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CONTROLE DA MENTE? HIPNOSE PODE TER APLICAÇÃO CLÍNICA E OBJETIVOS TERAPÊUTICOS

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A imagem da hipnose costuma ser associada a apresentações de palco, nas quais voluntários são levados a realizar ações inusitadas diante do público. No entanto, segundo o especialista em desenvolvimento humano, coach, palestrante e hipnólogo Deyvison Nery, essa é apenas uma das possibilidades de utilização da técnica e está distante da aplicação clínica, voltada para objetivos terapêuticos e de desenvolvimento pessoal.

Há mais de 15 anos atuando na área, Nery afirma que a maior parte das dúvidas sobre hipnose está relacionada justamente aos mitos construídos pelo entretenimento.

“Quando se fala em hipnose, ela está muito associada às apresentações de palco, porque despertam curiosidade e vendem mais. Mas a hipnose não se resume a isso”, explica.

Segundo ele, a hipnose de entretenimento utiliza sugestões simples, aceitas voluntariamente pelos participantes, que permanecem conscientes durante toda a experiência. “A pessoa está altamente confortável. Ela não está vulnerável nem passiva ao controle de outra pessoa”, afirma.

O especialista reforça que um dos principais equívocos é acreditar que o hipnotizador assume o controle da mente do indivíduo.

“Toda hipnose é auto-hipnose. A pessoa permite que o processo aconteça até o limite dos seus valores e da sua moral. Se alguma sugestão contrariar aquilo em que ela acredita, simplesmente não será aceita.”

Outro receio comum é o medo de permanecer “preso” ao estado hipnótico. De acordo com Nery, isso também não corresponde à realidade.

“Pode acontecer de a pessoa sair do estado hipnótico para o sono, porque o corpo fica extremamente relaxado, mas ela desperta normalmente. Não existe o risco de ficar presa naquele estado.”

Estado de atenção profunda
Para o especialista, a hipnose não depende necessariamente de relaxamento intenso ou perda de consciência. Na verdade, trata-se de um estado de atenção profundamente focada, capaz de modificar temporariamente a forma como o cérebro interpreta determinadas experiências.

“A pessoa consegue diminuir o racional e acessar conteúdos do inconsciente. Esse estado pode provocar fenômenos que alteram a percepção da realidade.”

Entre esses fenômenos estão os chamados movimentos ideomotores, em que pensamentos ou sugestões geram respostas involuntárias do corpo, como a sensação de que as mãos estão coladas.

Também podem ocorrer alucinações hipnóticas, nas quais a mente cria percepções extremamente vívidas.

“Se for sugerido o nome de um artista famoso, por exemplo, a pessoa pode visualizar esse artista à sua frente. Isso demonstra o quanto nossa mente consegue construir uma realidade.”

Outro recurso utilizado na hipnose clínica é a desassociação, técnica que busca reduzir o sofrimento associado a dores físicas ou experiências emocionais.

“É possível desassociar o sofrimento de determinado evento e proporcionar mais conforto para a pessoa.”

Segundo Nery, também existe o fenômeno conhecido como regressão de idade, utilizado para acessar memórias antigas durante o processo terapêutico.

“A pessoa pode revisitar essas lembranças, ressignificá-las e trabalhar essas experiências. Não há julgamento sobre se a memória é objetiva ou fruto da imaginação, mas existe o fenômeno da regressão.”

Hipnose clínica exige objetivo definido
Embora compartilhem alguns mecanismos, a hipnose de palco e a clínica possuem finalidades completamente diferentes.

Enquanto a primeira busca apenas entreter e demonstrar o potencial da mente humana, a segunda segue um processo estruturado.

“A hipnose clínica é responsável, respeitosa e necessariamente precisa ter um objetivo. Ela busca aproximar a pessoa da resolução de um trauma, da mudança de um hábito ou de uma tomada de consciência.”

Segundo o especialista, o processo inclui entrevista inicial, criação de vínculo entre profissional e cliente, aprofundamento gradual do transe e técnicas direcionadas ao objetivo estabelecido.

PNL amplia resultados e mudanças comportamentais

Além da hipnose, Deyvison Nery também trabalha com Programação Neurolinguística (PNL), abordagem que considera uma das ferramentas mais eficientes para promover mudanças comportamentais.

Segundo ele, a PNL surgiu a partir do estudo da hipnose ericksoniana desenvolvida pelo psiquiatra Milton Erickson. Os pesquisadores Richard Bandler e John Grinder analisaram seus padrões de atuação e sistematizaram técnicas que permitiram tornar os processos terapêuticos mais objetivos.

“A Programação Neurolinguística conseguiu trazer algo subjetivo para o campo da objetividade.”

Na prática, a PNL atua principalmente na forma como as pessoas interpretam experiências e se comunicam consigo mesmas e com os outros.

“Ela oferece a possibilidade de enxergar a mesma situação por diferentes perspectivas. Isso melhora tanto a comunicação intrapessoal quanto os relacionamentos.”

O especialista faz uma comparação para explicar a relação entre hipnose e PNL.

“Metaforicamente, a hipnose seria como a anestesia, enquanto a PNL seriam os instrumentos utilizados durante uma cirurgia. O transe elimina distrações e potencializa os resultados das ferramentas da PNL.”

Comunicação interna influencia comportamento
Para Nery, uma das principais habilidades desenvolvidas pela Programação Neurolinguística é justamente a comunicação interna.

“Muita gente sabe o que precisa fazer, mas não consegue colocar em prática. A PNL é a arte do ‘como fazer’.”

Segundo ele, quando a pessoa fortalece crenças de capacidade, tende a agir de forma coerente com essa percepção.

“Se eu começo a comunicar para mim mesmo que sou capaz, que tenho competência e estou me preparando, minhas atitudes passam a construir essa realidade.”

A técnica também pode contribuir para melhorar relacionamentos familiares, desenvolver hábitos, aperfeiçoar a oratória, aumentar o foco e fortalecer o equilíbrio emocional.

Na prática, uma estratégia simples consiste em observar o diálogo interno diante de decisões importantes.

“Pare um instante, respire e perceba qual voz está dizendo para você seguir em frente e qual está tentando impedir. Se essa voz estiver apenas diminuindo você, imagine como se fosse um controle de volume e vá reduzindo essa intensidade até sentir mais conforto emocional.”

Formação é voltada para aplicação prática
Segundo Deyvison Nery, apesar do crescimento do interesse pela Programação Neurolinguística, ainda há poucos profissionais com formação completa na área no Brasil.

O curso ministrado por ele é o Practitioner em Programação Neurolinguística, voltado para empreendedores, profissionais liberais, terapeutas, profissionais da saúde e qualquer pessoa interessada em ampliar competências pessoais e profissionais.

“O Practitioner é totalmente prático e vivencial. O participante aprende as ferramentas e já as aplica durante a formação. É muito mais prática do que teoria.”

Na avaliação do especialista, o principal resultado da formação está na transformação da forma como a pessoa percebe a si mesma.

“As pessoas conseguem desfazer crenças limitantes, construir novas crenças fortalecedoras e iniciar um novo estilo de vida. É um processo de virada de chave e de crescimento pessoal.”

Mais informações podem ser consultadas em seu Instagram: @deyvisonnery


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