nenhuma medida é tomada”.
Uma mãe de alunos também relatou preocupação com a situação.
“Meus filhos estudam nessa escola, posso confirmar que acontecem casos de bullying com frequência e a escola se omite sim”, afirmou.
Em maio, um vídeo compartilhado nas redes sociais ganhou ampla repercussão. Nas imagens, alunos da instituição aparecem humilhando e proferindo ofensas de cunho racista contra um menino que vendia paçoca em um sinal no bairro Nova Betânia. Nas imagens, é possível ver o momento em que os jovens fingem comprar os produtos e derrubam parte deles no chão.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA), identificou e ouviu os adolescentes envolvidos. O ato foi classificado como análogo ao crime de injúria racial.
O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário (Vara da Infância e da Juventude) e ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para as providências legais cabíveis. O adolescente que dirigia o veículo também foi responsabilizado por dirigir sem CNH.
Escola foi procurada pelo Diário do RN e silenciou A psicóloga Débora Sampaio reforça que a prevenção passa pela construção de uma rede de apoio capaz de acolher os adolescentes.
“Famílias e escolas não precisam ter todas as respostas, mas precisam formar uma rede capaz de escutar, acolher, compartilhar preocupações e buscar ajuda profissional quando é necessário”, afirmou.
Segundo ela, o caminho passa pela atenção aos sinais e pela disponibilidade para ouvir.
“Talvez a gente não possa antecipar todos os desfechos, mas a gente pode estar mais atentos aos sinais, mais disponíveis para escutar e mais preparados para intervir”, concluiu.
A reportagem do Diário do RN procurou o Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, para solicitar um posicionamento sobre os relatos e as denúncias divulgadas.
O contato foi realizado pelo telefone disponibilizado pela instituição. Inicialmente, a equipe foi direcionada para o atendimento via WhatsApp. Após a tentativa de contato com os setores indicados pela assistente virtual da escola, não houve retorno da instituição até o fechamento desta matéria.
Depois de cogitar desistir da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ivan Baron (PT) decidiu manter a candidatura, mas com uma campanha redimensionada diante das limitações financeiras. Em entrevista ao Diário do RN, o ativista afirmou que recebeu, até agora, R$ 24.275 em recursos partidários e, após se reunir com sua equipe, optou por recalcular a estratégia, com maior presença digital e uma estrutura mais enxuta.
“Nós nos reunimos, o grupo, e a gente decidiu não desistir. Até porque, apesar das inúmeras dificuldades, dos desafios que foram impostos, inclusive questão de falta de orçamento, de apoio, a gente vai recalcular a maneira como seguir a campanha, seguir uma campanha mais digital, mais pé no chão”, afirmou.
O valor recebido foi um dos principais fatores para a reavaliação. Para Ivan, os R$ 24.275 são insuficientes para sustentar uma campanha com presença em todo o Estado, especialmente diante das necessidades de estrutura e acessibilidade.
“Para uma campanha estadual é muito pouco. E para rodar os 167 municípios, com as limitações que a gente tem, é impossível”, avaliou.
Ivan, que tem paralisia cerebral e construiu sua atuação pública em defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência, ressalta que o questionamento não se limita ao dinheiro, mas passa pelas condições oferecidas para que diferentes candidaturas possam competir.
“Quando eu falo em relação a esse assunto, não é apenas sobre dinheiro, mas é sobre o valor que é uma candidatura de um jovem com paralisia cerebral, que fala sobre acessibilidade, sobre inclusão”, explicou.
Para ele, uma estrutura maior permitiria ampliar o alcance dessas pautas. “A nossa maior crítica é nesse ponto, porque eu acredito que a gente, com as mesmas condições que os demais, com certeza, muita gente se sentiria representada”, acrescentou.
Diálogo partidário Em meio ao recálculo da campanha, Ivan mantém conversas com integrantes do PT em nível nacional. Segundo ele, pessoas ligadas ao partido o procuraram e se solidarizaram com a situação, enquanto são discutidas alternativas para fortalecer a candidatura.
“A nível nacional, eu já estou em diálogo, inclusive, com pessoas do PT, que me procuraram, que se solidarizaram e a gente está encontrando as melhores soluções para isso”, contou. Ivan confirmou ainda que existe a possibilidade de revisão dos recursos destinados à campanha.
No Rio Grande do Norte, o diálogo com o diretório estadual também começa a ser estabelecido em busca de um entendimento. A expectativa é de que as conversas avancem nos próximos dias.
“Vamos ter ainda respostas em breve, mas até agora é só a nível nacional”, afirmou.
Enquanto isso, Ivan pretende concentrar esforços nas redes sociais, onde já acumulava presença antes da candidatura. A estratégia digital ganha importância diante da necessidade de reduzir custos e adequar a campanha às condições disponíveis.
“A gente está aí para disputar em nível de equidade. A gente só quer ser respeitado enquanto tal”, destacou.
Convite de Lula e Janja A candidatura de Ivan à Assembleia nasceu da aproximação com o PT em nível nacional. O ativista se filiou ao partido e entrou na disputa após incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva.
A relação ganhou projeção em janeiro de 2023, quando Ivan foi uma das pessoas escolhidas para subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula durante a cerimônia de posse, em Brasília. O momento projetou nacionalmente o ativista potiguar.
Mais recentemente, a aproximação voltou a ganhar destaque durante o Carnaval do Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. Ivan participou do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Marquês de Sapucaí, e encontrou o presidente e Janja após a apresentação.
Na ocasião, segundo relato do próprio Ivan, Lula brincou que ele já era o “candidato de Janja” e afirmou que assinaria sua ficha de filiação ao PT.
Porém, antes desses episódios, Ivan já atuava na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, utilizando principalmente as redes sociais para ampliar o debate sobre acessibilidade, representatividade e combate ao capacitismo.
A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT) protocolou nesta terça-feira (1º), no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), uma representação por conduta vedada contra o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos). A ação questiona uma publicação feita pelo parlamentar nas redes sociais envolvendo as carretas do programa “Saúde+Perto”, da Prefeitura do Natal, e pede a retirada do conteúdo, aplicação de multa e cassação do registro da candidatura.
A representação, também assinada pelos advogados Altair Soares da Rocha Filho e Nicole Coimbra Souza Mesquita, do escritório Castro, Smith, Duarte e Rocha , tem como alvo uma postagem feita por Styvenson no Instagram no último sábado (29). No vídeo, o senador aparece ao lado de uma das unidades móveis destinadas à realização de exames de diagnóstico por imagem, associa a estrutura a uma emenda parlamentar de sua autoria e, na legenda, faz o pedido explícito de votos.
“Essa é do Ministério da Saúde, contratada pelo Governo Federal. E essa daqui é a contratada para a Prefeitura de Natal com emenda nossa”, afirma Styvenson. Mais adiante, acrescenta: “Essa aqui foi contratada pelo nosso mandato, e essa é do Governo Federal”. Na legenda, escreve: “Gostou? Eu adoro cuidar de todos vocês. VOTA 200 esse voto dá gosto e te orgulha 200 vota”.
A associação entre o serviço público e o pedido de voto é o principal fundamento da representação. Os advogados de Samanda sustentam que Styvenson teria utilizado um bem da administração pública em benefício da própria candidatura e feito uso promocional de um serviço de saúde custeado pelo Poder Público.
“O Representado atrelou a própria imagem – e o próprio número de urna – a serviço gratuito de saúde custeado pelo Poder Público, apresentou-se ao eleitorado como o responsável pessoal pela benesse e arrematou a mensagem com pedido expresso de sufrágio”, argumentam os advogados.
Serviço público As carretas fazem parte do “Saúde+Perto – Exames para todos”, anunciado pela Prefeitura do Natal no final de agosto. Segundo as informações apresentadas na ação, as unidades foram viabilizadas por emenda parlamentar indicada por Styvenson, em parceria com o Município, com investimento superior a R$ 12 milhões.
A representação aponta possível violação aos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições. O primeiro proíbe o uso de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública em benefício de candidato, partido ou coligação. Já o segundo veda o uso promocional, em favor de candidatura, de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público.
A ação não questiona a indicação da emenda parlamentar, mas a utilização eleitoral que, segundo a acusação, teria sido feita posteriormente. “A prerrogativa de indicar a destinação de recursos orçamentários esgota-se no plano institucional; o que a lei veda é a conversão do serviço público dela resultante em vitrine eleitoral personalizada”, afirma a representação.
Em outro trecho, os advogados distinguem a divulgação da atuação parlamentar do uso do resultado da emenda durante a campanha. “Divulgar ato parlamentar seria informar que o Senador indicou emenda de determinado valor para determinada finalidade”. Segundo a representação, porém, “o que se fez foi captar imagens da estrutura pública de saúde, dizer que ela é ‘nossa’, exaltar os exames gratuitos que serão prestados à população e pedir votos”.
Pedido de cassação Ao sustentar a gravidade do episódio, a representação destaca que a postagem foi feita durante a campanha, contém pedido explícito de voto e envolve um serviço de saúde com investimento superior a R$ 12 milhões. O documento também cita o alcance do perfil de Styvenson, que reúne mais de 264 mil seguidores.
Em caráter de urgência, Samanda pede a retirada imediata da publicação e que Styvenson se abstenha de veicular novos conteúdos vinculando as unidades do “Saúde+Perto” ou os exames oferecidos à candidatura ou ao número 200.
No mérito, Samanda e a coligação pedem o reconhecimento das duas condutas vedadas apontadas, a cassação do registro da candidatura de Styvenson ao Senado e a aplicação de multa no patamar máximo previsto para cada infração. Segundo a representação, a penalidade varia de R$ 5.320,50 a R$ 106.410,00 por conduta.
Como a ação aponta duas supostas infrações, previstas nos incisos I e IV do artigo 73 da Lei das Eleições, o valor das multas pode chegar a R$ 212.820,00 caso a Justiça Eleitoral reconheça ambas as condutas e aplique, de forma cumulativa, o valor máximo pedido pela representação.
Os pedidos feitos pelos advogados de Samanda de Lula serão analisados pela Justiça Eleitoral.
As campanhas majoritárias no Rio Grande do Norte receberam novos reforços financeiros nos últimos dias. Desde a semana passada, candidatos ao Governo e ao Senado vêm registrando repasses das direções partidárias para custear a disputa eleitoral. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, os valores recebidos pelos principais nomes variam, até o momento, de R$ 921,5 mil a R$ 3,8 milhões. Os candidatos do PL foram os últimos a receber os recursos.
Na corrida pelo Governo, Álvaro Dias (PL) recebeu o maior repasse partidário até agora: R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL. O montante representa 42,2% do limite de R$ 7.115.522,46 estabelecido pela Justiça Eleitoral para os gastos de campanha no primeiro turno.
Allyson Bezerra (União Brasil) aparece na sequência, com R$ 1,25 milhão recebido do partido. Desse total, R$ 1 milhão foi repassado pela Direção Nacional do União Brasil e outros R$ 250 mil pela direção estadual.
Cadu de Lula (PT), por sua vez, registra R$ 921.552,25 provenientes das direções partidárias. A maior parcela, de R$ 711.552,25, veio da Direção Nacional do PT. Outros R$ 210 mil foram repassados pela Direção Nacional do PSB, partido da qual a vice da chapa, Larissa Rosado, faz parte.
Apesar da diferença entre os valores recebidos, os três candidatos estão submetidos ao mesmo teto de gastos. Segundo a Justiça Eleitoral, cada campanha ao Governo do RN poderá gastar até R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Em caso de segundo turno, o limite é de R$ 3.557.761,23.
Disputa pelo Senado Entre os candidatos ao Senado, Styvenson Valentim (Podemos) registra o maior volume de recursos partidários. A Direção Nacional do Podemos repassou R$ 3.811.887,03 à candidatura, valor que corresponde exatamente ao limite legal de gastos informado pela Justiça Eleitoral para a disputa ao Senado no Rio Grande do Norte.
Rafael Motta (PDT) e Zenaide Maia (PSD), candidata à reeleição, receberam R$ 3 milhões cada das respectivas direções nacionais. O montante corresponde, para cada um, a cerca de 78,7% do teto permitido para a campanha.
Samanda de Lula (PT) recebeu R$ 1.905.943,52 da Direção Nacional do PT, equivalente a praticamente metade do limite de gastos. Já Coronel Hélio (PL) recebeu R$ 1,5 milhão da Direção Nacional da legenda.
Assim como na disputa pelo Governo, o PL foi o último entre os partidos dos principais candidatos ao Senado a efetuar o repasse. Com a entrada dos recursos para Álvaro Dias e Coronel Hélio, as duas candidaturas majoritárias da legenda passaram a somar R$ 4,5 milhões em recursos provenientes da direção nacional.
Valores podem aumentar Os números disponíveis na Justiça Eleitoral, consultados até o fechamento desta edição, representam o cenário registrado até o momento e ainda podem ser atualizados ao longo da campanha. As direções partidárias podem realizar novos repasses, e os candidatos também podem receber doações de pessoas físicas e recursos de outras fontes permitidas pela legislação eleitoral.
A arrecadação, portanto, ainda pode aumentar para a maioria das candidaturas. A exceção é Styvenson Valentim (Podemos), que já recebeu R$ 3.811.887,03, valor equivalente ao teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado. Nos demais casos, independentemente do volume arrecadado, as despesas devem permanecer dentro dos limites definidos pela Justiça Eleitoral para cada cargo.
Pacientes diabéticos atendidos pela Unidade de Saúde da Família (USF) Nordelândia, na Zona Norte de Natal, estão tendo acesso a um importante exame de prevenção e acompanhamento da saúde ocular. Em parceria com o Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a unidade realiza a retinografia colorida, procedimento capaz de identificar precocemente alterações causadas pela retinopatia diabética.
A doença é uma complicação do diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina e pode provocar perda da visão quando não é diagnosticada e tratada no tempo adequado.
Na USF Nordelândia, os pacientes podem realizar o agendamento do exame diariamente, das 8h às 11h e das 13h às 16h, presencialmente na unidade ou pelo telefone (84) 92151-9779. O atendimento para realização do procedimento acontece sempre às sextas-feiras, das 8h às 11h.
O diretor da unidade, Iuris Xavier, explica que o atendimento começa com uma preparação dos pacientes antes da realização do exame.
“Iniciamos às 07h30 no preparo para verificação da pressão arterial, glicemia e peso, depois para a dilatação da pupila. A primeira organização é pela ordem de chegada e depois vêm as prioridades, no caso as idades”, explica.
Segundo o diretor, a parceria entre a unidade e o IMT/UFRN seguirá enquanto houver demanda de pacientes.
“Essa parceria só poderá acabar um dia se não tivermos mais pacientes, até o momento não nos sinalizaram com relação ao término”, afirma.
Iuris Xavier também destaca o caráter pioneiro da iniciativa. “Somos a única unidade de saúde do Rio Grande do Norte que realiza esse exame”, ressalta.
O oftalmologista Breno Gustavo, do serviço de oftalmologia do Instituto de Medicina Tropical, explica que o diabetes pode comprometer a visão mesmo antes do surgimento de sintomas.
“A retinopatia diabética é uma das complicações microvasculares do diabetes, é uma das principais causas de perda visual em pacientes na vida adulta. Por ser uma doença silenciosa, ou seja, os pacientes muitas vezes ao início não sentem a estrutura nem de nada, muita gente só vai procurar o oftalmologista quando a visão já está embaçada, quando já existe um comprometimento retiniano muito importante e muitas vezes fica com sequela visual”, esclarece.
O especialista reforça que a prevenção tem papel fundamental para reduzir os riscos.
“A boa notícia é que a prevenção pode fazer toda a diferença. Então, se for diagnosticada em um estágio precoce e o tratamento for instituído no momento oportuno, as chances desse paciente perder a visão são muito pequenas”, informa.
A orientação é que todos os pacientes com diabetes realizem o acompanhamento, mesmo quando não apresentam alterações na visão.
“Se você é diabético, mesmo que sua visão esteja perfeitamente normal, compareça a uma unidade parceira e realize a sua retinografia”, orienta Breno Gustavo.
O médico da unidade, Francisco Cleyder, destaca que o principal objetivo da ação é identificar a doença antes que ela avance e garantir o tratamento adequado.
“O objetivo principal é diagnosticar de forma precoce a doença, fazer o tratamento oportuno e, dessa forma, evitar a evolução da doença que pode provocar a perda da visão para o paciente”, afirma.
Segundo ele, mais de 300 exames já foram realizados na USF Nordelândia desde o início da parceria.
“Já realizei na USF Nordelândia mais de 300 exames. Temos todo o apoio da direção da unidade, na pessoa do diretor Iuris Xavier, que permitiu esse espaço na agenda para realizarmos esse rastreamento todas as sextas pela manhã”, destaca.
Para atuar no rastreamento, Francisco Cleyder participou de treinamentos com o oftalmologista Breno Gustavo e com a médica Selma Jerônimo, diretora do Instituto de Medicina Tropical da UFRN.
A iniciativa amplia o acesso ao diagnóstico precoce e reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde dos olhos para pessoas que convivem com o diabetes.
destinos que se tornam conhecidos pela força de suas paisagens. Outros, pela capacidade de transformar essas paisagens em desejo de viagem. No Rio Grande do Norte, um dos principais responsáveis por essa estratégia foi Fernando Bezerril, que ajudou a consolidar Natal como referência turística nacional ao enxergar, décadas atrás, o potencial da televisão como ferramenta de promoção.
Muito antes do marketing digital e das redes sociais, Bezerril defendia que colocar Natal na tela da TV significava apresentá-la ao Brasil e ao mundo. A ideia nasceu ainda no governo de Geraldo Melo, quando decidiu procurar a direção da Rede Globo para oferecer o Estado como cenário de produções da emissora.
“Eu fui ao governador e disse: governador, eu vou atrás da Rede Globo, porque tem uma novela nascendo, chamada Tieta do Agreste, e a gente vai trazer para Natal. E ele deu uma risada e achou que eu estava viajando. Mas eu viajei”, relembra.
A proposta só se tornou viável graças à parceria construída com o setor produtivo. Empresários do turismo se uniram para custear passagens aéreas, hospedagem e passeios das equipes de gravação, criando uma ação inédita de promoção do destino.
“Como tinha e tive o apoio dos empresários, nós oferecemos para que eles viessem filmar cenas de novelas em Natal, onde nós daríamos o aéreo, a hospedagem, os passeios, e isso terminou dando certo. Cento e cinquenta países viram Natal”, comenta.
O sucesso da iniciativa abriu caminho para outras produções. Depois de Tieta, vieram novelas como Cambalacho, As Filhas da Mãe, O Clone e Flor do Caribe. Mais tarde, já com o diretor Reinaldo Buri no SBT, Natal voltou a ser cenário nacional com Chiquititas. Programas de entretenimento da televisão brasileira também passaram a gravar na capital potiguar, ampliando ainda mais sua visibilidade.
Para Fernando Bezerril, nenhuma campanha institucional teria alcançado o mesmo impacto proporcionado pelas imagens exibidas diariamente na televisão.
“Nós sabemos que uma imagem vale mais do que muitas palavras. O turista que vem a Natal, ele volta”, garante.
Segundo o ex-secretário, a exposição nacional e internacional contribuiu para um dos períodos mais expressivos do turismo potiguar, quando Natal chegou a receber dezenas de voos internacionais por semana, principalmente vindos da Europa.
“Houve uma época em que nós tínhamos 33 voos por semana do Internacional. Vocês tinham aqui os escandinavos, era um show de bola. Natal tinha a bandeira da cidade mais tranquila do Brasil, então não tinha concorrente”, recorda.
Ao analisar o cenário atual, Bezerril afirma que o Rio Grande do Norte continua reunindo atributos capazes de manter sua competitividade turística, mas defende que a divulgação permanente e a segurança pública continuam sendo determinantes para atrair visitantes.
“A segurança é uma força poderosa com relação ao destino, porque não adianta ser bonito”, afirma.
Ele reconhece o trabalho desenvolvido atualmente pela Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) e acredita que a retomada do fluxo de visitantes passa por ações contínuas de promoção do destino.
“Graças a Deus, hoje Natal retomou, está retomando o fluxo turístico com um bom trabalho da Emprotur”, observa.
Outro ponto considerado estratégico por ele é o fortalecimento do turismo de eventos, especialmente durante os meses de baixa estação.
“Essa coisa de trabalhar na baixa estação, os eventos, é o ponto de equilíbrio”, destaca. Bezerril também faz questão de ressaltar que Natal reúne características únicas entre os destinos brasileiros.
“Temos a felicidade de ter a beleza natural, de ser a esquina do continente e de ter toda essa segurança”, enfatiza.
Legado construído coletivamente Embora seja reconhecido como um dos principais articuladores da promoção turística do Estado, Fernando Bezerril atribui os resultados alcançados ao trabalho conjunto entre poder público e iniciativa privada.
“Só foi possível conseguirmos viabilizar todo esse trabalho graças ao apoio dos empresários do trade do RN. Sem dúvidas”, ressalta.
Ele lembra que esse reconhecimento levou à sua escolha para presidir o Natal Convention Bureau e destaca como um dos momentos mais marcantes da carreira o prêmio recebido pelo projeto de Natal para a Copa do Mundo.
“Eu tenho o orgulho de dizer, me permita essa coisa de eu, não sou eu, somos nós. Natal foi receber, na Fundação Getúlio Vargas, da mão do ministro do Turismo, o prêmio pelo melhor projeto que já foi feito para receber a Copa do Mundo”, recorda.
Aos 81 anos, Bezerril diz acreditar que o turismo potiguar deve ser conduzido por uma nova geração de gestores, embora continue acompanhando o setor com entusiasmo.
“Acredito em jovens talentos que temos muitos disponíveis. Meus 81 anos talvez não fossem recomendáveis”, avalia.
Mais do que os cargos que ocupou, Fernando Bezerril deixa como principal legado uma forma de pensar a promoção turística: unir poder público, empresários e criatividade para projetar Natal além de suas fronteiras. Um modelo que ajudou a transformar as paisagens potiguares em cenários conhecidos por milhões de telespectadores e consolidou o Rio Grande do Norte como um dos destinos turísticos mais lembrados do país.
A Prefeitura do Natal lançou o Prêmio Paulo Freire, iniciativa que busca reconhecer estudantes, profissionais da educação e unidades de ensino da Rede Municipal que desenvolvem práticas exitosas e apresentam resultados de destaque.
Segundo o prefeito, o prêmio representa uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho realizado diariamente nas escolas municipais e incentivar novas iniciativas voltadas ao desenvolvimento dos estudantes.
“O Prêmio Paulo Freire tem o propósito de reconhecer o trabalho já desenvolvido dentro das nossas escolas e, ao mesmo tempo, incentivar novas práticas capazes de melhorar a aprendizagem e fortalecer a nossa educação pública municipal. Com a premiação, vamos dar visibilidade às boas experiências pedagógicas da rede municipal e a projetos que vêm contribuindo de forma concreta para a melhoria da educação, o fortalecimento da aprendizagem e a participação ativa da comunidade escolar, até com bons efeitos no combate à evasão escolar”, destacou Paulinho Freire.
Regulamentado pelo Edital nº 01/2026 (SME/Natal), publicado no Diário Oficial do Município (DOM) da quinta-feira (27), o prêmio contempla escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), gestores, professores, coordenadores pedagógicos, educadores infantis e estudantes.
A iniciativa tem como objetivos reconhecer práticas de excelência, estimular a melhoria da aprendizagem, fortalecer ações de equidade e contribuir para a redução da evasão escolar na rede municipal.
“O Prêmio Paulo Freire representa um importante instrumento de reconhecimento de quem faz a educação pública municipal acontecer todos os dias. Ao criar essa iniciativa, a Prefeitura do Natal reafirma seu compromisso com a valorização de estudantes, professores, gestores e de toda a comunidade escolar, reconhecendo práticas, experiências e resultados que fortalecem a aprendizagem e a equidade. É uma forma de celebrar a excelência e incentivar cada vez mais o protagonismo na nossa Rede Municipal de Ensino”, afirmou o secretário municipal de Educação em substituição legal, Lucas Bento da Silva.
As inscrições para o Prêmio Paulo Freire serão realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela Secretaria Municipal de Educação (SME), entre os dias 1º e 20 de setembro de 2026.
Podem participar escolas e CMEIs, diretores pedagógicos e administrativo-financeiros, educadores infantis, professores da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), coordenadores pedagógicos, professores alfabetizadores do 2º ano do Ensino Fundamental e estudantes do 2º ao 9º ano, incluindo alunos da modalidade EJA.
As escolas e CMEIs classificados até o quinto lugar receberão premiações financeiras destinadas à melhoria da infraestrutura ou à aquisição de materiais pedagógicos.
O primeiro colocado receberá R$ 30 mil; o segundo lugar será premiado com R$ 20 mil; o terceiro com R$ 10 mil; e o quarto e quinto colocados receberão R$ 8 mil cada.
Os diretores pedagógicos e administrativo-financeiros das unidades vencedoras também serão contemplados conforme os critérios definidos no edital.
Já os profissionais da educação receberão premiações de acordo com a categoria e a colocação alcançada. Entre os estudantes classificados, os prêmios serão equipamentos eletrônicos: notebook para o primeiro lugar, tablet para o segundo e smartphone para o terceiro colocado.
Todos os vencedores receberão certificados de reconhecimento. Prêmio busca fortalecer protagonismo da comunidade escolar A avaliação das inscrições será realizada por uma Comissão de Avaliação designada pela Secretaria Municipal de Educação, responsável por analisar os critérios previstos no edital.
Além de reconhecer práticas pedagógicas e de gestão, a iniciativa pretende estimular ações de enfrentamento à evasão escolar, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social, e valorizar a participação de estudantes, professores e demais integrantes da comunidade escolar.
“O Prêmio Paulo Freire está sendo concebido como importante estratégia de valorização docente, incentivo à melhoria na aprendizagem dos estudantes e reconhecimento social nas unidades de ensino. Esperamos que as experiências exitosas premiadas sejam inspiradoras para toda a Rede”, destacou a secretária adjunta de Gestão Pedagógica, Naire Jane Capistrano.
A entrega das premiações está prevista para ocorrer durante a Jornada de Educação das Unidades de Ensino de Natal (Jenat) 2027.
O cruzamento dos votos para presidente e governador na pesquisa DataVero/Diário do RN, divulgada na semana passada, mostra como os eleitores de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão distribuindo suas escolhas para o Governo do Rio Grande do Norte. Na comparação com o levantamento de 14 de agosto, Cadu de Lula (PT) aumentou sua participação entre os eleitores do presidente, enquanto Álvaro Dias (PL) perdeu espaço entre os que pretendem votar em Flávio.
Na prática, o levantamento permite observar quanto cada candidato ao Governo consegue reter do eleitorado do seu principal aliado nacional. Cadu passou de 23,20% para 30,05% entre os eleitores de Lula, enquanto Álvaro caiu de 54,43% para 48,55% entre os de Flávio. Allyson Bezerra (União Brasil), que não está diretamente associado a nenhum dos dois presidenciáveis, mantém presença expressiva nos dois grupos.
Cadu conquista mais eleitores de Lula Entre os entrevistados que declaram voto em Lula para presidente, Allyson ainda lidera a preferência para o Governo, mas a comparação entre as duas rodadas mostra Cadu se aproximando do adversário.
Em 14 de agosto, Allyson concentrava 41,08% dos eleitores de Lula, enquanto Cadu tinha 23,20% e Álvaro, 16,12%. Na pesquisa de 28 de agosto, Allyson aparece com 40,21%, Cadu sobe para 30,05% e Álvaro recua para 14,80%.
Na comparação direta, portanto, Cadu foi quem mais avançou nesse grupo: ganhou 6,85 pontos percentuais entre uma rodada e outra. Allyson perdeu 0,87 ponto e Álvaro recuou 1,32 pontos.
Com isso, a distância entre Allyson e Cadu, que era de 17,88 pontos em 14 de agosto, caiu para 10,16 pontos na rodada mais recente.
O movimento mostra que Cadu passou a reter uma parcela maior do eleitorado do presidente. Na rodada anterior, pouco mais de dois em cada dez eleitores de Lula escolhiam o petista para o Governo; agora, são três em cada dez. Allyson, porém, continua atraindo a maior fatia desse grupo: quatro em cada dez eleitores de Lula também declaram voto no candidato do União Brasil.
A indefinição entre os lulistas também diminuiu. Os que não sabiam ou não responderam passaram de 10,54% para 7,60%, queda de 2,94 pontos. Já nenhum, branco ou nulo recuou de 7,73% para 6,27%.
Álvaro perde espaço entre os de Flávio Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, Álvaro continua sendo o candidato ao Governo mais escolhido, mas apresentou movimento inverso ao de Cadu entre os lulistas: em vez de ampliar sua participação, perdeu espaço na comparação com 14 de agosto.
Na primeira rodada, 54,43% dos eleitores de Flávio declaravam voto em Álvaro para governador.
Allyson aparecia com 32,02% e Cadu tinha apenas 0,73%. Na pesquisa de 28 de agosto, Álvaro cai para 48,55%, Allyson passa para 32,96% e Cadu fica praticamente estável, com 0,78%.
Assim, Álvaro perdeu 5,88 pontos percentuais entre os eleitores de Flávio Bolsonaro. Allyson ganhou 0,94 ponto nesse mesmo grupo, enquanto Cadu variou apenas 0,05 ponto para cima.
A perda de Álvaro, no entanto, não migrou integralmente para outro candidato. A principal mudança ocorreu na parcela ainda sem definição: os que não sabem ou não responderam mais que dobraram, passando de 4,38% para 9,35%, alta de 4,97 pontos. Nenhum, branco ou nulo também cresceu, de 3,23% para 5,96%, avanço de 2,73 pontos.
Com isso, embora Álvaro ainda consiga reunir quase metade dos eleitores de Flávio Bolsonaro, sua vantagem sobre Allyson dentro desse grupo diminuiu. Era de 22,41 pontos percentuais em 14 de agosto e passou para 15,59 pontos em 28 de agosto.
Allyson mantém presença nos dois grupos A comparação das duas rodadas também mostra que Allyson permanece competitivo tanto entre os eleitores de Lula quanto entre os de Flávio Bolsonaro, apesar de não estar diretamente associado a nenhum dos dois candidatos à Presidência.
Entre os lulistas, Allyson oscilou de 41,08% para 40,21% e continua liderando, mas viu Cadu crescer de 23,20% para 30,05%. Entre os eleitores de Flávio, o candidato do União Brasil avançou ligeiramente, de 32,02% para 32,96%, enquanto Álvaro caiu de 54,43% para 48,55%.
As duas rodadas revelam, portanto, movimentos distintos nos campos ligados aos presidenciáveis. Cadu ampliou em 6,85 pontos sua participação entre os eleitores de Lula e reduziu a distância para Allyson. Já Álvaro perdeu 5,88 pontos entre os eleitores de Flávio e viu sua vantagem sobre Allyson diminuir. O candidato do União Brasil, por sua vez, manteve percentuais próximos nas duas pesquisas e segue captando parcelas relevantes dos dois eleitorados.
Dados da pesquisa A pesquisa DataVero/Diário do RN ouviu 1.500 eleitores em 50 municípios do Rio Grande do Norte entre os dias 23 e 25 de agosto de 2026. O levantamento tem margem de erro de 2,53%, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, marcada para esta quarta-feira (2) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, já repercute entre os candidatos às duas vagas do Rio Grande do Norte na Casa. Samanda Alves (PT), Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PDT) e Sandro Pimentel (PSOL) se manifestaram favoravelmente à mudança.
O texto chega à CCJ com parecer favorável do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). Governistas querem aprová-lo sem alterações para que siga ao plenário, enquanto o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), defende que a decisão final seja adiada para depois das eleições, com uma discussão dos impactos da mudança por setor.
Em declaração recente, Marinho afirmou esperar que a proposta avance, neste momento, apenas na comissão. “Acredito que vai ser só na CCJ e espero, sinceramente, que seja um projeto que possa ser votado após as eleições sem a contaminação do processo eleitoral”, disse o senador, que também atua como coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Aprovação em setembro Samanda Alves defendeu a aprovação da PEC ainda em setembro e sem modificações, evitando que a matéria tenha de retornar à Câmara dos Deputados.
“Está mais perto do que nunca o fim da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial”, afirmou.
“Nós vamos ficar aqui na pressão para que ela seja aprovada agora no mês de setembro, antes das eleições. Inclusive, na pressão também para que ela seja aprovada sem nenhuma mudança”, acrescentou.
Qualidade de vida Em entrevista ao Diário do RN, a candidata à reeleição Zenaide Maia (PSD) também se posicionou favoravelmente à redução da jornada para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, destacando os efeitos da mudança sobre a qualidade de vida dos trabalhadores.
“Precisamos garantir ao trabalhador mais tempo para cuidar da saúde, estar com sua família, estudar e viver. O fim da escala 6×1 é uma questão de qualidade de vida e de respeito a quem trabalha”, afirmou.
Zenaide viajou nesta segunda-feira (31) para Brasília, onde participa da semana de esforço concentrado do Senado e deve acompanhar as discussões e a votação da proposta na CCJ.
Impacto no RN Rafael Motta também defende a aprovação da proposta e cobra celeridade do Senado.
“Acompanho com otimismo a urgência dada à matéria no Congresso Nacional e defendo que o Senado aprove o texto com celeridade para garantir mais justiça social”, afirmou.
O candidato destacou o impacto da jornada sobre o tempo destinado ao descanso e à convivência familiar. “Essa mudança vai além da economia. Ela devolve ao trabalhador o direito ao convívio familiar, ao descanso e à dignidade”, disse.
Rafael também apresentou números para dimensionar o impacto da mudança no país e no Estado. “No Brasil, 14,8 milhões de trabalhadores estão sob o regime CLT afetados diretamente pela escala 6×1, segundo o Ministério do Trabalho. No Rio Grande do Norte, a redução da jornada para 40 horas semanais pode beneficiar diretamente 432.960 profissionais potiguares”, afirmou.
“Ninguém vive só para trabalhar”, resumiu o candidato, ao argumentar que a valorização do trabalhador também pode produzir efeitos positivos sobre o consumo e a economia.
Crítica à demora Também em entrevista ao Diário do RN, Sandro Pimentel adotou tom mais crítico ao cobrar do Senado a aprovação da proposta. “É absurdo que o Senado ainda não tenha aprovado o fim da 6×1, um regime de semi-escravidão que nem deveria existir”, declarou.
O candidato destacou a participação do PSOL na mobilização pela mudança e citou a atuação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). “O fim da 6×1 é urgente e foi originado pelo PSOL, com a deputada Erika Hilton”, afirmou.
Sandro disse ainda que, caso a mudança não seja aprovada neste ano, pretende defender a pauta se eleito. “Caso não seja votado até o final do ano, estarei lá para lutar muito a favor do fim dessa carga horária absurda”, completou.
O Diário do RN também procurou o senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) e os candidatos Coronel Hélio (PL) e Tércio Tinoco (União Brasil) para que se posicionassem sobre a proposta, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.
O que prevê a PEC A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e assegura dois dias obrigatórios de descanso. A mobilização pelo fim da escala 6×1 ganhou força nacional e chegou ao Congresso com a participação de movimentos de trabalhadores e parlamentares, entre eles Erika Hilton.
Após passar pela Câmara, o texto chegou ao Senado e permaneceu cerca de três meses aguardando o avanço da tramitação. Com parecer favorável de Omar Aziz, será analisado pela CCJ nesta quarta-feira. Se aprovado sem alterações, poderá seguir diretamente ao plenário.
Empresários defendem cautela e apontam impactos do fim da 6×1
Queiroz: “Defendemos a negociação coletiva, respeitando cada setor” – Foto: Reprodução
A discussão sobre o fim da escala 6×1 também mobiliza representantes do setor empresarial, que defendem cautela diante dos possíveis impactos da mudança sobre os custos, os preços e a manutenção dos empregos. No Rio Grande do Norte, o presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, afirma que a entidade é favorável à melhoria das condições de trabalho, mas considera necessário levar em conta as particularidades de cada atividade econômica.
“Somos a favor do trabalhador, defendemos melhores condições de trabalho, mais qualidade de vida, salários dignos e valorização de quem, todos os dias, ajuda a movimentar as empresas e a economia do nosso país”, afirmou. Segundo Queiroz, setores como comércio, serviços e turismo têm características específicas, especialmente por reunirem atividades que funcionam em horários ampliados, fins de semana e feriados.
O presidente da Fecomércio avalia que uma mudança rígida e imediata pode aumentar os custos das empresas e atingir principalmente os pequenos negócios. “Não somos contra discutir a redução da jornada de trabalho, mas uma mudança dessa importância precisa ser construída com diálogo, planejamento e equilíbrio”, destacou.
Para Queiroz, a negociação coletiva seria um caminho para conciliar a redução da jornada com as necessidades de cada atividade. “Defendemos a negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada setor e de cada região e buscando soluções que sejam boas para o trabalhador, para as empresas e para o país”, acrescentou.
O empresário Luciano Hang, dono da Havan, adotou um discurso mais crítico. Em manifestação recente sobre a proposta, ele afirmou que uma redução da jornada com manutenção dos salários aumentaria os custos das empresas e poderia ser repassada aos preços dos produtos. “No caso da Havan, o custo da mão de obra vai crescer 15%. Tem empresa que tem um funcionário, cresce o dobro, 100%. Tem empresa que tem dois funcionários, cresce 50%. E aonde vai essa diferença? No preço dos produtos”, declarou.
Hang também argumentou que o aumento de preços poderia reduzir o poder de compra dos próprios trabalhadores e estimular a busca por atividades informais para complementar a renda.
Para o empresário, a definição da jornada deveria preservar maior liberdade de negociação. “A liberdade do trabalho é de vocês, não é do Congresso Nacional”, afirmou.
O empresário foi além e classificou a proposta como uma medida de caráter eleitoral. “Isso não é nada mais, nada menos, do que um estelionato eleitoral. Eles querem ganhar o voto de vocês”, declarou.
A posição é defendida pelo empresário em um momento de expansão da própria Havan, que encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 18,5 bilhões e lucro líquido entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,5 bilhões. Para 2026, a projeção é superar R$ 22 bilhões em faturamento e chegar a 200 megalojas. Atualmente, a rede conta com 196 unidades e cerca de 25 mil funcionários diretos.
Um gesto do presidente da Câmara Municipal de Natal e candidato a deputado estadual Eriko Jácome (PSDB) durante uma carreata na Zona Norte da capital provocou repercussão política neste domingo (30). Em meio à passagem do ato, o vereador foi flagrado mostrando os dedos do meio em direção a militantes ligados à candidatura de Renan Santos (Missão) à Presidência da República.
Eriko participava de uma movimentação de campanha acompanhado por lideranças políticas, entre elas o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e Babá Pereira (PL), candidato a vice-governador na chapa de Álvaro Dias (PL). Durante o percurso, o presidente da Câmara fez o gesto enquanto passava pelo grupo de apoiadores do candidato presidencial.
As imagens circularam nas redes sociais e dividiram opiniões sobre o comportamento do parlamentar. Enquanto alguns internautas criticaram o gesto, outros saíram em defesa de Eriko.
“Misericórdia, coisa feia, ainda quer ser candidato, que tristeza”, escreveu uma internauta. Outro comentário pediu uma “limpeza no Congresso”.
Também houve manifestações de apoio. “Tamo junto, meu deputado. Tem meu respeito e meu apoio”, afirmou um seguidor. Em outra publicação, um internauta defendeu o presidente da Câmara: “Eriko Jácome é um homem de bem e nada vai apagar o caráter dele, isso só mostra que ele é um ser humano normal igual a todos”.
Eriko disputa uma vaga na Assembleia Legislativa e aparece entre os nomes competitivos na corrida proporcional deste ano. A candidatura pelo PSDB representa uma tentativa de levar para o Legislativo estadual a base política construída ao longo dos mandatos na Câmara Municipal, atualmente presidida por ele.
Apesar da repercussão e das diferentes reações provocadas pelo episódio, Eriko não havia divulgado, até o fechamento desta edição, posicionamento público para explicar o gesto ou as circunstâncias em que ocorreu.
Campanha de Renan A mobilização registrada na Zona Norte reunia apoiadores do Missão, partido pelo qual Renan Santos disputa a Presidência da República. Coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), o candidato tem ganhado espaço no debate eleitoral e, nos últimos dias, também passou a enfrentar questionamentos na Justiça Eleitoral relacionados à condução de sua campanha.
O episódio mais recente ocorreu neste fim de semana. Em decisão assinada no domingo (30) e divulgada nesta segunda-feira (31), o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), adotou medidas cautelares contra a campanha de Renan após identificar irregularidades na comunicação à Justiça Eleitoral dos perfis utilizados para propaganda nas redes sociais.
Entre as medidas, Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral em ambiente digital, dos repasses e gastos com recursos do Fundo Eleitoral e da participação do candidato em debates de rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. A decisão é cautelar e não representa, até o momento, o indeferimento do registro da candidatura.
O questionamento envolve os perfis informados pela campanha à Justiça Eleitoral. O pedido de registro de Renan foi apresentado em 7 de agosto, mas outros 16 perfis em redes sociais foram comunicados ao TSE somente no dia 19, 12 dias depois, por meio de uma petição para complementar as informações apresentadas inicialmente.
Diante disso, o ministro concedeu prazo de 24 horas para que o partido informe quando cada um desses perfis começou a ser utilizado para propaganda eleitoral e esclareça se existem outras contas usadas pela campanha. O descumprimento da determinação poderá ter reflexos na análise do pedido de registro.
A decisão se soma a outros episódios de repercussão envolvendo Renan na corrida presidencial.
Conhecido pela atuação à frente do MBL e pelo tom de enfrentamento, o candidato tem protagonizado embates e declarações que repercutem nas redes sociais.